SOBRE A MESA: STONE AGE

SOBRE A MESA: STONE AGE

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    Em Stone Age os jogadores assumem o papel de líderes tribais na Idade da Pedra e devem se preocupar em conseguir recursos, evoluir sua tribo com a obtenção e construção de melhorias, instrumentos e novas técnicas e ainda alimentar os membros de seu clã, representados por simpáticos meeples “cabeludos”.

    Desenvolvido pelo designer alemão Bernd Brunnhofer, Stone Age conta com a arte estonteante do consagrado Michael Menzel. O tabuleiro, aliás, é comumente citado como o mais belo do mundo. Sendo muito bem recebido pela crítica na época do seu lançamento, 2008, ganhou várias indicações a prêmios neste ano e em 2009 em diversos países. É considerado um dos melhores jogos para se apresentar a novos jogadores e, talvez, o melhor jogo do estilo euro de todos para tal objetivo. Mais um exemplar de clássico moderno.

    Mecânica:
    – Alocação de trabalhadores
    – Coleção de conjuntos
    – Rolagem de dados

    O objetivo é obter pontos de vitória pela construção de cabanas e, principalmente, pelas cartas de civilização, refletindo sua evolução, tomando cuidado com a alimentação da sua tribo, pois o efeito da fome faz com que o jogador perca 10 pontos ao final da rodada.

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    A obra de arte que é o tabuleiro de Stone Age

    Uma rodada funciona em três fases distintas: colocação de pessoas, ações e alimentação.

    Na fase de colocação de pessoas (alocação de trabalhadores), os jogadores, alternadamente, começando pelo jogador inicial (chamado no Stone Age de Líder Tribal), colocam membros de sua tribo em locais espalhados pelo tabuleiro. A maioria dos locais são exclusivos ou têm um limite de quantidade de trabalhadores ou jogadores, o que torna esta fase uma espécie de “demarcação de território”. Esta fase é a mais importante, pois ela possibilita aos jogadores delinearem sua estratégia e pensarem na sequência de ações da segunda fase. O jogador inicial tem, além disso, a possibilidade de adquirir as cartas de civilização que custam menos. Não é impossível vencer a partida sem as cartas de civilização, mas diria que é extremamente improvável que alguém consiga ganhar sem elas.

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    Mim Grande Chefe Tribal! Pelo menos até o final da rodada!

    Na segunda fase, a de ações, é quando a mágica acontece. Cada jogador executa, na sequência desejada, as ações dos locais onde ele colocou os seus meeples desgrenhados na primeira fase. A ordem que as ações são executadas, na maioria das situações, é importante, pois você pode tentar conseguir um recurso para comprar uma carta de civilização específica ou construir aquela almejada cabana.

    Você pode alocar os seus trabalhados em locais que independem da sorte, ou seja, eles executam a ação sem necessidade de rolagem de dados e em locais onde você deve analisar a probabilidade de coleta.

    Cada meeple alocado em um local de coleta equivale a um dado que será rolado. O interessante é que, apesar de existir a rolagem de dados, a sorte é facilmente controlável, já que o resultado para a coleta é baseado no somatório dos dados, e não na rolagem individual (salvo alguns tipos de cartas de civilização que dão um bônus aleatório).

    Os locais nos quais você pode alocar os membros da sua tribo são:

    Oficina: Este é o local no qual os jogadores podem coletar ferramentas.  Somente um único trabalhador pode ser alocado lá de cada vez.  As ferramentas possuem valores de 1 a 4, que representam os bônus que você pode somar em uma rolagem de dados de coleta. Tirou um total de sete nos dados e precisava de um oito? Utilize uma ferramenta nível um para chegar no valor necessário. Inicialmente, você coleta a ferramenta de nível um e vai evoluindo a cada três ferramentas do mesmo nível, ou seja, sua quarta ferramenta, na realidade, transforma sua ferramenta nível um em nível dois. As ferramentas são indispensáveis, também, para combinar com algumas cartas de civilização

    Cabana (a.k.a. “Cabana do Amor”, “Love Shack” ou Motelzinho do Stone Age): Um jogador pode alocar dois, e exatamente dois, trabalhadores. Por que dois? Porque não nascem novos trabalhadores por cissiparidade ou concepção divina, oras… não neste jogo!  O efeito deste local é, evidentemente, a geração de um novo membro da tribo.

    Plantação: Ao alocar o trabalhador neste local, o jogador pode avançar o nível de agricultura, que ajudará na fase de alimentação. Em determinado momento, dependendo do nível de investimento em agricultura, não será mais necessário coletar comida.

    Construções: Existem duas (com dois jogadores) até quatro (mesa cheia com quatro jogadores) pilhas de construções disponíveis para compra. Os jogadores poderão alocar um trabalhador no topo de uma pilha de construção ainda vazia (sem meeples) podendo pagar o custo impresso no tile para construir. Construções servem basicamente para ganhar pontos no momento da compra.

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    As pilhas de construções

    Cartas de Civilização: O jogador pode alocar um trabalhador na carta desejada e pagar o custo correspondente, que varia de 1 a 4 recursos de qualquer tipo (menos comida). Se a carta desejada está muito cara neste momento, você pode esperar pelo próximo turno, já que o custo vai reduzindo na reposição (isso se o líder da tribo vizinha não resolver pagar o ágio e ficar com ela). As cartas de civilização, na parte superior, dão uma vantagem imediata após serem adquiridas, e a parte inferior da carta lhe dará um bônus ao final do jogo. Os bônus são multiplicadores do nível de agricultura, quantidade de membros da tribo, construções, entre outros, assim como símbolos culturais que, conforme a variedade coletada, renderão mais pontos.

