SOBRE A MESA: CARCASSONNE MARES DO SUL

SOBRE A MESA: CARCASSONNE MARES DO SUL

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    pic1917224A DEVIR trouxe ao Brasil no último mês uma avalanche de expansões para o tradicional e premiado jogo alemão Carcassonne. No meio deste mar de expansões, que são o terror para qualquer completista e apaixonado por Carcassonne, como eu, vemos uma caixa um pouco diferente, com uma roupagem tropical… Epa! Isso não é uma expansão!

    Carcassonne Mares do Sul é um jogo da série Around The World, que independe do jogo original.  Como minha esposa diz:  “Mares do Sul é um jogo alemão, com o nome de uma cidade francesa, ambientado em alguma praia tropical…”  É a globalização que chega à franquia Carcassonne!

    A série Around The World é formada por jogos que mantêm semelhanças com as regras básicas do Carcassonne tradicional (sortear, posicionar um tile e colocar um meeple) e possuem alterações em diversas regras e ambientações. Além do Mares do Sul (ou “Mares del Sur”, a versão espanhola que chegou ao Brasil), foi lançado um segundo jogo desta série chamado Carcassonne Gold Rush, onde as praias paradisíacas dão lugar ao velho oeste norte americano.

    Mecânicas:
    – Colocação de tiles
    – Controle de área
    – Pegar e entregar

    O objetivo de Carcassonne Mares do Sul, ao invés de construir castelos, estradas e monastérios, é coletar bananas, conchas e peixes e, se possível, vendê-los por pontos em navios.

    A dinâmica do jogo é similar a do Carcassonne que conhecemos e amamos, mas com algumas diferenças significativas:

    1) Os Tiles:  Você compra um tile fechado e o posiciona, respeitando as regras de conexão da mesma forma que no jogo original.

    As estradas viraram pontes (onde coletamos conchas quando concluídas), os castelos viraram ilhas (coletamos bananas quando finalizados), os monastérios viraram mercados (onde se pode receber os pontos de um navio sem precisar das mercadorias necessárias) e, por último, a antiga área verde do Carcassonne original (onde se colocavam os sorrateiros fazendeiros, que muita gente não sabe calcular a pontuação até hoje!) virou o mar.  

    pic1921455_mdA grande sacada de Mares do Sul é que você não ganha imediatamente os pontos quando fecha um dos tipos de construções (com exceção do Mercado), você ganha as mercadorias respectivas (conchas, bananas ou peixes).

    Nos tiles de mar, o jogador pode coletar peixes de duas formas: 1) cercando uma região de mar com pontes; ou 2) colocando um tile de mar que possua o desenho de um barco de pesca. Ao utilizar o barco, você pode coletar, inclusive, de uma área de mar aberta. Em ambos os casos, o jogador precisa ter um meeple alocado no mar antes de colocar este tile. Ele fica deitado da mesma forma que o fazendeiro do jogo original.

    Quando se coleta peixes utilizando o barco, após a coleta, o jogador deve cobrir os desenhos de peixe de um tile da área onde aconteceu a pescaria (se houver um tile de peixes duplos, esse deve ser priorizado), colocando um tokenzinho de barco sobre o desenho. Se outro jogador tirar um tile com barco de pesca e ainda houver peixes sobrando no espaço de coleta com o mar aberto, ele pode pescar nesta mesma área sem problema algum, desde que possua um meeple de sua cor “nadando”.

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    Banana caturra, banana nanica, marisco, ostra, pescada e atum! (Foto On Board)

    2) Os Meeples: Cada jogador possui somente quatro meeples, e eles têm saias… ok, não é só isso.  Os meeples podem ser retirados antes de pontuar, se o jogador desejar. O requisito para a ação de retirada de um deles é que o jogador não tenha alocado nenhum nesta mesma rodada. Então acabou aquele sufoco do Carcassonne original em que seu adversário jogava uma estrada para o meio da sua construção de castelo, fazendo você praticamente perder um meeple.  Em Mares do Sul, o número de meeples é reduzido, mas eles não precisam permanecer para sempre em construções “condenadas”.

    3)  Os navios:  Em Mares do Sul não existe um tabuleiro de pontuação. Os pontos maiores são adquiridos dos navios que estão à procura de mercadorias específicas. A última coisa que você pode fazer na sua vez é trocar mercadorias nos quatro navios disponíveis. Caso possua as mercadorias requeridas por um navio, você pode comprá-lo e guardá-lo, com a face virada para baixo, para a pontuação final. Quando um navio é comprado, outro navio é retirado da pilha para que seja feita a reposição.

