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Dominion

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    O ano de 2014 foi, em uma palavra, histórico para os jogos de tabuleiro no Brasil. O último semestre mesmo apresentou uma avalanche de lançamentos e anúncios quase semanais! Quantidade e qualidade, amigos! E não pararemos por aqui, o vindouro ano de 2015, não obstante, promete quebrar todas as marcas estabelecidas. Segurai vossas carteiras, irmãos!

    Ainda de olho no que aconteceu nos últimos meses, na melhor tradição das retrospectivas da TV, sites etc. ofereço minha lista dos títulos mais importantes que surgiram no Brasil em 2014. Não estou julgando os melhores, exclusivamente, que fique bem claro, mas sim o que a disponibilidade em território nacional destes títulos representa para o mercado e para os jogadores.

    [10] Guerra dos Tronos Board Game
    Lá no comecinho de 2014, o lançamento de Guerra dos Tronos Board Game era o sinal de que grandes coisas ainda estariam por vir. Trazer um jogo deste porte para um mercado que ainda não apresentava indicativos claros de seus gostos e anseios era arriscado. Certamente, é um jogo excelente e entregar um produto com a mesma qualidade da versão importada aliviou muitos futuros compradores. Hoje sabemos que os jogos são produzidos lá fora, mas no começo do ano o debate era grande. (Confira nosso review aqui)

    Guerra dos Tronos: em português permite a entrada de muitos novos jogadores
    Guerra dos Tronos: em português permite a entrada
    de muitos novos jogadores

    [9] Love Letter
    Que grata surpresa, um dos dois jogos que mais utilizo para iniciar pessoas no universo dos jogos modernos. Ao contrário do décimo colocado, é um jogo pequeno, com apenas dezesseis cartas, muito leve e divertido, com uma pitada agradável de blefe e dedução. Obviamente, é muito fácil obtê-lo na versão importada por 50 reais, mas poder indicar onde achá-lo, na minha cidade ou em vários sites nacionais, por um preço inferior à 30 reais? Bom demais! E a nossa versão de Love Letter ainda saiu com coraçõezinhos, no lugar dos cubos vermelhos sem graça que tem lá fora!

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    Love Letter: Não, você não tem uma Handmaid, você tem uma Aia!

    [8] Pathfinder: O Jogo de Aventuras
    A DEVIR mostrou serviço neste final do ano com grandes lançamentos e anúncios e Pathfinder foi um deles. Com a quantidade imensa de cartas, a empresa fez um trabalho de tradução muito bom, sempre um ponto que apresenta falhas nos jogos lançados por aqui. Tudo bem, temos uma carta escrita metade em Português e and the other half in Engligh e a página 21 do manual está um caos, mas proporcionalmente ao desafio, foi um trabalho muito bom, sim e com preço bem compatível se fossemos comprar de fora. Outro ponto positivo: Pathfinder foi lançado no mercado internacional em 2013, se a janela de um ano pode parecer muito grande é ainda bem menor que a de boa parte dos jogos lançados aqui.

    Pathfinder: bandido em português, pois no Brasil tinha pouco!
    Pathfinder: bandido em português, pois no Brasil tinha pouco!

    [7] Coup
    Empresa danadinha essa FunBox, heim? Quietinha, a passos pequenos, vem trazendo grandes jogos, por preços excelentes e com qualidade excepcional. Com o lançamento de Coup, um dos mais jogados aqui no On Board em 2014, causou inveja no mundo todo com a versão mais bonita do planeta!!! Isso mesmo! Se os corações de Love Letter já deixaram os gringos macambúzios, nosso Coup brazuca causou furor a cada foto nas redes sociais. Imaginem minha alegria quando navegando pelo site de uma loja especializada do Canadá, deparo-me com a versão da FunBox! Trabalho magistral da empresa!

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    Temos o Coup mais bonito do mundo! (Leia com a pronúncia certa)

    [6] Masmorra de Dados
    Masmorra de Dados não é apenas um jogo. É uma aula de como fazer um financiamento coletivo. Ao apresentar um produto bem acabado e com bela divulgação, provou rapidamente sua qualidade e isso se refletiu nos números. Quando você pede 20 mil reais para financiar e consegue 242 mil algo de muito certo teve, não é? Vários projetos tem muito a aprender com ele!

