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Conclave

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Dando continuidade às indicações de jogos modernos para se jogar com crianças, trago nessa segunda parte os jogos da Funbox, Conclave, Devir, Ace Studios, Fire On Board, PaperGames, Ludofy, Copag e MS Jogos. Se você ainda não leu a primeira parte, veja aqui.

FUNBOX começou como uma ludolocadora, situada na cidade de São Paulo. Uma nova empresa foi criada para se dedicar exclusivamente à edição de jogos, não só trazendo de fora, mas também valorizando jogos nacionais. Eles têm diversos jogos pequenos de cartas que são excelentes e não são caros. Na maior parte dos jogos, a idade recomendada na caixa é 14 anos, mas acredito que isso tenha mais a ver com questões da legislação no Brasil do que com a idade possível de se jogar.

COOK-OFF – Jogo nacional criado pelo Luis Francisco. Infelizmente o jogo está esgotado, mas pode ser possível encontrar pessoas vendendo. A princípio o jogo é para 4 a 6 pessoas, mas eu joguei a maior parte das vezes em 3. O tema atrai as crianças e elas se divertem principalmente sabotando a cozinha dos outros jogadores. Claro que ao jogar com as duas eu preciso dosar as sabotagens e distribuir entre elas para não haver favoritismo. A idade sugerida é a partir de 14 anos, mas é possível jogar com crianças a partir de 7 ou 8 anos.

COUP – Jogo de blefe com cartas. Ainda que seja um pouco difícil para as crianças blefarem, elas vão aprendendo e o jogo vai se tornando muito interessante. Não deveria ser um jogo para elas gostarem, mas é um sucesso aqui em casa. No início elas pegavam o jogo e jogavam as duas sozinhas. O interessante é que a sobrinha da minha amiga (a mesma do Elder Sign) também adora esse jogo. A idade sugerida é a partir de 14 anos, mas com uns 8 anos já é possível jogar.

METROCITY – É outro jogo de cartas de 2 a 4 jogadores. Jogamos apenas em uma ocasião em conjunto com meu pai. A experiência foi bem positiva. As meninas só tiveram um pouco de dificuldade com relação aos objetivos individuais, mas acredito que com mais partidas isso deixe de ser um problema.  A idade sugerida é a partir de 10 anos, mas com uns 8 anos já é possível jogar.

ASCENSION Este é o segundo jogo de deckbuilding jogado pela Dora e o primeiro da Nina (antes dele eu joguei o Dominion com a Dora). Elas aprenderam a mecânica com facilidade e gostaram de jogar. A idade sugerida é a partir de 13 anos, mas com uns 8 anos já é possível jogar.

QUARTZ Jogo do designer brasileiro Sérgio Halaban. Sucesso absoluto aqui em casa. Jogamos muitas partidas com meus pais e minha irmã. Muito divertido, mesmo com as cartas de ferrar outro jogador. As duas levaram isso na boa, mesmo porque eu acabo sendo a maior vítima das cartas, principalmente da “Opa! Esse cristal não é meu”!! A idade sugerida é a partir de 14 anos, mas com uns 8 anos já é possível jogar.

FLASH POINT Esse é um jogo cooperativo, onde os jogadores assumem os papeis de bombeiros que devem apagar o fogo de um edifício e retirar as pessoas de dentro a salvas. Por si só o tema já é interessante. O fato de ser cooperativo é mais um fator que conta muito aqui em casa. Jogamos algumas partidas no modo família e nos divertimos muito. A idade sugerida é a partir de 10 anos, mas com uns 8 já é possível jogar.

Além desses, tem outros jogos que já foram lançados pela FUNBOX, mas eu ainda não tive oportunidade de jogar com as minhas filhas, como o EMBOSCADA, BULLFROGS, MATRYOSHKA, SUGAR GLIDERS e TIDES OF TIME. Outros jogos ainda estão para serem lançados e estou de olho no Mehinaku e no Imperial Settlers.
Além da Funbox, outra editora/distribuidora de jogos que tem se destacado e trazido jogos bem interessantes é a CONCLAVE. Dos jogos que eles já lançaram, destaco três que fizeram muito sucesso em casa.

DOMINION – o jogo de cartas que inovou com a mecânica de deck building. Depois dele vieram jogos como o Ascension, Thunderstone entre outros. Ele tem uma infinidade de tipos de cartas (se levarmos em conta todas as expansões já lançadas – lá fora somente por enquanto), enquanto são usadas apenas 10 dos 25 tipos (que vem no jogo básico). O jogo é dinâmico, rápido, e como tem infinitas combinações de tipos de cartas cada jogo é diferente do outro. Esse foi um jogo que fiz questão de pagar mais caro e comprar aqui no Brasil para poder jogar com as minhas filhas, dado a dependência do idioma. Definitivamente não me arrependi, ainda que não tenha jogado tanto quanto gostaria. A idade sugerida é a partir de 13 anos, mas com uns 8 anos já é possível jogar.

CAMEL UP – Foi o ganhador do Spiel des Jahres de 2014. No início eu não dava nada para o jogo, mas acabei comprando e todo mundo adorou aqui em casa. É um jogo de corrida de camelos, onde nós somos os apostadores. O jogo é dinâmico, e a cada rodada a posição dos camelos muda e muitas vezes chegamos na última rodada com vários podendo ser os ganhadores. Os jogadores podem fazer apostas intermediárias, que vão gerando dividendos e apostas globais, indicando o camelo que eles acham que vai vencer e o que vai ficar em último. A idade sugerida é a partir de 8 anos.

SEGUNDÓN Ganhamos o jogo num sorteio. A priori esse não é o tipo de jogo que me atrai, mas jogamos em casa com meus pais e foi bem divertido. O jogo é completamente caótico e o fato do vencedor ser aquele que fica em segundo, qualquer estratégia é pura especulação! O jogo depende mesmo da sorte. A idade sugerida é a partir de 8 anos.

