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    Em mais uma entrevista exclusiva para os leitores do On Board, Cristiano Cuty de Oliveira, editor da Conclave Editora, fala do financiamento e lançamento de Nosferatu no Brasil, Midgard, Dominion e mais.

    ON BOARD: Cristiano, antes de mais nada, muito grato pelo seu tempo em falar com o On Board. Uma década de Conclave Editora, fundador da empresa, escritor, designer, editor… tem algo que você não faça?

    10177328_10152127797292672_7554928978382998789_nCRISTIANO CUTY: Eu é que agradeço a oportunidade! Tem MUUUITA coisa que eu não faço! Não consigo plantar bananeira, por exemplo! (risos) Mas procuro me dedicar com afinco às atividades da Conclave Editora. No ano que vem a Conclave completa 12 anos e eu estive envolvido com a editora em todo esse tempo. Isso nos deu uma boa experiência e nos fez aprender que todo e qualquer trabalho envolvendo a Conclave sempre vale a pena!

    ON BOARD: Midgard foi financiado ano passado com 215% de arrecadação do valor pedido. Esse número foi acima do esperado, bateu com a expectativa? Com os torneios de Midgard surgindo por aí, ainda teremos novidades na linha ou no universo Vikings: Guerreiros do Norte?

    CRISTIANO CUTY: Midgard superou nossa expectativa. E continua superando! Quando lançamos o financiamento coletivo fizemos um trabalho de marketing forte para garantir que o jogo seria financiado. Então, posso dizer que o tempo todo do financiamento imaginávamos que o jogo bateria a meta inicial. Mas ter mais do que dobrado a meta foi realmente surpreendente. Eu fiquei muito emocionado no último dia ao ver o envolvimento das pessoas, buscando novos apoiadores, fazendo o projeto crescer. Tanto foi assim, que acabamos lançando uma quarta expansão, que estava programada para ser lançada esse ano… Quanto ao RPG Vikings, podem esperar novidades sim! Mas, como tivemos problemas com as edições do D&D, nossa ideia é levar o Vikings para o sistema do Crônicas RPG e transformar esse sistema no oficial da Conclave. E isso será definitivo! Então, vamos aguardar o Crônicas ser publicado para retomar o Vikings.

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    ON BOARD: Vamos falar de Dominion. Que notícia maravilhosa! Um jogo deste nível, premiado ao extremo, sendo lançado no Brasil e por vocês! Conte um pouco para nossos leitores como foram as negociações, desde quando as conversas se iniciaram e quando podemos esperar pelo lançamento desta obra-prima? Será via Catarse ou teremos venda direta?

    CRISTIANO CUTY: No dia em que assinamos o contrato do Dominion eu abri uma garrafa de vinho para comemorar. Mas isso ainda não foi suficiente para eu ter certeza de que realmente iríamos trazer o jogo. Então, no dia em que o Jay, da Rio Grande Games, me enviou o endereço do ftp para baixarmos os arquivos para a tradução, eu abri outra garrafa e falei que estava tudo dominado!

    O motivo de tanta desconfiança é que as negociações para o Dominion iniciaram em junho do ano passado. Ou seja, ficamos praticamente um ano conversando com o pessoal da Rio Grande sobre a vinda do jogo para o Brasil. No final, compreendemos que havia alguns entraves contratuais e que o Jay agiu de forma extremamente correta, deixando findar alguns prazos e pendências para só então liberar a licença para nós.

    Licenciamos o Dominion para produção em língua portuguesa, ou seja, nossa licença não se resume somente ao Brasil, mas a qualquer país de língua portuguesa. E licenciamos o básico e todas as suas expansões (as quais pretendemos lançar tão logo o básico esteja nas mãos dos jogadores brasileiros).

    Acredito que teremos o Dominion por aqui em outubro. Não posso afirmar com certeza, pois isso depende da agenda da gráfica, na Alemanha, e de questões alfandegárias, que fogem ao nosso controle.

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    ON BOARD: Obviamente, o assunto do momento é Nosferatu que ainda está com o financiamento rolando no Catarse. Por que Nosferatu? Quando e como ele se tornou uma opção para a Conclave?

