SOBRE A MESA: THE LORD OF THE RINGS THE CARD GAME

SOBRE A MESA: THE LORD OF THE RINGS THE CARD GAME

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    lotrElen síla lúmmenn´omentielvo! Uma estrela está brilhando no momento do nosso encontro, eis o cumprimento dos elfos! Sempre fui um grande fã de Tolkien e do mundo criado pelos Valar, além de elfos, anões e magos e, quando fui avisado deste jogo, acabei comprando o box básico! The Lord of the Rings Living Card Game é foi criado em 2011 por Nate French que produziu cartas para Call of Cthulhu Card Game e Game of Thrones Card Game, o que já dá boas evidências de sua qualidade. A temática é baseada no mundo da Terra-Média onde os guerreiros deverão cumprir missões de modo cooperativo ou solo. As expansões acrescentam personagens importantes do mundo tolkeniano além de novos aliados, porém, este review será apenas do box básico.

    O box básico contém 226 cartas que se dividem em grupos de heróis, cartas de quest, cartas como eventos, aliados, encontros e acessórios (attachments), além de um belíssimo contador, tokens de progresso, de recurso e do primeiro jogador. Embora o jogo seja cooperativo, há possibilidade de ser usado competitivamente, onde a própria empresa dá sugestões para se registrar o desempenho em um evento. As quests tem ambientação de locais “reais” do livro, entretanto, não tem relação direta com os eventos da obra.

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    Uma pletora de cartas

    Mecânica:
    – Cooperação
    – Manutenção de mão
    – Poderes variáveis de jogadores

    O jogo tem como objetivo resolver as quests propostas pelas cartas deste tipo e que podem fornecer, ou não, pré-requisitos para o início da partida. Antes de nos aprofundarmos na mecânica, entretanto, é importante salientar algo. O baralho é dividido em quatro decks de “esferas de influência” diferentes. O que seriam essas esferas? São runas de representação de atributos que dão ênfase a cada um dos decks, representando uma natureza em específico. As quatro esferas são:

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    As quatro esferas de influência

    Leadership (liderança) e tem como heróis, Aragorn, Glóin e Theodréd. Essa esfera tem ataques físicos fortes como é de se esperar e o banco de recursos está sempre cheio.

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    A esfera Tactics (tática) tem como heróis: Legolas, Gimli e Thalin. Pancadaria para valer! Golpes e personagens fortes que ajudam muito a acelerar as quests da partida.

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    Spirit (espírito) que tem como heróis: Éowyn, Dunhere e Eleanor. Essa esfera ataca diretamente na essência do jogo que são os pontos de “threat”, pontos somados contra os jogadores e que devem ser evitados ao máximo.

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    Lore (sabedoria) tem como heróis: Denethor, Glorfindel e Beravor. É a esfera mais equilibrada e ideal para partidas solo, já que é a única esfera que permite recuperar pontos de vida devido aos ataques físico dos seres das sombras além de ressuscitar personagens também. Além disso, esta esfera, como é esperado de indivíduos sábios em meio à guerra, tem a característica de conseguir aliados, deixando a mesa cheia!

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    É difícil decidir entre uma esfera ou outra já que são todas poderosas em suas particularidades. Os ataques físicos dos inimigos, entretanto, são igualmente poderosos, o que torna este jogo bastante difícil e desafiador. Às vezes até demais. Para se ter uma ideia, ele começa, basicamente, com a escolha de uma das esferas. Em seguida somamos o custo de ameaça (canto superior esquerdo) das cartas dos heróis para já colocarmos esse total no contador de ameaça. Aragorn acima, por exemplo, tem nível 12. O problema? Se a pontuação chegar a 50 no decorrer da partida, game over! Gostou da esfera Lore? O contador já começa em 30!

    Uma rodada é dividida em sete fases:

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    Layout do jogo

    1. Recurso: nesta fase o jogador deverá recolher um token para cada herói e recolher do seu deck seis cartas aleatoriamente que poderão ser substituídas caso o jogador achar que sua mão é ruim, mas na segunda vez, ele deverá aceitar esta segunda mão.

    2. Planejamento: esta é a única fase em que é possível colocar aliados na mesa, por isso, dependendo da situação e do aliado, como Gandalf que, assim como nos livros, aparece e desaparece de acordo com a sua vontade, Bilbo Bolseiro que o diga (!), ou mesmo dos inimigos, pode ser interessante manter o banco de recursos.

    3. Quest: esta fase é definida por decidir quais heróis deverão se engajar na quest. Esta fase é delicada porque os números de threats são contados aqui e estão disponíveis na parte superior esquerda das cartas de encontro. Se a soma das cartas de encontro for superior ao valor da soma do willpower das cartas de heróis, o segundo número de cima para baixo, há um aumento no contador, caso contrário, os tokens de progresso deverão ser acrescidos à quest ou ao terreno se ele estiver ativo. Decidir se um herói ou um aliado deve estar engajado pode ser decisivo!

