SOBRE A MESA: ECLIPSE

SOBRE A MESA: ECLIPSE

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    pic1173341_lg“A galáxia tem sido um lugar pacífico por muitas eras. Depois da implacável Guerra Terrano-Hegemonia (30.027 – 33.364) muitos esforços foram empregados por todas as maiores espécies espaciais para impedir que os terríveis eventos se repitam. O Conselho Galáctico foi formado para manter a preciosa paz e isto tem requerido muitas medidas corajosas para prevenir a escalada de atos maliciosos.

    Todavia, a tensão e a discórdia crescem entre as sete principais espécies e o próprio Conselho. Antigas alianças estão se despedaçando e imediatos acordos diplomáticos são feitos em segredo. Um confronto entre as superpotências parece inevitável. Restam apenas as consequências do conflito galáctico a serem vistas. Qual facção se erguerá vitoriosa e liderará a galáxia sob seu domínio?

    As sombras das grandes civilizações estão prestes a eclipsar a galáxia. Lidere seu povo à vitória!”

    O tema espacial está em alta com sucessos recentes do cinema como Gravidade e Interestelar ou produções da MARVEL que trouxeram à tona para a cultura pop o grupo de anti-heróis que se tornou instantaneamente querido por todos, os Guardiões da Galáxia, e ainda como não falar da estreia do primeiro filme da antes tão aguardada nova trilogia de Star Wars que levou os fãs ao delírio com muitas referências que respeitam o que foi estabelecido nos filmes antigos da franquia? Jogos digitais com universos densos e muito bem estruturados como Mass Effect também conquistaram uma legião de fãs. Não precisamos ir muito longe, existem dezenas de jogos em nosso hobby que abordam a temática, cada um à sua forma, e alguns deles já estão sendo trazidos para o mercado e produzidos por empresas nacionais. Em uma rápida pesquisa, pude constatar que são mais de 10 títulos “galácticos” entre os cem primeiros  jogos mais bem posicionados no ranking do site boardgamegeek, sendo Eclipse: New Dawn for the Galaxy, no momento desta resenha, o décimo segundo colocado desta lista de campeões.

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    A galáxia em todo seu esplendor.

    Eclipse é um jogo de estratégia que se utiliza do que é conhecido como o estilo 4X, onde os jogadores tem sob seu controle uma civilização galáctica em expansão e devem explorar novos sistemas, colonizar novos planetas, pesquisar tecnologias, construir uma frota espacial para defender seu império, usar de diplomacia e outros meios a fim de levar sua raça à supremacia ao mesmo tempo em que preocupam-se com resquícios de uma misteriosa raça anciã que ainda ameaça parte da galáxia.

    Mecânica
    – Controle de área
    – Rolagem de dados
    – Movimento em grade
    – Tabuleiro modular
    – Eliminação de jogadores
    – Colocação de tiles
    – Poderes variáveis dos jogadores

    No início da partida, cada jogador escolhe entre sete raças possíveis. Elas ocupam frente e verso nos tabuleiros dos jogadores, sendo que um dos lados de todos os tabuleiros são ocupados pelos humanos (ou Terrans) e no outro lado estão representadas raças alienígenas distintas umas das outras, cada uma com suas respectivas habilidades e limitações. Todos os humanos possuem as mesmas características, mas é possível jogar com quaisquer combinações entre humanos e alienígenas. Todos são equilibrados entre si.

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    As civilizações que disputarão pela supremacia galáctica!

    Durante o setup inicial, alguns tiles formarão parte da galáxia que será explorada pelos jogadores. No tile central fica posicionado o G.C.D.S. (em inglês, Galactic Center Defense System), uma inteligência artificial neutra e fortemente armada que tem como objetivo defender o centro da galáxia contra invasores. O tabuleiro modular com peças hexagonais divide a galáxia em três setores, o anel interior que fica em volta do centro da galáxia, o intermediário que cerca o anel interior, e a parte exterior que envolve o anel intermediário, mas que pode ser expandida para qualquer direção além do anel exterior. Esses setores são identificados, respectivamente, pela numeração I, II e III. Os hexágonos que contêm os sistemas natais das civilizações controladas pelos jogadores devem ser posicionados como parte do anel intermediário (II) de acordo com o número de jogadores na partida.

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    G.C.D.S., o Sistema de Defesa do Centro da Galáxia.

