OS CINCO MELHORES JOGOS PARA LEVAR NO DOMINGÃO EM FAMÍLIA

OS CINCO MELHORES JOGOS PARA LEVAR NO DOMINGÃO EM FAMÍLIA

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    Domingão, almoço em família ou churrascão de aniversário daquela tia da sua esposa ou de seu marido que você mal conhece. Depois dos trabalhos gastronômicos quase encerrados, fazer o quê? Se você for do meu tipo que não sabe nada de futebol, não faz ideia do nome de qualquer novela da Globo e nem bebe tanta cerveja assim, o desfecho é inevitável. Esperar pela piada do pavê, desejar a morte diante da Regina Casé e soltar sorrisinhos estratégicos em meio às piadas internas da família. Você não adora quando alguma outra tia diz para você “não liga, não, a gente é meio doido”? Como se isso não servisse para todas as famílias da galáxia!

    Mas você é board gamer! Correm micromeeples vermelhinhos em suas artérias! É sua missão divulgar nosso hobby e mostrar que existe jogo para todo momento e para todo tipo de público. Puxe seu Kit do Desbravador de Mesas e chame a família louca! Aqui vão cinco sugestões de jogos lançados no Brasil, práticos de levar, acessíveis para novatos, que ocupam pouco espaço, assim a mesa fica liberada para o sagu (really?) e que garantirão sua sobrevivência mental por pelo menos mais uma semana!

    Não pretendo aqui fazer uma resenha ou explicar os jogos como fazemos na seção Sobre a Mesa, a intenção é mostrar as características de cada jogo que são relevantes para a ocasião proposta.

    Hanabi
    O vencedor do Spiel des Jahres, prêmio alemão que significa jogo do ano, de 2013 é sucesso garantido. Primeiro, por ser cooperativo, permite que quem sofre da síndrome do “eu sou muito tanso” possa jogar tranquilamente. Segundo, porque colocar cartas em sequências numéricas agrada aquela vó viciada na canastrinha semanal. Terceiro, que quando você contar que as cartas são mantidas ao contrário em sua mão, deixe isso para o grand finale, as reações serão memoráveis. Espere boas risadas com gente comprando carta do jeito tradicional e espasmos nervosos quando alguém estiver prestes a descartar aquela carta importante. Avise que reações extremas também são informações e que não podem ser passadas gratuitamente, mas não seja tão rigoroso com seu público. Deixe a diversão seguir, lembrando que você está em uma mesa de novatos e de várias faixas etárias, provavelmente. Por 35 reais, vale até como presente de amigo secreto para ter mais uma cópia na família. Pena comportar apenas cinco jogadores.

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    The Resistance
    Esse é bom para juntar os primos, tios, sobrinhos. Como ele exige certa malícia, não sei se é boa pedida para os bem mais velhos. Simule uma missão explicando e dando dicas de estratégia para ambos os lados, Resistência e espiões do governo, e puxe as discussões e acusações, afinal esse é o jogo e você é o experiente aqui. Na segunda partida, todos já estarão mais à vontade. Claro que um jogador mais experiente de The Resistance aprende a identificar tudo como pista, começando pela escolha de times e sua aprovação ou reprovação. Uma mesa nova, inicialmente, se baseará nos resultados das missões, apenas, o que já garantirá uma boa dose de intriga. Alimente isso, não tenha pressa em resolver os resultados. O bom deste jogo é quase não ter exigência do que os jogadores devem fazer, mecanicamente falando. Você pode instrui-los o tempo todo sem detrimento da estratégia, pois aqui o que vale é o julgamento de cada um.

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    Zombie Dice
    O tema pode não agradar aos mais velhos, eu que sou quase quarentão, quando falo mais velhos, estou falando sério! Alguns talvez nem saibam o que é um zumbi. Mas se você quiser ser a alegria da garotada e assumir o posto de tio divertido da família, Zombie Dice é sucesso garantido. Não deixe de mostrar, no entanto, que há uma dose de decisão em parar baseada não apenas nos tiros recebidos, mas nas cores que ainda estão no tubo, para adicionar mais uma leve camada de escolha. Dica pessoal: se não tiver uma bandeja de dados com você, ensine antes como lançá-los. Acredite, quem não é do hobby não sabe jogar dados! E não adianta fazer uma roda com quinze sobrinhos, apesar do que diz na embalagem, jogar com muitas pessoas pode demorar muito!