A Conclave também trouxe os jogos Keyflower, Mexica, Survive, Dungeon Twister, CV e o Fruit Salad, este último sendo para crianças a partir de 6 anos. Acredito que desses, tanto o Survive quanto o Dungeon Twister são possíveis de serem jogados com as crianças. Recentemente foi anunciada a parceria da Conclave com a Haba, grande empresa de jogos infantis. Fiquem de olho porque os jogos deles são muito interessantes, principalmente para crianças mais novas.

A DEVIR também tem trazido muito jogos interessantes, vários inclusive voltados para o público infantil.

CARCASSONNE – Jogo lançado anteriormente pela GROW, agora com a Devir. Um excelente jogo para iniciantes e crianças. Ao jogar com as minhas filhas, senti que a alocação de fazendeiros nos campos ainda pode ser difícil. Em geral elas me imitavam, colocando seus fazendeiros quando eu o fazia. Uma dica é não utilizar essa regra no início, e deixar as crianças se acostumarem com o jogo para depois introduzir mais essa regra. A idade sugerida é a partir de 8 anos.

ESCADAS ASSOMBRADAS Jogo para crianças, bem simples e divertido. Talvez para as minhas filhas ele já seja muito infantil. Jogamos algumas vezes, mas percebi que elas enjoaram logo. O jogo é para até 4 jogadores e a trilha é bem curta. Provavelmente seria mais divertido (e caótico) se possibilitasse mais jogadores. A idade sugerida é a partir de 4 anos.

EXPLORADORES Excelente jogo para duas pessoas. Bem interessante para as crianças lidarem com números. Perdi muitas vezes tanto para uma quanto para outra, mas principalmente da mais nova. Em geral ela tem uma “estratégia” kamikaze de ir abrindo várias expedições, o que muitas vezes acaba dando certo e conseguem não fazer pontos negativos. Claro que eu sempre procuro lembrá-las de ter certeza antes de iniciar uma nova expedição, se terão condições de abaixar cartas, principalmente do meio do jogo para o final. Nem sempre elas conseguem perceber que a quantidade de rodadas faltantes não será suficiente para abaixar todas as cartas que elas querem. A idade sugerida é a partir de 10 anos, mas é possível jogar a partir de uns 8 anos.

PANDEMIC Excelente jogo cooperativo, mas bem difícil de ganhar, mesmo no modo mais fácil. Pelo menos essa era a minha impressão nas partidas que fiz com meus amigos. Joguei o Pandemic com a minha mais velha pela primeira vez e conseguimos ganhar sem muita dificuldade (não entendi nada!). Tentei ao máximo envolvê-la nas decisões, deixá-la decidir o que gostaria de fazer, mas confesso que ainda é difícil não influenciar demasiadamente nas jogadas. De qualquer forma foi uma experiência positiva, e a Dora gostou bastante do jogo. A idade sugerida é a partir de 10 anos.

LORD OF THE RINGS – Outro jogo cooperativo que joguei com a Dora no embalo do Pandemic. Ele foi lançado há um bom tempo atrás pela Devir, inclusive tendo vindo uma edição em espanhol. Como a minha edição é em inglês, algumas vezes eu precisava olhar as cartas da Dora para lhe dizer o que faziam, o que a priori não está correto pelas regras. Embora seja um jogo cooperativo, os jogadores não devem compartilhar entre si as cartas. De qualquer forma o jogo fluiu bem, com as ressalves já feitas anteriormente com relação à jogos cooperativos. A idade sugerida é a partir de 8 anos.

STONE AGE Jogo de alocação de trabalhadores A primeira experiência das minhas filhas com esse tipo de mecânica foi com o Pillars of the Earth, e a experiência foi bem positiva. Não só elas gostaram de jogar, como entenderam a dinâmica do jogo. Em função do que eu já tinha ouvido e lido sobre o Stone Age eu esperava ser um jogo mais simples do que o Pillars. Como elas tinham experiência anterior, eu não esperava que com esse jogo elas fossem ter dificuldade. Está certo que jogamos apenas uma vez, mas eu achei que para elas foi mais difícil, principalmente para pontuar com as cartas. De qualquer forma, esse é um jogo excelente, e espero ter mais oportunidades de jogar com as minhas filhas. A idade sugerida é a partir de 10 anos, mas dependendo da experiência da criança com outros jogos do tipo é possível começa antes.

CARCASSONNE MARES DO SUL Versão modificada do Carcassonne original, com um tema diferente e regras novas. Eu particularmente gostei bastante desse novo modo de jogar Carcassonne, onde é preciso pegar os recursos para então trocar no mercado e fazer pontos. Jogamos apenas 2 vezes, e senti que nesse início elas tiveram dificuldade de engrenar as trocas no mercado, talvez por terem o Carcassonne original na cabeça. A idade sugerida é a partir de 8 anos.

SENTINELAS DO MULTIVERSO Lançado pela GIGANTE JOGOS e distribuído pela DEVIR, esse foi um jogo muito esperado por mim. Por ser cooperativo e pelo tema envolver super heróis (em alta aqui em casa por causa do universo Marvel) eu achava que faria sucesso. Jogamos apenas uma vez, Dora e eu. Não sei se foi a ocasião, ou se o jogo realmente é mais difícil, mas infelizmente a Dora não se empolgou. Não temos o costume de jogar jogos com muito texto, então é possível que esse tenha sido o principal problema. De alguma forma ela ficou com preguiça de ficar lendo. Mas ainda tenho esperança de jogar com elas. A idade sugerida é a partir de 8 anos.

A Devir trouxe outros jogos também, que ainda não jogamos, mas acredito ser possível jogar com as crianças com tranquilidade, como A Ilha Proibida (cooperativo), Robô Ricochete, Gardens, Terra, Star Realms (deckbuilding), Volta ao mundo em 80 Dias, Genial, Agricola, Marvel Dice Master e os específicos para crianças como A Lebre e a Tartaruga, A Troupe dos Porquinhos e Dino Race. E claro, aguardo ansiosamente o dia em que poderei jogar Twilight Struggle com uma das duas.

ACE STUDIO – Fundada pelo designer de Warzoo, Fel Barros, já tem 4 jogos lançados pela ACE, e o quinto jogo, Space Cantina está para sair agora em novembro após uma campanha de financiamento coletivo muito bem sucedida.

