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A Touch of Evil

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    Ah! Zombicide! O jogo de mesa que deixa a internet mais divertida a cada dia! Gerador de tanto amor e ódio em uma caixa tão pequena. Capaz de alimentar as mais acaloradas discussões, de provocar o melhor e o pior de muita gente. Não bastasse o confronto entre fãs versus detratores, dentro do próprio conjunto de quem gosta temos os que usam regras da casa contra os defensores da leitura e aplicação literais do manual. E ainda temos o subconjunto bélico virtual dos que não pintam suas miniaturas contra os que pintam com várias cores contra os que pintam quase monocromaticamente. Mais um exemplo? Os que acham que Zombicide é um jogo de terror, tenso, como um agoniante e infalível ocaso humano e aqueles que, como eu, pensam nele como uma bem humorada homenagem pop ao mundo nerd! (confira nosso review aqui)E com esta última divisão, chegamos à música.

    Sempre que vou jogar com algum novato, aviso de pronto: Zombicide não é The Walking Dead ou Left 4 Dead, apesar das muitas inspirações e colagens. Zombicide é Tarantino! Colorido, frenético, atolado de referências a tudo que existe (TV, cinema, quadrinhos, música), exagerado, letal, fatídico, violento e muito, muito divertido! Com isso em mente, dispenso totalmente trilhas “tensas” ou assustadoras. Guarde-as para Betrayal at House on the Hill ou A Touch of Evil. Sério mesmo que alguém consegue criar um clima de terror com Zombicide? Não acredito! Não confunda a apreensão de morrer por uma ativação extra com a impotência diante do incompreensível mundo sobrenatural proposto pelos outros jogos que citei há pouco.

    Zombicide é um dos poucos em que utilizo música com letras. Sou adepto das trilhas meramente instrumentais para não atrapalhar a concentração e para que as letras não se misturem com o falatório dos jogadores. Aqui é bagunça! O mundo está à beira do colapso e quero mesmo criar o clima cinematográfico badass de Tarantino. Quando Wanda entra deslizando sobre seus patins em uma zona com cinco zumbis portando sua motosserra para em seguida trucidá-los em uma coreografia precisa, gosto de imaginá-la em câmera lenta com os pedaços dos infelizes mortos vivos flutuando ao seu redor e o sangue/gosma/ectoplasma/meleca vital respingando em seu rosto que começa a esboçar um sorriso típico de quem sabe que é bom no que faz! Quando isso acontece, preciso de uma música que aumente ainda mais este efeito já exagerado!

    Álbum: Kill Bill, Vol. 1 (Original Soundtrack)
    [link para o álbum]

    O filme campeão de referências do diretor campeão de referências. De obras-primas da sétima arte como Cidadão Kane e Rastros de Ódio, a filmes de terror B, C, D, megabombas orientais de filmes de lutas de orçamento menor que meu gasto mensal com jogos, TV, quadrinhos, Kill Bill passa por tudo! Tudo! E o exagero típico de Tarantino, heim? Uma pessoa contra dezenas em uma certa cena? Soa familiar em suas partidas? Zombicide grita Kill Bill! Se Zombicide fosse um filme, quem mais você veria dirigindo o nerd Sheldon Cooper ao lado de Snake Plisken encontrando katanas em carros de polícia abandonados em um apocalipse zumbi? A faixa The Grand Duel é para aquele momento em que você, sozinho no meio da rua, se dirige em direção à Abominação, molotov na mão e o andar tranquilo aguardando o final inevitável da monstruosidade de nível 3! Só falta o rolo de feno atravessando a rua pela força do vento! E Run Fay Run com seus metais anos 70 enquanto você “passeia” de Tunadão atropelando os incautos mortos-vivos. Que tal Woo Hoo para aquela busca desesperada na qual você compra uma carta de arroz e o jeito é cair fora? Na verdade, não uso o álbum na íntegra, monto uma lista tirando as curtas faixas com falas do filme e uma ou outra música, como os dez minutos de Don’t Let Me Be Misunderstood ou Music Box Dancer. Deixo ao critério de cada um.

