SOBRE A MESA: X-WING

SOBRE A MESA: X-WING

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    xwing boxX-Wing é um jogo de miniaturas no qual se travam combates espaciais com naves do universo Star Wars. Estamos falando de naves menores da franquia por questões de escala, mas verdadeiros ícones cinematográficos e da cultura nerd como a própria X-Wing, a TIE Fighter, a B-Wing, a Millennium Falcon e outras que aqui estão presentes.

    Que fique muito claro que este é um jogo de miniaturas, não um jogo de tabuleiro. Para os novatos no hobby cabem algumas considerações sobre isso. Muito se comenta e se discute sobre as características das subdivisões dos jogos de mesa ou tabletop games, mas ao falarmos em miniaturas estamos tratando de toda uma classe muito distinta. Que fique claro, também, que existem jogos com miniaturas (Zombicide, Kemet, Gears of War) e jogos de miniaturas (X-Wing, Warhammer, Hordes, Infinity).

    No jogo de miniaturas propriamente dito, a posição das unidades no mapa faz diferença, gabaritos ou até mesmo réguas e trenas são utilizados para determinar eventos, efeitos ou movimentações, a face da miniatura determina sua frente e flancos e várias outras peculiaridades. São jogos de extrema preocupação tática e planejamento, com times montados por pontos. Se você acha que o mundo dos jogos de tabuleiro é vasto, precisa ver o que os grandes títulos dos jogos de miniatura oferecem e pelos preços que são oferecidos.

    As naves da caixa básica de X-Wing

    Isto posto, X-Wing possui vários destes elementos, formação de esquadras por pontos, movimentação precisa das unidades, face e posicionamento delas na área de jogo, medições de alcances e efeitos. Seu conjunto inicial contém um caça X-Wing e dois TIE Fighter, todas as naves já montadas e pintadas, além dos gabaritos de movimento, cartas de pilotos, melhorias e efeitos, obstáculos, dados e manual. “Naves montadas? Manual? Isso não é óbvio?” Posso ler seus pensamentos daqui, caro leitor. E não, não estou usando a Força. Falarei mais sobre isso ao final desta análise.

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    Cartas de pilotos

    Mecânica
    – Programação de movimento
    – Rolagem de dados
    – Eliminação de jogadores
    – Seleção simultânea de ações
    – Poderes variáveis de jogadores

    Por ser um jogo de miniaturas, posicionamento e movimentação é tudo! Todos querem ver, ou melhor, imaginar, os lasers cortando o espaço, mas sem um planejamento minucioso de cada manobra, os combates seriam caóticos como um dia comum na cantina em Tatooine!

    Uma rodada de X-Wing consiste em quatro fases: Planejamento, Ativação, Combate e Final.  No Planejamento, cada jogador, secretamente, escolhe uma manobra para cada uma de suas naves em discos próprios para isso. Ir para frente em linha reta, fazer uma curva fechada, que muda a orientação da nave em 90 graus, fazer uma curva suave, 45 graus ou realizar a manobra Koiogran, linha reta e mudar a sentido da nave em 180 graus, são as opções disponíveis. Há ainda a possibilidade de escolher a velocidade de cada manobra. Contudo, nem todas as naves têm disponíveis todas as manobras, ou ainda, um mesmo tipo de movimento em naves diferentes pode ser mais fácil ou mais difícil de realizar. Para a ágil X-Wing, por exemplo, realizar uma curva fechada com velocidade três é tranquilo. Já para a pesada Y-Wing, esta mesma manobra estressa seu piloto, exigindo sua atenção exclusiva e impedindo que realize as ações que, de outro modo, estariam disponíveis para ele. Considero as fases de Planejamento as mais tensas e divertidas do partida, pois tudo mais depende delas.

    Na Ativação, revelamos os discos com as manobras selecionadas conforme as perícias dos pilotos. Estes são representados pelas cartas que escolhemos, um para cada nave. Do menor valor para o maior, revelamos e realizamos o movimento. Aqui temos a primeira grande manifestação do termo “jogo de miniaturas”. No lugar de trenas, utilizamos réguas de movimento ou gabaritos. Há um de cada tipo para cada manobra. Posicione o gabarito na frente de sua nave e coloque-a ao final dele, na outra extremidade. Pronto! Está feito o movimento!