    Masmorra de Dados: metas após metas sendo batidas
    Masmorra de Dados: metas após metas sendo batidas

    [5] A Batalha dos Cinco Exércitos
    Lembram da janela de intervalos dos lançamentos lá fora e no Brasil que comentei acima? Neste caso foi aberta apenas uma fresta. A Batalha dos Cinco Exércitos foi lançado lá fora em setembro e aqui em dezembro e justamente na semana de estreia do filme homônimo. Neste caso, foi mais legal do que lá fora. Era assistir ao filme em um dia e comprar o jogo no outro! Jogo excelente, trabalho de tradução primoroso e data certeira! Que isso vire hábito. Sim, nós somos mal acostumados!

    A Batalha dos Cinco Exércitos: megalançamento  quase simultâneo com o exterior
    A Batalha dos Cinco Exércitos: megalançamento
    quase simultâneo com o exterior

    [4] Race for the Galaxy
    Comentei no Meeple Maniacs 001 que Race for the Galaxy seja talvez a melhor relação custo benefício do país. Altíssima rejogabilidade, muito estratégico e um dos Top 30 do ranking mundial do BoardGameGeek. Tudo isso por oitenta reais. Pena que ainda não percebi o jogo deslanchar no Brasil. Por ser de 2007, os mais experientes do meio já o adquiriram e os novatos não o perceberam diante de tantos lançamentos. Em todo caso, está aí pelo país, disponível em Português, com excelente qualidade!

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    [3] Dominion
    A Conclave Editora é outra que veio matando em 2014. Fez financiamento de Nosferatu, um party game recente e excelente (confira nosso review aqui) enquanto planejava grandes saltos. Foi quando um belo dia o Senhor Cristiano Cuty “Midgard” de Oliveira postou a frase “Está tudo dominado” em uma rede social selando o contrato de distribuição do excepcional Dominion no Brasil! Com isto, a empresa firmou-se com uma das grandes do país e com promessas fabulosas para 2015 como Robinson Crusoe e Merchants & Marauders. Ainda não estando com minha cópia em mãos, o lançamento de Dominion aqui simboliza o grande salto da empresa e não poderia deixar de constar nesta lista!

    Dominion em Português: Conclave "dominou"!
    Dominion em Português: Conclave “dominou”!

    [2] 7 Wonders
    Outro caso de termos um jogo maravilhoso em lojas nacionais. Tudo bem que ele não depende de textos, mas entendam, repito, é a questão da disponibilidade, de estar acessível. Indicar um jogo para um novato que tem de ser importado desestimula. Boa parte dos consumidores, mesmo com o boom das compras online da última década, não arrisca trazer produtos de fora. 7 Wonders é uma adição indispensável para qualquer ludoteca e a Galápagos Jogos, mais uma vez, acrescentou um título de peso na oferta nacional. (Confira nosso review aqui)

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    7 Wonders: uma das muitas maravilhas lançadas no Brasil este ano

    [1] Ticket to Ride
    Eu sei, vocês irão me xingar, mas disse em outra ocasião, no Cinco Melhores Jogos Para Começar Sua Coleção que precisa, aliás, ser atualizado, que Ticket to Ride é meu jogo número um para se iniciar alguém no hobby. É ele a dupla de Love Letter que supra comentei. Não interessa a idade ou o grau de experiência dos jogadores. É lindo, divertido, familiar. É o clássico moderno dos últimos anos e pode ser comprado em qualquer lugar, desde janeiro de 2014, graças à Galápagos Jogos!

    Ticket to Ride: para ser melhor só faltava  estar disponível no Brasil mesmo
    Ticket to Ride: para ser melhor só faltava
    estar disponível no Brasil mesmo

    Pois bem, caros leitores, não foi fácil cortar a lista para apenas dez títulos, missão que anos atrás pareceria desnecessária dada à escassez de lançamentos por aqui. O trabalho para 2015 será mais complexo, já temos quase cinquenta jogos anunciados pelas grandes empresas, fora os segredos guardados. Quero encerrar esta última postagem do ano no blog parabenizando todas as empresas, consumidores, lojistas e canais de informação na internet que permitiram e fomentaram nosso mercado!

