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TNM

Minha história com jogos de tabuleiro começou cedo. Desde criança sempre gostei de jogar com a família e com os amigos. Foram muitas tardes (e depois noites) jogando Zoo Safari, Ladrões no Bosque, Master, War e tantos outros. Esse gosto por jogos vem se estendendo desde então.

No início dos anos 2000, conheci jogos como Lord of the Rings de Reiner Knizia (meu primeiro cooperativo), Battlestar Galactica e, mais para frente, Munchkin. Mas foi no final de 2012 que entrei de cabeça nos jogos de tabuleiro modernos. Hoje tenho a oportunidade de jogar com as minhas filhas, do mesmo modo que meus pais sempre jogaram comigo, e com a minha irmã. Hoje elas têm 10 anos e meio e 8 anos e meio e temos jogado juntas há três anos.

A partir daí, tive a ideia de começar a escrever sobre as experiências em jogar com elas, para compartilhá-las e assim incentivar outros pais a fazerem o mesmo. Mas já aviso que não sou formada em Educação, nem tenho experiência nessa área, portanto minhas análises e ações não são baseadas em metodologias de ensino, mas na vivência do momento em si.

Para a estreia da coluna “Crianças, Tá na Mesa!” aqui no Meeple Maniacs, escolhi um dos últimos textos que publiquei em meu blog pessoal.

Eis que um belo dia chego em casa após o trabalho, e tendo minhas filhas terminado a lição e estando de banho tomado, insisto em jogarmos um jogo para aproveitarmos o tempo até a hora delas irem dormir. Insistência em vão.

Depois de muita enrolação, briga, janta etc. chega a hora delas irem dormir. Quem me conhece sabe como insisto e não abro mão delas irem deitar às 20h todos os dias, afinal, em dia de aula, elas (e eu) acordam às 6h10min. Digo brincando que me dá urticária quando não consigo colocá-las para dormir nesse horário.

Faltando 10 minutos para às oito da noite, Dora (minha mais velha) diz que quer jogar um jogo. Respiro fundo e começo a propor alguns, tipo Tsuro, Timeline, Love Letter. Nesses meus 10 anos como mãe, sei o quanto custa dizer não, e nesse caso eu sabia que iria demorar mais para colocá-las para dormir se eu não jogasse. E convenhamos, não dá para resistir!

Nem preciso dizer que foi em vão a minha tentativa de empurrar um jogo rápido. Dora abre o armário e diz, “Quero jogar esse” e aponta para Alien Frontiers. Eu, em toda a minha inocência, ainda tento, “Mas Dora, esse jogo é muito demorado e sua irmã ainda não jogou. Vamos jogar Carcassonne?”. E ela: “Não”. “Metrocity?”. “Não”. “Warzoo?”. “Não.”

Ok, vamos jogar Alien Frontiers. Explico as regras para Nina e relembro Dora de como se joga. Ao invés de sete colônias como pede um jogo para três jogadores, distribuí cinco para cada, para não prolongar muito.

Costumo, ao longo dos jogos, dar dicas, questionar as decisões que elas tomam, relembro alguma regra e assim elas vão aprendendo. Nesse jogo não foi diferente. Tudo estava indo tranquilamente, a Nina mandando bem já de início. Dora comprou a carta que dava ponto de vitória. Fui lá e roubei dela, só para ser roubada pela Nina em seguida. Fui a primeira a enviar uma colônia. Eu tinha duas escolhas, enviar a minha colônia para Burroughs Desert, e quase, com certeza, não ter a chance de pegar a Relic Ship, ou escolher uma outra colônia e ter que enfrentar a ira daquela que colonizasse o Burroughs Desert quando eu colocasse uma colônia ali também, para não permitir que a mesma pegasse a Relic Ship. Acabei ficando com a primeira opção.

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Quando comprei a Relic Ship não tive nem tempo de usar porque, como previsto, Nina já foi com a sua colônia no mesmo espaço.