    OUÇA UM TRECHO DE RUN FAY RUN:

    Álbum: Kill Bill, Vol. 2 (Original Soundtrack)
    [link para o álbum]

    Sem o charme do primeiro filme, a trilha de Kill Bill 2 também não obteve o mesmo êxito da primeira. Mas tem, sem dúvidas, o mesmo clima para nosso propósito aqui, o jogo de mesa. Faço a mesma coisa que sugeri antes, tiro as falas, uma ou outra música e coloco na mesma lista para Zombicide, aliás este lista tem, no momento 89 canções. Goodnight Moon e Can’t Hardly Stand It são músicas que podem parecer ridículas para jogar em uma primeira audição, mas fornecem uma ambientação à Zombicide daqueles filmes baratos americanos dos anos 80 para assistir nos cinemas ao ar livre. Tu Mirá ou Malagueña Salerosa para a lista de vingança pessoal de El “Machete” Cholo e Satisfied Mind com a voz do velho Johnny Cash com suas cores depressivas para os momentos desesperados sobre a mesa.

    OUÇA UM TRECHO DE SATISFIED MIND:

    Álbum: From Dusk Till Dawn (Music from the Motion Picture)
    [link para o álbum]

    Everybody be cool!” Vampiros em vez de zumbis, tudo bem. Mas combater criaturas além da compreensão que desejam exterminar seu grupo e estar confinado contra uma horda maldita? Pode apostar, estamos nessa! Foolish Heart para mim é a música que tocava na lanchonete anos 50 que Wanda trabalhava quando estourou o apocalipse zumbi. Dengue Woman Blues para aquela balofa que acabou aparecendo no último spawn bem na sua cara e After Dark porque lembra Salma Hayek fazendo água entrar em ebulição com sua personagem que já deveria ter virado personagem de Zombicide há muito tempo. Já pensou na habilidade “Começa com uma cobra”!? E ainda que tal Mary Had a Little Lamb só porque matar zumbis ao som de Stevie Ray Vaughan é muito bacana?

    OUÇA UM TRECHO DE FOOLISH HEART:

    Álbum: Sucker Punch (Original Motion Picture Soundtrack)
    [link para o álbum]

    Sucker Punch não é Tarantino, foi dirigido pelo diretor que entende como ninguém o universo dos quadrinhos, Zack Snyder. Esta obra é uma homenagem ao mundo nerd ao misturar elementos de ficção científica, fantasia medieval e artes marciais em um clima tão exagerado quanto o de Kill Bill. Um filme para meninos, como costumo dizer. Samurais com metralhadoras, nazistas zumbis, dragões versus aviões da Segunda Guerra e muito sex appeal. Babydoll, a personagem principal, é simplesmente a figura que eu mais espero ver um dia em Zombicide! Sério, esperei até o último segundo da nova campanha no Kickstarter para vê-la e nada! Babydoll PRECISA estar em Zombicide! Mini saia de colegial detonando com katana e metralhadora? Vamos às ruas protestar!

    Lembram quando comentei acima minha imagem mental de Wanda trucidando em câmera lenta com sua motosserra? Army of Me é faixa para tal. A própria trilha sonora de Sucker Punch é feita de muitas releituras e homenagens. Os covers de Tomorrow Never Knows dos Beatles e de White Rabbit de Jefferson Airplane são os pontos altos do álbum e excelentes trilhas para suas aventuras zumbicidas!

    OUÇA UM TRECHO DE WHITE RABBIT:

    Álbum: The Walking Dead (AMC’s Original Soundtrack), Vol. 1
    [link para o álbum]

    A trilha oficial da série responsável pela explosão de sucesso dos mortos-vivos é composta por canções muito boas, geralmente por bandas do cenário mais underground e indie. Funcionam muito bem para a série, mas darão um clima mais triste e solitário para o jogo. Sem problemas para mim, afinal, coloco tudo em uma grande lista aleatória como já havia dito e a mudança de climas e de humores com as faixas dos outros discos é sempre refrescante. O problema aqui é o preço! Um álbum tão curto por quase o mesmo valor dos outros, desanima um pouco. Se for para abrir mão de algum desta lista é esse!

    PLAYLIST SELECIONADA PARA ZOMBICIDE:

    Abraços analógicos!

    SLAP

    NOTA: apresentarei sempre os álbuns com links para a iTunes Store por questão pessoal.

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