    Abraços analógicos e que venha 2015!

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      Para quem não sabe, a Galápagos Jogos realizou neste dia 26 de novembro a pré-venda da edição do décimo aniversário de lançamento de Ticket to Ride. Uma versão estilosa, com caixa gigante, tabuleiro mais ainda, trenzinhos com esculturas distintas e coloridas, cartas com arte diferente, enfim, bastante frescura para quem, assim como este que escreve, ama o jogo. Ele não tem mecânicas ou regras novas, a expansão 1910 com novas opções de rotas até acompanha o produto, mas é o mesmíssimo Ticket to Ride que você deve conhecer.

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      Caixa da edição especial.

      O anúncio da Galápagos na World RPG Fest em Curitiba de que traria trezentas unidades desta edição para o Brasil foi uma das várias surpresas positivas de sua conferência. (Assista na íntegra aqui) Eu estava lá e na hora as especulações internas relativas ao preço começaram. Meu primeiro pensamento: R$ 450,00! Pensei mais um pouco, ponderei a alta do dólar, o preço pedido lá fora, o valor que vi os colegas de hobby vendendo ou informando o quanto pagaram, mas também pensei na importação em maiores quantidades da empresa, um valor aceitável que precisaria ser praticado e cheguei no número mágico: 380! Esse foi meu palpite e, modestamente, tenho um bom histórico de acertos, porque acompanho diariamente lançamentos, vendedores nacionais, lojas estrangeiras e mercado paralelo. Em alguns casos, como As Lendas de Andor ou Race for the Galaxy, acertei na mosca, em outros fiquei na faixa dos dez por cento para mais ou para menos.

      Ao saber do preço de R$ 399,90 achei um valor bem aceitável. Eu não compraria, inicialmente, esta edição em 2014, fui de zero à sessenta jogos em nove meses, poderia dar uma aliviada no cartão de crédito, mas ao estar disponível em território nacional, sem o risco de esperar sabe-se lá quanto para chegar e com a certeza de ser taxado em quase oitenta por cento, resido em Santa Catarina e é quase nessa faixa que pagamos os tributos, não pensei duas vezes. Como fiz esta conta várias vezes ontem, não custa refazê-la aqui para os nobilíssimos leitores de nosso blog. Peguemos o valor do jogo lá fora, sessenta dólares. E estou pegando barato. Frete de cinquenta dólares, não vale diluir com outros jogos, dólar na faixa de R$ 2,50 e já temos aí R$ 275,00. Maravilha, mais de cem reais mais barato do que a Galápagos. Não sei vocês, mas nos últimos meses fui tributado em TODAS as minhas compras internacionais. TODAS! Meus exemplos favoritos são R$ 241,00 em uma caixa com Bruges e Suburbia e R$ 103,00 em um pacote com duas caixinhas de sleeves Dragon Shield e a expansão Suburcia Inc. Voltando à Ticket to Ride, vamos às taxas catarinenses, 77% para ser mais exato, e temos o valor de R$ 486,75. Como estou no clima de Black Friday, não basta ter colocado um preço baixo no jogo, no frete e no dólar, vou arredondar para 450!!! O Lukita tá louco, só hoje, mega feirão de jogos! Deu, calma, Lukita. Foco!

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      Belíssimos componentes e tabuleiro gigante.

      Isto posto, paguei feliz pelos 399,90 no site da Galápagos Jogos. Estando já no Brasil, parcelando, sem ficar na expectativa de se perder mundo afora… Aí alguém pergunta “e o frete que você não incluiu?” e educadamente, apresento o cálculo acima e mesmo com o frete nacional estou na vantagem. E isso porque esqueci de dizer que a Galápagos é uma empresa, visa, pois, ao lucro e deve estar ganhando seus dez, vinte ou cinquenta reais em cima de cada unidade. Informação a qual não tenho acesso e não mudaria minha decisão. Não obstante, o inquisidor muda o tom da conversa e diz que não vale a pena pagar isso por um jogo que já existe em versão nacional muito mais barato. Gosto, neste caso, de apimentar, dizendo que já tenho tanto o jogo quanto a expansão que o acompanha!

