SOBRE A MESA: STAR WARS THE CARD GAME

SOBRE A MESA: STAR WARS THE CARD GAME

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    pic1474141Star Wars Living Card Game ou Star Wars LCG é um jogo de cartas lançado pela Fantasy Flight em 2012 ambientado no universo Star Wars, foi desenvolvido por Eric Lang, responsável por outros títulos da família LCG como Warhammer: Invasion, Game of Thrones e Call of Cthulhu. Para quem não conhece o modelo Living Card Game, é um formato distinto do padrão colecionável tradicional que tem em Magic: The Gathering seu maior expoente. Em vez de pacotes de boosters e cartas com diferentes graus de raridade, temos pacotes de expansão em capítulos, expansões deluxe e uma caixa básica inicial em que sabemos exatamente qual o conteúdo de cada produto. Por exemplo, a caixinha de Desolation of Hoth, uma expansão de capítulo que comprei, tem exatamente as mesmas cartas de qualquer outra no planeta.

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    Ele não fica no zero por muito tempo!

    A caixa básica ou core set a qual este review se propõe cobrir contém 240 cartas e quase cem tokens com funções distintas, fiel aos demais títulos na proposta LCG em que uma caixa básica oferece todo o material necessário para que dois jogadores possam jogar tranquilamente.

    Aqui, cada jogador assume um dos lados da Força, seja o Dark Side ou o Light Side. No Dark Side, seu baralho pode ser montado misturando cartas Sith ou do Império e pelo Light Side, pode utilizar cartas Jedi e da Aliança Rebelde. Nada impede que sejam usados baralhos unicamente Jedi ou Sith, por exemplo, mas ficará limitado em opções se quiser montar um deck com tamanho mínimo de torneio de sessenta cartas. A caixa básica vem com quatro decks prontos das quatro facções citadas com 45 cartas cada um, perfeitamente utilizáveis para jogar, enquanto não se pensar em formato campeonato.

    Os objetivos de cada jogador são distintos. Enquanto o Light Side precisa destruir três cartas de objetivos inimigas, o Dark Side planeja concluir a Estrela da Morte, representado por um contador numérico que precisa atingir doze!

    Mecânica:
    – Controle de mão
    – Poderes variáveis de jogadores

    Algumas particularidades de sua mecânica o tornam um de meus jogos favoritos. Vamos começar pela customização dos baralhos. Geralmente, nos card games, se você pretende incluir uma carta em seu deck, simplesmente a inclua, respeitando obviamente, cor ou facção ou qualquer outra especificidade. Em Star Wars LCG as cartas fazem parte de conjuntos que giram em torno de uma carta objetivo ou, simplesmente, objetivo. Formado por um objetivo e mais cinco cartas, cada conjunto desse não pode ser desmembrado! Se você pretende usar Luke Skywalker em seu baralho Light Side, precisa colocar as cartas A Hero’s Journey (objetivo), Trust Your Feelings, Twi’lek Loyalist, Jedi Lightsaber e Dagobah Training Grounds. Um baralho de torneio precisa ter no mínimo dez objetivos, ou seja, sessenta cartas, podendo ter objetivos duplicados, a menos que a carta objetivo exija sua exclusividade. Cada vez que você ler a palavra objetivo pense “objetivo mais as outras cinco cartas”! Se você quer dois Palpatine em seu baralho, precisará de dois The Emperor’s Web, a carta objetivo deste conjunto. A caixa básica traz apenas um de cada objetivo, as expansões de capítulo já trazem dois de cada, por isso muitos recomendam a compra de um segundo core set para quem pretende jogar competitivamente. Aliás, sugestão feita para os outros LCGs e principal motivo de crítica ao formato, quando muitos alegam ser um jogo colecionável disfarçado, o que eu discordo.