    A única exceção é o Mercado. Ao completar um Mercado (do mesmo modo que os monastérios do jogo original), você pode pegar “gratuitamente” o navio que vale mais pontos entre os quatro navios disponíveis.

    4) Fim do jogo:  Ao final do jogo, os jogadores revelam as fichas de navios que adquiriram durante a partida, coletam os recursos das construções parciais e contam quantos recursos sobraram. Cada três recursos quaisquer valem um ponto (razão 3/1).

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    Foto On Board

    Considerações Finais:
    Carcassonne Mares do Sul é um jogo relativamente rápido, se comparado ao Carcassonne original e, ligeiramente, mais simples. O visual do jogo é belíssimo. Tanto a arte dos tiles e seus versos, bem como o design dos componentes de madeira são de um capricho que fazem brilhar os olhos. Esteticamente ele é superior ao jogo tradicional. Observem a arte do verso do tile inicial para entender o que estou falando.

    As mudanças das regras geram novas estratégias que diferem léguas do jogo original. Tanto a corrida pelas mercadorias para pegar os melhores barcos ou a possibilidade de libertar um meeple preso em uma roubada, fazem até mesmo um veterano de Carcassone repensar suas táticas.

    Mares do Sul sofre, contudo, do mesmo mal do seu irmão mais velho: é um jogo bem estratégico para dois jogadores, mas vai ficando mais caótico a cada adição de um novo adversário.

    Agora a pergunta que não quer calar: se eu já tenho o Carcassonne original, vale a pena adquirir um outro jogo do mesmo estilo? A minha resposta é… vale! Particularmente, ainda prefiro o jogo original, mas Mares do Sul é um diferente. Se você gosta de Carcassonne e quer experimentar regras diferenciadas ou trazer seus amigos para este universo, pode ser uma excelente porta de entrada; se você não gosta de Carcassonne, tente jogar o Mares do Sul, quem sabe não era de algumas regras diferentes que você precisava?

    Como uma imagem vale mais que mil palavras,  um vídeo deve valer por um milhão, certo?  Assista abaixo o vídeo oficial de Carcassonne Mares do Sul, ou Carcassonne Südsee da Hans Im Glück:

    Pontos positivos:
    – Assim como foi falado no review do jogo original [confira aqui], a rejogabilidade também é altíssima, especialmente se jogado como entrada ou sobremesa de um jogo pesado
    – Arte e componentes excepcionais
    – Tema agradável
    – Pontuação final de fácil cálculo (veteranos do Carcassonne clássico entenderão)
    – Bom gateway para euros mais complexos ou mesmo para outros jogos da família Carcassonne

    Pontos negativos:
    – Jogadores veteranos podem não gostar da regra de retirar um meeple. Umas das estratégias do jogo original é tentar trancar as construções do adversário e, consequentemente, fazer ele “perder” um deles;
    – Regras em espanhol. Sim, a versão que a DEVIR trouxe ao Brasil é a espanhola “Mares del Sur”. Como somos bonzinhos, você pode pegar a versão que a empresa nos mandou aqui: MANUAL EM PORTUGUÊS

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2 a 4
    Idade: a partir de 8 anos
    Duração: 35 minutos
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Desenvolvedora: Hans im Glück/DEVIR (no Brasil)
    Idioma: Espanhol
    Preço Médio: R$ 140,00

     

    Moisés Pacheco (Moita ou "El Cabrón") Seu apelido, Moita, tem origem tão obscura quanto sua paixão pela obra de Lovecraft. Caprichoso, é o mestre no grupo na arte do print & play e costuma usar de soluções práticas para organizar os componentes de seus jogos, como os diminutos baús de tokens que volta e meia dão o ar de sua graça nos encontros do On Board. Reza a lenda que ele possui em casa um baú muito maior (antigo e sinistro...) de onde surgem misteriosamente as centenas de jogos alternativos e underground de sua coleção. Outros interesses: gastronomia, viagens, Lovecraft, ficção científica, artesanato, cervejas artesanais, coisas pouco coloridas para não confundir, rock, metal, blues, pós punk e tecnopop anos 80.

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    2 COMENTÁRIOS

    1. Carcassone sempre me pareceu um jogo bobinho, mas a cada dia q passa me sinto cada vez mais inclinado a comprar, rsrsrs

    2. Ronaldo, dê uma chance ao Carcassonne, é um jogo muito bacana e dá para convencer até não gamers a jogar!

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