      O que vale e o que não vale? Todo o debate gira em torno da valoração pessoal que atribuímos a certo bem ou produto. Não mais discutirei o caso específico de comprar aqui versus trazer de fora, matematicamente está provado qual o mais vantajoso. Repito, estou falando deste caso, desta edição. Se você não entendeu ou aceitou os valores acima, sugiro que assista a algumas aulinhas do Telecurso qualquer grau.

      Agora, se você está incomodado com o que este item representa e o quanto estou disposto a oferecer por ele, seu problema é muito mais sério. Estamos entrando uma esfera íntima de controle e juízo que pode passar por questões financeiras, políticas, sexuais ou religiosas. Ofender alguém que se propõe a pagar os quatrocentos reais deste Ticket to Ride está no mesmo nível de ignorância de humilhar alguém que votou no candidato A ou B nas eleições passadas ou menosprezar o modo de elevação espiritual alheio. Se você quer justificar a falência de todo um sistema por causa disso é mais sério ainda, pois além da visão deturpada, sua proposta é catequizar sua doutrina. Mas não vamos ampliar demais este texto. Voltemos à mesa de jogo.

      Quanto vale um Terra Mystica? (Confira nosso review aqui) O segundo jogo no ranking da BoardGameGeek e o melhor do mundo na minha opinião. Não estou falando do papelão, madeira, arte, design, impressão, transporte, lucro. Estou falando da experiência em estudá-lo, jogá-lo, rejogá-lo, analisá-lo, comentá-lo. Parece um cálculo muito mais complexo, não? De fato, não vamos calcular o inquantificável, a vida é muito curta para sequer tentarmos isso. Até porque para os ameritrashers fanáticos e exclusivos, este valor é minúsculo. Quanto vale um StarCraft: The Board Game, um dos mais caros no mercado paralelo? Agora estamos falando em oferta e demanda, escassez do produto. Em material gasto e lucro somados ele está muito além disso. Tem gente que compra? Certamente, senão não estaria neste valor. Ele é burro por isso? Não!

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      Esse é encontrado facilmente na casa dos mil reais.

      Os jogos de tabuleiro vem subindo de preço nos últimos anos, isto é fato. Os custos de produção aumentaram, mas a demanda também aumentou. Estamos em um dos hobbys do momento. Em três anos, talvez, boa parte dos que hoje estão ao redor das mesas de jogo estejam fazendo e consumindo outra coisa. As empresas sabem disso e estão tentando aproveitar a boa fase lançando muito e em pouco tempo. Todas as áreas fazem isso. Ou você acha que o preço do peru aumenta em dezembro por quê? Ou que existem dezenas de tipos e sabores de panetones quando há anos atrás, com consumo menor, havia dois ou três?

      Claro que os especialistas board gamers da torre de marfim não querem que o hobby se popularize. Imagine o grande sábio que só joga coisas em alemão sendo cercado pelos pré-púberes fãs de Zombicide ou alguém jogando Dominion em Português? Blasfêmia! Amigos, sou fanático por música clássica, ópera em especial, sei o que é lidar com o pedantismo de muitos nos fóruns da vida e sei reconhecer quando ele se manifesta. Junte a isso aquela pequena parcela de aumento no valor dos jogos pelo aumento da demanda e os guardiões da sapiência lúdica ficam realmente fulos com os novos jogadores.

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      Latinhas para os trenzinhos: os “idiota pira”!

      Percebam que o bombardeio vem de dois flancos. Os novatos que não conhecem o mercado criticam os idiotas como eu que pagam “caro” pelo Ticket to Ride, inflacionando o mercado, e os anciões da mesa de jogo que vêem em outros novatos, eu de novo, por estar retornando ao hobby após quinze anos, motivo do aumento de preços. Ou seja, a culpa é toda minha. Se eu aposentar os meeples, o mercado volta ao normal! Uau! Acabei de perceber isso. Ou não? Afinal, sou idiota, burro…

      Paguei 400 reais no Ticket to Ride ontem e, pasmém, achei bom o preço e isso é problema meu. Tenho mais jogos do que consigo jogar e isso é problema meu. Continuo comprando mais jogos e isso é problema meu. Tenho alguns que nem abri ainda e isso é problema meu. Mas sabem o que alguns fiscais da vida alheia têm mais do que eu? Eles têm mais de se…!

