ANALYSIS PARALYSIS: SALVEM OS NOVATOS!

ANALYSIS PARALYSIS: SALVEM OS NOVATOS!

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    O On Board sempre foi um grande divulgador de jogos de tabuleiro. A necessidade de divulgação refere-se à possibilidade de ampliação de novos jogadores, até mesmo para a manutenção de mercado, pois este só se mantém quando existem compradores e, porque não, futuros designers. Para tanto, há a questão de jogos mais simples para que o novo público surja ou, no mínimo, conheça este universo. E é a partir daqui que quero começar.

    Jogos de mesa, por essência, têm como objetivo o entretenimento, seja ele complexo e denso ou simples e rápido e há centenas de jogos com essas duas características.

    Subentende-se que novos jogadores não deveriam começar por jogos mais densos e complexos para não assustar. Imagine o amigo tentando ensinar Terra Mystica para um iniciante, jogo que apresenta uma extensa possibilidade de opções ou mesmo um Guerra do Anel que tem dezenas de exceções e terminologias específicas.

    Simplesmente inviável ou, no mínimo, extremamente desaconselhável. Mas do que vemos no cenário nacional, essa preocupação de querer atrair novos jogadores parece, quando existe, secundária, indo em desencontro com muitos dos jogos que foram expostos em Essen.

    Quem resolveu passar pelas 27 páginas de jogos do BoardGameGeek sobre a maior feira de jogos de tabuleiro do mundo deve ter visto uma quantidade absurda de jogos familiares, porque lá existe algo que não existe aqui: investimento nos pequenos, até mesmo com intuito de manter a família unida. Nisso, os jogos de mesa, sejam board gamescard games ou quaisquer outras formas têm esse objetivo puro e simples.

    Por isso que muitos de nós, incluindo este que vos fala, há muitos anos, passou horas jogando Ludo e Jogo da Vida, ou mesmo Damas, no qual passei momentos extremamente agradáveis na praça do lado do restaurante onde minha mãe era dona, derrotando um a um o pessoal mais velho que trabalhava em uma concessionária de carros aqui em Florianópolis.

    Então por que muitos ainda cismam em chamar muitos jogos de “jogos de verdade”?

    Concordo que tem jogos ruins, quebrados, de temática colada etc. Mas mesmo assim, muitos são extremamente divertidos, como o sempre polêmico Zombicide. E até entendo a polêmica, mas é um gateway maravilhoso, como foi citado em nosso vídeo Top Board 5 Jogos Para Começar a Coleção. Meus alunos amam jogá-lo e já estão pedindo pela segunda temporada para terem mais dificuldade nas missões, o que é ótimo, pois estão sendo exigentes na complexidade das situações, refinando, a partir daí, seu gosto.

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    Alunos tomando decisões em Zombicide em uma das oficinas de jogos do projeto On Board na Escola

    Estou criando, sobretudo, grupo de pessoas que podem e conseguem discutir entre elas o melhor plano para vencer e que podem aprender novas estratégias escutando o outro. Tudo isso em um jogo sem refinamento nenhum de mecânica! O interessante é o andar no aprendizado de alguns que já estão vendo os problemas de regras do jogo sem eu dizer uma palavra sobre o que tem de errado.

    Mesmo assim, poucos veem os benefícios dos gateways nas coleções e ainda mantém certa arrogância ao desprezar outros jogadores pelas suas preferências, esquecendo que nem todo mundo consegue encarar um Runewars ou um Madeira, pela extensa duração e complexidade.

    Preocupo-me com essa postura enquanto formador de opinião. O preconceito, ou pior, o pedantismo. Considerar-se superior porque consegue enfrentar jogos longos e complexos quer dizer o quê? Nada, definitivamente nada! Seu salário não vai aumentar, a crise econômica não vai desaparecer, o dólar não vai baixar e o mundo não será um lugar melhor por isso.

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    Somos todos camelos!

    O investimento nos pequenos e novos jogadores é necessário. Os maus jogadores, os que são carregados de preconceitos e de um desejo patológico de competição e exibição, são inimigos do mercado por não aceitarem uma constante e fundamental atualização e renovação dos jogadores. Até a tendência de coroar o Spiel des Jahres como maior prêmio do mundo segue a tendência amigável. Colt Express, Camel Up? Jogos familiares sob os holofotes. Metidos, podem gritar, em vão, o nome de seu jogo très chic. Só verifiquem se haverá alguém ouvindo!

    NOTA: As opiniões dos autores da seção Analysis Paralysis são pessoais e não refletem, necessariamente, a opinião dos demais colaboradores do site.

