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Cosmic Encounter

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    ceHá incontáveis eras atrás, uma raça evoluiu até um estágio praticamente inimaginável. Os Precursores, contudo, estavam sós e partiram em uma busca interminável por outros seres. A busca foi, infelizmente, em vão. Enviaram, pois, sondas pelo Universo e espalharam as sementes da vida por todo o cosmo. Não se sabe o que aconteceu, mas muito, muito tempo depois de os Precursores terem desaparecido, algumas destas sementes produziram frutos. Seres de toda estirpe, algumas desenvolveram capacidade tecnológica e científica para descobrir os resquícios do aparato de viagem dos Precursores e começaram a fazer contato uns com os outros.

    Este é Cosmic Encounter, um dos jogos de tabuleiro mais clássicos de todos os tempos, no qual cada jogador incorpora uma raça alienígena distinta, tentando estabelecer colônias em cinco planetas diferentes. Para tal, dependendo de sua espécie, você usará poderes de todo tipo, mas, independentemente de sua habilidade, negociação e diplomacia serão necessárias em algum momento.

    Mecânica:
    – Gerenciamento de mão
    – Parcerias
    – Poderes variáveis dos jogadores

    Antes do início de uma partida de Cosmic Encounter, decidimos aleatoriamente quais raças utilizaremos. Apenas na caixa básica são cinquenta tipos, o que em uma sessão com quatro jogadores daria um total de 5.527.200 possibilidades! Cinco milhões com a caixa básica!!! Sorteiam-se duas cartas de raça e os jogadores escolhem qual delas prefere. A seguir, recebem as fichas de suas criaturas com todas as informações necessárias, dentre elas, a primordial, como você quebrará as regras do jogo! Por questões didáticas, veremos isso mais adiante. Vamos entender como funciona um turno.

    Cada jogador tem cinco planetas com quatro naves em cada um. Antes de sua vez ele poderá recuperar uma de suas naves perdidas anteriormente e colocá-la de volta em uma de suas colônias-natal. O próximo passo é comprar uma carta do baralho do Destino. Você não escolhe quem visitará, o destino decide. As raças apenas utilizam os portões do hiperespaço deixados pelos Precursores, não sabem controlá-lo. Ao comprar uma carta, verifica-se a cor e o jogador atacante aponta o cone dimensional para um planeta alvo desta cor colocando de uma a quatro naves suas na entrada do portal. Não entrarei nas minúcias das exceções e casos particulares nesta matéria, por exemplo, nesta compra do deck do Destino existem outras situações possíveis.

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    Agora temos um dos melhores momentos de cada rodada. Primeiro, o atacante anuncia quais jogadores (raças) gostaria de ter como aliado neste encontro, exclusivamente. Os convidados não falam nada. Depois, a defesa faz a mesma coisa, anuncia quem gostaria que lhe ajudasse, podendo ser até mesmo quem já foi convidado pelo atacante. Começando pelo jogador convidado à esquerda do atacante, os possíveis aliados declaram se irão ou não aceitar alguma oferta. Aceitar dar apoio significa colocar naves no lado do qual ele concordou em colaborar.

    Chegamos agora na fase de planejamento. Existe um outro baralho, o deck de Encontros, formado basicamente por cartas do tipo Ataque, com valores numéricos bem variados e Negociação. Existe outra também, mas sem exceções hoje, lembra. Atacante e defensor escolhem uma destas cartas e as revelam simultaneamente. Bom, pelo menos, a princípio.

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    Saber gerenciar a mão é fundamental

    Se ambos escolheram cartas de ataque, somamos o valor da carta de cada lado, mais as naves próprias e as dos aliados respectivos deste encontro. O número maior vence. Chega a ser ridículo de tão simples. Se alguém jogar uma carta numérica de Ataque e o oponente jogar uma Negociação, este último que tentou conversar perdeu na hora. Rápido e indolor! Se as duas cartas forem Negociação, ambos os jogadores envolvidos diretamente (aliados, não) devem tentar um acordo em um minuto ou ambos sofrerão as consequências. Estes acordos envolvem geralmente troca de colônias ou cartas.

