SOBRE A MESA: CARCASSONNE

SOBRE A MESA: CARCASSONNE

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    Imagine pegar uma peça do clássico jogo de dominó e ter a opção de utilizar qualquer um de seus quatro lados, ao invés de apenas dois, para compor o todo e fazer o jogo seguir adiante. Com esse pensamento simples podemos entender o princípio básico na mecânica de Carcassonne. Mas o vencedor como melhor jogo no prêmio Spiel des Jahres, o Oscar dos jogos de mesa, do ano de 2001, não se tornou um dos jogos europeus mais populares do mundo por limitar os jogadores a encaixar peças umas nas outras, com todo respeito aos fãs e mestres de dominó, aliás, quase uma arte, um jogo de raciocínio matemático que exige bastante treino para que seja “dominado”.

    Talvez não tenha sido o primeiro jogo a apresentar ao mundo os famosos e queridos “meeples”, os pequenos homenzinhos coloridos conhecidos de qualquer jogador sério e até dos entusiastas de jogos de tabuleiro, mas foi sem dúvida um dos principais jogos a torná-los reconhecidos pelo mundo. Desenvolvido por Klaus-Jürgen Wrede e publicado primeiramente em alemão no ano de 2000, hoje já são mais de seis milhões de exemplares vendidos em pelo menos quatro idiomas e já conta com mais de dez expansões, cada uma delas adicionando mecânicas novas ao jogo.

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    Em Carcassonne ou conhecido anteriormente no Brasil como Domínio de Carcassonne pela GROW, cada jogador assume o papel de um dos Senhores responsáveis por desenvolver as terras e as estruturas em uma cidade medieval fortificada no sul da França, de onde vem o nome do jogo. O jogador deve decidir em quais projetos trabalhar entre cidades, estradas, campos e monastérios e também quando e qual dos seus seguidores ordenará para dominar as estruturas. Dependendo de onde o seguidor (meeple) é posicionado no território que vai se formando, ele pode se transformar em um Cavaleiro, Ladrão, Fazendeiro ou Monge. Assim como na maioria dos designer games europeus, a disputa segue praticamente indefinida até o final, com a participação de todos os jogadores e com grande possibilidade de reviravoltas.

    Mecânica:
    – Colocação de Cartelas de Território (Tile Placement)
    – Controle de Área

    Cada jogador possui sete meeples para dispor pelas cartelas de território que ele mesmo coloca durante a sua vez e um oitavo usado pra contar seus pontos na trilha de pontos. Devido ao limite de peças disponíveis, as decisões tomadas pelos jogadores durante a partida são difíceis e determinantes para a vitória. As cartelas de terreno na versão básica são ao todo 72, sendo uma delas o território inicial, que permite que qualquer combinação das demais peças possa ser ligada a ele, e todo o restante dividido em pilhas compartilhadas por todos os jogadores.

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    Na sua vez, o jogador deve comprar uma cartela de território, com a face virada para baixo, de qualquer pilha e então ligá-la a uma ou mais cartelas de territórios na “formação”, respeitando a regra de continuidade dos lados de cada cartela, ou seja, Cidade com Cidade, Estrada com Estrada e Campo com Campo. Depois o jogador deve decidir se colocará ou não um de seus seguidores na cartela de território que acabou de posicionar, e apenas nela, em qualquer área disponível que não possua um outro seguidor, seja dele ou de outro jogador. Nesse momento, o jogador deve levar em consideração que a junção dos terrenos pode formar uma área maior que o que há dentro dos limites da cartela de território que colocou.

    Quando uma estrutura em que o jogador possui um seguidor for concluída, aquele seguidor é retirado do “mapa”, volta para a reserva do jogador, podendo ser usado novamente em jogadas futuras e o jogador marca a sua pontuação naquele exato momento. Está aí um dos maiores dilemas do jogo. Colocar um seguidor agora e esperar concluir uma construção maior que renderá mais pontos ou reservar o seguidor para que o jogador possa aproveitar uma oportunidade única de roubar alguns pontos de outro jogador? Um dos tipos de seguidores, o Fazendeiro, ainda apresenta uma outra proposta, a de investimento a longo prazo, pois sua pontuação é contabilizada apenas no final da partida, quando todos os terrenos forem colocados na formação. Vai da estratégia de cada jogador.