      NOTA: As opiniões dos autores da seção Analysis Paralysis são pessoais e não refletem, necessariamente, a opinião dos demais colaboradores do site.

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        pic1152359_lgEm Kingdom Builder, os jogadores colonizam uma terra diversa e rica, expandem seus domínios, fazem seu povo prosperar adaptando-se aos mais variados tipos de solo e clima, a fim de desenvolverem a melhor economia para seu reino. Entenda porque esse jogo que traz uma imensa sorte de variáveis na sua jogabilidade a cada partida vai lhe fazer acreditar que nunca foi tão fácil construir seu próprio reino.

        O jogo foi lançado no ano de 2011 pela Queen Games e desenvolvido por Donald X. Vaccarino, mesmo criador de Dominion, jogo de 2008 com temática semelhante (desenvolver um reino) que revolucionou o cenário dos card games com a introdução ao sistema deck building. Kingdom Builder foi o vencedor do prêmio Spiel des Jahres (maior premiação do gênero) de 2012, ano seguinte ao seu lançamento. A temática é nada mais que uma mera roupagem a este euro abstrato e simples, mas que pode revelar-se altamente estratégico.

        Mecânica:
        – Controle de Área
        – Bloqueio de Áreas
        – Construção de Rotas/Conexões
        – Tabuleiro Modular

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        O sistema de Kingdom Builder foi desenvolvido para oferecer uma grande gama de variáveis no jogo. Devido ao fato de nem todos os componentes serem usados durante uma partida, o número de combinações possíveis faz com que o jogo seja diferente a cada vez que é jogado. Durante uma partida apenas quatro dos oito tabuleiros são utilizados para formar o mapa, que também é montado de forma aleatória, e apenas três das dez cartas Kingdom Builder definirão os objetivos principais dos jogadores para que alcancem uma maior pontuação no final (obtenham mais moedas de ouro). Para isso, os jogadores devem cumprir esses objetivos que consistem em dispor seus assentamentos de maneira a formar diferentes configurações pelo mapa. Temos os Pescadores, por exemplo, que concedem um ponto de vitória para cada um dos assentamentos dos jogadores que estejam adjacentes à água (rios/lagos) ao final da partida. Ou então os Mercadores, que concedem 4 pontos para cada ligação contígua entre localidades e castelos que o jogador conseguir formar, e assim por diante.

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        Exemplo de um dos tabuleiros que com outros três, formarão o mapa da partida

        O jogo é muito simples. No início de cada turno o jogador terá uma carta que deve ser jogada para definir em qual tipo de terreno no mapa ele poderá colocar seus três assentamentos (settlements) obrigatórios para aquele turno. Os terrenos possíveis para construção são: gramado, cânion, deserto, campo florido e floresta. Montanhas e lagos/rios não são habitáveis. O jogador deve sempre colocar assentamentos adjacentes aos que já possui no mapa, se isso for possível. Logo, no primeiro turno de cada jogador na partida, ele pode colocá-los no tipo de terreno indicado na sua carta, mas em qualquer parte do mapa que possua aquele tipo de terreno por não possuir nenhum assentamento em jogo naquele momento.

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        Cartas de terreno

        Essa é provavelmente a mecânica que acaba frustrando alguns jogadores que experimentam o título pela primeira vez. Há a impressão de que você está sendo forçado a jogar com a sorte, muitas vezes tendo que expandir seus domínios por caminhos não desejados. Fazendo um breve exercício lúdico, interpreto isso como a forma de expansão natural dos domínios do reino. Ele se expande pelas áreas mais propícias e acessíveis inicialmente, buscando novas e distantes terras quando uma oportunidade ou necessidade surge. No jogo, principalmente com o uso de ações especiais extras que são adquiridas em localidades espalhadas pelo mapa, o jogador vai estrategicamente criando essas oportunidades, de forma que ele possa escolher em qual área do mapa irá expandir seus domínios em um dado momento.

