MARATONA DE DOMINGO

MARATONA DE DOMINGO

por -

CRIANCAS TA NA MESA MARATONA DE DOMINGO

Com a quantidade de atividades e compromissos que as crianças têm no dia-a-dia, não é fácil passar um domingo tranquilo em casa, como no distante dia 06 de março.

Desde a sexta-feira que antecedeu a esse domingo eu estava decidida a jogar jogos de tabuleiro, nem que fossem partidas solo. Com certeza, consegui muito mais do que havia imaginado. Ao todo foram 5 jogos diferentes. Comecei escolhendo 7 Wonders, que fazia tempo que não jogávamos. Nina escolheu Machi Koro (sob protesto da Dora) e Dora escolheu Carcassonne South Seas. Depois do almoço, ainda jogamos Ave Caesar (escolha da Dora) e Blueprints (escolha da Nina).

IMG_6560Felizmente, nem toda partida que jogamos acaba em conflito. Depois de um bom tempo, conseguimos fazer uma maratona de jogos, sem muitos percalços. Ainda que houvesse um ou outro no meio do caminho!

Desde a primeira vez que ouvi falar de 7 Wonders no The Dice Tower, em setembro de 2012, tinha ficado louca para jogá-lo, principalmente com as meninas, por não ter dependência do idioma (além de ter uma arte linda). Quando compramos em janeiro de 2013, Nina tinha na época 6 anos e meio e Dora, 8 anos e meio. Os dois primeiros jogos que estreei na ocasião foram Ticket To Ride Europa (que merece um texto a parte) e o 7 Wonders.

O jogo em si não é difícil, as regras são bem simples. Acredito que o fator complicador para as crianças seja a escolha da melhor carta e de uma estratégia, na qual as cartas se combinem e deem a maior quantidade de pontos possíveis. Mas não podemos subestimá-las de forma alguma. Nas primeiras partidas percebi que elas estavam experimentando as diversas estratégias, predominando um tipo de carta de cada vez.

A Dora com frequência baixa as cartas de estruturas científicas (verdes) e, em geral, consegue manter uma boa quantidade de recursos sem ficar com dificuldade para baixar cartas na terceira Era. Já a Nina investe muito nas estruturas civis (cartas azuis), mas sempre em detrimento dos recursos. Ela abaixa poucos deles e acaba muitas vezes tendo dificuldade na terceira Era para conseguir baixar as cartas. É importante balancear a quantidade de recursos baixados, para não ficar sem, mas também não deixar de baixar cartas que darão pontos no final. Deixar de abaixar o mínimo de recursos é, de certa forma, arriscado, mas dessa vez deu mais do que certo. Ao final do jogo fui surpreendida com a Nina ficando em primeiro lugar, com apenas 2 pontos na minha frente. Uma questão interessante do jogo que elas incorporaram rapidamente foi aproveitar a possibilidade de se baixar cartas da Era seguinte sem pagar o custo, com as cartas que têm essa habilidade. Nesse jogo em especial, Nina aproveitou e baixou diversas estruturas civis desta forma.

Outra estratégia que elas utilizam muito (imitação da mãe?!) é a militar. Na primeira e segunda Era ambas baixaram cartas de poderio militar, o que me rendeu 4 pontos. Na terceira Era tive oportunidade de mudar isso e acabei ganhando das duas nesse quesito.

Acredito que a principal característica do 7 Wonders que cai bem para se jogar com crianças é a seleção e resolução simultânea das cartas. Dessa forma, estão todos jogando ao mesmo tempo e não há necessidade de se esperar a vez. Muitas vezes, a espera pode ser um fator negativo para elas em qualquer jogo. Claro que a paciência para se jogar depende muito de cada criança, de sua idade e do seu temperamento. Em casa, a Dora desde sempre foi capaz de se concentrar mais e por mais tempo, inclusive jogando o mesmo jogo por quase duas horas, o que eu já não espero da Nina.

No sorteio, Dora ficou com Babilônia; Nina, com Gizé e eu, com Éfeso, que, por alguma razão, elas adoram e já tivemos diversas brigas por causa disso. Mas não desde que instituí o sorteio e que ninguém poderia reclamar da Maravilha sorteada.