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    Réguas de movimento e discos de manobra

    Cuidado! Tudo deverá ser feito com muita paciência e precisão. Não é colocar a régua de movimento de qualquer maneira e mover a nave em menos de 12 parsecs! Este é um jogo de milímetros. Um mero toque em outra nave ou asteroide traz efeitos indesejados. Pior, se uma parte sequer da base de uma nave ir para fora da área de jogo, diga adeus a ela. Se o bom planejamento das manobras é fundamental, a boa execução delas é vital!

    É na fase de combate que o tiroteio começa e você fica fazendo sonzinhos com a boca. Tudo bem, todos fazem. Muitas rolagem de dados, utilização de habilidades e mais medições, pois aqui precisa-se determinar o arco de tiro das naves e o alcance, através de uma régua específica para isso e dividida em três partes. Estando o inimigo em alcance um, há vantagem para o atacante que rolará um dado a mais. Em alcance três, a vantagem passará para a defesa que receberá bônus idêntico. Alcance dois, rolagem com o número típico de dados de cada arma contra os dados de agilidade do defensor. Determinam-se os acertos, os danos, seguindo para a próxima nave atacante. Desta vez, a ordem é inversa à da movimentação, do maior para o menor.

    A expansão Y-Wing e o que vem no pacotinho

    Na última fase, removemos os tokens de ação não utilizados, não entrei em detalhes sobre eles, e resolvemos quaisquer efeitos que poderão ocorrer ao final da rodada.

    Os turnos prosseguem até que todas as naves adversárias sejam destruídas ou o tempo estipulado encerre, critério geralmente usado em torneios, ou que determinado objetivo seja cumprido, se você estiver jogando algum cenário.

    Considerações Finais:
    X-Wing é um jogo extremamente consolidado no mercado internacional, mas muito recente por aqui e que gera muitas dúvidas no aspirante a piloto espacial de mesa. Deixe-me colocar alguns pontos. Primeiro: é um jogo barato. O modelo que se encontra no mercado dos jogos de miniatura consiste em oferecer uma caixa básica com duas facções, às vezes nem há um conjunto inicial, com as peças desmontadas e com colagem e pintura necessárias. Espere preços acima de cem dólares nestes kits básicos que vem com alguns tokens e parte das regras. Isto mesmo. As caixas de entrada de muitos sistemas clássicos não fornecem a experiência completa de jogo, uma das críticas mais ouvidas sobre a caixa básica de X-Wing. O próprio manual completo de vários destes outros sistemas tem de ser comprado separadamente e por valores acima de cinquenta dólares. Entendo que os 110 dólares para se adquirir a caixa Dark Vengeance, ponto de entrada para Warhammer 40000, pagam dezenas e dezenas de miniaturas, mas não ter a completude dos materiais necessários por este preço é muito desanimador. Seu livro de regras tem mais de duzentas páginas, também entendo, e vem acompanhado de mais dois livros com informações sobre o hobby e o universo em que se passa, mas pagar 500 reais (preço, frete e taxas) pelo livro de regras? É para poucos! Adicione ainda o tempo para colar e pintar as miniaturas, porque nestes casos a pintura é praticamente indispensável. Não à toa, chama-se este tipo de jogo de hobby de tempo integral. O que falei não se restringe à Warhammer 40K, vários outros sistemas podem ser mais baratos, mas ainda em faixas de preço proibitivas para muitos.

    concussion-missilesDe volta ao nosso jogo em questão, entendo que ele também não fornecerá muita rejogabilidade de imediato, isso virá quando você tiver material suficiente para customizar seus esquadrões com naves, pilotos, dróides, melhorias diversas, armas secundárias, mas ele traz, já em sua primeira compra, os materiais necessários para qualquer tipo de jogo, com miniaturas excelentes, montadas e pré pintadas com padrão de qualidade muito alto.