    CRISTIANO CUTY: Faltam 10 dias para o fim do financiamento, que está em 95%! Ou seja, o jogo está praticamente financiado! (Nota do editor: o jogo foi financiado com sucesso!)

    Nosferatu nos foi oferecido através de um contato que temos com um agente alemão. Quando o jogo nos foi ofertado nós não o conhecíamos, como a maioria das outras pessoas, por ser um jogo muito novo. Eu pesquisei a respeito, assisti um gameplay em francês (e não entendi nada), mas as informações que obtive me fizeram decidir que era uma boa pedida. Fechamos com a Grosso Modo. Felizmente!

    Quando a Grosso Modo nos enviou dois exemplares do jogo nós tivemos a certeza de que havíamos feito a escolha certa. No primeiro dia de demonstrações, jogamos quinze partidas seguidas! E foi assim em todas as demonstrações que fizemos. O jogo é divertido, leve, dinâmico e fácil. Não tem uma pessoa sequer a quem apresentamos o jogo que não tenha gostado.

    Nosferatu entrou para a história do evento Castelo das Peças como o único jogo, em sete anos de evento, que permaneceu na mesa do início ao fim das atividades. Em São Paulo, levamos o jogo na FunBox e no Joga Sampa e ele também não saiu da mesa. Como disse um crítico da revista Sci-fi Universe, “A vontade de jogar de novo é imediata”.

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    O que vem na caixa de Nosferatu

    ON BOARD: Publicamos nosso review de Nosferatu (confira nosso review aqui) em plena sexta-feira, 13. O jogo é, de fato, muito bom e disse no texto que ele tem elementos peculiares que o diferencia de títulos tradicionais de dissimulação, merecendo espaço em qualquer ludoteca. O fato de Renfield escolher seu mestre, o baralho Relógio que nunca deixa o vampiro totalmente tranquilo são meus destaques. Em suas jornadas de divulgação do jogo, quais comentários você ouve com frequência?

    CRISTIANO CUTY: O comentário geral é algo do tipo “nossa, como um jogo tão legal cabe numa caixinha tão pequena!”. As pessoas sempre adoram o jogo, ele vai ficando melhor a cada partida jogada, pois os jogadores começam a ter uma compreensão mais plena dos mecanismos de dedução. Muitos se perguntam se o Renfield não joga ou é um mero distribuidor de cartas, então colocamos essas pessoas para jogar com o Renfield e elas percebem que ele é tão ou mais jogador do que os outros. Como eu disse acima, não teve nenhuma pessoa que não tenha gostado do jogo e todas, sem exceção, pedem bis!

    ON BOARD: Particularmente, gosto muito do papel de Renfield. Mas ele é comumente injustiçado. Qual a visão do público em relação a ele?

    CRISTIANO CUTY: Como disse acima, as pessoas tendem a achar que o Renfield não joga. Eu mesmo, quando li o manual pela primeira vez, tive essa impressão. Mas basta começar a compreender os mecanismos de dedução e de blefe do jogo, para perceber que o Renfield é peça fundamental e é um jogador tão ou mais importante do que os outros. Assim como você, eu, particularmente, adoro jogar de Renfield. Minha dica é: tenha o jogo e jogue o jogo! Nosferatu é diversão de Renfield, de Caçador e de Vampiro!

    ON BOARD: Cristiano, você precisa ver o sucesso que ele fez em algumas rodas de alunos que tenho. Não estou exagerando, a galerinha está alucinada pelo jogo. A primeira partida gerou discussão vinte minutos após seu fim e cada vez que chego no colégio é a primeira coisa que perguntam: “Professor, trouxe Nosferatu?” Confesso que me surpreendi com o sucesso dele em meio aos não iniciados nos jogos de mesa. Citei ainda no nosso review que acho a temática dele mais interessante para este tipo de público e que é mais fácil de ensinar para novatos do que The Resistance, por exemplo, outro jogo que gosto muito. Você já teve esse tipo de retorno com jogadores iniciantes?