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Segue o jogo, com Nina pegando cada vez mais naves (dados), eu e Dora na frente enviando mais colônias. Ela com 4, eu com 3, mas com mais pontos por ter uma carta que me dava um ponto de vitória e porque a Dora colocou duas colônias no mesmo território.

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Em certo ponto, consegui usar a Terraformação, mas o que me deixou com apenas três dados. Ela também usou a Terraformação, ficou com três dados e faltando apenas uma colônia para acabar com a partida.

Até aí estava tudo bem. A Dora estava feliz, jogando o jogo que havia escolhido e na briga pelo primeiro lugar. Apesar da Nina ter começado bem, e estar abarrotada de recursos e naves, o jogo é complexo para a idade dela e ela não consegue assimilar todas as estratégias e possibilidades. Ainda bem, porque deixou passar naves com valor 6 mais de uma vez, e poderia ter vencido. Foi aí que cometi um grande erro!

Na jogada da Nina ela tinha tirado nos dados 3, 4 e 5. Ela não conseguia fazer o que queria, e decidiu usar uma das cartas que permitia que ela rerrolasse os dados. Quando ela o fez, acabou por tirar valores piores, que não adiantavam nada. E eu acabei deixando-a voltar e ficar com os valores que tinha antes. Para quê!? Não é que ela coloca justo no Raider´s Outpost e rouba os recursos da Dora, que era a próxima jogadora e iria com quase toda a certeza enviar a última colônia para o planeta e ganhar o jogo! Depois dessa jogada, tivemos mais umas duas ou três rodadas com a Nina tirando sequências nos dados em todas elas e roubando recursos meus e da Dora, e não deixando nenhuma de nós duas ganhar.

Nem preciso dizer que Dora ficou muito brava, chorou, brigou comigo por ter deixado a Nina voltar a jogada. Quando ela finalmente conseguiu enviar a última colônia, não conseguiu ficar na frente, tendo eu 1 ponto a mais. Foi então que tive a oportunidade de me redimir (pelo menos um pouco), deixando-a voltar para tentar ganhar na rodada seguinte. Fiquei morrendo de medo da Nina ganhar nesse ínterim, ou pior, eu acabar ganhando. Mas com apenas três naves e a Nina tirando meus recursos em todas as jogadas, ficou difícil para mim. No final, Dora conseguiu vencer, porque Nina enviou uma colônia para o mesmo território que eu, tirando-me um ponto, e Dora colocou um Positron Field em um de seus territórios controlados e, portanto, ultrapassou-me em pontos de vitória.

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Resultado final:

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Dora (verde): 8 pontos
Mariana (azul): 7 pontos
Nina (vermelho): 7 pontos

Lição do dia: não deixe nenhum de seus filhos voltar uma jogada, se estiver jogando com mais de um!!!

Alien Frontiers é um jogo de alocação de dados (com controle/influência de área), mecânica essa que eu amo, e ainda com a temática que me agrada muito. Falou em espaço, ficção científica é comigo mesma.

Esse jogo ainda não foi lançado no Brasil, mas pode ser encontrado lá fora. Apesar das cartas terem algum texto, a dependência da língua não chega a ser um problema pelo fato delas ficarem abertas na mesa. Eu lia as cartas para elas, e quando elas me pediam, eu relembrava o que cada uma fazia.

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Não é um jogo simples para a idade delas, mas também não é complicado a ponto de elas não conseguirem jogar, visto a saga contada acima! Já deixei de me surpreender há muito tempo com a capacidade delas entenderem coisas que não achamos que poderiam entender.

Nina não conseguiu avançar tão rápido quanto eu e Dora, por ter investido na compra de mais naves, mas foi esperta o bastante para brecar a vitória de uma de nós duas, ao roubar nossos recursos por três rodadas seguidas. Se ela ainda tivesse em paralelo enviado as colônias com a terraformação quando teve a chance, teria vencido a partida.