    A caixa básica ensinará a jogar, mas você quererá mais. É comum a compra de uma segunda caixa, mais réguas e mais dados sempre é bom. Claro, mais naves também, mas não há problema algum em ficar com apenas um conjunto básico. Há quem critique demais a pequena quantidade de naves que compõem o conjunto inicial, isso não é culpa do jogo, mas sim, do modelo de negócio da Fantasy Flight e eles são especialistas em ganhar dinheiro. Falo isso do meu, pelo menos! As expansões menores podem ser adquiridas conforme sua preferência e possibilidade. Sessenta reais em cada nave comum, mais cartas, tokens etc. é na faixa de qualquer expansão pequena de qualquer sistema de miniaturas.

    Quanto ao jogo em si, ele é extremamente divertido e tático. O universo Star Wars fala muito alto para os fãs, outro ponto alto, pois os outros jogos que citei também possuem suas ambientações, mas você terá de conhecê-las praticamente do zero. As partidas padrão de 100 pontos podem ser demoradas e o jogo pode ter um ritmo mais lento do que você imagina, já que as duas primeiras fases do jogo têm de ser feitas com calma.

    Tem mais nave chegando aí
    Tem mais nave chegando aí

    Para quem quer entrar em um estilo de jogo diferente, talvez seu único jogo de miniaturas, é um título acessível em regras e valores. Para quem é fã da franquia, quase obrigatório!

    Confira os playmats que disponibilizamos para X-Wing aqui.

    Pontos Positivos:
    – Barato
    – Muito divertido
    – Altamente tático
    – Muitas opções de formações de times
    – Acompanha regras completas, gabaritos, obstáculos

    Pontos Negativos:
    – Conjunto inicial poderia conter mais naves
    – Não é o estilo de jogo ideal para muitos

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2
    Idade: a partir de 14 anos
    Duração: 60 minutos
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Desenvolvedora: Fantasy Flight/Galápagos (no Brasil)
    Preço Médio: R$ 150,00

     

    Lucas Andrade (Lukita ou Meistre Lucas) "O Homem que se Espalha": A mente geradora da fagulha primordial responsável pela materialização do grupo. É ou foi professor de Matemática de todas as pessoas de gerações mais novas que conhece. É presidente e provavelmente o membro mais empenhado em idealizar novos projetos, iniciativas e firmar parcerias. Tente comer durante as partidas ou amarrotar a toalha oficial das mesas e verá despertar nele um tique nervoso capaz de tirá-lo de seu estado racional. O fato de ser adepto e precursor no grupo do modo de jogo intitulado por ele mesmo "Red Lukita vs. Blue Lukita" revela um aspecto esquizofrênico de sua personalidade. Não joga à vontade sem uma trilha sonora que remeta ao jogo que estiver à mesa. Outros interesses: ópera e música clássica em geral, quadrinhos da DC Comics, esportes americanos, séries de TV, clássicos do cinema.

    8 COMENTÁRIOS

    1. Ainda bem que nesse caso só falta uma pessoa, hehe!

    2. Grande Lukita,

      Agora você tocou num ponto crucial para mim que adora Star Wars, esse jogo vale muito a pena mesmo que seja só para ter a miniaturas… Vi algum reviews na internet e fiquei alucinado para ter logo esse jogo e partir para o espaço destruir os inimigos.

      Como sou novato ainda no mundo do board games e ainda estou montando minha coleção, comecei com uma indicação sua no meeple maniacs, o Race for the galaxy um jogo excelente e descobri que sofro de um mal que acredito faz parte de todos que adoram o board games. A falta de grana para comprar tudo que gostamos.

      Parabéns novamente pela análise e como sempre estou esperando o sound bord para esse clássico.

      Abraços..

    3. Pegou o Race? Show! Um pouquinho pesado no início, mas depois que rola é só sucesso! Altamente estratégico e viciante!

    4. Sim! Barato! Comparado com boa parte dos jogos de miniatura, como exemplifiquei no texto, considero bem acessível.

    5. Valeu pela análise. Pergunta: rola a possibilidade de jogar com três ou quatro jogadores na mesma partida?

    6. Existe sim, Lucas! Nos formatos domésticos você pode jogar com a pontuação e dimensão que quiser. Em torneios é que a coisa fica mais restrita…

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