    Voltemos às cartas de Ataque. Se alguma delas for usada, em caso de vitória do atacante, ele e seus aliados estabelecerão colônias no planeta alvo. O objetivo do jogo é estabelecer bases em cinco locais distintos, ou seja, não convide para se aliar ao ataque algum jogador com quatro colônias! Os derrotados são expulsos do planeta, indo para o warp, o vórtice, o limbo, o vazio existencial, o Nada, a falha espaço-temporal… Volta, Lukita!!! Sendo o primeiro encontro, se for bem sucedido, o atacante tem direito a uma segunda visita, comprando mais uma carta do baralho de Destino e o processo se repete…

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    The Warp! Noooooooooooo… (Foto On Board)

    Se a defesa vencer, o atacante e seus aliados vão para o warp,  o vórtice, o limbo, o vazio exist… De novo? O defensor permanece em seu planeta e os aliados da defesa voltam para seus sistemas podendo colocar suas naves em quaisquer planetas, boa oportunidade para reforçar um planeta com poucas unidades. Além disso, para cada peça enviada como reforço, o aliado poderá comprar uma nova carta de encontro ou retirar uma nave sua do vórtice. Seja no ataque ou na defesa, alianças rendem bons frutos.

    Temos outros fatores que podem apimentar este processo, artefatos, cartas com efeitos especiais, por vezes amplificados, inclusive, conforme a raça que as utilizam, mas já consegui passar o principal.

    E se eu disser que o melhor ainda está por vir? Se Cosmic Encounter fosse apenas o que descrevi acima, já seria um jogo divertido e leve de gerenciamento de mão e negociação. Mas este é um clássico com quase 40 anos, vejamos porquê.

    Cada raça, como falei acima, tem um poder especial que altera alguma regra do jogo, sejam mudanças pequenas ou drásticas. Cosmic Encounter é um jogo totalmente assimétrico e você nunca terá duas partidas iguais, precisando se adaptar para lidar com os poderes dos oponentes e saber tirar proveito de seu próprio. Jogue com a Antimatéria, que transforma vencedor em perdedor e vice-versa e você lutará para perder. Joguece_herald_sheets_eng-v1_1.indd contra ela e inverta toda sua lógica tradicional de jogo. Ou o Pacifista que sempre vence se jogar uma Negociação e sofrer um Ataque. Que tal o Macron, cujas naves valem por quatro cada uma, um verdadeiro titã cósmico. E como deter a Máquina que não para de jogar após o segundo encontro? Enquanto for bem sucedida ela continua a jogar, continua a jogar, continua a jogar… Se o resto da mesa não se unir contra esta ameaça cibernética, muitos correm o risco de nem ver chegar a vez deles. Está lembrado que os derrotados vão para o Vórtice? Os Zumbis não vão! Ou que os jogadores revelam as cartas de encontro simultaneamente? O Oráculo vê a carta escolhida pelo inimigo com antecedência… E assim para todas as outras raças. Cada uma deturpando os princípios das regras e transformando suas combinações em um novelo rico em possibilidades estratégicas ou psicológicas. Juntando as expansões, temos 130 tipos de alienígenas com suas habilidades próprias, criando a cada sessão um microuniverso de desafios.

    Considerações Finais:
    Conheci Cosmic Encounter há trinta anos atrás, através da versão não autorizada lançada no Brasil pela GROW chamada Contatos Cósmicos. Era criança e fui atraído pela caixa mostrando combate e invasão espacial e não entendi muito aquilo tudo quando li o manual. Parecia tão diferente da embalagem… Com o passar dos anos, consegui jogar como deveria ser e o fascínio foi imediato. Aliás, o fascínio começou mesmo quando ainda não tinha maturidade ou grupo para jogá-lo e passava horas, literalmente, lendo as fichas dos alienígenas, seus poderes, background e viajava por este Universo. Tanto que mantenho esta edição comigo até hoje.

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    Lukita e seu exemplar de trinta anos atrás. (Photo On Board)

    As décadas passaram e veio a versão da Fantasy Flight com alguns pequenos ajustes, artes fenomenais para cada criatura e componentes com qualidade padrão da empresa e todo esse sentimento voltou. São muito fã dos jogos com alianças e negociações e sei que este estilo de jogo depende muito do grupo sentado à mesa. Cosmic Encounter tem a vantagem de funcionar melhor que muitos e muitos jogos do estilo por definir claramente o que você pode ou não fazer como aliado e quais serão suas recompensas, além de impor o tempo certo para cada coisa. Como todos os acordos são feitos em aberto, basta um sim ou não para colocar até o jogador mais tímido na ciranda diplomática do jogo.

    Além disso, o desafio de usar uma estratégia totalmente diferente a cada sessão, porque você e seus oponentes terão poderes distintos transforma cada partida em uma experiência nova. Matematicamente é um dos jogos com maior rejogabilidade de todos os tempos, com mais de quatro trilhões de combinações possíveis utilizando todas as raças em uma mesa com seis pessoas. Pense nas adaptações necessárias.