    CRISTIANO CUTY: Sim, claro! Levamos o jogo para o Tabuleiro GameBar, que é uma luderia aqui em nossa cidade. E disponibilizamos o jogo para os clientes do bar. Tivemos diversos grupos de não gamers que ficaram simplesmente apaixonados pelo jogo. Teve um grupo que começou a jogar às 19 horas e parou as 3 da manhã (por que o bar ia fechar) e queria levar (comprar) a cópia do jogo que estava lá.

    Creio que muito desse sucesso se deve a grande simplificação das regras que o autor conseguiu alcançar. Qualquer pessoa compreende muito rapidamente como funciona o jogo e já começa a jogar. Depois de uma primeira partida, então, a coisa deslancha!

    ON BOARD: Como você vê o cenário dos canais de reviews no Brasil? Blogs, YouTube… Em que medida influenciam no sucesso de um financiamento e o que ainda falta neste meio?

    CRISTIANO CUTY: Eu fico muito feliz com o crescimento desses canais e de mídia especializada. Aliás, isso é algo que é muito equilibrado no cenário brasileiro. Os veículos de mídia vêm crescendo na mesma medida em que o mercado de jogos. Ter uma quantidade maior de canais, sites e blogs falando do assunto dá ao público uma possibilidade de escolha e uma capacidade de formar opinião diferenciada. Isso me deixa muito feliz, pois em todos os veículos de divulgação que o Nosferatu foi citado, ele foi extremamente bem falado!

    E é claro que a existência de mais blogs e canais influenciam no financiamento e nas vendas de qualquer produto. É através de vocês, que se dedicam a noticiar e a deixar o público ciente do que está rolando no mercado, que as pessoas ficam sabendo o que está disponível para elas. Espero que esse cenário de mídia especializada continue crescendo.

    Acho que talvez, o que falte, é criar uma coalizão nacional. Algo que congregue todas as pessoas que estão trabalhando no meio ou que são entusiastas dos jogos. Mas estamos no caminho para isso… É questão de tempo!

    Obrigado pela entrevista e parabéns pelo On Board!

    Para saber mais sobre Nosferatu e contribuir no Catarse, visite: http//:www.catarse.me/en/nosferatu
    Para saber mais sobre a Conclave Editora, visite: http://conclaveweb.com.br/editora2/

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      16911_10200234578099971_32951678_nRovaldo Banchieri fala sobre Runicardso grande projeto da Kalango Analógico, Última Fortaleza e mais na estreia de nossa seção de entrevistas, Meeple Talk.

      ON BOARD: É uma imensa alegria anunciar a estreia de uma nova seção em nosso tão recente blog. Na Meeple Talk teremos entrevistas com nomes do mundo dos jogos de mesa no Brasil e no mundo. Como primeiríssimo convidado, Rovalde Banchieri, criador do excelente Runicards e editor da Kalango Analógico que atualmente está com seus esforços voltados para os últimos detalhes e para o financiamento coletivo no Catarse de Última Fortaleza, jogo criado por Fabiano Saccol e que costumamos chamar de o maior jogo de tabuleiro do Brasil. Estou errado, Rovalde?

      ROVALDE BANCHIERI: É isso aí, Lucas! Vamos começar essa seção com GRANDE estilo e com um jogo GRANDE. (risos)

      ON BOARD: Vamos falar muito sobre Última Fortaleza, mas antes gostaria que você falasse um pouco para os leitores do On Board sobre sua experiência pessoal e profissional nos board games e sobre a proposta da Kalango Analógico.

      ROVALDE BANCHIERI: Eu sou um artista plástico formado pela UNESP, mas trabalho com propaganda e publicidade desde o segundo ano da faculdade (1997). Fundei a agência Studio BLOG em 2006 onde atendo clientes como a Johnson & Johnson, Wallmart, Sam’s Club e a editora Panini. Em 2013 criei a Kalango Analógico para poder dar suporte ao Runicards.

