SOBRE A MESA: 7 WONDERS

SOBRE A MESA: 7 WONDERS

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    pic860217_lgEm 7 Wonders os jogadores terão em suas mãos uma das grandes cidades históricas responsáveis por erguer as sete maravilhas do mundo antigo. O jogo se desenrola durante três eras, quando as cidades se desenvolvem, estruturas são construídas, rotas de comércio são estabelecidas, batalhas são travadas em busca da supremacia militar e majestosos monumentos são erguidos etapa a etapa por toda a empreitada.

    Passando pelas Pirâmides de Gizé ao Farol de Alexandria, do Colosso de Rodes aos Jardins da Babilônia, os jogadores terão muitos caminhos desafiadores pela frente enquanto lutam para que sua nação alcance a glória e que seu nome transcenda as eras futuras.

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    Imagem Galápagos Jogos

    7 Wonders foi desenvolvido pelo designer Antoine Bauza (Hanabi, Ghost Stories) e lançado no ano de 2010. Foi vencedor de inúmeros prêmios, incluindo o Kennerspiel des Jahres de 2011, o mais importante dentre eles. A versão básica do jogo foi trazida para o Brasil pela Galápagos Jogos e a produtora fez questão de deixar à vista todos os prêmios conquistados (26 ao todo) de maneira elegante em torno de toda a caixa. Com a mesma belíssima e imersiva arte do ilustrador filho de portugueses Miguel Coimbra, a versão nacional tem tanta qualidade quanto a original, não só na arte como em seus componentes.

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    O jogo já conta com três expansões: Leaders, Cities e um Wonder Pack, cada uma adicionando componentes, maravilhas e mecânicas à caixa básica e está prestes a receber uma nova, Babel, que trará dois módulos que podem ser utilizados em conjunto com quaisquer outras expansões. Também existem maravilhas promocionais, entre elas uma versão que faz homenagem ao jogo Settlers of Catan (Colonizadores de Catan, no Brasil). No entanto, o único material nacional até o momento é a versão básica.

    Mecânica:
    – Seleção de Cartas (Card Drafting)
    – Coleção de Conjunto
    – Ações Simultâneas de Jogadores
    – Poderes Variáveis dos Jogadores

    7 Wonders é um jogo de cartas muito simples e elegante. A partida se estende ao longo de três rodadas, cada uma representando uma Era. No início de cada rodada, os jogadores recebem sete cartas de um baralho específico para aquela Era e que deverão ser escolhidas e usadas uma por vez no decorrer de seis turnos, uma carta em cada turno. Os jogadores usarão então seis cartas ao todo em uma rodada inteira, descartando a carta que sobrar.

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    (Foto On Board)

    Porém o jogo traz um ingrediente caótico em sua mecânica. Na passagem dos turnos, depois do jogador ter usado uma carta, ele deve passar todas as cartas restantes na sua mão para o jogador à sua esquerda ou direita, dependendo de que Era a partida se encontra. Isso adiciona à imprevisibilidade no decorrer da partida e pode ser interpretada como os contratempos inesperados enfrentados pelas civilizações durante seu desenvolvimento. Não chega a atrapalhar no planejamento da sua estratégia, mas vez ou outra você tem de estar preparado para improvisar. Na verdade, isso pode e deve ser usado também ao seu favor, pois você vai perceber que o outro jogador precisa de determinada carta e você pode usá-la ou descartá-la para impedi-lo de tê-la em mãos.

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    (Foto On Board)

    As ações possíveis a se realizar com uma carta, todas elas de estruturas que podem ser construídas em sua cidade, são as seguintes: Construir a estrutura (colocá-la em sua cidade para que você receba seus benefícios), Construir um estágio da Maravilha (você descarta a carta, ignorando seus benefícios, para desenvolver um dos estágios de sua Maravilha, liberando assim outros benefícios) ou Pegar 3 Moedas do banco (você descarta a carta com a face voltada para baixo e pega três moedas do banco para a sua cidade).

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    (Foto On Board)

    Cada uma dessas estruturas tem um custo para ser construída na sua cidade, algumas requerem uma moeda que é paga ao banco, outras requerem matérias-primas (pedra, madeira, minério e argila) ou produtos manufaturados (vidro, tecido e papiro). Outras ainda podem ser construídas gratuitamente por não possuir um custo ou se o jogador possuir as estruturas requeridas (uma estrutura prévia libera outra em uma Era futura, como se fosse um upgrade, muito comum em jogos). A maioria das estruturas que geram recursos na primeira Era são construídas gratuitamente, então geralmente o que ocorre é que os jogadores preparam-se na primeira rodada adicionando um bom número de recursos diversos para que nas rodadas seguintes tenham um “motor” que será responsável por colocar suas próximas cartas. Se o jogador não possuir o recurso necessário para colocar suas estruturas em jogo, ele pode ainda comprar de cidades vizinhas, que são os jogadores imediatamente à sua esquerda e à sua direita.