ENCANTADOS Definitivamente o meu jogo preferido dos últimos tempos. Fez muito sucesso em casa e já rendeu muitas partidas. A sobrinha da minha amiga também se apaixonou pelo jogo e já jogamos todas juntas algumas vezes. Encantados pode ser jogado individualmente ou em duas ou três duplas. Individualmente o jogo é bem legal, mas em dupla ele fica ainda melhor. As meninas curtiram muito jogar em dupla, principalmente com outra criança. Divertidíssimo ver as duplas mirins combinando o que fazer, as cartas a serem trocadas e as “estratégias” a serem seguidas. A idade sugerida é a partir de 10 anos, mas com uns 8 anos já é possível jogar.

A ACE lançou outros dois jogos que eu tenho mas ainda não conseguimos jogar em casa: SAPOTAGEM e GEKIDO. Mas com certeza é possível jogar com as crianças, especialmente o GEKIDO. Quanto ao SPACE CANTINA, estou aguardando ansiosamente a sua chegada para jogarmos em casa. Acredito que fará sucesso.

FIRE ON BOARD – No momento eles têm quatro jogos no mercado e mais dois para chegar em breve. Dos já lançados eu destaco dois deles, que a princípio não são para crianças.

VILLAGE Mais um jogo de alocação de trabalhadores. Jogamos em casa em uma ocasião, mas para falar a verdade, já foram tantos jogos que não consigo me lembrar como foi a experiência. Mas como elas já tiveram contato com essa mecânica anteriormente, com certeza é um jogo passível de ser jogado. A idade sugerida é a partir de 12 anos, mas é possível começar mais cedo, por volta dos 9, 10 anos.

THE GALLERIST Assim como o Village, The Gallerist é um jogo de alocação de trabalhadores. O jogo é muito bonito, o design chama a atenção e enche os olhos de quem o vê. Eu estava com o jogo aberto pronto para uma partida solo, quando a Dora pediu para jogar. Fiquei em dúvida se daria certo, mas resolvi experimentar. Além de nós duas, meu pai também jogou conosco. De início, eu estava indo bem, conseguindo manter uma boa quantidade de dinheiro, só que não fui muito feliz em algumas aquisições, o que prejudicou na hora de conseguir completar os objetivos. Já a Dora, em certo momento estava com falta de dinheiro, inclusive não conseguindo identificar como fazê-lo. Eu dei algumas dicas e a partir dai ela deslanchou, completou mais objetivos do que eu e ganhou o jogo (inclusive fez questão de ganhar o leilão final para poder escolher a obra de arte que completava um dos objetivos). Claro que se eu não a ajudasse, ela não teria conseguido evoluir, e isso poderia ter feito o jogo ficar maçante para ela. De qualquer forma ela foi capaz de absorver as regras, mirar nos objetivos e aguentar por volta de 2 horas jogando o mesmo jogo. A idade sugerida é a partir de 12 anos, mas vai da experiência da criança com outros jogos de tabuleiro.

PARADE Um dos próximos lançamentos da FIRE ON BOARD é um jogo de cartas bem simples, com o tema de Alice no País das Maravilhas. Eu comprei o jogo em minha última viagem e jogamos há pouco tempo. O jogo é bem interessante, requer atenção às cartas que os oponentes estão colecionando para tentar fazer a menor pontuação possível.  A idade sugerida é a partir de 12 anos, mas é possível jogar com crianças a partir de 8 anos.

A PAPER GAMES lançou recentemente o FLIP CITY e o RED 7 e está para sair o ISLE OF SKY. Eu tenho somente o Flip City, e definitivamente é possível se jogar com as crianças, ainda que eu não tenha jogado com as minhas filhas.

LUDOFY – Rafael Verri começou lançando títulos de sua autoria e agora vem lançando jogos de fora e de outros designers brasileiros.

PATCHWORK recém-lançado no Brasil, jogo número 1 na lista de abstratos pelo site Boardgamegeek. Não tive a oportunidade de jogar, mas tenho certeza que esse deve ser um jogo bem interessante para se jogar com crianças, pela questão espacial proporcionada pelas peças de retalho que vão se encaixando umas nas outras. A idade sugerida é a partir de 8 anos.

CAVERNA Este jogo foi anunciado para 2017. Entra no mesmo grupo de jogos como Puerto Rico e The Gallerist, por serem bem mais elaborados. Iniciei uma partida com a Dora e a Nina que não foi finalizada, pois elas perderam o interesse em determinado momento. Em outra oportunidade, a Dora jogou novamente, comigo e mais dois amigos. Esses dois amigos têm experiência com jogos, mas era a primeira partida de Caverna deles. A Dora teve a paciência de jogar por mais de 2 horas e ficou em segundo lugar. Então acredito que ela tenha conseguido absorver as regras e estava interessada. Creio essa ser a chave para que as crianças consigam jogar jogos mais elaborados. Em certo momento algum pode funcionar, em outro nem tanto, por isso é preciso ter paciência com elas e escolher momentos em que as crianças realmente estejam a fim de jogar para sugerir jogos como este. A idade sugerida é a partir de 12 anos, mas vai da experiência da criança com outros jogos de tabuleiro.

A MS JOGOS, do designer brasileiro Marcos Macri já tem 8 jogos lançados. Gostaria de destacar o que eu tenho e que comprei especialmente para as minhas filhas:

DOGS – Jogamos pela primeira vez em um evento. Dessa vez estávamos somente nós três. De cara o tema agrada às crianças, por ter cachorros, e na segunda edição alguns outros animais. Elas pegaram as regras com tranquilidade, e eu e a Dora fomos arrasadas pela Nina, que ganhou sem nenhuma dificuldade. Na ocasião o jogo estava esgotado, mas assim que foi relançada a primeira edição (somente com cachorros) eu comprei. A idade sugerida é a partir de 10 anos, mas é possível jogar com crianças a partir de 8 anos.

Como não conheço outros jogos do Macri, com exceção do OVNI, por isso não tenho como dizer quais poderiam ser jogados com crianças. Diante da quantidade de jogos que temos ainda não consegui experimentar jogar com elas o OVNI, mas acredito que seja possível.