      Nos últimos 8 anos trabalhei junto a Panini desenvolvendo vários produtos como álbuns de figurinhas, revistas de atividades e quadrinhos. Como editor da Kalango Analógico estou lançando o jogo “Última Fortaleza” do designer Fabiano Saccol e até o final do ano devo editar outros dois jogos: “Steam Adventures” e “Spero“.
      Como projetista de jogos fui responsável pelo jogo “Pop-Up Fighters” encartado no álbum de figurinhas “UFC – Ultimate Fighting Championship” da Panini e pelo jogo Runicards da Kalango Analógico. Até o final de 2014 devo lançar outros dois jogos: “Runicards – Dungeons” e “Animus – Protetores das 4 Estações“.

      Se por jogar estiver valendo “RPG” eu jogo há mais de 20 anos (estou velho!) e comecei pelo “Dragon Quest” da lançado no Brasil pela Grow e pelo “Lobisomem – O Apocalipse” da White Wolf. Mas o interesse por jogos de tabuleiro veio em 2008 quando joguei “Arkham Horror” da Fantasy Flight! Foi uma experiência única e este jogo é, ainda hoje, um dos meus favoritos. Foi com o Arkham e com os jogos da Fantasy Flight que eu conheci os tabuleiros modernos e me apaixonei pelo setor.

      ON BOARD: Runicards foi um sucesso de financiamento. Ficou acima de sua expectativa no momento?

      ROVALDE BANCHIERI: Runicards foi lançado de forma tímida, tinha 200 cartas e viria numa caixinha tipo UNO. Mas conforme a proposta dele ganhava fãs e apoio, tanto da galera do tabuleiro quanto da de cards e RPG, o projeto cresceu e foi ganhando apoiadores dia após dia! A cada centavo que entrava a gente pensava em como melhorar o jogo e, no final, conseguimos lançar um card game com mais de 440 cartas, tabuleiro, caixa de luxo e com qualidade internacional! Foi uma aventura incrível! O “fenômeno Runicards” acordou um setor inteiro que estava meio dormente: o de criação de jogos analógicos independentes. Fora de grandes selos internacionais e sem nenhuma amarra criativa das grandes empresas, os projetistas encontraram no financiamento coletivo, e no Runicards, uma forma de poder lançar seus jogos e crescer junto com o apoio da galera.

      ON BOARD: A recepção do público quanto ao jogo em si foi excelente. O que poderemos esperar do modo Dungeons?

      ROVALDE BANCHIERI: Depois do final do financiamento coletivo de Runicards foi criado não apenas um jogo, mas uma comunidade de amigos que juntos serviram de fundação para a criação da Kalango Analógico. E, com essa galera, estaremos novamente juntos, dando o próximo passo nessa parceria. Essa expansão do jogo está sendo construída contando com a opinião e playtest de todos do grupo do Facebook e é um material que atende aos pedidos que vieram por e-mails, comentários e posts. É uma expansão que tornará Runicards mais desafiador, mais aberto e mais modular. Um jogo onde você poderá viver aventuras e explorar o mundo com seus heróis. Pela primeira vez em Runicards você irá explorar, sala a sala, cada pedaço do covil de seu oponente. Enfrentar armadilhas, novos monstros, encontrar arcas de tesouro e fontes de poder.

      ON BOARD: O processo de desenvolvimento junto ao público deve ser algo inédito. Parabéns pela iniciativa. Teremos mais novidades para Runicards em breve?

      ROVALDE BANCHIERI: Teremos sim! Ainda nesse primeiro semestre de 2014! Fiquem de olho nas redes sociais!

      ON BOARD: Vamos falar sobre A Úlltima Fortaleza. Como surgiu a ideia do jogo?

