SOBRE A MESA: KING OF TOKYO

SOBRE A MESA: KING OF TOKYO

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    KOTKing of Tokyo é um jogo para 2 a 6 jogadores, desenvolvido pelo ilustre Richard Garfield, o mesmo criador dos card games Magic The Gathering e Android: Netrunner. Nele os jogadores são colocados na pele de gigantescos e poderosos monstros que, por uma razão qualquer, resolveram achar que Tóquio é o melhor ringue de luta do mundo. Resultado: A pancadaria rola solta. Qualquer semelhança com os clássicos monstros japoneses, os Kaijus, não é mera coincidência. O jogo inspira-se e faz uma homenagem a toda a cultura dos monstrengos gigantes, de um jeito leve e bem humorado, revelando-se uma experiência divertida que pode ser uma ótima opção a ser apresentada para a sua família e amigos.

    Trata-se de um jogo rápido, dinâmico e muito fácil de aprender. Ganhador de diversas indicações e prêmios, entre eles, o Golden Geek de 2012 nas categorias Best Children´s Game, Best Family Game e Best Party Game. Atualmente está na posição 83º, no ranking geral do BGG e em 11º na categoria Family Game. Só por esses indicadores já é possível apostar em adicionar esse título à sua coleção sem muito receio (bom, isso se você está procurando Party e Family games), mas antes que você possa realmente se decidir, vamos entender como se faz para se tornar o rei de Tóquio.

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    Setup do jogo. Oh não! Tóquio está sendo atacada!!!

    Mecânica:
    – Eliminação de Jogadores
    – Seleção de Cartas
    – Rolagem de Dados

    A premissa do jogo é bem simples. Existe Tóquio e existem os monstros gigantes (você e seus colegas) que querem dominar a cidade. Cada monstrengo precisa usar de toda a sua força e astúcia para entrar e permanecer em Tóquio enquanto tenta destruir todos os monstros rivais. Aquele que somar primeiro 20 pontos de vitória ou for o último monstro a ficar de pé, é coroado o rei de Tóquio!

    Cada jogador deve escolher um monstro para si. Existe desde versões genéricas e, digamos, “royalty free” do Godzilla e King Kong, até criações mais originais como o CyberBunny. São seis opções na caixa básica. A princípio são escolhas puramente cosméticas, porque os monstros não possuem habilidades ou estatísticas que os diferenciem um do outro (Isso é alterado com a expansão Power Up).

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    Belos componentes: miniatura de papel e player board com marcadores de vida e pontos

    O tabuleiro é bem pequeno e serve basicamente para representar duas áreas, “dentro de Tóquio” e “fora de Tóquio”. Com o desenrolar do jogo um monstro sempre estará dentro, ou fora da cidade, e isso modifica levemente algumas regrinhas, como veremos logo.

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    Os dados em todas as suas possibilidades

    A mecânica principal é a rolagem de dados. Cada jogador, na sua vez, vai rolar seis dados. Os dados possuem seis faces diferentes, são elas: Garra, Raio, Coração e os números 1, 2 e 3.

    Quando o jogo começa, todos os monstros estão fora de Tóquio e a cidade mal sabe o que a espera. Assim que o primeiro monstro tirar uma “garra” em um dos dados ele entrará em Tóquio, essa não é uma ação opcional, mas mandatória. A partir daí, os monstros se revezarão atacando-se uns aos outros em busca de pontos de vitória.

    A Garra representa ataques que o monstro faz. Cada garra causa um de dano. Se um monstro estiver “dentro de Tóquio”, ele causará aquele dano a cada outro monstro que esteja “fora de Tóquio”. Enquanto que, se um monstro estiver “fora de Tóquio”, ele causará dano a todos os monstros que estiverem “dentro de Tóquio”. Isso é muito interessante porque, diferente de muitos jogos, você não escolhe seu alvo, se você está dentro bate em quem está fora, se está fora bate em quem está dentro, simples assim. Quando um monstro que está em Tóquio sofre dano, ele tem a opção de sair de Tóquio. Se ele o fizer, o monstro que o atacou é obrigado a entrar em Tóquio, ocupando seu lugar. Essa mecânica proporciona uma relação dinâmica com monstros entrando e saindo da cidade a todo momento.