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        Cartas Kingdom Builder que servem como objetivos para os jogadores

        Cada tabuleiro (setor do mapa) possui hexágonos de localidades que conferem habilidades como ações extras para o turno do jogador. Ele adquire um dos dois tokens de uma localidade quando constrói pelo menos um assentamento adjacente à ela. Uma ótima estratégia é dominar essas localidades bloqueando todos seus espaços adjacentes, privando assim outros jogadores de obterem aquelas habilidades. Algumas dessas localidades conferem a vantagem de o jogador construir mais do que os três assentamentos obrigatórios do turno, colocando assentamentos adicionais em jogo, que devem respeitar a habilidade daquela localidade. O jogo termina após a rodada final que se inicia quando um dos jogadores coloca todos os assentamentos de sua reserva em jogo. Em seguida, as pontuações são contabilizadas de acordo com as três cartas Kingdom Builder que foram definidas no início da partida. Essas cartas acabam influenciando bastante a estratégia utilizada pelos jogadores. Além disso, para cada castelo onde o jogador tiver pelo menos um assentamento adjacente, ele recebe três pontos.

        Uma outra estratégia interessante seria o foco na obtenção de localidades que permitam ações de assentamentos extras. Isso transforma o jogo em uma corrida para determinar quem chama a última rodada do jogo ao usar seu último assentamento da reserva.

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        Kingdom Builder rolando em uma Big Board Night

        Considerações finais:
        Aqui é fácil construir seu reino porque, diferentemente de muitos euros que possuem toda uma macro gestão de recursos, você simplesmente utiliza-se de peças que vão da sua reserva diretamente para o jogo, aproximando-o muito mais de um formato abstrato.

        Kingdom Builder é um jogo leve de ensinar, pode ser apresentado para qualquer tipo de jogador. De fácil aprendizado, mecânica simples, mas que esconde em nuances seu grande valor estratégico. Os tabuleiros, tokens e insert, pela Queen Games, são de ótima qualidade.

        Pontos positivos:
        – Mecânica simples
        – Estratégico na medida certa
        – Grande variabilidade de jogo

        Pontos negativos:
        – Não aconselhado para jogadores que não gostam de jogos abstratos
        – O fator sorte, por vezes, pode ser determinante
        – A contagem da pontuação pode ser um processo complicado

        Ficha Técnica:
        Jogadores: 2 a 4
        Idade: a partir de 8 anos
        Duração: 45 minutos
        Tipo: caixa básica
        Fabricante/Desenvolvedora: Queen Games
        Idioma: Inglês (Independente de Idioma)
        Preço Médio: R$ 240,00

         

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          cuty meeple

          Em mais uma entrevista exclusiva para os leitores do On Board, Cristiano Cuty de Oliveira, editor da Conclave Editora, fala do financiamento e lançamento de Nosferatu no Brasil, Midgard, Dominion e mais.

          ON BOARD: Cristiano, antes de mais nada, muito grato pelo seu tempo em falar com o On Board. Uma década de Conclave Editora, fundador da empresa, escritor, designer, editor… tem algo que você não faça?

          10177328_10152127797292672_7554928978382998789_nCRISTIANO CUTY: Eu é que agradeço a oportunidade! Tem MUUUITA coisa que eu não faço! Não consigo plantar bananeira, por exemplo! (risos) Mas procuro me dedicar com afinco às atividades da Conclave Editora. No ano que vem a Conclave completa 12 anos e eu estive envolvido com a editora em todo esse tempo. Isso nos deu uma boa experiência e nos fez aprender que todo e qualquer trabalho envolvendo a Conclave sempre vale a pena!

          ON BOARD: Midgard foi financiado ano passado com 215% de arrecadação do valor pedido. Esse número foi acima do esperado, bateu com a expectativa? Com os torneios de Midgard surgindo por aí, ainda teremos novidades na linha ou no universo Vikings: Guerreiros do Norte?

          CRISTIANO CUTY: Midgard superou nossa expectativa. E continua superando! Quando lançamos o financiamento coletivo fizemos um trabalho de marketing forte para garantir que o jogo seria financiado. Então, posso dizer que o tempo todo do financiamento imaginávamos que o jogo bateria a meta inicial. Mas ter mais do que dobrado a meta foi realmente surpreendente. Eu fiquei muito emocionado no último dia ao ver o envolvimento das pessoas, buscando novos apoiadores, fazendo o projeto crescer. Tanto foi assim, que acabamos lançando uma quarta expansão, que estava programada para ser lançada esse ano… Quanto ao RPG Vikings, podem esperar novidades sim! Mas, como tivemos problemas com as edições do D&D, nossa ideia é levar o Vikings para o sistema do Crônicas RPG e transformar esse sistema no oficial da Conclave. E isso será definitivo! Então, vamos aguardar o Crônicas ser publicado para retomar o Vikings.