      ROVALDE BANCHIERI: Criado pela mente monstruosa do designer Fabiano Saccol, o projeto começou em uma aventura por fórum onde jogamos, em uma galera bem grande, um jogo narrativo criado pelo Fabiano. Nesse jogo o grupo decidia o destino de uma vila de anões que teve que se mudar do interior de uma montanha para o mundo aberto, perseguidos por uma horda de Orcs. Um dia o Fabiano me ligou e começamos a pensar numa forma de transformar o jogo do fórum em um tabuleiro. A ideia evolui, invertemos os papéis de monstro e heróis e agora você joga com monstros protegendo sua raça da extinção esmagando heróis entre suas garras e presas! No jogo você vai construir um império e viver uma saga épica no melhor estilo Age of Empires ou Starcraft! Se você procura uma experiência de tabuleiro que permita evoluir uma civilização de monstros em um cenário de fantasia único no gênero, esse é o jogo para você!

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      ON BOARD: Os quatro modos possíveis de jogo já surgiram no conceito original ou foram acrescentados aos poucos?

      ROVALDE BANCHIERI: Sim. Apenas o modo Combate que foi criado depois e adicionado ao pacote por ser muito legal!

      ON BOARD: Quanto tempo desde a concepção da ideia, até a formalização dos conteúdos, mecânica e design para um primeiro teste do sistema?

      ROVALDE BANCHIERI: Última Fortaleza começou a ser criado em maio de 2013, ainda com o nome provisório de “Êxodo”. Dali a arte e as versões de teste foram tomando forma e em Outubro tivemos nossa primeira partida Alpha. Nossa, foi um caminho longo!

      ON BOARD: As referências à Twilight Imperium, Eclipse, Race For the Galaxy, Agricola e outros são conhecidas. Como se deu esse processo de inspiração? Algum destes ou um outro jogo teve impacto mais forte na concepção inicial?

      ROVALDE BANCHIERI: Essa seria uma boa pergunta para o Fabiano Saccol, pois ele citou todos os jogos que você mencionou! O Fabiano, como ele mesmo gosta de falar, queria um jogo Euro com roupa de American.

      ON BOARD: Da época do financiamento de Runicards para Última Fortaleza, o que mudou no mercado de jogos de mesa no Brasil nestes meses?

      ROVALDE BANCHIERI: Muita coisa! A quantidade de plataformas (sites) de financiamento coletivo aumentaram, a tecnologia rodando atrás dessas plataformas cresceu e o público consumidor mudou de “apoiador” para “comprador”. Financiamento agora, por falta de esclarecimento, virou sinônimo de pré-venda para os compradores de jogos de tabuleiro e apenas uma minoria apoia um projeto com a ideia e a vontade de “apoiar”. Todos se tornaram mais exigentes, o público não quer mais só uma boa ideia, quer um produto de qualidade. E não estão totalmente errados.

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      Detalhe do tabuleiro de Última Fortaleza

      ON BOARD: Qual foi a maior dificuldade durante o processo todo, desde a criação do jogo, passando pelos testes, até o momento? Aliás, produzir um jogo desta magnitude e com esta quantidade imensa de componentes deve ter exigido um esforço extra em relação a custos. Foi difícil negociar valores? Não precisa entrar em detalhes. (risos)

      ROVALDE BANCHIERI: A divulgação até agora tem sido um bom desafio. Runicards era um jogo mais leve, com 200 cartas a gente podia despachar uma cópia para qualquer lugar do Brasil. Já com a Última Fortaleza a gente tem que investir uma grana alta (quase R$400) por protótipo e a caixa é gigante. Com pouca mobilidade em eventos e com partidas longas a divulgação correu bem mais lentamente do que a gente esperava.

      ON BOARD: Falando em componentes, você mesmo já comentou pela internet que algumas coisas em Última Fortaleza podem mudar até a versão final em novembro, como o símbolo de hambúrguer para Corpo. O que mais você pode adiantar de mudanças ou novidades em meio aos vários playtests. E o que podemos esperar quanto à qualidade do produto final?

      Seja um monstro!
      Seja um monstro!

      ROVALDE BANCHIERI: Queremos que toda habilidade vire um ícone, seria legal fazer algumas experiências para ver se a gente consegue libertar o jogo da dependência de idioma para poder abranger mais público internacional. O tabuleiro também deve evoluir, tanto na arte quanto no formato (talvez). A qualidade será a mesma de Runicards, o melhor que a gente conseguir.

