SOBRE A MESA: RACE FOR THE GALAXY

SOBRE A MESA: RACE FOR THE GALAXY

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    r4tgEm Race for The Galaxy, os jogadores constroem civilizações galácticas utilizando cartas que representam planetas ou desenvolvimentos. Seu objetivo é construir o império espacial mais próspero e poderoso da galáxia. No início da partida, cada aspirante a Darth Vader, digo jogador, terá um único planeta natal e a partir dele iniciará uma corrida espacial para conquistar a galáxia, colonizando novos planetas ou criando desenvolvimentos técnicos e sociais.

    Mecânicas:
    • Ações simultâneas;
    • Administração de cartas

    Componentes e preparação
    O jogo possui um baralho com 114 cartas, divididas em 61 mundos e 50 desenvolvimentos, além de quatro conjuntos com sete cartas cada, utilizadas para definir quais ações serão realizadas por turno. Explicarei o que cada carta fará mais adiante.
    O setup inicial não tem mistério, basta separar 12 pontos de vitória por jogador no centro da mesa e distribuir um dos quatro conjuntos de cartas de ações para cada jogador. As cartas de ações são idênticas, sendo o ​diferencial apenas a cor de cada conjunto.
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    Dos 61 mundos existentes no baralho, cinco são numerados de 0 a 4 e representam os planetas iniciais a serem sorteados entre os jogadores. Com seu planeta natal definido, cada jogador comprará seis cartas e descartará duas, ficando com uma mão inicial de quatro cartas.
    Nota: Caso sejam suas primeiras partidas, além dos mundos iniciais, o jogo possui um conjunto de quatro cartas numeradas para ser sua mão inicial, ao invés de serem escolhidas de forma aleatória como o descrito acima. Realmente recomendo utilizar essas cartas nas sessões iniciais.

    E assim começa a partida!

    Mas espere um pouco. O que são os planetas? E os desenvolvimentos? Como funcionam essas cartas de ação? Só vejo cartas coloridas com símbolos e quase nada escrito. Vamos lá!

    Como jogar
    Uma partida de Race for The Galaxy se desenvolve em diversos turnos consecutivos. O turno consiste em cada jogador selecionar uma das ações disponíveis em seu conjunto de cartas e, simultaneamente, todos revelam a ação escolhida.

    O diagrama abaixo apresenta a sequência possível de ações a serem selecionadas:

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    Após os jogadores revelarem suas ações, será seguida a ordem de execução indicada, pulando as ações não escolhidas. Por exemplo: se os quatro jogadores escolherem realizar uma colonização, essa será a única ação realizada no turno por todos e, em seguida, inicia-se uma nova seleção de ações. Em contrapartida, se o jogador 1 escolher realizar uma Descoberta, o jogador 2, um Desenvolvimento e os jogadores 3 e 4 selecionarem Produção, essas 3 ações serão realizadas no turno e na ordem indicada, sendo que cada jogador receberá o bônus correspondente pela ação que escolheu, porém todos terão oportunidade de realizar ações nestas três fases.

    Para entendermos melhor o que exatamente significam essas ações, é necessário entendermos também as cartas que compõe o baralho.

    O jogo é composto de dois tipos de cartas: mundos e desenvolvimentos.

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    Carta de desenvolvimento: Símbolo de um losango.
    Custo numérico para baixar a carta.

    Carta de mundo: Símbolo de um círculo. Custo numérico para baixar a carta.

    PVs que ganhamos no final do jogo
    Bônus que a carta dará ao jogador quando for selecionada a ação correspondente

    Número indicador de planeta inicial

    Dentre os desenvolvimentos, não há muito segredo: para baixar uma carta desse tipo algum jogador deverá selecionar a ação de Desenvolvimento e pagar o custo da carta. Com exceção das cartas militares que falarei adiante, o custo de qualquer carta será pago descartando cartas de sua mão. Ou seja, ao mesmo tempo que você precisa planejar tudo aquilo que irá baixar, também precisa escolher o que não usará durante o jogo.

    Sempre que baixar algo é importante verificar todos os bônus disponíveis. No exemplo acima, caso tenha sido você o jogador que escolheu a ação de Desenvolvimento, o custo da tecnologia será reduzido em uma carta. Se você possuir outras cartas como “Créditos de Investimento”, os bônus se somarão e o custo final de sua tecnologia será reduzido em dois, podendo, inclusive, sair de graça.