IMG_6555Placar final do 7 Wonders:
Nina 56 pontos
Eu 54 pontos
Dora 47 pontos

O segundo jogo do dia foi Machi Koro. Dora não estava muito interessada e ficou a maior parte do tempo olhando as peças do Carcassonne, sob meus protestos. Confesso que no início estava muito mais empolgada com esse jogo, mas ao longo do tempo perdi a empolgação. Não sei se as expansões o melhoram, mas o base tem alguns problemas de balanceamento. Acho a carta do Shopping Mall muito forte e, dificilmente, passamos a utilizar os dois dados. No fim, é tão rápido que poucas vezes achei que valesse a pena pegar as cartas com valores maiores do que 7. Talvez estejamos jogando de forma errada!

Nina se concentrou em pegar as cartas do Café (como sempre), eu não bobeei e peguei as da Padaria para me proteger dos Cafés de Nina. Dora fez umas escolhas estranhas, sem pensar muito (mais entretida com as peças do Carcassonne), mas que até deram certo, como comprar diversas florestas (o que saiu de 5 no dado não foi brincadeira). Particularmente não consegui evoluir minha cidade e Dora, um pouco tarde demais, começou a prestar atenção ao jogo, o que rendeu uma vitória da Nina. O mais engraçado foi ao final, a Dora justificando ter perdido com a seguinte frase: "Está vendo, eu não gosto desse jogo!"

Seguimos então com o Carcassonne South Seas, meu presente de natal do amigo secreto da Ludopedia. Só tinha jogado antes com minha mãe, porque as meninas não pareceram muito empolgadas com ele, de início. Mas acho que finalmente mudaram essa visão e acredito que ele verá mais mesa nos meses que seguem.

O jogo em si demorou para engrenar. Acostumadas com o Carcassonne original, elas não estavam muito preocupadas em pegar o mais rápido possível os recursos para poder oferecer nos barcos de mercadoria. Eu fui a primeira a conseguir fazer as trocas, o que me rendeu a primeira posição. Mais para o final, Dora conseguiu trocar com mais frequência os seus recursos, chegando a empatar comigo em pontos, mas consegui terminar um dos meus mercados (a Dora não pegou nenhum) e acabei a partida na frente, ainda que por apenas 1 ponto.

Nesse jogo foi a vez da Nina ficar desconcentrada e não muito preocupada com o jogo. Cansaço? Fome? Vingança pela irmã não ter dado moral para o jogo que ela havia escolhido?
IMG_6557

Placar final do Carcassonne South Seas:
Eu: 27 pontos
Dora: 26 pontos
Nina: 16 pontos

Fizemos então uma pausa para o almoço, depois conforme eu havia prometido assistimos dois episódios de Agentes da S.H.I.E.L.D., seriado que estamos acompanhando juntas, para então retomarmos nossa jogatina. Confesso que não imaginava que conseguiria jogar mais algum jogo. Com certeza, eu estava no lucro!

Dora escolheu Ave Caesar, que ganhou no Natal e ainda não tínhamos jogado. Rapidamente, assistimos a um vídeo com a explicação das regras e partimos para a ação.

Mais um jogo aprovado! Simples, mas divertido. É verdade que ele pode gerar certo conflito, principalmente se inserido em uma hora em que uma das duas não esteja muito contente, mas sobrevivemos dessa vez! Nina, como sempre, sacaneando, parando propositalmente nos pontos chaves. Fiquei algumas rodadas sem poder jogar, assim como a Dora. Jogamos quatro partidas, e, por fim, acabei ficando em primeiro na contagem total, apesar de um início bem ruim. Imagino que esse jogo deva ser um caos absoluto se jogado em seis. Mal posso esperar para jogar com a família toda.

