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Rafael Verri

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Rafael Verri, ou Parma, como seu próprio apelido denuncia, é um palmeirense roxo (ou seria verde?) que tem por missão catequizar seus dois filhos no mundo dos boardgames. Além de advogado, se aventura como game designer ou ainda desenvolvedor de jogos digitais nas suas horas vagas (horas vagas, o que é isso?). Tem um gosto bem variado, mas seus favoritos são os jogos os mais densos e demorados, ou seja, exatamente aqueles que quase não vêm mesa. Por tal motivo busca descontar sua frustração lúdica em boardgames digitais conversando com uma tal de Siri. Outros interesses: futebol, ciclismo, longboard, filmes, Séries de TV, Ken Follet, Star Wars, política, e violão (um dia ainda aprendo).

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Neste segundo episódio do novo programa, Meeple Tech, apresentamos um jogo para 2 jogadores que tem uma versão para iPhone bem desafiadora e que está ganhando uma versão analógica brasileira ainda este ano. Estamos falando do HIVE, um jogo simétrico e abstrato (mas com tema!!!) onde precisamos cercar a peça da abelha rainha do nosso oponente ao mesmo tempo em que protegemos a nossa.

Visite o site do Meeple Maniacs em http://www.meeplemaniacs.com.br
Apresentação e Produção: Rafael Verri (Parma)

Link para download do jogo: https://itunes.apple.com/br/app/caylus/id486202473?mt=8

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    friday coverJogos de tabuleiro são, em sua essência, uma forma de interação social entre pessoas que se juntam ao redor da mesa para se divertir, portanto, pressupõe a existência de mais de um jogador. Não é muito raro, porém, no meio lúdico, encontrarmos jogadores interessados em uma partida, mas que por questões diversas não conseguem formar uma mesa ou participar de uma sessão de jogatina com seus amigos (seja por falta de tempo, dificuldade de locomoção nas cidades, ou até mesmo pela falta de outros jogadores interessados).

    A história do maior náufrago da literatura, Robinson Crusoé, que vivendo isolado em uma ilha (assim como nossos amigos jogadores se sentem quando não acham ninguém para jogar) é o cenário ideal para um jogo solo. Friday é o segundo título da série “Friday Project” do autor Friedemann Friese, que, nada mais nada menos, é o designer por trás do famoso Power Grid, além de Fearsome Floors, de Felix: The Cat in the Sack, todos jogos bastante consagrados, além do ainda não lançado e mega badalado, 504. Ou seja, Friday já nasceu com pedigree. Mas será que o jogo por si só se sustenta, ou busca se apoiar apenas na fama de seu pai? Vejamos!

    Mecânica:
    – Construção de baralho
    – Gerenciamento de mão

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    Uma das cartas de piratas

    Em Friday o jogador faz o papel do Sexta-Feira, um nativo, ajudando o amigo Robinson Crusoé a sobreviver e chegar ao final de três fases de jogo e conseguir, por último, derrotar piratas e sair da ilha. Na pequena caixa você encontrará 72 cartas de jogo, 22 tokens de vida e três tabuleiros que irão servir apenas como indicador de local onde alguns decks de cartas deverão ficar.

    Tirando o fato do tamanho das cartas não suportar a maioria dos sleeves mais comuns no mercado (e nesse jogo teremos que embaralhar muito), o resto não deixou a desejar, sendo compatível com o valor cobrado de 14 dólares. A arte, apesar de à primeira vista parecer muito simples, cumpre bem com seu papel de informar o que deve e, ainda com o tempo, você começará a achar graça das caras e bocas do Robinson.

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    As caras e bocas de Robinson
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    As fases da partida

    Quanto às regras, em um primeiro momento quando lemos o manual e preparamos a partida, tudo parece um pouco estranho, mas conforme vamos jogando, a mecânica vai se mostrando extremamente lógica e simples. Resumidamente, Friday possui três baralhos: a) cartas de perigo, b) cartas de combate e c) cartas de envelhecimento. As cartas de perigo, apesar de primeiramente representarem as ameaças da partida, possuem dois lados para serem usadas e poderão, posteriormente, ser adquiridas pelo jogador que passará a usar o lado de combate, de forma a auxiliá-lo nas disputas futuras.

    Em cada turno o jogador virará duas cartas de perigo que indicarão quantas cartas de combate ele poderá comprar gratuitamente (se quiser continuar comprando além deste limite deverá descartar tokens de vida). O jogador escolhe com qual das duas cartas de perigo ele irá disputar. Para vencer a disputa, o valor de combate das cartas deverá superar o valor da carta de perigo escolhida, sendo que este valor irá variar de acordo com a fase que o jogo se encontra (verde, amarelo ou vermelho).