    Feito o setup, começa a partida. O jogo acaba no final da nona rodada. Durante cada uma delas, os jogadores vão resolvendo seus turnos de forma alternada, fazendo apenas uma ação em cada turno. Eclipse possui uma mecânica administrativa muito interessante. Para que uma das seis ações básicas seja realizada, o jogador deve retirar um dos discos de influência da sua trilha de influência e colocá-lo sobre o espaço de uma dessas ações. Sob os discos da trilha de influência estão valores negativos que serão descontados do seu dinheiro no final da rodada, ou seja, não há um limite para a quantidade de ações que podem ser feitas por um jogador em uma mesma rodada, mas quanto mais ações ele faz, maior será o valor revelado pela retirada dos discos e maior será o custo de “manutenção” do seu império para aquela rodada. É importante observar também que esses mesmos discos utilizados nas ações servem para espalhar sua influência pela galáxia na razão de um disco por tile, sendo assim, quanto mais você expande seus domínios, mais caro fica administrar e fazer a “máquina” do seu império movimentar.

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    Os discos na trilha de Influência, que fica no tabuleiro do jogador

    A seguir, uma breve descrição do funcionamento de cada ação:

    Explorar: esta ação permite que o jogador explore com sua civilização as regiões na galáxia ainda não ocupadas por um hexágono, expandindo, assim, seus domínios. Esses hexágonos, ou setores da galáxia, podem vir com peças de Descoberta, que às vezes só podem ser adquiridas após a vitória sobre uma ou mais naves da raça anciã que ocupa aquele hexágono. Se não houver nenhuma nave hostil no hexágono, o jogador em seguida já pode livremente colocar um de seus discos de influência da trilha para dominar aquele setor e utilizar suas naves colonizadoras disponíveis (normalmente três) para ocupar os planetas, aumentando assim sua produção de recursos (dinheiro, ciência e materiais).

    Influência: esta ação permite que o jogador administre sua influência pelos setores da galáxia, conquistando hexágonos não dominados ou retirando hexágonos não desejados. Durante esta ação, duas fichas de naves colonizadoras já usadas na rodada pelo jogador podem ser desviradas para um novo uso naquela rodada, e da mesma forma como na ação Explorar, o jogador pode usar suas naves colonizadoras disponíveis em seguida para ocupar os planetas do setor ou setores dominados.

    Diplomacia: ação permitida apenas para partidas com quatro ou mais jogadores. É uma ação livre. Permite que o jogador tenha relações diplomáticas com outro jogador, aumentando sua produção, garantindo pontos de vitória ao final da partida e trégua entre os jogadores envolvidos. Se um dos jogadores quebrar a trégua com um ataque, ele recebe a carta de traidor, penalizando-o na pontuação final.

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    Embaixador terrano fazendo seu trabalho.

    Pesquisa: o jogador gasta pontos de Ciência para adquirir uma das tecnologias disponíveis para pesquisa no momento. Essas tecnologias concedem diversos tipos de benefícios durante a partida.

    Melhoria: permite que a civilização do jogador atualize a planta de suas naves com novas peças. Essas peças de naves podem ser adquiridas de acordo com as tecnologias já pesquisadas pelo jogador.

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    Trilhas de tecnologias disponíveis para pesquisa.

    Construir: o jogador gasta pontos de Materiais para construir naves e estruturas. As naves permitirão que o jogador expanda seu território, combata inimigos e se defenda. Entre as estruturas, estão uma base de defesa, a base Orbital para produção de um recurso extra e o Monolito que concede pontos de vitória no final da partida.

    Mover: permite que o jogador movimente suas naves pelos setores através dos buracos de minhoca (wormholes) por um número de hexágonos igual ao valor de Movimento de cada tipo de nave (de acordo com as peças de propulsores em suas plantas).

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    Plantas das naves e tecnologias pesquisadas.

    O primeiro jogador que decidir passar seu turno em uma rodada, recebe o marcador de primeiro jogador e iniciará a rodada seguinte. No entanto, jogadores que passam ainda podem executar algumas ações na mesma rodada, que são na verdade versões limitadas das ações de Melhoria, Construir e Mover. Após todos os jogadores passarem seus turnos consecutivamente, vem a fase seguinte da rodada, que é a fase de Combate. Os combates ocorrem em hexágonos onde existam naves de duas facções diferentes, sejam elas dos jogadores ou naves da raça anciã. Neste momento a “escola” ameritrash de Eclipse fala mais alto e os jogadores devem contar com um pouco de sorte nos dados. Mas essa dependência da sorte pode ser bem amenizada com uma boa preparação, seja levando uma grande e diversificada frota ao combate, ou investindo em melhorias às plantas de suas naves. Falando em ameritrash, não se engane com os cubinhos de madeira, há um grande encorajamento ao combate em Eclipse. Você ganha a oportunidade de sacar um marcador da bolsa de pontos de vitória só por ter participado do combate, no entanto, você terá muito mais chances de tirar um número bom se conseguir explodir algumas naves inimigas!