    A mecânica de Carcassonne flerta de maneira equilibrada com a sorte e a estratégia. Apesar do jogador depender da aleatoriedade das cartelas de território compradas às cegas, com o andamento do jogo, cada vez mais o jogador encontrará um lugar ideal para posicionar aquela estrada que não queria, mas que faz ligação entre dois campos antes separados e, por consequência, deixando-o com mais Fazendeiros que o outro jogador e pronto para conquistar a pontuação por aqueles campos todinha pra ele! A administração dos seus seguidores também é um fator crucial, você ainda vai jogar uma partida em que um Monastério ficará entregue às moscas… e não há motivos pra deixar um Monastério vazio… a não ser que você não tenha aquele meeple arteiro à sua disposição no momento que a bendita cartela aparecer na sua mão!

    Considerações Finais:
    O fator estratégico do jogo pode ser muito bem aproveitado por jogadores mais experientes, enquanto que jogadores menos experientes irão divertir-se vendo as curiosas formas que vão se criando com o decorrer da partida na simples, mas belíssima arte das cartelas de território, ao mesmo tempo que vão captando algumas sutilezas do jogo nas possibilidades encontradas em cada jogada.

    A duração do jogo é relativamente curta, a vez de cada jogador passa rapidamente. As possibilidades são infinitas, nunca uma partida é igual à outra, logo, o fator “rejogo” é forte aqui. As regras são relativamente simples e o aprendizado é rápido, apesar de ser absolutamente normal o jogador sentir-se um pouco perdido de início com tantas opções e informações visuais nos labirintos de cidades, estradas e campos que se formam. Para jogadores experientes e novatos, Carcassonne é diversão certa e já é um clássico que deve ser apresentado às mesas de qualquer grupo de jogos de tabuleiro.

    Pontos positivos:
    – Alta rejogabilidade
    – Mecânica simples, fácil para ensinar e aprender
    – Fluidez, a vez de cada jogador passa rápido
    – Simples, mas desafiador
    – Preço acessível

    Pontos negativos:
    – Pode parecer simplista demais para jogadores mais experientes
    – O fator sorte, às vezes, pode frustrar um pouco

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2 a 5
    Idade: a partir de 8 anos
    Duração: 30 minutos
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Desenvolvedora: GROW/DEVIR (no Brasil)
    Idioma: Português
    Preço Médio: R$ 85,00

     

    Fillipe Vieira: Apenas um cara tentando encontrar seu caminho no emaranhado de ideias, sonhos e anseios que permeiam sua mente. Talvez um dia você se depare com algum jogo desenvolvido por ele. Quando esse dia chegar, é possível que esse cara tenha encontrado seu caminho. Interesses: séries de TV, cultura nerd em geral, vídeo games, ciência, história.

    5 COMENTÁRIOS

    1. Oi, estou querendo comprar este jogo, mas não sei qual edição comprar, pode me dar uma ajuda?

    2. A nova edição da DEVIR é mais cara, mas com a arte mais recente que será compatível com as novas expansões que chegarão em breve.

    3. Alguém sabe onde posso comprar esse, e outros jogos Euro, em São Paulo ou Campinas? Lojas físicas…

    4. Olá, Alex! Espero que esse link da Galápagos Jogos o ajude com a sua dúvida, a maioria das lojas especializadas em jogos de tabuleiro terá todo tipo de jogo, incluindo euros. É só acessar: https://www.galapagosjogos.com.br/lojas
      Abraços analógicos da equipe On Board!

    5. A Caixinha BG está com Carcassonne versão DEVIR e várias outras expansões à venda. Dá uma conferida no site deles!

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