SOBRE A MESA: TSURO

SOBRE A MESA: TSURO

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    tsuroTsuro é um jogo encantador que sabe equilibrar simplicidade com alta rejogabilidade e grande divertimento. Elegante em todos os aspectos, seja na sua mecânica simples, seja na sua arte maravilhosa. Criado por Tom McMurchie e lançado em 2004, Tsuro conta com uma premissa poética onde relata como o Dragão e a Fênix são responsáveis por guardar os caminhos do conhecimento divino, servindo como guias e guardiões dos caminhos da vida e mantendo o delicado equilíbrio entre as forças do destino e da escolha (aspectos bem representados na mecânica pela relação entre comprar caminhos aleatórios e escolher quais caminhos usar).

    Aqui, portanto, não se trata sobre dragões batalhando e cuspindo fogo no céu, mas sobre grandes espíritos protetores que dançam nos céus espirituais, seguindo as correntes de ar, em seu tracejar sinuoso. É certamente um jogo que tem um fundo bastante poético, mas que em sua mecânica, apresenta-se propício para os mais diferentes tipos de jogadores. Pode facilmente ser encarado como um simples quebra-cabeça, um desafio tático entre jogadores, uma dança entre dragões ou uma poesia sobre o movimento.

    Por ser simples e dinâmico, agrada diversas idades e diversos humores e é ótimo como um “filler” na sua coleção, para preencher aquele tempo de espera entre uma sessão ou outra ou o intervalo do almoço. Extremamente fluido e eficiente seja com 2 ou 8 jogadores, agradável aos olhos e ao tato e com uma mecânica muito simples, Tsuro acabada servindo, também, como uma excelente apresentação para aqueles que querem começar a conhecer alguns desses novos jogos de tabuleiro, uma entrada leve, muito saborosa e que, provavelmente, será provada muitas vezes.

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    O tabuleiro e as peças

    Mecânica:
    – Eliminação de jogadores
    – Manutenção de mão
    – Colocação de tiles

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    Os “Dragões” alinhados e prontos para voar

    Em Tsuro, cada jogador conta com um peão que representa seu dragão e tem como objetivo ir criando caminhos para o seu dragão mover-se sem que esses caminhos levem-no para fora do tabuleiro. O jogador que permanecer por último é o vencedor.

    O jogo é dividido basicamente em três componentes. O tabuleiro, os peões, que representam os dragões, e os “tiles de caminhos” que possuem diversas combinações de caminhos diferentes por onde os dragões podem passar.

    No setup cada jogador deve escolher um ponto de partida inicial colocando seu dragão em uma das marcas ao redor da beirada do tabuleiro. Depois, cada jogador recebe três “tiles de caminhos” aleatoriamente. Os demais ficam de lado numa pilha de compras. A partir daí o jogo começa. Cada jogador na sua vez fará o seguinte:

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    Tiles de caminhos

    1. Colocará um “tile de caminho”. Esse tile precisa obrigatoriamente ser colocado em um espaço próximo ao seu dragão, de modo que o caminho que aquele dragão está fazendo possa continuar.
    2. Moverá seu dragão até o fim da linha desse novo tile recém colocado. Os dragões obrigatoriamente sempre se movem até o fim do caminho, leve ele onde levar.
    3. Compra um tile novo.

    O objetivo é colocar tiles de caminho de forma que o seu dragão fique o maior tempo possível dentro do tabuleiro. Se qualquer caminho o levar para as beiradas do tabuleiro, você está fora.

    O jogo continua dessa forma, de maneira que, com o tempo, o tabuleiro vá sendo preenchido por novos e novos tiles de caminho. Esses novos tiles vão fechando as saídas seguras para os adversários e gradualmente tornando o jogo mais difícil. Com o tempo é inevitável que você pegue um caminho direto para fora do tabuleiro (o que é o fim para você) ou acabe levando seu dragão a se chocar contra outro dragão (o que coloca os dois para fora do jogo também). Diversas táticas podem ser pensadas e é sempre importante estar de olho aos movimentos do adversário porque nem sempre é seguro ficar muito próximo de outro dragão.

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    Os Dragões seguindo os seus caminhos. A coisa ainda está tranquila.

    Considerações finais:
    Tsuro é um daqueles jogos que não consigo pensar em algo para criticar. Ele é um jogo simples, sim, mas dentro da sua proposta é perfeito. Talvez não agrade ao jogador hardcore, mas mesmo esse jogador vai ter aqueles momentos em que quer apenas relaxar e deixar a coisa fluir. Todos os elementos estão bem harmonizados, não há furos na mecânica, a dinâmica do jogo é fluida, o que podemos traduzir como fácil e agradável.

    Sempre uso ele para apresentar novos jogadores ao meio, sejam pessoas mais velhas ou crianças, todos se encantam com o jogo, do visual à mecânica. Lembro com carinho que foi o jogo que me ajudou a me aproximar ao Lucas e o Ramon, os cabeças do On Board, e que jogamos algumas dezenas de partidas numa única noite na praça de alimentação de um shopping.

    Um dos top “10” da minha coleção, devido à extrema elegância de como os elementos são apresentados e de como o jogo é desenvolvido durante a partida. Uma verdadeira poesia visual e tátil que merece ser conferida ao menos uma vez.

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    Fabian Antunes e Fillipe Vieira do On Board apresentando Tsuro para novos jogadores em uma Big Board Night, evento semanal de nossa iniciativa.

    Pontos positivos:
    – Mecânica simples
    – Fluidez
    – Rejogabilidade altíssima
    – Totalmente visual, não necessitando leituras durante o jogo

    Pontos negativos:
    – Pode ser simples demais para alguns jogadores

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2 a 8
    Idade: a partir de 8 anos
    Duração: 20 minutos
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Desenvolvedora: Calliope Games
    Idioma: Inglês
    Preço Médio: R$ 150,00

     

    Fabian Antunes é um cara qualquer tentando parecer normal, embora adore coisas um pouco deslocadas.

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