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          ON BOARD: Vamos falar de Dominion. Que notícia maravilhosa! Um jogo deste nível, premiado ao extremo, sendo lançado no Brasil e por vocês! Conte um pouco para nossos leitores como foram as negociações, desde quando as conversas se iniciaram e quando podemos esperar pelo lançamento desta obra-prima? Será via Catarse ou teremos venda direta?

          CRISTIANO CUTY: No dia em que assinamos o contrato do Dominion eu abri uma garrafa de vinho para comemorar. Mas isso ainda não foi suficiente para eu ter certeza de que realmente iríamos trazer o jogo. Então, no dia em que o Jay, da Rio Grande Games, me enviou o endereço do ftp para baixarmos os arquivos para a tradução, eu abri outra garrafa e falei que estava tudo dominado!

          O motivo de tanta desconfiança é que as negociações para o Dominion iniciaram em junho do ano passado. Ou seja, ficamos praticamente um ano conversando com o pessoal da Rio Grande sobre a vinda do jogo para o Brasil. No final, compreendemos que havia alguns entraves contratuais e que o Jay agiu de forma extremamente correta, deixando findar alguns prazos e pendências para só então liberar a licença para nós.

          Licenciamos o Dominion para produção em língua portuguesa, ou seja, nossa licença não se resume somente ao Brasil, mas a qualquer país de língua portuguesa. E licenciamos o básico e todas as suas expansões (as quais pretendemos lançar tão logo o básico esteja nas mãos dos jogadores brasileiros).

          Acredito que teremos o Dominion por aqui em outubro. Não posso afirmar com certeza, pois isso depende da agenda da gráfica, na Alemanha, e de questões alfandegárias, que fogem ao nosso controle.

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          ON BOARD: Obviamente, o assunto do momento é Nosferatu que ainda está com o financiamento rolando no Catarse. Por que Nosferatu? Quando e como ele se tornou uma opção para a Conclave?

          CRISTIANO CUTY: Faltam 10 dias para o fim do financiamento, que está em 95%! Ou seja, o jogo está praticamente financiado! (Nota do editor: o jogo foi financiado com sucesso!)

          Nosferatu nos foi oferecido através de um contato que temos com um agente alemão. Quando o jogo nos foi ofertado nós não o conhecíamos, como a maioria das outras pessoas, por ser um jogo muito novo. Eu pesquisei a respeito, assisti um gameplay em francês (e não entendi nada), mas as informações que obtive me fizeram decidir que era uma boa pedida. Fechamos com a Grosso Modo. Felizmente!

          Quando a Grosso Modo nos enviou dois exemplares do jogo nós tivemos a certeza de que havíamos feito a escolha certa. No primeiro dia de demonstrações, jogamos quinze partidas seguidas! E foi assim em todas as demonstrações que fizemos. O jogo é divertido, leve, dinâmico e fácil. Não tem uma pessoa sequer a quem apresentamos o jogo que não tenha gostado.

          Nosferatu entrou para a história do evento Castelo das Peças como o único jogo, em sete anos de evento, que permaneceu na mesa do início ao fim das atividades. Em São Paulo, levamos o jogo na FunBox e no Joga Sampa e ele também não saiu da mesa. Como disse um crítico da revista Sci-fi Universe, “A vontade de jogar de novo é imediata”.

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          O que vem na caixa de Nosferatu

          ON BOARD: Publicamos nosso review de Nosferatu (confira nosso review aqui) em plena sexta-feira, 13. O jogo é, de fato, muito bom e disse no texto que ele tem elementos peculiares que o diferencia de títulos tradicionais de dissimulação, merecendo espaço em qualquer ludoteca. O fato de Renfield escolher seu mestre, o baralho Relógio que nunca deixa o vampiro totalmente tranquilo são meus destaques. Em suas jornadas de divulgação do jogo, quais comentários você ouve com frequência?