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    Dados de combate.

    Após a resolução de todos os combates, vem a fase de manutenção. Neste momento, os jogadores podem usar qualquer número de suas naves colonizadoras não usadas para ocupar planetas disponíveis dentro de seus domínios. Então, os jogadores devem pagar/receber o dinheiro referente à manutenção de sua civilização (número mais à esquerda revelado pela remoção de cubos da sua trilha de dinheiro menos o número mais à esquerda revelado  pela remoção de discos da sua trilha de influência). Depois, os jogadores recebem o valor mais à esquerda revelado em suas trilhas de ciência e materiais.

    Por fim, vem a fase de “limpeza”, onde os jogadores retornam os discos utilizados nas ações para sua trilha de influência e novas tecnologias são adicionadas às tecnologias possíveis para pesquisa de acordo com o número de jogadores na partida. Estamos prontos para mais uma atribulada rodada nesta jornada estelar.

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    Naves da raça anciã, tiles de descoberta, base orbital e o monolito.

    Considerações Finais
    Eclipse é um 4X, sem dúvidas, um jogo de civilização, onde você começa pequeno, vai coletando recursos, explorando a galáxia e expandindo seus domínios para, geralmente mais próximo do fim, ver-se, talvez, envolvido em um grande conflito espacial. Com a valorização do combate, podemos dizer que o jogo possui uma forte veia ameritrash, mas também vemos estratégia, administração de recursos e formas diferentes de adquirir pontos de vitória suficientes para distanciá-lo de qualquer estereótipo.

    Entre suas particularidades positivas, destacaria o visual, grandes hexágonos com uma arte limpa e coerente para representar a galáxia onde o jogo acontece, naves de plástico com tamanhos e formatos diferentes. Também importante mencionar a parte da diplomacia. Além de garantir pontos de vitória ao final do jogo, você entrega um marcador de embaixador da sua civilização que vai pra outra com um cubo de um de seus recursos. Essa retirada de cubos das trilhas de recursos é o que aumenta a produção destes. Se um dos jogadores trair o acordo diplomático, ele é penalizado. É uma aliança com benefícios reais dentro do jogo, usando as regras, que não fica apenas nas palavras. É simples e genial.

    Outra dinâmica interessante é o sistema de pesquisas científicas. Para poder construir determinadas estruturas e aprimorar algumas peças das naves, é preciso antes desenvolver certas pesquisas. A supremacia tecnológica sobre outra raça/jogador pode realmente fazer muita diferença.

    E apesar de tudo isso, Eclipse é um dos mais acessíveis 4X que você irá encontrar no quesito mecânica. Ele é bem direto, e logo na primeira rodada os jogadores verão o quão simples e fluido é seu sistema. A parte mais complicada fica por conta do combate por sua sequência, número e tipos de dados a serem rolados, mas acaba sendo um pormenor. Entre os contras ainda, destaque para a possibilidade de eliminação de jogadores durante a partida em um jogo que pode ser demorado e a compra dos hexágonos durante a ação de exploração, que pode ser decisiva no desenvolvimento da civilização dos jogadores. De qualquer forma, uma ótima pedida se você curte a temática espacial e quer conhecer um jogo de civilização.

    Pontos Positivos
    – Diplomacia com benefícios além do meta-jogo
    – Formas diferentes de pontuar (ciência, diplomacia, domínio, combate, descobertas, monolitos)
    – Sistema de pesquisa científica
    – Discos de ação/influência ligados ao valor de manutenção do seu império, quanto mais você expande mais custosa fica a administração

    Pontos Negativos
    – Valorização excessiva do combate
    – Eliminação de jogadores
    – Compra de tiles durante a exploração pode interferir significativamente no resultado do jogo

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2-6
    Idade: acima de 14
    Duração: 30 minutos/jogador
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Distribuidora: Lautapelit.fi
    Idioma: Inglês
    Preço Médio: R$ 400

     

    Fillipe Vieira: Apenas um cara tentando encontrar seu caminho no emaranhado de ideias, sonhos e anseios que permeiam sua mente. Talvez um dia você se depare com algum jogo desenvolvido por ele. Quando esse dia chegar, é possível que esse cara tenha encontrado seu caminho. Interesses: séries de TV, cultura nerd em geral, vídeo games, ciência, história.

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