    Ramon Diedrich (Mon Rá, O Hobbit) "Senhor dos Jogos Demoníacos": Ramon é um dos fundadores do grupo e esteve presente na primeira conversa que idealizou o projeto. Praticamente uma criatura lendária, é professor de biologia, fluente em Quenya, a língua élfica do universo de Tolkien, estuda no momento o idioma Dovahzul (Skyrim), fuma cachimbo e é dono da "gargalhada" mais engraçada que você poderia ouvir na vida. É também fã de jogos com temática biológica/científica e horror ao melhor estilo H. P. Lovecraft. Outros interesses: motocicletas, Filosofia, cachimbos, Tolkien, séries de TV, filmes clássicos.

    6 COMENTÁRIOS

    1. Eu comecei no hobby a apenas 5 meses, e comprei desesperadamente dezenas de jogos, para montar a minha “coleção”.

      E mesmo tendo pego um gosto grande por euros e jogos de complexidade maior, eu ainda sou apaixonado por party games, ameritrashes leves e jogos como o Zombicide. Especificamente esse eu não gosto muito, mas tenho na minha coleção e jogo constantemente com novatos e com os meus familiares!

      Porque board game é isso: uma desculpa pra nos reunir com amigos e ter horas muito agradáveis e divertidas.

      Nem interesse em ganhar as partidas eu tenho (sempre fico entre os últimos, e me divirto do mesmo jeito) como vejo muito gente altamente competitiva por aí. Meu objetivo é mesmo me divertir.

      Seja com o Madeira e o Bruxelles ou com o simples Zombicide.

      O resto, é hype.

    2. Oi Francisco tudo bem? Desculpa a demora do feedback.

      Acredito que tu resumiu bem o que quis dizer. Não importa o jogo e sim a companhia de pessoas que tu queres perto e jogando (não faço o santo do pau oco, tem pessoas que eu jamais sentaria pra jogar ou tomar um cerveja).

      Estou no teu time, geralmente perco mas, as vezes o jogo é tão complexo que o fato de ter conseguido aprender as regras já é um desafio e isso faz parte da diversão além de bater fotos, ler sobre o designer, aprofundar sobre o tema por simples curiosidade. E é isso que faz de nosso hobby algo fascinante!

      Bons jogos!

    3. Sou iniciante no hobby (40 dias) e já tenho uns 9 jogos, ao ler seu texto fiquei pensando nos jogos que possuo e concordo plenamente contigo. Todos esses jogos que comprei foram pensados primeiramente em jogar com minhas irmãs e cunhado, não tenho nenhum jogo que tenha um modo solo, reunir a família numa mesa pra jogar é muito bom.
      Mas estou corrigindo um pouco minha humilde coleção, acabei de encomendar o Império Lendário, vai ser meu primeiro jogo um pouco mais denso (apesar de vcs acharem que não), adorei o review de vcs sobre esse jogo.
      Parabéns pelo trabalho, sou fã do site e do canal do youtube.

    4. Ótimo texto, sou novo no hobby (40 dias) e estou na fase de querer comprar de tudo e ler tudo a respeito. É bacana ver um site feito por pessoas capacitadas e de boa escrita, com opiniões embasadas. Você é um desses que quase não aparece nos videos, mas que contribui com ótimas matérias.
      Adoro ver os videos do Jack e Lukita e me divirto com a paixão deste último, ele simplesmente gosta de tudo, tem uns 325 jogos favoritos (como ele mesmo já citou em um desses videos), ainda bem que nos videos ele cita o que curtiu e dá bons detalhes de jogabilidade, etc.
      Além dos textos, espero vê-lo mais em videos, principalmente aqueles em que estão jogando juntos, pois esses são os melhores pra gente ter uma idéia da mecânica e desenrolar do jogo. Tem outros canais que mostram uma mesa com o pessoal jogando, mas são videos muito mal gravados ou com som baixo, etc.
      Bom, é isso, gosto do estilo dos textos e videos e estou sempre acompanhando a trajetória do grupo onboard/meeplemaniacs

    5. Muito grato pelas palavras, Emerson! E agradeço em nome de toda a equipe! Somos todos apaixonados pelo hobby, tenha certeza! Grande abraço!

    6. Oi Emerson! Desculpa a demora do feedback mas a correria está grande! Obrigado também pelo carinho e pelos elogios e vou tentar aparecer mais nos vídeos sim, afinal, nosso trabalho visa exatamente fazer a divulgação do hobby. E se permite, gostaria de fazer uma sugestão: compre o que der (dentro das possibilidades financeiras, claro) mas procure se informar sempre. Baixe manuais pra conhecer os jogos, leia, leia, leia, pois essa é uma das essências de se jogar jogos de tabuleiro. Grande abraço e excelentes jogatinas!

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