    O mais interessante é que o jogo é extremamente balanceado. Lembro de uma partida que eu era uma raça não tão poderosa jogando contra o Macron e o Warrior, que vai ficando mais forte a cada vitória e mais forte ainda a cada derrota! No começo do jogo pensei: “f****”! Mas as alianças, o Destino, o entrelaçamento das habilidades permitiram que todos os cinco participantes estivessem empatados com quatro colônias nos últimos instantes! E pense em um final épico após isso!

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    Cosmic Encounter no playmat espacial. (Foto On Board)

    Cosmic Encounter é um dos seletos jogos que entram em uma categoria toda própria e muito restrita para mim, dos que além de ter muita qualidade técnica, ainda tem ou um caráter nostálgico ou um tema muito querido, tratado de uma maneira diferente de outros jogos e ele tem ambas! É fascinante, divertido, leve, sempre renovado com infinitas possibilidades e representa o objetivo fundamental dos jogos de tabuleiro: reunir um grupo de amigos ao redor de uma mesa para gastarem horas conhecendo novos mundos!

    Só tenha cuidado com o warp, o vórtice, o lim-
    bo, o vazio exis-
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    NOTA: leia também a entrevista exclusiva para o Brasil que o designer de Cosmic Encounter, Peter Olotka, concedeu ao On Board. AQUI.

    Pontos Positivos:
    – Regras simples
    – Rejogabilidade como vista em poucos jogos
    – Negociação fácil de conduzir mesmo entre os mais tímidos
    – Mesmo sem expansão alguma há jogo para um século

    Pontos Negativos:
    – Nem todos os grupos entendem bem seu propósito, podendo decepcionar

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 3 a 5
    Idade: a partir de 12 anos
    Duração: 60 minutos
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Desenvolvedora: Fantasy Flight
    Preço Médio: R$ 200,00

     

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      meepletall olotka

      Em entrevista inédita e exclusiva para o Brasil, Peter Olotka fala sobre seus grandes sucessos Cosmic Encounter, Dune e muito mais!

      ON BOARD: Antes de iniciarmos, permita-me um breve momento de fã e dizer que não há agradecimentos suficientes pelo seu tempo em conceder esta entrevista para o público brasileiro. Cosmic Encounter esteve comigo desde meus nove anos de idade. Infelizmente, no Brasil, não tivemos acesso as suas outras criações na época!

      Bom, vamos começar…

      Lembro de uma vez você ter citado que Cosmic Encounter foi jogado durante anos com apenas seis raças alienígenas e com o lançamento de Cosmic Dominion ainda este ano, o total de raças jogáveis na versão atual pela Fantasy Flight Games (FFG) passará de 160! Na casa dos trilhões de possibilidades de raças iniciais. Há quase quatro décadas atrás o que você esperava que Cosmic Encounter pudesse se tornar tantos anos depois?

      A versão atual de Cosmic Encounter publicada pela Fantasy Flight Games
      A versão atual de Cosmic Encounter
      publicada pela Fantasy Flight Games

      photoPETER OLOTKA: Cosmic Encounter continua satisfazendo nossas expectativas. Afinal, se você for um explorador espacial sempre poderá encontrar alguma estranha nova forma de vida que você não entenda.

      ON BOARD: O modelo de assimetria de Cosmic Encounter foi e ainda é referência para muitos jogos e designers. Quais foram as reações mais negativas na época dada à inovação de poder quebrar as regras de maneira tão acentuada? Lembrando que a intenção não era ser justo ou balanceado, isso incomodou muita gente?

      PETER OLOTKA: Os primeiros jogadores de Cosmic Encounter foram fãs de ficção científica na Boscon 1976. Tivemos vários protótipos e uma sala de jogos. Eles amaram imediatamente. Os próximos jogadores foram fãs de ficção científica na Miami WorldCon em 1977. Eu distribui cópias no lobby do hotel no primeiro dia e se esgotaram no próximo, com uma fila de pessoas esperando para comprar Cosmic Encounter. A negativa por quebrar as regras veio mais tarde dos jogadores regulares. Mas na maior parte, as pessoas gostaram de ter um poder especial, claro que cada poder tem um ponto fraco, o qual geralmente é descoberto quando menos se espera! Como quando o Vírus tem de defender um planeta natal com nenhuma nave! Ops! 0 x 30 = 0. Um momento muito divertido.