Por fim, tem a COPAG, conhecida pela venda de baralhos. Existem dois jogos que valem a pena serem citados aqui:

SET Infelizmente o jogo está esgotado. Não consegui achar para comprar aqui no Brasil, mas não poderia deixar de falar dele, pois é um excelente jogo de cartas, muito educativo. O jogo consiste em identificar um determinado conjunto de 3 cartas dentre as 12 disponíveis na mesa. As cartas têm desenhos com 4 características diferentes: 3 formas, em 3 cores, 3 preenchimentos e 3 quantidades diferentes em todas as combinações possíveis. Para um conjunto (Set) ser válido ele precisa ter para cada tipo de característica todas iguais ou todas diferentes. Incrível como as crianças pegam rápido o esquema e ficam cada vez melhores, mas nesse jogo elas vão ter que rebolar para ganhar da mãe!

HALLI GALLI Jogo bem infantil, mas muito divertido. As cartas tem desenhos de 4 tipos de frutas, que variam de 1 até 5 unidades por carta. Cada jogador abre uma carta na sua vez, e se houver na mesa exatamente 5 unidades de qualquer fruta, aquele que bater primeiro no sino no meio da mesa fica com as cartas. Quem ficar sem nenhuma sai, e o vencedor é o último a permanecer. O jogo é caótico, as crianças se empolgam e se divertem muito. Vale a pena a distração. Não necessariamente um jogo moderno, mas como jogamos recentemente e foi um sucesso, achei interessante inseri-lo na lista, pois foge dos jogos tradicionais e funciona como um perfeito filler.

ECO FLUXX – Jogo de cartas impresso pela COPAG, mas editado pelo Centro Cultural Explore Cultura. Mais um jogo da família Fluxx com o tema “meio ambiente”. O jogo começa com apenas duas regras: compre uma carta e baixe uma carta. Conforme o jogo vai evoluindo, novas regras vão surgindo, deixando-o muitas vezes caótico e muito divertido. As partidas podem ser bem rápidas, ou demorar mais. Como cada jogo depende da combinação de regras que vão sendo abaixadas, ele é bem dinâmico e cada jogo pode ser bem diferente do outro. Aqui em casa fez muito sucesso. Definitivamente recomendo para jogar com as crianças. A idade sugerida é a partir de 8 anos.

Bom, deu para perceber que não faltam opções de jogos de tabuleiro moderno sendo vendidos no Brasil. Nesses últimos dois anos houve um boom no mercado interno. E tem muita coisa ainda para vir. Várias outras editoras estão aparecendo, e trazendo jogos muito interessantes. Parece que toda a semana tem anúncio de um novo jogo.

E ai, o que vocês têm jogado com seus filhos, sobrinhos, netos, enteados? Quais as dificuldades encontradas? Dos jogos somente mencionados, quais vocês tiveram boas experiências e podem indicar também? Deixem seus comentários!

Agora não tem desculpa, escolha alguns e coloque a criançada para jogar!!!!!

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    pic2022914Personalidades cheias da grana passam seu tempo apostando em corridas de camelo tentando fazer valer seu investimento monetário e, claro, provar que são mais espertas do que os demais apostadores. Os camelos, entretanto, não são um exemplo de elegância esportiva e para vencer, eles se amontoam uns sobre os outros buscando aquele nariz de vantagem decisivo, ou melhor, uma corcova de vantagem, já que o desempate é feito na vertical. Na vertical? Isso mesmo! Já veremos como é isso, não seja um camelo apressado!  Este é Camel Up, trazido a pouco tempo para o Brasil pela Conclave Editora, simplesmente o atual vencedor do Spiel des Jahres, a premiação mais importante do mundo dos jogos de tabuleiro. Isso significa que ele é o melhor jogo de 2014? Dificilmente, afinal o Spiel julga apenas jogos publicados na Alemanha nos doze meses anteriores à premiação e com uma pegada leve e familiar. Tanto que existe uma categoria distinta para os jogos mais complexos, o Kennerspiel des Jahres. Mas campeão é campeão e veremos se Camel Up é um puro sangue ou apenas um pangaré azarão.

    Mecânica
    – Rolagem de dados
    – Apostas
    – Rolar e mover

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    Uma partida é disputada em uma corrida de apenas uma volta ao redor da pirâmide. Os camelos se movem conforme a cor correspondente em um dado de seis faces, as quais possuem os números 1, 1, 2, 2, 3 e 3. Cada número indica a quantidade de espaços que o camelo da mesma cor do dado andará. “Jogar” um desses dados é uma das quatro ações possíveis ao jogador da vez. Coloquei o verbo jogar entre aspas, pois, na verdade, ao selecionar a ação de mover um dos camelos, o que acontece é outra coisa.

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    A pirâmide central tridimensional é na verdade um porta dados que comporta as cinco cores deles, inicialmente. O jogador pega a pirâmide, sacode-a, coloca-a de cabeça para baixo e libera o mecanismo que segura todos os dados dentro dela. Com isso, apenas um dado é liberado sem termos controle de qual cor e qual número. Se saiu o dado azul com o número dois, por exemplo, movemos o camelo azul dois espaços. Parece até idiota, não? Acredite, não é. No entanto, falarei mais sobre isso em instantes.

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    Em seu turno, o jogador pode realizar apenas uma ação. A primeira delas é jogar um dado como descrito acima e além de fazer os camelos andarem, isto garante ainda uma libra egípcia. Existem outras três ações possíveis. Colocar um tile especial que permite que o camelo que nele pare avance uma casa ou retroceda uma casa conforme o verso escolhido, o que pode ser utilizado estrategicamente. Acredite, existe muito mais planejamento neste jogo do que aparenta. Eu também não acreditava nisso! Outra ação possível é apostar no vencedor de uma leg, uma pernada, que se conclui quando o quinto dado é rolado e consequentemente o quinto camelo é movido. Existem cinco pilhas de três tiles para cada cor de camelo. O tile superior pagará cinco moedas a quem primeiro o escolheu, o segundo pagará três moedas e o último apenas uma. O destino recompensa o audaz ou o perspicaz. Para quem mais cedo apostar certo, maior será a recompensa. E não adianta sair apostando em todos, os prêmios são pagos apenas para os dois primeiros lugares. Abaixo disso, quem paga é o apostador!