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    Tóquio está em apuros! Só resta saber quem vai entrar primeiro

    O Raio representa cubos de energia. Cada dado que cair um raio concede ao monstro um cubo de energia. Esses cubos são usados para comprar cartas. As cartas são mantidas em uma pilha comum de compra, disponíveis a todos os jogadores. Elas descrevem eventos e poderes que os monstros podem utilizar para conseguir algumas vantagens durante a partida (um dos meus preferidos é o “Shrink Ray”, que “encolhe” os monstros adversários, fazendo eles jogarem cada vez menos dados). A ilustração das cartas é bem humorada e divertida, sendo um atrativo à parte. Elas vem em grande quantidade e variedade, o que garante maior rejogabilidade. A mecânica das cartas enriquece o título favorecendo algumas decisões estratégicas. Podem, por exemplo, ser uma forma de minimizar a chance nos dados apelando para cartas que modificam os valores, que concedem novas jogadas ou que protegem de eventos negativos, por exemplo.

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    As cartas e seus efeitos mirabolantes garantem diversidade e complexidade um pouco mais elevada

    O Coração representa pontos de vida que o monstro pode recuperar, mas há um porém, se um monstro estiver “dentro de Tóquio” os corações são inúteis, ele não recupera ponto de vida algum. Portanto, se não quiser ser trucidado pelos outros monstros, alguma hora é preciso sair de Tóquio para tentar recuperar vida (chegou a “0” está eliminado do jogo).

    Os números representam pontos de vitória, mas que só podem ser obtidos se o jogador conseguir tirar uma trinca nos dados, ou seja, 1,1,1; 2,2,2 ou 3,3,3. Caso isso aconteça o monstro é automaticamente beneficiado com a quantidade de pontos correspondente.

    O interessante do sistema de rolagem de dados é que o jogador tem a opção de escolher quais dados deseja manter e quais deseja “re-rolar”, bem ao estilo Yahtzee (ou General). Ou seja, na sua vez, cada jogador pode rolar seus dados 3 vezes, escolhendo entre essas rolagens quais valores deseja manter e quais deseja rolar novamente.

    Como já foi dito, é preciso reunir 20 pontos de vitória para ganhar a partida, ou então ser o último monstro de pé. A pontuação é conseguida, principalmente, quando se entra em Tóquio ou quando se permanece uma rodada inteira ocupando a cidade. Além disso, pode se conseguir pontos através das rolagens dos dados, ou então através das cartas que o jogador pode comprar com os cubos de energia. No entanto, as vezes é mais fácil simplesmente bater nos outros monstros, comprando cartas que potencializem seus ataques. Quando se trata de uma luta titânica entre monstros gigantes, músculos e agressividade não devem ser ignorados, afinal, o que importa é garantir a coroa.

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    20 pontos de vitória!!!

    Considerações finais:
    King of Tokio é um jogo simples e interessante o bastante para servir de gateway para aqueles seus amigos que ouviram falar dos tais novos jogos de tabuleiro. É divertido e dinâmico o suficiente, comportando até 6 jogadores, para servir como um party game eficiente. Possui duas expansões que ampliam e modificam o jogo garantindo mais variabilidade e sobrevida ao título. Ou seja, em termos de investimento, acredito ser uma excelente pedida.

    O fator sorte pode ser um incômodo para aqueles que gostam de ter tudo sob controle, no entanto, a mecânica ao estilo “general” garante um chance a mais e um jogo eficiente, até para os mais azarados (pessoalmente não tenho uma boa relação com jogos de sorte, mas a experiência que tive com King of Tokyo foi sempre prazerosa).

    Existem tomadas de decisão importantes durante a partida, o que talvez já sirva para agradar alguns jogadores entusiastas de jogos mais estratégicos ou complexos. Decidir quais dados manter, quando sair de Tóquio, ou quais cartas comprar e usar são exemplos dessas tomadas de decisão. Pela experiência que tive acredito que um bom jogador, usando corretamente as cartas, consiga suplantar o fator sorte na maioria das vezes.

    Vale lembrar a chegada do King of New York, um novo jogo que vem continuar a aventura dos monstrengos gigantes, dessa vez com novos monstros invadindo e botando o terror em Nova York, enquanto aproveitam para brilhar, afinal, até os monstros querem os seus quinze minutos de fama. Vale ainda lembrar que a Galápagos jogos está trazendo King of Tokyo e a expansão Power Up para o Brasil, até o momento sem data definida.

    Pontos positivos:
    – Alta rejogabilidade
    – Mecânica simples, fácil para ensinar e aprender
    – Dinâmico

    Pontos negativos:
    – Fator sorte pode incomodar alguns jogadores

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2 a 6
    Idade: a partir de 8 anos
    Duração: 30 minutos
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Desenvolvedora: IELLO
    Idioma: Inglês
    Preço Médio: R$ 140,00

     

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    3 COMENTÁRIOS

    1. To procurando muito esse jogo em portugues mas é ridiculo o preço nas internet devido a dificuldade de acha-lo. Alguem sabe onde tenha com um preço razoável 200 reais?

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