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    (Foto On Board)

    No final de cada rodada os jogadores comparam o poder militar de suas cidades com o de suas duas cidades vizinhas. Esse poder militar é proporcionado por estruturas militares (e a maravilha Colosso de Rodes, na caixa básica). As vitórias e derrotas militares contam pontos no final da partida. Aliás, em 7 Wonders praticamente todo o seu desempenho será avaliado ao final da partida. Sem contar as estruturas específicas para geração de recursos, existem cinco tipos diferentes de estruturas: militares, civis, comerciais, científicas e as guildas. Cada uma é praticamente um caminho diferente que você pode escolher focar para que tenha mais chances de ir bem na pontuação final. Elas também pontuam de diferentes formas que acredito não ser necessário esmiuçar por aqui, mas basta saber que são várias possibilidades, algumas cartas pontuando em conjunto com outras, outras pontuando solitariamente.

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    (Foto On Board)

    Aí vai uma dica: de acordo com as partidas que jogamos, conseguimos observar que o ideal é você escolher pelo menos dois caminhos para focar na sua estratégia, além de cuidar da sua força militar, principalmente na terceira rodada, onde os pontos recebidos por vitórias militares são maiores.

    Considerações finais:
    O jogo tem ar de administração de recursos. Talvez esteja mais para “preparo” de recursos para a utilização dos mesmos em estruturas futuras, porque a maneira na qual são obtidos e administrados não é nada complexa. Também parece ser um jogo que promove muito mais as transações comerciais do que o conflito direto. Acontece a parte de conflito militar, mas é bem simples e passageira, não é o foco. O caminho da ciência tem um papel importante na pontuação final, assim como as guildas. São ambos caminhos difíceis, mas que podem recompensar muito se derem certo. Os caminhos e estratégias diferentes a se tomar, além do grande número de possibilidades de conjuntos de cartas e poder usar diferentes versões de uma mesma maravilha sem haver desequilíbrio (lado A, lado B) valorizam bastante o rejogo aqui.

    A duração da partida condiz com o que é informado na caixa, trinta minutos. Claro que isso pode mudar quando disputada com o número máximo de pessoas, mas num geral é tudo muito fluido. Depois dos primeiros turnos todos estarão bem familiarizados com sua mecânica simples. Um conselho: mesmo que as ações aconteçam de forma simultânea nos turnos, o ideal é que todos, um por vez, informem claramente o que estão fazendo naquele momento, incluindo se possuem os recursos requeridos ou estão comprando de algum vizinho, assim tudo fica mais organizado. Houve momentos em que prestávamos pouca atenção ao que os outros jogadores estavam fazendo e cada um cuidava mais das “suas coisas”, deixando escapar jogadas importantes.

    Como não é possível saber exatamente qual é a pontuação de cada jogador no decorrer da partida, talvez seja de alguma ajuda a informação de que uma média para que você tenha alguma chance de conseguir a vitória é em torno de 50 pontos, pelo menos essa foi a constatação nas partidas do nosso grupo. No entanto houve uma partida em que nossa querida integrante Ana Clara Marian (arquiteta dos combos) conseguiu cravar o recorde no grupo até o momento: 74 pontos! E aí, você já é fera em 7 Wonders? Conseguiu alcançar essa marca? Acreditamos ser uma ótima pontuação. Fique à vontade pra deixar registrada aqui sua “vitória magistral batedora de recordes” neste excelente jogo!

    Pontos positivos:
    – Mecânica simples
    – Fluidez
    – Rejogabilidade altíssima
    – Totalmente visual, não necessitando leituras durante o jogo
    – Arte e componentes belíssimos

    Pontos negativos:
    – Cada um pode jogar seu jogo com pouco interesse nos vizinhos
    – Se você e seus vizinhos não produzirem certo recurso, dificultará sua estratégia

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2 a 7
    Idade: a partir de 10 anos
    Duração: 30 minutos
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Desenvolvedora: REPOS Production/Galápagos Jogos (no Brasil)
    Idioma: Português
    Preço Médio: R$ 160,00

     

    Fillipe Vieira: Apenas um cara tentando encontrar seu caminho no emaranhado de ideias, sonhos e anseios que permeiam sua mente. Talvez um dia você se depare com algum jogo desenvolvido por ele. Quando esse dia chegar, é possível que esse cara tenha encontrado seu caminho. Interesses: séries de TV, cultura nerd em geral, vídeo games, ciência, história.

    3 COMENTÁRIOS

    1. O Jogo é bom, no entanto colocaria como ponto negativo a contagem de pontos acaba por ser mais morosa que o próprio jogo.

    2. Tem razão, a contagem de pontos é um pouco demorada, mas existem aplicativos grátis que você pode baixar no seu smartphone que podem ser uma ótima alternativa. Eu uso o 7 Wonders Score Sheet, desenvolvido por Chris Renke. É super completo.

    3. Já vi muita discussão sobre a variante para 2 jogadores. Tem gente que odeia e tem gente que diz que é a melhor maneira de jogar 7 wonders.

      O que você acha?

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