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    Os tiles de aposta para cada camelo

    A quarta e última ação possível é apostar em quem será o vencedor ou o perdedor ao final da corrida propriamente dita, ou seja, após algum camelo atravessar a linha de chegada. Do mesmo modo com os tiles e a pernada, quem antes apostar certo, ganhará mais.

    Bom, eu ainda nem falei da parte mais divertida. Camel Up é famoso por suas fotos com pilhas de camelos e é nesse aglomerado que reside seu humor e seu charme. Quando um camelo se move para a frente para o espaço já ocupado por outros camelos ele fica sobre todos os demais, levando, inclusive, a vantagem no desempate. Na imagem abaixo, por exemplo, quem está ganhando a pernada é o camelo laranja. Em segundo temos o branco, em terceiro, o verde, em quarto, o azul e o amarelo… cadê o amarelo?

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    O interessante é que nesta foto podemos traçar alguns cenários possíveis para melhorar nossas chances de sucesso nas apostas. Imagine que o laranja acabou de se mover, ou seja, não se moverá mais nessa pernada e ficou por cima, em primeiro. Quer dizer que ele venceu a leg? Talvez. Não sabemos pela foto se o verde ou o azul já se moveram. Se o verde tirar dois, ele ficará sobre o laranja e o branco e pelo desempate vertical, estará na frente. Se tirar três, ficará na liderança isolada, pelo menos até o branco se mover. Se tirar um, perceba que existe um tile -1 colocado ali, ele recuará, mas como está andando para trás, ficará por baixo do azul em último. (Cadê o amarelo?). O mesmo raciocínio é feito para o azul, entretanto quando o azul se mover, levará o verde com ele. Isso mesmo, quando um camelo se move, carrega todos os que estão sobre ele, com isso as reviravoltas acontecem a cada movimentação e quem está em primeiro pode ficar em último com apenas um dado. Muito aleatório? De modo nenhum! Você precisará analisar todos os dados que ainda não saíram para ter um cenário de “sorte controlada” e poder planejar e esperar alguns resultados. E funciona!

    Considerações Finais
    Camel Up é uma surpresa extremamente positiva, divertida e agradável. Confesso que comprei-o por ser o vencedor atual do Spiel, para conhecê-lo, essas coisas. Na primeira partida com o pessoal hardcore do On Board, percebi que tem muito jogo nele. Os bons jogadores gostam de analisar as combinações e as consequências de suas ações e em jogos mais pesados, contudo, pensar em todos os cenários possíveis é demorado ou inviável, mas aqui, após dois ou três dados terem saído é fácil analisar todas as situações. Percebi que estávamos fazendo isso o tempo todo e gerenciando nossa sorte com excelentes resultados. Claro, os dados são melindrosos e já vimos viradas espetaculares e derrotas inacreditáveis.

    Este é um dos grandes pontos positivos dele. Quer jogar com crianças? Elas adorarão o visual cômico e colorido e farão análises simples no curto prazo. Quer jogar com os mais experientes? Espere uma partida em outro nível. Quer juntar a família ou novatos? Sem problemas, Camel Up é facílimo de ensinar e comporta até oito pessoas.

    Um jogo muito redondo e bem testado, você perceberá a funcionalidade do design durante as partidas, extremamente divertido e que surpreendeu a todos a quem apresentei. É o melhor jogo de 2014? Não. Mas causou uma excelente impressão em nossas mesas no quesito diversão/qualidade.

    Pontos positivos:
    – fácil de ensinar e jogar
    – menos caótico do que aparenta
    – componentes de altíssima qualidade
    – joga bem com todas as idades e nível de experiência dos jogadores

    Pontos negativos:
    – muito leve e aleatório para alguns

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2 a 8
    Idade: a partir de 8 anos
    Duração: 30 minutos
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Distribuidora: Conclave Editora (no Brasil)
    Preço Médio: R$ 190,00

     

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      Em mais uma entrevista exclusiva para os leitores do On Board, Cristiano Cuty de Oliveira, editor da Conclave Editora, fala do financiamento e lançamento de Nosferatu no Brasil, Midgard, Dominion e mais.

      ON BOARD: Cristiano, antes de mais nada, muito grato pelo seu tempo em falar com o On Board. Uma década de Conclave Editora, fundador da empresa, escritor, designer, editor… tem algo que você não faça?

      10177328_10152127797292672_7554928978382998789_nCRISTIANO CUTY: Eu é que agradeço a oportunidade! Tem MUUUITA coisa que eu não faço! Não consigo plantar bananeira, por exemplo! (risos) Mas procuro me dedicar com afinco às atividades da Conclave Editora. No ano que vem a Conclave completa 12 anos e eu estive envolvido com a editora em todo esse tempo. Isso nos deu uma boa experiência e nos fez aprender que todo e qualquer trabalho envolvendo a Conclave sempre vale a pena!

      ON BOARD: Midgard foi financiado ano passado com 215% de arrecadação do valor pedido. Esse número foi acima do esperado, bateu com a expectativa? Com os torneios de Midgard surgindo por aí, ainda teremos novidades na linha ou no universo Vikings: Guerreiros do Norte?

      CRISTIANO CUTY: Midgard superou nossa expectativa. E continua superando! Quando lançamos o financiamento coletivo fizemos um trabalho de marketing forte para garantir que o jogo seria financiado. Então, posso dizer que o tempo todo do financiamento imaginávamos que o jogo bateria a meta inicial. Mas ter mais do que dobrado a meta foi realmente surpreendente. Eu fiquei muito emocionado no último dia ao ver o envolvimento das pessoas, buscando novos apoiadores, fazendo o projeto crescer. Tanto foi assim, que acabamos lançando uma quarta expansão, que estava programada para ser lançada esse ano… Quanto ao RPG Vikings, podem esperar novidades sim! Mas, como tivemos problemas com as edições do D&D, nossa ideia é levar o Vikings para o sistema do Crônicas RPG e transformar esse sistema no oficial da Conclave. E isso será definitivo! Então, vamos aguardar o Crônicas ser publicado para retomar o Vikings.