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    Campo de Caça, Floresta, Olaria, Pedreira e Rio: São locais especiais nos quais podem ser alocados um ou mais trabalhadores. Cada trabalhador alocado lhe dá direito a rolar um dado. Os resultados dos dados são somados e você confere quantos recursos você obteve.  A chance de conseguir comida é maior; a cada somatório “2”, você ganha um ponto de comida. O recurso mais difícil de conseguir é o ouro, já que para cada unidade o jogador precisa obter um somatório de “6” nos dados.  Ou seja, com o mesmo resultado “15” você conseguiria sete comidas, mas apenas duas barrinhas dede ouro. Com exceção do campo de caça onde não existem limites de trabalhadores ou de jogadores dividindo o mesmo espaço, os demais possuem vagas limitadas e jogadores limitados por local de coleta. Cabe ressaltar que você ainda pode utilizar suas ferramentas para melhorar o resultado do seu somatório.

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    Na última fase, você deve receber os pontos de comida conforme o seu nível de agricultura e, logo após, alimentar esse povo todo. Cada meeple na sua tribo consome 1 ponto de comida. Caso não possa pagar, é possível converter algum tipo de recurso (madeira, barro, pedra ou ouro) em alimento, independente do tipo. Caso sua tribo passe fome, você deverá 10 pontos.

    A partida termina imediatamente se não houver cartas de civilização para reposição no início de um turno ou é disparado o último turno se uma pilha de construções chegar ao fim.

    A pontuação alcançada durante o jogo é combinada com as cartas de civilização.  Muitas vezes, as cartas de civilização adquiridas pelos jogadores causam reviravoltas na pontuação, dependendo das combinações multiplicadoras nos quais o jogador focou na partida.

    Considerações Finais: 
    Stone Age é um euro leve com mecânicas clássicas que costuma agradar quase todo tipo de jogador.  Tem um apelo visual muito forte, tanto pela belíssima arte de Menzel, que dispensa comentários, quanto pelos componentes de madeira em diversos formatos.

    Os dados são de madeira e, quando jogados no copinho de couro que acompanha o jogo, dão a impressão que somos algum tipo de xamã rolando ossos na mesa.  O copo de couro é um mimo à parte, mas ele tem um cheiro… digamos de… errr… bunda de mamute!? Inclusive, se procurarem as reclamações nos fóruns gringos das primeiras tiragens do jogo, muita gente reclamou do cheiro (mas talvez até ajude na ambientação).

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    Cheira… mas dá um climão!

    Apesar de utilizar dados, ele difere de euros leves em que a sorte tem uma dose maior de influência, como Catan, por exemplo.  Os dados são facilmente gerenciáveis e você só dependerá da sorte se realmente quiser forçá-la, por exemplo, usando somente um trabalhador sem ferramentas para coletar ouro… aí, meu amigo, é roleta!

    O jogo está para chegar no Brasil (novamente) pela Devir, entretanto, independe de idioma. Em 2009, o usuário da Ludopedia, Marcelo Groo, fez uma boa tradução do manual para o português, que é, provavelmente, a única coisa que a Devir trará de diferente da versão original.

    Pontos positivos:
    – Mecânicas simples que agradam diversos tipos de jogadores
    – Arte e componentes de alto padrão
    – Ótima porta de entrada para euros mais pesados
    – Dinâmica interessante para coleta de recursos

    Pontos negativos:
    – A ação de compra de cartas de civilização é quase obrigatória para a vitória
    – Os dados neste jogo irritam jogadores que não gostam de rolar figuras poliédricas
    Eurogamers hardcore podem achar o jogo simples ou repetitivo demais
    – O copo que acompanha o jogo pode apresentar um odor desagradável
    – A estratégia da fome é famosa e desagrada a muitos

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2 a 4
    Idade: a partir de 10 anos
    Duração: 30 minutos por jogador
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Desenvolvedora: Rio Grande Games
    Idioma: Inglês/Alemão
    Preço Médio: R$ 220,00

     

    Moisés Pacheco (Moita ou "El Cabrón") Seu apelido, Moita, tem origem tão obscura quanto sua paixão pela obra de Lovecraft. Caprichoso, é o mestre no grupo na arte do print & play e costuma usar de soluções práticas para organizar os componentes de seus jogos, como os diminutos baús de tokens que volta e meia dão o ar de sua graça nos encontros do On Board. Reza a lenda que ele possui em casa um baú muito maior (antigo e sinistro...) de onde surgem misteriosamente as centenas de jogos alternativos e underground de sua coleção. Outros interesses: gastronomia, viagens, Lovecraft, ficção científica, artesanato, cervejas artesanais, coisas pouco coloridas para não confundir, rock, metal, blues, pós punk e tecnopop anos 80.

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    4 COMENTÁRIOS

    1. Tenho “As Lendas de Andor” e sempre que coloco na mesa, primeiro detalhe que a galera elogia é a arte do tabuleiro. Eu não tinha ainda feito a ligação com a arte de Stone Age, que está na minha Wishlist faz tempo, Michael Menzel realmente “é o cara”. A mecânica me agrada muito, e ficou bem mais clara no review de vocês. Agora é só esperar a lançamento!!!

    2. não saquei qual é essa estrategia da fome, o jogador deixa de alimentar seus trabalhadores, mas dessa forma ele não acaba ficando pra traz dos outros jogadores?

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