      A versão de Cosmic Encounter de 1977
      A versão de Cosmic
      Encounter de 1977

      ON BOARD: A Eon foi uma das pioneiras em algo que hoje é comum e diria até fundamental nos modelos de negócio dos board games: lançar expansões! Começando em 1977 com dez novos aliens e a possibilidade de um quinto jogador, tivemos expansões por um período de seis anos. De quem foi a ideia inicial das expansões e como era o processo criativo de inventar novas raças e poderes?

      PETER OLOTKA: Tínhamos quinze aliens na versão de 1977. E adicionamos um total de mais sessenta em nove pacotes de expansão. Uma vez que quebramos a barreira em pensar que poderíamos ter apenas seis alienígenas, partimos para alguns designs e começamos a olhar para todos os aspectos do jogo nos questionando: “Como poderíamos fazer um poder que funcionasse com cada um deles”. Outro caminho para novos aliens foi escolher uma palavra e pensar o que uma raça alienígena com aquela palavra poderia fazer.

      pic2028083_mdON BOARD: Falando em expansões, Cosmic Dominion foi criada inteiramente pelos fãs e incentivada e divulgada pelo Facebook. Qual foi sua participação neste processo de seleção e design?

      PETER OLOTKA: Os fãs fizeram tudo. Bill Eberle e eu estávamos ajudando-os no início. Mas como a lista de possíveis aliens cresceu ficou claro que eles precisariam estar em completo controle. Então recuamos e tornamo-nos intermediários entre eles e a Fantasy Flight Games. Cosmic Dominion é uma expansão espetacular. Foi um esforço extraordinário. Os fãs na BoardGameGeek foram grandes contribuidores, bem como os fãs no Facebook www.facebook.com/cosmicencounter

      ON BOARD: Sendo brasileiro, preciso tocar neste assunto. Infelizmente, Cosmic Encounter chegou ao Brasil de maneira ilegal. Como e quando vocês tiveram conhecimento disso e quais medidas foram tomadas na época?

      PETER OLOTKA: Engraçado você ter perguntado… esta foi a primeira vez que soubemos com vinte anos de atraso [aqui, Peter Olotka cita trecho do email enviado pelo brasileiro Marcos Franco em 2003]:

      11 de Junho de 2003

      Peter, conversei com você há alguns dias atrás no site do jogo e você me disse ter interesse na Cosmic Encounter do Brasil. Entrei em contato com a empresa que lançou o jogo e, como suspeitei, eles não mais o vendem. Sou o único que conheço que tem o jogo, mas penso que você o mereça mais que eu, então aqui está minha proposta: eu enviarei o jogo para você e, se possível, gostaria de ter o jogo original com o maior número de poderes possíveis. Vi uma foto do jogo original e é muito mais bonito do que o que tenho. Se você puder me enviar o jogo, eu estarei jogando o Cosmic Encounter original e ainda estarei jogando no site. Mande-me uma mensagem com seu endereço para que eu possa mandar meu jogo para você.

      A versão brasileira pirata de Cosmic Encounter, lançada como Contatos Cósmicos pela GROW em 1983. (Acervo Lucas Andrade)
      A versão brasileira pirata de Cosmic Encounter, lançada como
      Contatos Cósmicos pela GROW em 1983. (Acervo Lucas Andrade) 
      Trinta anos depois, o editor do blog do On Board, Lucas Andrade, ainda conserva sua edição nacional de Cosmic Encounter. (Acervo Lucas Andrade)
      Trinta anos depois, Lukita ainda conserva sua edição nacional de Cosmic Encounter.
      (Acervo Lucas Andrade)

      ON BOARD: Vamos falar sobre Cosmic Encounter Online (CEO) http://www.cosmicencounter.com. Quase cem mil inscritos, dez anos no ar, 35 raças disponíveis, algumas exclusivas para o meio digital. O que podemos esperar de novidades na plataforma? Veremos CEO em outros dispositivos no futuro?

      PETER OLOTKA: Apenas se acharmos que valha a pena. Ele praticamente roda por si mesmo, mas é uma versão tão anterior do Flash que não pode ser atualizada para HTML5 para jogar em iOS. Estaremos realizando um grande Kickstarter para The Cosmic Encounter Connector. Mais sobre isso em breve. Fique ligado!

      ON BOARD: Há como saber qual a participação de brasileiros em CEO?