          CRISTIANO CUTY: O comentário geral é algo do tipo “nossa, como um jogo tão legal cabe numa caixinha tão pequena!”. As pessoas sempre adoram o jogo, ele vai ficando melhor a cada partida jogada, pois os jogadores começam a ter uma compreensão mais plena dos mecanismos de dedução. Muitos se perguntam se o Renfield não joga ou é um mero distribuidor de cartas, então colocamos essas pessoas para jogar com o Renfield e elas percebem que ele é tão ou mais jogador do que os outros. Como eu disse acima, não teve nenhuma pessoa que não tenha gostado do jogo e todas, sem exceção, pedem bis!

          ON BOARD: Particularmente, gosto muito do papel de Renfield. Mas ele é comumente injustiçado. Qual a visão do público em relação a ele?

          CRISTIANO CUTY: Como disse acima, as pessoas tendem a achar que o Renfield não joga. Eu mesmo, quando li o manual pela primeira vez, tive essa impressão. Mas basta começar a compreender os mecanismos de dedução e de blefe do jogo, para perceber que o Renfield é peça fundamental e é um jogador tão ou mais importante do que os outros. Assim como você, eu, particularmente, adoro jogar de Renfield. Minha dica é: tenha o jogo e jogue o jogo! Nosferatu é diversão de Renfield, de Caçador e de Vampiro!

          ON BOARD: Cristiano, você precisa ver o sucesso que ele fez em algumas rodas de alunos que tenho. Não estou exagerando, a galerinha está alucinada pelo jogo. A primeira partida gerou discussão vinte minutos após seu fim e cada vez que chego no colégio é a primeira coisa que perguntam: “Professor, trouxe Nosferatu?” Confesso que me surpreendi com o sucesso dele em meio aos não iniciados nos jogos de mesa. Citei ainda no nosso review que acho a temática dele mais interessante para este tipo de público e que é mais fácil de ensinar para novatos do que The Resistance, por exemplo, outro jogo que gosto muito. Você já teve esse tipo de retorno com jogadores iniciantes?

          CRISTIANO CUTY: Sim, claro! Levamos o jogo para o Tabuleiro GameBar, que é uma luderia aqui em nossa cidade. E disponibilizamos o jogo para os clientes do bar. Tivemos diversos grupos de não gamers que ficaram simplesmente apaixonados pelo jogo. Teve um grupo que começou a jogar às 19 horas e parou as 3 da manhã (por que o bar ia fechar) e queria levar (comprar) a cópia do jogo que estava lá.

          Creio que muito desse sucesso se deve a grande simplificação das regras que o autor conseguiu alcançar. Qualquer pessoa compreende muito rapidamente como funciona o jogo e já começa a jogar. Depois de uma primeira partida, então, a coisa deslancha!

          ON BOARD: Como você vê o cenário dos canais de reviews no Brasil? Blogs, YouTube… Em que medida influenciam no sucesso de um financiamento e o que ainda falta neste meio?

          CRISTIANO CUTY: Eu fico muito feliz com o crescimento desses canais e de mídia especializada. Aliás, isso é algo que é muito equilibrado no cenário brasileiro. Os veículos de mídia vêm crescendo na mesma medida em que o mercado de jogos. Ter uma quantidade maior de canais, sites e blogs falando do assunto dá ao público uma possibilidade de escolha e uma capacidade de formar opinião diferenciada. Isso me deixa muito feliz, pois em todos os veículos de divulgação que o Nosferatu foi citado, ele foi extremamente bem falado!

          E é claro que a existência de mais blogs e canais influenciam no financiamento e nas vendas de qualquer produto. É através de vocês, que se dedicam a noticiar e a deixar o público ciente do que está rolando no mercado, que as pessoas ficam sabendo o que está disponível para elas. Espero que esse cenário de mídia especializada continue crescendo.

          Acho que talvez, o que falte, é criar uma coalizão nacional. Algo que congregue todas as pessoas que estão trabalhando no meio ou que são entusiastas dos jogos. Mas estamos no caminho para isso… É questão de tempo!

          Obrigado pela entrevista e parabéns pelo On Board!

          Para saber mais sobre Nosferatu e contribuir no Catarse, visite: http//:www.catarse.me/en/nosferatu
          Para saber mais sobre a Conclave Editora, visite: http://conclaveweb.com.br/editora2/

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