    Como destaque especial para os desenvolvimentos, devemos citar as cartas de custo 6 com símbolo de “?” no hexágono, representando pontos de vitória.

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    Para quem conhece o jogo 7 Wonders, essas cartas tem um papel semelhante ao das guildas e sua pontuação será contada ao final da partida, porém seus bônus valerão durante todo o tempo em que ela se mantiver na mesa.

    Já os planetas têm algumas especificidades, observando, entretanto, apenas os cinco planetas iniciais com atenção, conseguimos identificar todos os detalhes.

    velhaVelha Terra é um mundo estéril, ou seja, não é capaz de produzir nenhum bem para ser consumido. Identificamos essa característica pela cor de preenchimento do planeta, neste caso, cinza.

    Por outro lado, ele é um planeta consumidor e os ícones ilustrados ao lado da fase de venda ($) e Consumo descrevem os dois benefícios adquiridos ao baixá-lo:

    Na fase de Venda, o jogador controlador do planeta receberá uma carta a mais ao vender um bem e, na fase de consumo, ele poderá descartar dois bens quaisquer para ganhar 1 PV por cada um.

    epsilonÉpsilon Eridani, assim como a Velha Terra, é um mundo estéril (preenchimento cinza).  Enquanto o mundo anterior garantia bônus nas fases de Venda e Consumo, Épsilon Eridani garante ao jogador controlador +1 de militarismo para ser utilizado na fase de Colonização (já explico o que isso significa) e permite consumir qualquer bem em troca de 1 PV e uma compra de carta.

    alphaAlpha Centauri, ao contrário dos anteriores, possui preenchimento branco e um halo marrom em volta de seu custo. Esse halo significa que estamos falando de um planeta explorável.

    Assim que Alpha Centauri ou qualquer outro mundo explorável for baixado, o jogador deverá pegar uma carta do topo do baralho e colocá-la sobre o mundo, demonstrando que aquele planeta possui um bem a ser consumido. No caso de Alpha Centauri, um bem raro (marrom).
    Esse bem poderá ser vendido ou consumido e, caso o jogador selecione a fase de Produção, um novo bem será produzido. Vale lembrar que algumas cartas permitirão que você produza bens em mundos exploráveis mesmo não selecionando a ação.

    Além do bem marrom, este mundo também concede ao jogador um desconto de um para baixar outros planetas marrons (normais ou militares).

    novaNova Esparta, como o nome não poderia deixar de indicar, é um mundo militar. Essa característica é identificada pelo contorno e número vermelho no símbolo do planeta.
    Para baixar um planeta na fase de colonização, já foi dito que o jogador deverá descartar cartas correspondente ao seu custo. Essa regra não se aplica aos mundos militares. Para conquistar um desses, você deverá possuir uma força militar igual ou maior ao custo do planeta. Como você pode perceber na carta, além de ser um planeta militar, Nova Esparta concede ao jogador +2 de força militar para ser utilizado na etapa de Colonização, portanto, mundos como Robôs Descontrolados ou Raça Aquática Elevada poderão ser conquistados caso você tenha iniciado o jogo com Nova Esparta. Também há tecnologias que ampliam o poder militar dos jogadores.

    coloniaColônia Perdida da Terra é um mundo produtor, identificado pela cor azul de preenchimento do círculo com seu custo. Essa característica permite que o mundo produza bens azuis, mesmo quando um outro jogador selecionar a ação de Produção. Diferentemente dos planetas exploráveis, planetas produtores não vêm com um bem de consumi sobre ele ao ser baixado, mas permitem gerar novos recursos com mais facilidade.
    Além do benefício de produzir bens azuis, a Colônia Perdida da Terra também permite que o jogador consuma bens em troca de pontos de vitória.

    Como dito anteriormente, uma análise detalhada dos mundos iniciais permite que você identifique todos os demais planetas do jogo. Planetas produtores ou exploráveis podem gerar bens de Luxo (azuis), Genes (verdes), Raros (marrons) ou Tecnologias Alienígenas (amarelos) e isso influenciará o valor de venda do produto e quem poderá consumi-lo.

    Também existem combinações de características como planetas militares e exploráveis ou planetas militares e produtores, mas são apenas agrupamentos das características apresentadas acima.