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    O bloco número 1 da coleção

    Segundo ponto onde Star Wars LCG difere: ter cartas na mão tem um altíssimo valor estratégico. Geralmente, nos card games, manter cartas na mão só tem a vantagem do elemento surpresa para o adversário, elas ficam em sua mão, na maioria das vezes, pelo custo alto de baixá-las. Não é o caso com este jogo. Várias cartas, sejam personagens, veículos, eventos ou acessórios têm níveis de Força representados por bolinhas prateadas na parte superior esquerda (veja figura abaixo). A cada situação de conflito, quando ambos jogadores declararam seus atacantes e defensores, acontece um duelo, uma edge battle! Cada jogador, um por vez, pega uma das cartas de sua mão e a coloca na mesa com a face para baixo. Eles vão se alternando até que os dois passem. Todas as cartas são viradas e o jogador que colocou a maior quantidade de pontos de Força tem a iniciativa nos danos. Melhor ainda: alguns danos só são ativados pelo jogador que venceu a disputa. Para ter uma ideia, várias vezes fiquei com grandes nomes na mão como Yoda ou Obi-Wan Kenobi apenas para ter a vantagem numérica de seus bônus de Força! E nem vou começar a falar em todo tipo de blefe e estratégias utilizadas para enganar seu opositor, fora as cartas que existem especificamente para serem usadas nestes duelos. Se você achou estranho usar sua poker face em um jogo de Star Wars saiba que a ideia por trás desta mecânica é representar a obtenção de vantagens por um dos lados, seja na obtenção ou interceptação de informações ou qualquer tipo de vantagem tática, política ou militar. As edge battles dão um sabor muito especial ao jogo e a nova visão que exigem de gerenciamento de sua mão é muito divertida.

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    Exemplo de carta de unidade com seus atributos. Repare no símbolo da pistola no hexágono de fundo branco. Este é um caso de dano ativado apenas se a edge battle for vencida.

    Os pontos de Força das cartas contribuem para outro fator crucial em uma partida. Até três unidades podem ser comprometidas com seu respectivo lado da Força. O jogador faz isso utilizando três cartas específicas para este fim que ficam disponíveis o tempo todo até serem utilizadas. Uma vez comprometido com a Força, a unidade assim permanece até ser eliminada. No final da última das seis fases da rodada de cada jogador, o total de pontos de Força de quem está comprometido é contabilizado. Se o Light Side tiver o maior valor, pode automaticamente causar um ponto de dano em um objetivo inimigo no início de seu turno. Por sua vez, se o Dark Side levar vantagem, o contador da Estrela da Morte avança não apenas um número, mais dois, deixando mais próximo o extermínio completo dos mocinhos! O lado ruim do comprometimento é que uma unidade engajada com a Força quando utilizada em combate demora mais a se reestabelecer.

    Carta de comprometimento com o Light Side
    Carta de comprometimento
    com o Light Side

    Não irei destrinchar as demais etapas do jogo, como se obtém os recursos para invocar as cartas, como funcionam os combates e os três tipos de danos existentes, dentre outros. Considero que os pontos mais importantes e que precisam ser conhecidos para os interessados em Star Wars LCG são os já citados até agora. Relembremos: (a) leve diferenciação nos objetivos de cada lado, (b) a construção em bloco dos decks e (c) as edge battles e suas consequências no gerenciamento da mão.

    Considerações finais:
    A oferta de card games no mercado é assustadora e a perspectiva de começar a jogar mais um deles pode desanimar. Isto posto, precisamos pesar se vale a pena o investimento. Gosto muito do formato Living Card Game, conheço Star Wars, Game of Thrones, Android: Netrunner, Warhammer 40K: Conquest e Lord of the Rings. Muitos questionam a validade de uma única caixa básica, principalmente em Game of Thrones. Em Star Wars há diversão garantida com os baralhos prontos disponíveis. Misture um pouco, e você tem dois bons baralhos de cada lado da Força. Some a isso os tokens de foco, dano e escudo, o contador da Estrela da Morte, um excelente manual, e belíssimas artes nas cartas, tudo com padrão Fantasy Flight de qualidade. Tenho algumas expansões e uma segunda caixa básica, sim, mas todas as minhas partidas até agora foram feitas com baralhos de um único core set.