      ON BOARD: Seja franco. Qual seu modo de jogo favorito em Última Fortaleza?

      ROVALDE BANCHIERI: (risos) Vai depender do dia. Adoro o modo Campanha, mas em eventos jogar no modo Combate é mais divertido pois em meia hora a gente rola umas 2 partidas por mesa!

      ON BOARD: Qual a tendência do mercado brasileiro na sua opinião? O que o brasileiro procura mais? Jogos familiares, eurogames, cards, ameritrash?

      ROVALDE BANCHIERI: Jogos bonitos. Se você tiver um jogo bom e feio do lado de um bonito e “passável” ele venderá mais. A gente ainda não tem uma cultura de jogos de tabuleiro pra poder fazer uma avaliação muito superiora a isso. Temos como, claro, avaliar nichos, como jogos mais populares em “eventos de anime” ou “grupos do Facebook”, mas isso não representa, nem de longe, o mercado brasileiro. Hoje já somos mais conhecidos, mas ainda somos um nicho na internet. Ter mil há 3 mil interessados nem arranha o público potencial do setor. A minha melhor experiência de vendas para refletir isso foi durante a Feira Medieval em Campinas. Nessa Feira Medieval a entrada era franca e o público alvo eram famílias que iriam para o evento conhecer comidas típicas e ver shows de malabarismos, pirofagia e lutas de justa. Não haviam muitos “nerds” lá, mas o público “geral” comprou 30 caixas de Runicards por dia! Eram pessoas que nunca tinham jogado RPG ou jogos de tabuleiro modernos, o mundo delas era baseado em Uno, War e Banco Imobiliário. A gente acha que por ter um produto popular na internet automaticamente, “todos” sabem sobre ele e isso está muito longe da verdade. Divulgação ainda é nosso maior desafio.

      ON BOARD: O que você acha do trabalho dos canais brasileiros de reviews e gameplays? Sente falta de alguma coisa neste campo?

      ROVALDE BANCHIERI: Sinto pena de não podermos, salvo raros casos, profissionalizar o setor mais rapidamente. Ia ser legal se a gente tivesse audiência tão boa nesses canais para que eles pudessem render lucro para seus desenvolvedores. Hoje é uma área motivada por paixão e não por lucro.

      ON BOARD: Alguma dica em especial para quem está querendo desenvolver seu próprio jogo?

      ROVALDE BANCHIERI: Não tenha medo de mostrar seu jogo, jogar ele em eventos e pedir opiniões. De cada caso que você já ouviu falar que “roubaram” uma ideia de alguém, você ouve falar de cem desenvolvedores que nunca saíram da frase “eu tenho uma ideia pra um jogo”. O medo é o maior cabresto criativo para o desenvolvedor iniciante. Não tenha medo de ser roubado, se os eu jogo não sai da sua mesa ele não existe. Não tenha medo de ouvir opiniões negativas, elas irão melhorar o seu jogo.

      ON BOARD: Para fechar, seu Top 5 pessoal de board games de todos os tempos.

      ROVALDE BANCHIERI: Sacanagem essa! Tem tantos… bom, vou excluir os jogos da Kalango e partir daí.
      01 – Arkham Horror: Foi minha primeira experiência com tabuleiros modernos. Está guardado em meu coração.
      02 – Dragon Quest: Tá bom, esse tá no limite com os jogos de interpretação. Mas foi o jogo que eu primeiro me dediquei de verdade, por anos.
      03 – Castle Ravenloft: O sucessor do Dragon Quest para os iniciantes da minha mesa!
      04 – Magic: The Gathering: Esse é cardgame, mas foi parte da minha infância, na 4ª edição do jogo, e influenciou muito meu design para jogos
      05 – Colonizadores de Catan: Por ter feito minha mãe e minha namorada jogarem tabuleiro e gostarem!

      Para saber mais sobre Última Fortaleza e contribuir no Catarse, visite: http://catarse.me/pt/ultimafortaleza
      Para saber mais sobre a Kalango Analógico, visite: http://kalangoanalogico.com.br

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