    Com todas essas informações em mãos, agora você é capaz de dar continuidade à partida que foi preparada alguns parágrafos atrás. Depois de iniciado o jogo, os jogadores realizarão turnos sequenciais seguindo as indicações acima até que uma das duas condições de final de jogo sejam alcançadas:

    – Algum dos jogadores baixar a 12ª carta de sua mão para a mesa ou
    – Terminarem os pontos de vitória do monte inicial separado

    Se alguma dessas condições for alcançada, os jogadores finalizam todas as ações escolhidas para aquele turno, inclusive pegando PVs extras se forem necessários.

    Finalizada a partida, contam-se os pontos conquistados com planetas e desenvolvimentos e somam-se a eles os PVs obtidos durante a partida. O jogador com maior número de pontos de vitória foi o vencedor dessa grande corrida galáctica.

    Considerações Finais:
    Não se assuste com a descrição dos detalhes do jogo, Race for The Galaxy tem regras fáceis, mas com uma curva de aprendizado um pouco longa. Caso ninguém no seu grupo conheça o jogo, sua primeira ou segunda partida poderão ser difíceis, com a sensação de que nada está se encaixando direito e consultando constantemente o guia de ajuda. Realmente, leva algum tempo até conseguir compreender toda a iconografia e o potencial de cada carta como contribuição para o seu império.

    O jogo envolve compra de cartas, portanto há sorte presente, mas ainda assim é importante você planejar corretamente suas ações. Isso porque ele permite uma série de estratégias, como foco no militarismo para baixar muitos planetas rapidamente, estratégias de produção e consumo de bens, combos com desenvolvimentos e tantas outras possibilidades.

    Pode parecer terrorismo todas essas informações, mas não é. Race for The Galaxy é um dos meus jogos favoritos, porém tive experiências complicadas para explicá-lo a novos jogadores. Por sorte, depois que você pega o jeito, serão partidas atrás de partidas e você nem verá o tempo passar. Trata-se de um jogo simples, inteligente, muito estratégico e que funciona muito bem com 2, 3 ou 4 jogadores. Particularmente, gosto de embates entre dois jogadores, mas o jogo brilha também com mais participantes.

    Até o momento, foi lançado no Brasil apenas a caixa básica, mas o jogo já possuí uma série de expansões, com destaque para a primeira, The Gathering Storm, que adiciona objetivos, um quinto jogador e um robô (bem malvado, diga-se de passagem) para partidas solo. Foi lançado recentemente o spin off Roll for the Galaxy, a versão de dados para esse card game que já se tornou um clássico, mas isso fica para outro review.

    Pontos Positivos:
    – Inovador, usando uma mecânica de ações simultâneas em um card game (muitos o consideram um primo de Puerto Rico)
    – Barato, ótima relação custo x benefício
    – Partidas rápidas, permitindo que sejam jogadas várias em sequência
    – Boa rejogabilidade

    Pontos Negativos:
    – Iconografia pode assustar novos jogadores
    – Curva longa de aprendizado, sendo necessário conhecer as cartas para planejar suas jogadas
    – A arte do jogo não agrada a todos.

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2 a 4
    Idade: A partir de 14 anos
    Duração: 30 a 60 minutos
    Fabricante: Galápagos Jogos
    Preço médio: 80 reais

    ludopedia BGG

     

    Físico, pai e entusiasta de jogos de todos os tipos, começou sua jornada nos jogos na estreia de seu Dactar, jogando River Raid madrugada a dentro com apenas 7 anos. Foi um caminho sem volta. Dos eletrônicos, migrou a alguns anos para os jogos analógicos e não deixa faltar um bom jogo nas reuniões de família. Entusiasta das ciências, pretende entrar mais a fundo nesse vasto universo e desenvolver jogos voltados para o ensino de física. Outros interesses: astronomia, séries de TV, jogos de computador e "Ohana".

    3 COMENTÁRIOS

    1. Um dos meus jogos favoritos de todos os tempos em uma resenha muito bem feita.

    2. Dá um trabalho explicar as regras desse jogo. E o pior é que ele até é um jogo bem simples. O único defeito de RftG é ser tão assustador pra novos jogadores que a gente acaba jogando menos do que gostaria.

    3. O problema é a curva de aprendizado desse jogo que é bastante íngreme… mas de longe, é o jogo da minha coleção que eu mais gosto… e infelizmente ele tem visto menos mesa do que eu gostaria…

      Parabéns pelo site galera… abraço.

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