    Caso o jogador vença o combate, ele pegará a carta de perigo, irá adicioná-la ao seu deck e a partir de então poderá usar o lado de combate desta carta. Por outro lado, caso perca o desafio, sofrerá danos de acordo com a diferença entre o total do valor do perigo e o total do valor de suas cartas de combate, eliminando de seu pool a quantidade equivalente de tokens de vida.

    friday cartas
    Cartas de perigo, parte superior e combate, parte inferior

    Contudo, com estes tokens eliminados, o jogador poderá descartar definitivamente algumas cartas de seu próprio deck de combate. E é aqui que mora a maior parte estratégica do jogo, pois, muitas vezes é preferível perder propositalmente o combate para poder descartar algumas cartas “fracas”, representando a evolução do aprendizado de sobrevivência de Robinson. Adaptar seu baralho é fundamental porque, conforme o jogo avança, o valor de perigo a ser batido vai aumentando de forma significativa.

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    Tabuleiros para organizar a área de jogo

    Outra parte interessante é que as cartas do baralho de combate possuem diversos poderes especiais, permitindo ao jogador, por exemplo, comprar mais cartas de graça, aumentar seus pontos de vida, copiar o efeito de outra carta, olhar o deck de combate etc. Os combos podem permitir comprar e ativar muito mais cartas do que o usual.

    Ora, então para se dar bem em Friday, basta o jogador ficar eliminando as cartas fracas que ficará fácil para ganhar os combates? Não é bem assim. A mecânica desenvolvida foi tão bem fechada que o autor determinou que quando o deck de combate do jogador não tiver mais cartas, ele deverá embaralhar todas as cartas do descarte, mas deverá adicionar uma das cartas de envelhecimento, que acaba trazendo números ainda piores para o seu deck e que ainda são mais difíceis de serem eliminadas. Além disso, estas cartas de envelhecimento possuem poderes especiais prejudiciais e de aplicação obrigatória. Portanto, a palavra de ordem é equilíbrio.

    Cartas do baralho de envelhecimento
    Cartas do baralho de envelhecimento! Wiiiilsooon… não, calma aí!

    O final da partida é ativado quando as cartas de perigo esgotarem-se pela terceira vez, sendo que os piratas chegarão neste momento e o jogador deverá enfrentá-los em combate (Rrrrggghhh). Serão duas cartas de pirata com valor de perigo bem elevado e com quantidade variada de cartas de combate que o jogador poderá comprar gratuitamente, além de regras especiais para a batalha.

    Caso consiga derrotar o segundo navio pirata, o jogador vencerá a partida e, para verificar o quão bem ele foi, pontuará de acordo com a quantidade restante de tokens de vida, navios derrotados e conforme suas cartas de combate e cartas de perigo.

    As regras permitem ainda alguns níveis de dificuldade adicional para desafiar ainda mais o jogador, permitindo um alto grau de rejogabilidade. Porém, desde já afirmo: mesmo no nível easy você irá encontrar muita dificuldade para derrotar os navios piratas. Isso se conseguir chegar até eles.

    Considerações Finais:
    Friday é um jogo com regras simples, mas com uma complexidade estratégica enorme. A todo instante o jogador é desafiado a tomar decisões que irão impactar as fases seguintes. Qual carta de perigo enfrentar? Quantas cartas vou comprar? Continuo comprando? Perco a batalha e elimino esta carta ruim de minha mão ou vou ganhar para adicionar aquela com um poder legal que pode me ajudar mais para frente? Como visto, são várias as escolhas a serem tomadas e arrisco-me a dizer que muitos jogos para vários participantes não possuem tantas decisões assim.

    Trata-se de um jogo bom, bonito e barato. Adiciono ainda às qualidades o atributo de ser um simples, rápido e extremamente estratégico. Uma ótima opção para passar o tempo enquanto espera para formar uma mesa com outros jogadores, ou ainda para diminuir sua “fome de jogo” quando não encontra ninguém para jogar. Altamente recomendado.

    NOTA DO EDITOR:  review publicado originalmente em http://www.ludofy.com/2015/08/analise-friday/

    Pontos positivos:
    – Portátil, bom para levar para qualquer lugar
    – A dificuldade deixa ele bem desafiante
    – A arte, apesar de simples, é bem engraçada
    – Os pirata!!!

    Pontos negativos:
    – Difícil de achar sleeves para as cartas
    – O fator sorte na compra das cartas

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 1
    Idade: a partir de 10 anos
    Duração: 25 minutos
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Desenvolvedora: Rio Grande Games
    Idioma: Inglês
    Preço Médio: R$ 120,00

    ludopedia BGG

     

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