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      ON BOARD: Vamos falar de Dominion. Que notícia maravilhosa! Um jogo deste nível, premiado ao extremo, sendo lançado no Brasil e por vocês! Conte um pouco para nossos leitores como foram as negociações, desde quando as conversas se iniciaram e quando podemos esperar pelo lançamento desta obra-prima? Será via Catarse ou teremos venda direta?

      CRISTIANO CUTY: No dia em que assinamos o contrato do Dominion eu abri uma garrafa de vinho para comemorar. Mas isso ainda não foi suficiente para eu ter certeza de que realmente iríamos trazer o jogo. Então, no dia em que o Jay, da Rio Grande Games, me enviou o endereço do ftp para baixarmos os arquivos para a tradução, eu abri outra garrafa e falei que estava tudo dominado!

      O motivo de tanta desconfiança é que as negociações para o Dominion iniciaram em junho do ano passado. Ou seja, ficamos praticamente um ano conversando com o pessoal da Rio Grande sobre a vinda do jogo para o Brasil. No final, compreendemos que havia alguns entraves contratuais e que o Jay agiu de forma extremamente correta, deixando findar alguns prazos e pendências para só então liberar a licença para nós.

      Licenciamos o Dominion para produção em língua portuguesa, ou seja, nossa licença não se resume somente ao Brasil, mas a qualquer país de língua portuguesa. E licenciamos o básico e todas as suas expansões (as quais pretendemos lançar tão logo o básico esteja nas mãos dos jogadores brasileiros).

      Acredito que teremos o Dominion por aqui em outubro. Não posso afirmar com certeza, pois isso depende da agenda da gráfica, na Alemanha, e de questões alfandegárias, que fogem ao nosso controle.

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      ON BOARD: Obviamente, o assunto do momento é Nosferatu que ainda está com o financiamento rolando no Catarse. Por que Nosferatu? Quando e como ele se tornou uma opção para a Conclave?

      CRISTIANO CUTY: Faltam 10 dias para o fim do financiamento, que está em 95%! Ou seja, o jogo está praticamente financiado! (Nota do editor: o jogo foi financiado com sucesso!)

      Nosferatu nos foi oferecido através de um contato que temos com um agente alemão. Quando o jogo nos foi ofertado nós não o conhecíamos, como a maioria das outras pessoas, por ser um jogo muito novo. Eu pesquisei a respeito, assisti um gameplay em francês (e não entendi nada), mas as informações que obtive me fizeram decidir que era uma boa pedida. Fechamos com a Grosso Modo. Felizmente!

      Quando a Grosso Modo nos enviou dois exemplares do jogo nós tivemos a certeza de que havíamos feito a escolha certa. No primeiro dia de demonstrações, jogamos quinze partidas seguidas! E foi assim em todas as demonstrações que fizemos. O jogo é divertido, leve, dinâmico e fácil. Não tem uma pessoa sequer a quem apresentamos o jogo que não tenha gostado.

      Nosferatu entrou para a história do evento Castelo das Peças como o único jogo, em sete anos de evento, que permaneceu na mesa do início ao fim das atividades. Em São Paulo, levamos o jogo na FunBox e no Joga Sampa e ele também não saiu da mesa. Como disse um crítico da revista Sci-fi Universe, “A vontade de jogar de novo é imediata”.

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      O que vem na caixa de Nosferatu

      ON BOARD: Publicamos nosso review de Nosferatu (confira nosso review aqui) em plena sexta-feira, 13. O jogo é, de fato, muito bom e disse no texto que ele tem elementos peculiares que o diferencia de títulos tradicionais de dissimulação, merecendo espaço em qualquer ludoteca. O fato de Renfield escolher seu mestre, o baralho Relógio que nunca deixa o vampiro totalmente tranquilo são meus destaques. Em suas jornadas de divulgação do jogo, quais comentários você ouve com frequência?

      CRISTIANO CUTY: O comentário geral é algo do tipo “nossa, como um jogo tão legal cabe numa caixinha tão pequena!”. As pessoas sempre adoram o jogo, ele vai ficando melhor a cada partida jogada, pois os jogadores começam a ter uma compreensão mais plena dos mecanismos de dedução. Muitos se perguntam se o Renfield não joga ou é um mero distribuidor de cartas, então colocamos essas pessoas para jogar com o Renfield e elas percebem que ele é tão ou mais jogador do que os outros. Como eu disse acima, não teve nenhuma pessoa que não tenha gostado do jogo e todas, sem exceção, pedem bis!

      ON BOARD: Particularmente, gosto muito do papel de Renfield. Mas ele é comumente injustiçado. Qual a visão do público em relação a ele?

      CRISTIANO CUTY: Como disse acima, as pessoas tendem a achar que o Renfield não joga. Eu mesmo, quando li o manual pela primeira vez, tive essa impressão. Mas basta começar a compreender os mecanismos de dedução e de blefe do jogo, para perceber que o Renfield é peça fundamental e é um jogador tão ou mais importante do que os outros. Assim como você, eu, particularmente, adoro jogar de Renfield. Minha dica é: tenha o jogo e jogue o jogo! Nosferatu é diversão de Renfield, de Caçador e de Vampiro!

      ON BOARD: Cristiano, você precisa ver o sucesso que ele fez em algumas rodas de alunos que tenho. Não estou exagerando, a galerinha está alucinada pelo jogo. A primeira partida gerou discussão vinte minutos após seu fim e cada vez que chego no colégio é a primeira coisa que perguntam: “Professor, trouxe Nosferatu?” Confesso que me surpreendi com o sucesso dele em meio aos não iniciados nos jogos de mesa. Citei ainda no nosso review que acho a temática dele mais interessante para este tipo de público e que é mais fácil de ensinar para novatos do que The Resistance, por exemplo, outro jogo que gosto muito. Você já teve esse tipo de retorno com jogadores iniciantes?