    Existem duas outras afiliações, o Smugglers and Spies onde você encontrará Han Solo, Chewbacca, Lando Calrissian e a Scum and Villany com Boba Fett, Jabba e todo esse resto de escória espacial. Entretanto, estas duas necessitam da expansão deluxe Edge of Darkness. A caixa básica até traz as cartas de afiliação e um conjunto de objetivo de cada, mas isto é insuficiente para montar um baralho focado nelas.

    Uma das várias expansões de capítulo já lançadas
    Uma das várias expansões de
    capítulo já lançadas

    Quanto a ambientação, muitos criticam não ter um sabor Star Wars mais acentuado. Sinceramente, não entendo o que isso quer dizer. Já tive partidas com final cinematográfico, com a Estrela da Morte marcando onze e Luke Skywalker voltando da pilha de descarte na última rodada guiado pelo espírito do velho Obi-Wan e vencendo a batalha final! Se alguém esperou poder mover as cartas com a mente ou receber uma trancinha padawan de brinde deve ter ficado realmente desapontado.

    Pontos positivos:
    – Estratégias diferentes da maioria dos card games
    – Formato LCG que não exige a compra contínua de novas cartas ou expansões
    – Manual muito bem exemplificado
    Edge Battles
    – Star Wars, oras!

    Pontos negativos:
    – “Você vai comprar todas as expansões!” Obi-Wan Kenobi
    – O core set poderia trazer dois objetivos de cada, como acontece nos packs de capítulo

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2
    Idade: a partir de 10 anos
    Duração: 60 minutos
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Desenvolvedora: Fantasy Flight
    Idioma: Inglês
    Preço Médio: R$ 190,00

    ludopedia BGG

     

    Lucas Andrade (Lukita ou Meistre Lucas) "O Homem que se Espalha": A mente geradora da fagulha primordial responsável pela materialização do grupo. É ou foi professor de Matemática de todas as pessoas de gerações mais novas que conhece. É presidente e provavelmente o membro mais empenhado em idealizar novos projetos, iniciativas e firmar parcerias. Tente comer durante as partidas ou amarrotar a toalha oficial das mesas e verá despertar nele um tique nervoso capaz de tirá-lo de seu estado racional. O fato de ser adepto e precursor no grupo do modo de jogo intitulado por ele mesmo "Red Lukita vs. Blue Lukita" revela um aspecto esquizofrênico de sua personalidade. Não joga à vontade sem uma trilha sonora que remeta ao jogo que estiver à mesa. Outros interesses: ópera e música clássica em geral, quadrinhos da DC Comics, esportes americanos, séries de TV, clássicos do cinema.

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    7 COMENTÁRIOS

    1. Parabéns pelo texto. Meu noivo comprou recentemente esse jogo, mas ainda não jogamos. Eu acho cardgames um pouco desanimadores, por essa questão das expansões. Mas realmente nada que se compare com a loucura do formato CCG (já joguei Magic). Gosto muito de GoT, LotR e Netrunner.

    2. Obrigado, Aline! Cards realmente consomem tempo e dinheiro, dois bens preciosos em nosso hobby, mas com apenas uma caixa básica, como disse acima, você terá muita diversão para várias partidas casuais. Misture decks Sith/Império e Jedi/Rebeldes e o jogo terá bastante gás! Gosto da proporção 60% de uma facção e 40% de outra e sempre use a carta de afiliação da menor facção no deck para, pelo menos, ter um recurso dela garantido!

    3. Excelente review. Nunca tinha lido nada sobre detalhes desse LCG e como gosto de Star Wars, deu vontade de jogar.
      Agora só ta faltando um review do Android: Netrunner. Espero que a Galápagos traga os 2 o mais rápido possível!

    4. Fala com a Dragon’s House em Floripa, com o Namir Elias. Ele tem a caixa básica e expansões a pronta entrega. O jeito mais fácil é falar com ele por telefone (48) 3222-9793. Diz que o Lucas do On Board te deu a dica. Ele geralmente não envia coisas, mas bate um papo bacana com ele, hehe! O jogo é muito bom!

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