SOBRE A MESA: ISTANBUL

SOBRE A MESA: ISTANBUL

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    ISTANBULNem a Times Square em Nova Iorque, nem a Torre Eiffel em Paris. O lugar mais visitado do mundo é o Grande Bazar em Istambul com seus mais de noventa milhões (!!!) de visitantes ano passado. Há cerca de setecentos anos, o lugar é um emaranhado de milhares de lojas que vendem jóias, tapeçarias, tecidos, especiarias de todo o planeta e mais uma infinidade de coisas que nem sonhamos.

    Imagine o frenesi que deve ser andar através de seus corredores labirínticos, em uma torre de Babel linguística e no meio da multidão. Fazer compras por lá transforma-se em um verdadeiro exercício de planejamento e logística e é essa organização que o jogo Istanbul pretende exigir de seus participantes. Vencedor do Kennerspiel des Jahres no ano passado, uma espécie de prêmio da crítica da maior premiação mundial dos jogos de tabuleiro, uma das grandes sensações de 2014, merecidamente. Nele, cada jogador controla um mercador realizando suas compras no bazar e arredores, visitando diversos comerciantes, adquirindo frutas, tecidos, frequentando a casa de chá, mesquitas, dentre outros locais. Como sozinho é impossível aproveitar os melhores negócios e os melhores produtos em tantos lugares, cada mercador leva consigo um grupo de ajudantes para desempenhar as tarefas corriqueiras. É na movimentação do mercador e de seus assistentes na corrida pelas oportunidades mais vantajosas que Istanbul se fundamenta.

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    Mecânica:
    – Tabuleiro modular
    – Pegar e entregar
    – Movimentação em grade
    – Rolagem de dado

    Seu mercador e seus assistentes andam juntos pelo tabuleiro modular, formando uma pilha de fichas com o mercador no topo. Em seu turno, você pode movimentar a “equipe” por um ou dois espaços e duas situações podem ocorrer. Ou você para em algum lugar no qual não havia assistente seu anteriormente e, então, você precisa deixar um deles neste local ou você chega em algum tile reencontrando um assistente seu e precisa colocá-lo de volta com seu grupo. Uma modificação do breadcrumbs mechanism, estilo que marca os jogos de Rüdiger Dorn, no qual colocamos discos no tabuleiro, os quais passam a ser mover para conquistar nossos objetivos, sempre deixando um para trás.

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    Na imagem acima, o jogador amarelo está movimentando seu mercador e dois assistentes para a loja do negociador de gemas, o Edelstein-Händler na foto (imagem da esquerda). Não havia ninguém no time amarelo lá, por isso, um assistente ficará resolvendo as burocracias enquanto o mercador e seu outro assistente restante poderão ir para outro lugar na próxima rodada (imagem do centro). O interessante é que o mercador sozinho não pode ir para nenhum lugar onde não tenha assistentes, com exceção da Fonte, ponto de encontro de todos. Sendo assim, o bom planejamento de onde e por qual caminho ir é fundamental, ainda mais na volta! Mais um detalhe: você até pode não deixar ou pegar seu assistente. Contudo, seu turno acabará se não o fizer!

    Pois bem, chegamos com nosso mercador a algum lugar. O que fazer agora? Antes de mais nada, se encontrarmos o mercador de algum oponente você precisará pagar duas liras para cada um. Finalmente, poderemos, opcionalmente, fazer a ação do lugar, motivo principal de termos ido para lá.

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    Os lugares oferecem diferentes possibilidades, como encher seu carrinho ou carroça de compras com frutas, tecido, especiarias, ou reformá-lo para aumentar sua capacidade, por exemplo.

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    Há vendedores de gemas, mesquitas, casas de chá, mercados nos quais você pode vender seus itens, apostar, comprar cartas… Até o sultão você poderá visitar para receber rubis em troca de presentes oferecidos por você. Falando nas jóias escarlates, são elas que definirão o vencedor. Cinco delas e a ultima rodada é disparada.

    Por fim, você ainda pode encontrar membros de outras famílias (devem ser todos pivetes, porque nós os mandamos para a prisão com direito à recompensa), o Governador, que nos dará uma carta bônus, ou ainda o contrabandista, que negociará bens facilitando nossa estratégia.

    Considerações Finais:
    Istanbul é um jogo rápido e a sensação de pressa em conseguir os cinco rubis é muito presente do meio jogo para o final, refletindo o caos de querer conseguir tudo, ou pelo menos o melhor, em tão pouco tempo e na frente dos adversários. Simples de ensinar, no entanto, extremamente desafiante. A mecânica de deixar/pegar assistentes sendo a limitadora dos movimentos é a responsável pelo seu sucesso mesmo entre jogadores pouco experientes. São comuns as exclamações raivosas quando alguém percebe que o que fez agora será um complicante no curto prazo. Mas o lado bom é perceber que em poucas rodadas todos já estão desenvoltos. A montagem aleatória da área de jogo garante o frescor do pensamento estratégico a cada partida e as várias possibilidades de caminhos para a vitória.

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    Não se encontra facilmente um jogo com este grau agradável de estratégia, que joga bem com qualquer número de jogadores e que dure menos de uma hora. Uma das jóias recentes no mercado, tendo disparado no ranking da BoardGameGeek em pouquíssimo tempo. Um euro médio leve indicado para todos os públicos.

    Pontos positivos:
    – Fácil de ensinar
    – Desafiador, mas em um grau adequado também para iniciantes
    – Rápido, ainda mais pela experiência que oferece
    – Belos componentes

    Pontos negativos:
    – Interação fraca típica do gênero
    – Os bens azuis, os melhores, são conseguidos quase sempre sem mérito estratégico

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2 a 5
    Idade: a partir de 10 anos
    Duração: 60 minutos
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Desenvolvedora: Pegasus Spiele
    Preço Médio: R$ 250,00

     

    Lucas Andrade (Lukita ou Meistre Lucas) "O Homem que se Espalha": A mente geradora da fagulha primordial responsável pela materialização do grupo. É ou foi professor de Matemática de todas as pessoas de gerações mais novas que conhece. É presidente e provavelmente o membro mais empenhado em idealizar novos projetos, iniciativas e firmar parcerias. Tente comer durante as partidas ou amarrotar a toalha oficial das mesas e verá despertar nele um tique nervoso capaz de tirá-lo de seu estado racional. O fato de ser adepto e precursor no grupo do modo de jogo intitulado por ele mesmo "Red Lukita vs. Blue Lukita" revela um aspecto esquizofrênico de sua personalidade. Não joga à vontade sem uma trilha sonora que remeta ao jogo que estiver à mesa. Outros interesses: ópera e música clássica em geral, quadrinhos da DC Comics, esportes americanos, séries de TV, clássicos do cinema.

    1 COMENTÁRIO

    1. Excelente texto Lucas. A análise tb não ficou atrás. O jogo é tudo isso mesmo.
      Eu só chamaria os Bens Azuis de “Os Mais Raros/Difíceis de se conseguir” e não de “Os Melhores”.
      Na minha opinião, a sorte para conseguí-los foi uma excelente saída para deixá-los “difíceis” de serem adquiridos, e ao mesmo tempo, uma forma de não deixar o jogo mais demorado. E assim ele continua uma corrida de F1 pelos 5 rubis, ao invés de uma maratona pelos recursos azuis hehe.
      Mais uma vez, parabéns pelo artigo.
      Um abraço!

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