      CRISTIANO CUTY: Sim, claro! Levamos o jogo para o Tabuleiro GameBar, que é uma luderia aqui em nossa cidade. E disponibilizamos o jogo para os clientes do bar. Tivemos diversos grupos de não gamers que ficaram simplesmente apaixonados pelo jogo. Teve um grupo que começou a jogar às 19 horas e parou as 3 da manhã (por que o bar ia fechar) e queria levar (comprar) a cópia do jogo que estava lá.

      Creio que muito desse sucesso se deve a grande simplificação das regras que o autor conseguiu alcançar. Qualquer pessoa compreende muito rapidamente como funciona o jogo e já começa a jogar. Depois de uma primeira partida, então, a coisa deslancha!

      ON BOARD: Como você vê o cenário dos canais de reviews no Brasil? Blogs, YouTube… Em que medida influenciam no sucesso de um financiamento e o que ainda falta neste meio?

      CRISTIANO CUTY: Eu fico muito feliz com o crescimento desses canais e de mídia especializada. Aliás, isso é algo que é muito equilibrado no cenário brasileiro. Os veículos de mídia vêm crescendo na mesma medida em que o mercado de jogos. Ter uma quantidade maior de canais, sites e blogs falando do assunto dá ao público uma possibilidade de escolha e uma capacidade de formar opinião diferenciada. Isso me deixa muito feliz, pois em todos os veículos de divulgação que o Nosferatu foi citado, ele foi extremamente bem falado!

      E é claro que a existência de mais blogs e canais influenciam no financiamento e nas vendas de qualquer produto. É através de vocês, que se dedicam a noticiar e a deixar o público ciente do que está rolando no mercado, que as pessoas ficam sabendo o que está disponível para elas. Espero que esse cenário de mídia especializada continue crescendo.

      Acho que talvez, o que falte, é criar uma coalizão nacional. Algo que congregue todas as pessoas que estão trabalhando no meio ou que são entusiastas dos jogos. Mas estamos no caminho para isso… É questão de tempo!

      Obrigado pela entrevista e parabéns pelo On Board!

      Para saber mais sobre Nosferatu e contribuir no Catarse, visite: http//:www.catarse.me/en/nosferatu
      Para saber mais sobre a Conclave Editora, visite: http://conclaveweb.com.br/editora2/

        por -

        pic2338335Nosferatu é um jogo de cartas lançado ano passado na Europa pela editora francesa Grosso Modo Éditions e que, neste momento, está em financiamento coletivo no Brasil, via Catarse, pela Conclave Editora. A versão que a Conclave pretende lançar aqui terá algumas diferenças em relação à versão original. A primeira delas envolve o número de jogadores, de cinco a oito, exclusivamente, permitindo agora o número de quatro a oito com uma variante nas regras para o modo com quatro pessoas. No jogo, um participante assume o papel de vampiro, o Nosferatu do título; outro é Renfield, lacaio de Nosferatu e os demais são caçadores que buscam atrapalhar as atividades noturnas do vilão através de rituais e, finalmente, eliminá-lo com a Estaca Ancestral. A identidade do vampiro é conhecida apenas por Renfield e, como acontece em jogos do gênero, a dissimulação, o blefe e as acusações unem-se à estratégia e ao trabalho de equipe para descobrir quem é o inimigo. As primeiras comparações com The Resistance já devem estar surgindo em sua mente. Entretanto, Nosferatu tem peculiaridades suficientes em sua mecânica que garantem seu lugar em qualquer estante de jogos.

        Nosferatu, Renfield e Caçador
        Nosferatu, Renfield e Caçador

        Mecânica:
        – Controle de mão
        – Parcerias

        Um dos jogadores escolhe ser Renfield. Sua primeira missão é distribuir quem será quem na partida. Ele pega uma carta de vampiro e as cartas representando caçadores em número suficiente para completar a mesa. Em uma partida com sete jogadores teremos, pois, Renfield, Nosferatu e cinco caçadores. E aí já temos a primeira grande diferença e a que mais me agradou em comparação aos jogos do gênero: o vampiro é escolhido! Geralmente em jogos com traidor/mentiroso/cylon/coisa qualquer do mal, os vilões são sorteados. O simples fato da escolha do vampiro por Renfield já desperta intriga antes da primeira carta ser sequer colocada em jogo! Em um grupo mais experiente, seja no mundo dos jogos ou em amizade, se Renfield for o jogador A, a mesa já especula: “ele dará o vampiro para B porque disfarça bem”, “o vampiro é C porque não desconfiaríamos”, “Nosferatu é o jogador D porque daquela vez que jogamos ____________ aconteceu ____________”, preencha as lacunas conforme suas histórias de jogo. Isto é metajogo, mas não existe party game sem metajogo.

        Cada jogador começa com duas cartas e compra outras duas a cada vez do baralho chamado Biblioteca e continua seu turno descartando uma carta aberta na mesa e passando outra fechada para Renfield. No sentido literal, Renfield não joga, não compra cartas, não descarta, por isso ele é alvo de críticas de muitos, chamado de inútil, inclusive. Não se iluda: a estrela de Nosferatu é Renfield! Após cada jogador realizar seus descartes, ele vira uma carta do baralho chamado Relógio que consiste de várias cartas representando noite e apenas uma simbolizando a aurora. Enquanto as noites surgirem, o jogo segue com os participantes realizando suas ações. Quando surge o Sol o turno acaba e Renfield revela o que aconteceu na noite que acabou de findar, ou seja, revela o que chegou em suas mãos.

        Setup inicial. Repare os três rituais lado a lado e no canto superior do playmat o baralho Relógio. (Foto On Board)
        Setup inicial. Repare os três rituais lado a lado e no
        canto superior do playmat o baralho Relógio. (Foto On Board)

        A mão de Renfield ou Pilha de Ação será formada pelas cartas da Biblioteca. Nela, temos Mordidas, Componentes, Fofocas e Noites. As mordidas são boas para o vampiro, isto é, caçadores não quererão passá-las, a não ser que sejam a única opção. As Mordidas na mão de Renfield serão distribuídas conforme seu critério. Cinco mordidas na mesa, vitória de Nosferatu. Até o vampiro pode ser mordido para confundir os jogadores. Mais uma sutileza na arte de ser Renfield. Componentes são as cartas que auxiliarão os caçadores para realizar Rituais, eventos que atrapalham a ação do vilão. Infelizmente, só serão úteis se, ao chegar a aurora, Renfield possuir apenas cartas deste tipo. Isto, geralmente, só acontece em noites curtas. Fofocas não tem efeito devastador imediato, mas podem acabar com a exclusividade das cartas de Componentes, impedindo a realização de algum ritual. Dica para o vampiro: em momentos arriscados, uma mera fofoca pode acabar com os planos e os estoques de componentes dos jogadores sem levantar muito alarde. Cartas de Noite ajudam Nosferatu, pois após Renfield recebê-las são colocadas no baralho Relógio, diminuindo as chances de surgir a Aurora. Noites mais longas significam vampiro com mais chances de agir.