    Humanos servidos em bandejas! Aí sim! (Foto On Board)
    Humanos servidos em bandejas! Aí sim! (Foto On Board)

    Coup
    Esse transpira blefe! Pedida certa para quem gosta do estilo. Jogadores de truco e pôquer são bem-vindos, ou seja, cai muito bem em uma roda mais madura. Por ser muito rápido, permite meia dúzia de partidas em um intervalo pequeno, fundamental para que todos peguem o jeito. Coup não é sobre entender as regras, sobre o que você pode fazer em cada turno, isso é muito simples de explicar. Ele é sobre o que você alega que pode fazer. E essa malícia do jogo é que precisa ser adquirida. Isso deve acontecer na terceira ou quarta partidas com os que são mais honestos. Acontece. Às vezes a pessoa é tão correta ou insegura que tende a jogar Coup apenas com o que tem em mãos. O grande e divertido diferencial do jogo é permitir usar qualquer habilidade.

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    Dixit
    Criatividade e abstração em um dos jogos com menos cara de jogo que tem por aí. Os grupos regulares de board gamers tendem a ter pessoas de idades próximas ou com uma variação máxima de quinze, vinte anos. Que tal experimentar seu Dixit na festa de família com um grupo que vai de oito a oitenta anos? De todas as sugestões deste Top 5, é o que melhor atende idades diferentes e, consequentemente, modos de pensar diferentes, o que pode ser um desafio totalmente renovado e ampliado. Ainda mais se for com membros menos conhecidos da família do cônjuge. Experimente também com grupos distintos de mesma faixa etária. Só com as crianças, com os de meia idade, com os mais velhos… Há muitas possibilidades para explorar cada nuance de Dixit. Valerá a pena nem que seja para ver a primeira reação dos novos jogadores diante de sua arte espetacular. Leve, poético, imaginativo, opção para todos os públicos!

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    Então, amigo jogador, pare de achar que sua coleção serve apenas para seu grupo. Encare o desafio, leve seu jogo para o próximo domingo em família e traga mais gente para este mundo fascinante. Todos sairão ganhando. Até a infame piada do pavê poderá evoluir, quando seu tio fanfarrão começar a ver as caixas de jogos esperando quem sabe ele não pergunte: mas é pavê ou é “pá jogá”?

    Abraços analógicos!

    Lucas Andrade (Lukita ou Meistre Lucas) "O Homem que se Espalha": A mente geradora da fagulha primordial responsável pela materialização do grupo. É ou foi professor de Matemática de todas as pessoas de gerações mais novas que conhece. É presidente e provavelmente o membro mais empenhado em idealizar novos projetos, iniciativas e firmar parcerias. Tente comer durante as partidas ou amarrotar a toalha oficial das mesas e verá despertar nele um tique nervoso capaz de tirá-lo de seu estado racional. O fato de ser adepto e precursor no grupo do modo de jogo intitulado por ele mesmo "Red Lukita vs. Blue Lukita" revela um aspecto esquizofrênico de sua personalidade. Não joga à vontade sem uma trilha sonora que remeta ao jogo que estiver à mesa. Outros interesses: ópera e música clássica em geral, quadrinhos da DC Comics, esportes americanos, séries de TV, clássicos do cinema.

    6 COMENTÁRIOS

    1. Adorei a resenha. Antes mesmo de ler eu já estava pensando na maioria deles e fiquei feliz em perceber que eu não era o único a pensar nestes jogos. Só o The resistence ainda não joguei.

    2. Puxa, que legal! Se escrevesse este artigo hoje, certamente seria um pouco diferente.

    3. Acrescento ainda Nosferatu (na linha do The Resistance) !!!

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