      PETER OLOTKA: Não muitos, tenho certeza. Ele tem, afinal, onze anos de idade e nem tanto tráfego segue seu caminho para http://www.cosmicencounter.com.

      ON BOARD: Você tem no currículo dois dos jogos mais cultuados de todos os tempos, Cosmic Encounter e Dune. Cosmic Encounter com sua versão incrível de 2008 pela Fantasy Flight é relativamente fácil de se manter nas mesas atuais de jogo! Já Dune, um clássico absoluto, teve uma nova versão em 2012 em Rex: Final Days of an Empire, ambientado no universo de Twilight Imperium por problemas em se obter a licença. Rex é muito elogiado, mas não é Dune, o que influencia o julgamento de muitos! Como um jogo que não é reimpresso em trinta anos consegue se manter nas mentes dos jogadores e ter uma legião fanática até hoje?

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      PETER OLOTKA: Bom, Dune foi realmente nosso próximo jogo após Cosmic e dedicamos um bocado de Poder Especial nele. Repare que existem apenas uns poucos personagens em Dune, sendo limitado pelos livros. No entanto, sua rejogabilidade é muito alta. Assim como nosso protótipo original de Cosmic Encounter. Espero que Rex atinja os jogadores de Dune. É fiel às nossas regras e tem a mesma intriga. A FFG fez um grande trabalho juntando os sistemas de jogo.

      O tabuleiro original do cultuado Dune
      O tabuleiro original do cultuado Dune

      ON BOARD: Você trabalhou com todo tipo de mídia inventada e conhecida! A tecnologia entrou em nossas vidas de maneira extremamente acelerada nos últimos anos em cada cômodo e dispositivos que usamos, no entanto, temos um boom no mercado de board games com uma quantidade de lançamentos que é impossível acompanhar. A que você atribui isso? Estamos na era de ouro dos board games?

      PETER OLOTKA: Pode ser a era de platina dos jogos (dado o custo de alguns dos títulos mais pesados). Creio que as redes sociais foram um incentivo para a capacidade dos jogadores se encontrarem. Jogadores são uma pequena subseção da cultura, existem muitos deles, mas estão dispersos. Aqui é onde nós reunimos as mídias sociais para Cosmic Encounter, www.cosmicencounterconnector.com

      ON BOARD: Qual o maior desafio para o designer iniciante? Algumas dicas para todos os iniciantes por aí?

      PETER OLOTKA: O maior desafio é sempre encontrar um meio de ser publicado. O conselho que sempre dou é: não perca seu tempo em copiar um jogo existente. Centenas de jogos hoje são simplesmente os mesmos que vários outros, com novos personagens ou novas fachadas. Comece com alguns princípios que você quer em seu jogo e trabalhe para fazer o jogo produzir o efeito que deseja.

      ON BOARD: Com exceção de suas próprias criações, quais jogos de tabuleiro ou cartas você gosta de jogar e por quê?

      PETER OLOTKA: Eu jogo poucos jogos de tabuleiro. Principalmente, jogo títulos estratégicos abstratos com minhas netas Tess e Lila. Cada uma delas tem um alien na nova expansão Cosmic Dominion desenvolvida pelos fãs. Lila surgiu com a Noiva (Bride), poder de casar (compartilha com seu noivo) e Tess, literalmente, escreveu o poder e a história de Carrossel (Whirligig), poder de rodopiar (mistura as mãos com o outro jogador).

      Bride, uma das trinta novas raças da expansão Cosmic Dominion a ser lançada este ano
      Bride, uma das trinta novas raças
      da expansão Cosmic Dominion a ser
      lançada este ano

      ON BOARD: Última questão e admito que estou muito curioso para saber a resposta… qual sua raça favorita em Cosmic Encounter?

      Philanthropist
      Philanthropist

      PETER OLOTKA: Sempre foi o Filantropo (Philanthropist). Há tantos agora que eu nunca joguei que talvez exista outro à espreita no Cosmos. Ele sempre pode dar cartas como jogador principal ou aliado, então ele consegue novas mãos de cartas rapidamente, enquanto que, ao mesmo tempo, retarda que os outros fiquem sem cartas. Ele pode dar uma boa carta para um aliado para ajudar a vencer e é divertido de jogar.

      ON BOARD: Peter Olotka, foi um prazer e uma honra. O On Board agradece em nome de todos os board gamers do Brasil!

      PETER OLOTKA: Comecem um movimento para que a FFG publique uma versão brasileira!

      Agradecimentos à Marcos Franco, sem o qual esta entrevista não teria sido possível.

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