IMG_6558Placar final do Ave Caesar após 4 corridas:
Eu 28 pontos
Nina 24 pontos
Dora 20 pontos

Enfim, chegamos ao último jogo do dia, escolha da Nina. Blueprints é um jogo fantástico, que eu adoro. Desde a primeira vez que o vi, apaixonei-me pelo tema e pela aparência. Nem sempre quando vemos um review e nos apaixonamos por um jogo, temos a mesma sensação quando finalmente conseguimos jogá-lo. Nesse caso passou longe disso. O jogo é realmente muito legal e o melhor, minhas filhas gostaram, principalmente, a mais velha.

Para ela eu já acho difícil, imagina para a mais nova. Em praticamente todas as partidas que jogamos até hoje, ganhei todas, sem nenhuma chance para elas. Apenas uma vez a Dora ganhou, quando jogamos eu, ela e minha mãe. Mas ainda assim, elas curtiram o suficiente para escolhê-lo com certa frequência.

blueprints2Apesar disso, talvez pelo momento não tenha sido a melhor escolha. Embora rápido, é um jogo muito estratégico, onde é preciso prestar atenção nas jogadas dos outros, o que normalmente elas não são capazes ainda. Já estava tarde e elas, cansadas. Ainda conseguimos jogar duas das três rodadas. A partida acabou sendo interrompida quando, ao final da segunda rodada, tanto Dora quanto Nina tinham feito a sequência de números de 1 a 6, só que a Dora tinha mais dados da cor de desempate. Nina ficou brava, dizendo que Dora tinha roubado dela os pontos que ela iria fazer e saiu da mesa chorando. Entendi que o jogo tinha chegado ao final, mas ainda assim fui explicar a ela que era assim mesmo, tendo acontecido comigo na primeira rodada a mesma situação, onde eu e Dora tínhamos quatro dados do mesmo valor, mas ela tinha um dado da cor de desempate, enquanto eu não tinha nenhum.

No final, acabamos empatadas, eu e Dora com 8 pontos. Fiquei na frente em ambas as rodadas e a Dora, em segundo, mas ela tinha 2 pontos extras, que não marquei na primeira rodada. Uma pena não termos terminado a partida, pois a Dora estava muito bem. 

E assim acabou o domingo, com um saldo extremamente positivo. E que venham muitos outros!

Desde a infância os jogos de tabuleiro estiveram presentes na família de Mariana ("Tipo War?" Sim, tipo War). Quando seus pais e amigos jogavam baralho, Mariana ela era usada como coringa, para cobrir quem precisasse se ausentar da mesa. Com 14 anos, finalmente ganhou um novo status e lugar permanente. Sempre muito competitiva, não entra em um jogo se não for para ganhar, ou pelo menos entrava, até ter duas filhas. Suas companheiras de jogatina, Dora e Nina, têm ensinado muito a sua mãe. A nerdice de Mariana começou quando descobriu o seriado Arquivo X em 1994, que abriu portas para outros universos, como Star Trek, Stargate e Farscape, participou e organizou diversos eventos sobre o assunto. Outros interesses: seriados de TV, ficção científica, ler, ouvir Bossa Nova, Heavy Metal, Rock’nRoll e esportes coletivos, como futebol (torcedora fanática do Guarani) e handball.

ARTIGOS SEMELHANTES

1 COMENTÁRIO

  1. mais uma vez, ótimo relato! meu filho está com 3 meses e meio e não vejo a hora de começar a jogar com ele.

    não sei se vocês estão jogando o 'machi koro' errado, mas realmente já vi muita gente ganhando  sem pegar o segundo dado. mas depois percebi que isso só acontece se deixarem ele comprar as cartas mais baratas rapidamente. se ficarem bem distrubídas entre os jogadores e todos pegarem o segundo dado, a pessoa que está com um dado só não faz mais nada.

    também estou doido pela expansão. todo mundo diz que muda bastante o feeling do jogo, deixando-o muito melhor.

    já com o 'ave caesar', todas as vezes que joguei foram com 6 pessoas. é muito caótico mesmo, o que é bom nesse caso. fica uma loucura. mas fica muuuuito longo com 4 corridas. extremente cansativo, já que é um jogo muito simples e repetitivo. aconselho, se for jogar com 5 ou 6, a fechar a pontuação só com 2 ou 3 corridas.

    aguardo o próximo texto!

Deixe um Comentário