    4. Travel (viagem): esta fase ocorre se for decidido pelos jogadores ativar uma localização, pois há pontos de threats neles também. O acúmulo de localizações acarreta também no acúmulo de threat, entretanto, quando um terreno está ativo esses pontos não contam mais, mas é permitido apenas um terreno ativo por vez.

    5. Encontro: este é o momento em que há engajamento de inimigos com heróis e é definido qual inimigo engajará o herói. O engajamento, todavia, só ocorrerá se o número de threat do inimigo for menor ou igual ao do contador, se o número for maior, ele não entrará em cena. Uma vez engajados, os pontos de threat não serão mais contados, mas a pilha de inimigos só aumenta se não forem derrotados!

    6. Combate: a fase tão esperada tem um acréscimo inesperado! Uma carta de encontro é colocada sobre cada inimigo e antes de haver qualquer ataque são resolvidas as shadowcards, parte inferior destas cartas que são identificadas por uma caveira, onde absolutamente tudo de pior pode acontecer. Uma vez resolvidos estes efeitos surpresa, os ataques são feitos pelos inimigos engajados nos personagens que poderão defender ou não. Se o personagem não defender, tomará danos puros, caso contrário, o dano será diminuído de sua defesa, representada por um escudo. Uma vez que o personagem defender, ele estaá exausto e não poderá atacar na rodada seguinte. Se o personagem atacar, o princípio de ataque e defesa para o inimigo é o mesmo, ou seja, diminuir o ataque pela defesa.

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    Shadowcard

    7. Refresh (reanimar): Levantar todos os personagens, além de colocar um token de recurso para cada herói apenas e aumentar em um o contador de threats.

    Considerações finais:
    É um jogo delicioso, divertido, tenso e com muita aritmética básica envolvida. A ambientação é impecável ainda mais com as belas imagens que cada carta traz. O nível do jogo é difícil e tão desafiador que jogadores novos podem perder o interesse de imediato. Pelas regras, existe um modo “light” que elimina os efeitos das shadowcards. Já experimentei e realmente faz alguma diferença em termos de dificuldade, mas nem tanto assim. A sorte é relativamente alta, já que há embaralhamentos muitas vezes por causa de algumas cartas de evento. Tirar um Gandalf não é muito fácil, por exemplo, já que só há uma carta para cada deck. Recomendo para jogadores que curtem o desafio de uma mecânica mais complexa, de um jogo desafiador a ponto de parar para pensar se vale a pena sacrificar algum aliado importante. Apesar da dificuldade extrema, compensa o investimento por todo o cenário existente e pela mecânica voltada ao cenário da Guerra do Anel. Achou que Frodo, Sam e Sméagol tiveram sorte por todos os momentos da sua jornada? Aqui também não! Namárië!

    Pontos positivos:
    – Desafiador
    – Belíssima arte
    – Temática voltada ao contexto dos livros do Senhor dos Anéis sem ser repetitivo
    – Manual detalhado

    Pontos negativos:
    – No box básico, apenas três quests. Muitas expansões e muitas caixas com outras quests que simplesmente poderiam ser expansões.
    – Desafio pode assustar e torná-lo desinteressante dependendo do perfil do jogador.

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2 jogadores
    Idade: a partir de 13 anos
    Duração: 30 – 90 min
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Desenvolvedora: Fantasy Flight/Galápagos (no Brasil)
    Idioma: Inglês
    Preço Médio: R$ 160,00

     

    Ramon Diedrich (Mon Rá, O Hobbit) "Senhor dos Jogos Demoníacos": Ramon é um dos fundadores do grupo e esteve presente na primeira conversa que idealizou o projeto. Praticamente uma criatura lendária, é professor de biologia, fluente em Quenya, a língua élfica do universo de Tolkien, estuda no momento o idioma Dovahzul (Skyrim), fuma cachimbo e é dono da "gargalhada" mais engraçada que você poderia ouvir na vida. É também fã de jogos com temática biológica/científica e horror ao melhor estilo H. P. Lovecraft. Outros interesses: motocicletas, Filosofia, cachimbos, Tolkien, séries de TV, filmes clássicos.

    3 COMENTÁRIOS

    1. Parabéns pela excelente qualidade do review. Estou em dúvida entre comprar esse card game e o LCG de Game of Thrones, ambas temáticas me interessam. Que comparações podem ser feitas de ambos?

    2. Caríssimo Rafael, muito obrigado! Bom, são dois jogos bem distintos. LoTR cooperativo e dá de jogar solo, muito bonito e temático. GoT competitivo, vai exigir um pouco mais de aquisições para deixar o jogo mais fluido. Sugiro que conheça mais a fundo conosco, já que temos ambos, podemos fazer umas demonstrações! Grande abraço!

    3. Um dos primeiros textos do meu blog foi sobre esse jogo. Uma informação importante que não foi mencionada é a possibilidade de utilização de deck misturando esferas.

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