        Enquanto a noite prossegue, Nosferatu trabalha em paz (Foto On Board)
        Enquanto a noite prossegue, Nosferatu trabalha em paz (Foto On Board)

        É dessa movimentação de descartes, cartas passadas, dia e noite que surge a paranoia. Um vampiro esperto esperará um turno longo para soltar alguma mordida em meio às outras cartas. Se for o primeiro a jogar, poderá até mesmo jogar um Componente temendo o nascer do Sol. Se isso acontecer ainda terá voto de confiança da mesa por ter jogado algo bom, levando a suspeita para cima de algum incauto caçador.

        O nascer do sol ainda gera outro momento dramático. Quem possuir a carta Estaca Ancestral decide se a passará para outra pessoa, menos Renfield, determinando quem será o novo jogador inicial ou usará a estaca para eliminar um jogador. Se matar um caçador que julgou erroneamente ser vampiro, vitória do time morcego! Nas primeiras rodadas dificilmente isso acontece, mas à medida que o jogo avança e as suspeitas vão se cristalizando na mente confusa dos caçadores, é comum a derrota pela morte inocente.

        É chegada a aurora! Tremei, criaturas das trevas! (Foto On Board)
        É chegada a aurora! Tremei, criaturas das trevas! (Foto On Board)

        Se a rodada correr a mesa toda sem que saia a Aurora, o turno também se encerrará, Renfield distribuirá os frutos da noite do mesmo modo, mas desta vez, ele decidirá quem será o primeiro jogador. Em The Resistance, o líder muda em sentido horário a cada missão. Aqui, o fato do lacaio decidir o novo jogador inicial gera mais especulação. E não à toa. Se entregar a Estaca para longe do vampiro aumentará as chances de seu mestre agir sem ser descoberto. Se fizer isto com muita frequência, levantará suspeitas. Já falei sobre a arte de ser Renfield? Ótimo.

        Visceral (Foto On Board)
        Visceral (Foto On Board)

        Considerações finais:
        Nosferatu é ágil, leve, simples de explicar e com uma temática mais envolvente para um público não iniciado do que futuros apocalípticos ou o reino de Camelot. Testei o jogo com alunos de ensino médio e fundamental, alguns sem a menor experiência em jogos de mesa, com sucesso imediato. Para não falar da roda de curiosos que se formou em volta. Em nosso grupo, jogamos com sete participantes e, ao final da sessão, testamos a variante para quatro jogadores, sem Renfield, na qual o vampiro é sorteado. Funcionou muito bem, apesar de perder um pouco do brilho de seus diferenciais, ao meu ver. Ao mesmo tempo, resolve a questão um pouco estranha do por que os jogadores entregam coisas para Renfield, um pormenor que não compromete a diversão. Vale elogiar a iniciativa de criar esta versão para quatro pessoas, aliás.

        O Relógio é outro ponto forte do jogo. A incerteza de quando surgirá o dia afeta muito as ações do vampiro que não pode esperar para sempre, o que pode ser fatal e determinante em algumas rodadas. Quanto à Renfield, não se iluda. É muito divertido jogar em sua pele. Ele escolhe o jogador inicial em turnos sem manhã, distribui as mordidas e ser o único a saber de tudo que acontece na mesa pode ser um oásis de tranquilidade mental em meio ao caos inevitável.

        Dentre outras mudanças na versão que a Conclave trará ao Brasil teremos cinco rituais, ao invés dos três que estamos utilizando e a carta Estaca Ancestral dará lugar à uma estaca em punched board aumentando o clima do jogo. Excelente, porque uma estaca em forma de carta é meio anticlímax.

        Um pequeno comentário aos amigos leitores ainda iniciantes nos jogos de mesa. Nosferatu encontra-se no Catarse, um site de financiamento coletivo, ou seja, os futuros compradores e interessados pagam uma quantia para ajudar a financiar o possível lançamento do jogo. Faltando menos de vinte dias e três mil reais para alcançar a meta, você pode ajudar a campanha com o valor de R$ 60,00, fora o frete, que dá direito a um exemplar do jogo. Se quiser investir mais, você recebe outros itens e benefícios. Escrevo isto, pois algumas pessoas já me questionaram sobre onde comprar. Você pode ajudar a trazer Nosferatu para o Brasil através do link http://www.catarse.me/pt/nosferatu.

        NOTA: em nossa sessão de análise utilizamos um playmat exclusivo para nosso uso, além de uma estaca real confeccionada para o jogo. Não são itens que acompanham Nosferatu. Nossas cartas foram feitas através dos arquivos Print and Play fornecidos pela editora e não representam a qualidade final do produto.

        Pontos positivos:
        – Temática clássica agrada até não jogadores
        – Escolher quem será o vilão
        – Renfield é o verdadeiro astro do jogo
        – O Relógio deixa a ação de cada jogador decisiva
        – Tem méritos próprios para se destacar dentre outros party games

        Pontos negativos:
        – Por que um caçador de vampiros entregaria itens para Renfield?

        Ficha Técnica:
        Jogadores: 4 a 8
        Idade: a partir de 10 anos
        Duração: 20 minutos
        Tipo: caixa básica
        Fabricante/Desenvolvedora: Grosso Modo/Conclave (no Brasil)
        Idioma: Português
        Preço Médio: R$ 60,00 (demais opções verifique na página do jogo no Catarse http://catarse.me/pt/nosferatu)

        ludopedia BGG

         

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