SOBRE A MESA: SPLENDOR

SOBRE A MESA: SPLENDOR

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    pic1904079_lgMercadores renascentistas produtores de joias competem pelo maior prestígio entre a nobreza. Desde a aquisição de minas para extração das pedras, passando pela lapidação e transporte até a comercialização final, nobres com interesses muito específicos podem visitá-lo e aumentar ainda mais seu prestígio. Tema para um jogo pesado com muito planejamento e toneladas de recursos pelo tabuleiro? Poderia ser. Splendor, no entanto, é um jogo de cartas e fichas muito rápido, simples de ensinar e jogar e uma das sensações deste ano.

    Cartas representam melhorias em sua linha de produção e as fichas são as gemas, ônix (preta), safira (azul), rubi (vermelha), esmeralda (verde) e diamante (branca) e o ouro (ficha amarela) necessárias para comprar as cartas. Algumas destas contém pontos que são colecionados até alguém atingir a marca de quinze ou mais e disparar a última rodada. Splendor é, na realidade, um jogo abstrato e seu tema é apenas um leve tempero.

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    Mecânica:

    – Coleção de conjuntos
    – Seleção de cartas

    É tão simples que pode ser ensinado nas próximas linhas. A cada turno, o jogador pode realizar uma apenas destas quatro ações:

    – comprar duas gemas (fichas) de uma mesma cor, desde que haja pelo menos quatro delas ainda disponíveis em sua pilha antes da compra. As fichas são organizadas conforme suas cores em pilhas distintas;

    – comprar três gemas, sendo uma de cada cor, obrigatoriamente;

    – pagar por uma carta e colocá-la em jogo, ou seja, devolver o número de gemas correspondente ao custo indicado na parte inferior esquerda da carta e ao fazer isso, o agora proprietário passa a produzir a pedra indicada no canto superior direito, podendo gastar menos fichas nas próximas aquisições;

    – reservar uma carta e adquirir um ouro, uma ficha amarela que funciona como um coringa na compra de cartas, assumindo a cor necessária. Aliás, esta é a única maneira de conseguir ouro. Ouro não é gema, apenas pode ser usado como qualquer uma delas.

    pic2273871_mdBasicamente, os jogadores coletam fichas para comprar cartas, as cartas passam a produzir gemas que permitem comprar outras cartas mais facilmente e algumas delas ainda geram pontos. São três baralhos, quanto mais avançado, mais pontos fornece. Todos, entretanto, funcionam da mesma maneira.

    Por fim, quando um jogador tiver um conjunto de produção de gemas condizente com os interesses de alguns dos nobres disponíveis, isto é, você tem uma quantidade de pedras no canto superior direito de suas cartas na mesa que coincidem com o indicado na ficha de um deles, o grã-fino vem lhe visitar automaticamente, adicionando seus mui bem-vindos três pontos.

    Quando alguém atingir o mínimo de quinze pontos, a última rodada acontece, dando mais uma chance para os participantes restantes tentarem ultrapassar o candidato a vencedor.

    Considerações finais:
    Confesso que antes de escrever esta última sessão, parei para me questionar: é isto mesmo? Tão poucas linhas? Menor review que escrevi para este blog até agora? Não há o que complicar. A força de Splendor está em sua simplicidade, sua facilidade de ensinar e jogar. Lembro a primeira vez que o levei em uma Big Board Night, um de nossos eventos. Vários grupos jogaram, após poucos minutos de instrução. Em uma noite, uns dez novos viciados em Splendor e alguns novos instrutores também, já que os novatos passaram a ensiná-lo. Pois ele é jogado tão rapidamente que fica um gosto de quero mais. Os turnos rápidos de cada jogador, a arte das cartas e as fichas pesadas de excelente qualidade cativam a todos. A Space Cowboys vem dando exemplos de qualidade de componentes, por sinal.

    pic2026890_lgNão se iluda, no entanto. É mais estratégico do que aparenta e, em minutos, os iniciados terão se transformado em caçadores implacáveis de fichas, cartas, gemas, nobres e pontos. Espere partidas casuais na mesma medida de partidas muito disputadas.

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    Pontos positivos:

    – fácil de ensinar e jogar
    – viciante
    – os turnos dos jogadores são rapidíssimos
    – bela arte das cartas
    – impossível não amar aquelas fichas!

    Pontos negativos:
    – tematicamente fraco
    – pode ficar estrategicamente repetitivo
    – longo demais para ser um verdadeiro filler

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2 a 4
    Idade: a partir de 10 anos
    Duração: 30 minutos
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Desenvolvedora: Space Cowboys
    Preço Médio: R$ 120,00

     

    Lucas Andrade (Lukita ou Meistre Lucas) "O Homem que se Espalha": A mente geradora da fagulha primordial responsável pela materialização do grupo. É ou foi professor de Matemática de todas as pessoas de gerações mais novas que conhece. É presidente e provavelmente o membro mais empenhado em idealizar novos projetos, iniciativas e firmar parcerias. Tente comer durante as partidas ou amarrotar a toalha oficial das mesas e verá despertar nele um tique nervoso capaz de tirá-lo de seu estado racional. O fato de ser adepto e precursor no grupo do modo de jogo intitulado por ele mesmo "Red Lukita vs. Blue Lukita" revela um aspecto esquizofrênico de sua personalidade. Não joga à vontade sem uma trilha sonora que remeta ao jogo que estiver à mesa. Outros interesses: ópera e música clássica em geral, quadrinhos da DC Comics, esportes americanos, séries de TV, clássicos do cinema.

    7 COMENTÁRIOS

    1. Ótimo review. Claro, direto e objetivo como o jogo deve ser. Muito curioso para jogar esse.

    2. Estou cada vez mais gostando desses jogos com um tema suave e uma mecânica num estilo “puzzle” que visa otimizar a obtenção dos pontos como The Castles of Burgundy, Trajan (ambos do Stefan Feld) e, agora, o Splendor. Ao acabar uma partida, já dá aquela vontade de começar outra em seguida.

      Acompanhando sempre o blog e as reviews. Grande abraço.

    3. Desculpe, mas veja a incoerencia nas notas dadas: sei que não é uma média, até porque cada jogador ou grupo tem um gosto particular e pode dar um peso diferente para cada um dos quesitos. Mas em 6 quesitos, apenas um leva a 8, sendo que em 3 importantes atinge 4…Ah, a nota mais alta são os componentes! E então, a nota final, um 8! Apenas meu ponto de vista, mas olhar a nota geral e as notas dos quesitos, não parece tratar-se do mesmo jogo.

    4. Na verdade, Pedro, algumas notas como Sorte, Interação, Complexidade indicam a QUANTIDADE desse elemento no jogo, outras como Componentes indicam a QUALIDADE. A NOTA GERAL é a experiência final, a nota em si do produto.

    5. Pedro, importante dizer também, dois dos quesitos que você citou que levaram nota 4, devem ser entendidos, de forma geral, como “ao contrário,” e isso costuma confundir um pouco as pessoas. São eles a complexidade e a sorte. Nota baixa nestes quesitos não é sinônimo de algo negativo (apesar de ser comum que jogadores não se importem e até prefiram jogos mais complexos ou que dependam de sorte), mas novamente, visto de forma geral. Como o Lucas disse, a Nota Geral é a nota que você deve levar em consideração se não quiser observar cada aspecto do jogo separadamente.

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