No fim, elas foram dormir às 22h, com uma Dora feliz por ter ganho, mas ao mesmo tempo ainda irritada com a Nina e comigo. E uma Nina feliz, porque com ela nunca tem tempo quente, e tendo se divertido ainda mais por roubar nossos recursos! Eu, claro, apesar da minha pisada de bola e do horário, fiquei feliz em jogar Alien Frontiers com elas!

Por fim, não posso deixar de agradecer ao Mateus Carnevalli Terni pela sugestão do nome da coluna.

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    AP HIGHWAY

    Temos ouvido muita gente dizer que seu novo hobby são os jogos modernos de tabuleiro. Mas você já parou para se perguntar até onde seria capaz de ir com o seu novo hobby?

    A palavra ‘hobby’ é definida no dicionário como uma atividade de recreio ou descanso praticada nas horas de lazer. Então este é o primeiro ponto que podemos analisar. Se levarmos em conta a definição do dicionário, temos que ter em mente que só poderemos levar os jogos de tabuleiro à mesa quando estivermos nas horas de lazer, as quais geralmente estão ligadas ao nosso tempo livre. E nosso tempo livre, neste cotidiano caótico, sabemos que é bem escasso.

    Mas não é só isso. Ir à mesa para jogar é somente uma parte do hobby, pois poderíamos considerar que leituras, bate papos e pesquisas sobre o assunto também alimentam a sua satisfação. Neste caso, já poderíamos dizer que seu hobby vai além do seu tempo livre ou não? Acredito que a resposta de muitos seria ‘sim’.

    Certo, já sabemos que muitos entram ou entraram de cabeça no universo dos jogos de tabuleiro modernos, mas você seria capaz de ir mais adiante?

    Este seria o segundo, e não menos importante, ponto a se questionar. Se você já está inserindo seu hobby na sua rotina caótica e dedicando uma boa parte do seu dia com ele, talvez já esteja deixando-o influenciar nas decisões da sua vida! Veja o meu caso em específico, que neste momento parei o meu trabalho para escrever este artigo e, sinceramente, espero que minha chefe não leia isso!

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    É assim que você vê suas refeições? Ops!

    Meus pensamentos diários são parecidos com aquela primeira paixão que tivemos. Acordamos, comemos e dormimos pensando nela. Não é algo que está somente esperando você em sua casa, são pensamentos que impregnam a mente, perseguem até mesmo na hora de tirar água do joelho. Passar mais que uma hora sem qualquer tipo de contato com o hobby tornou-se uma missão impossível e já começo a considerar que isso pode estar sendo mais potente que as drogas. Aliás, ultimamente é assim que tenho me sentido, um verdadeiro drogado por jogos de tabuleiro, pois já comecei a pegar toda minha tralha geek, aquelas que estavam largadas, no fundo do guarda-roupas, tomando poeira na estante e comecei a vender tudo, no intuito de ter mais grana para investir ainda mais com os jogos. Sim, já vendi quase tudo e foi neste momento que vieram cenas de filmes à minha cabeça e você percebe que está agindo igual àqueles personagens drogados e descontrolados.

    Nesta fase, comecei a avaliar meu relacionamento amoroso e comecei a me preocupar se já não estaria muito afastado do meu compromisso. Isso é pior ainda, quando ela não consegue gostar do seu hobby, apesar do esforço. Mas como sempre fomos muito cúmplices um para com o outro, confio no nosso amor e sei que se isso realmente estiver a incomodando, ela vai dizer… hmmmm… assim espero! A crise pessoal aumentou quando meus amigos, parceiros de tudo quanto foi modinha na vida, começaram a me chamar de doente e louco, ressaltando que não tenho limites, quando enviava foto de algum novo jogo que comprava ou dos jogos que estavam sobre a mesa em uma noite de domingo. Estou começando a levar em consideração que isso pode ser verdade! Mas no fim, sempre penso: “E se eu for, qual o problema?” A crise então some e o hobby volta a me consumir.

    Outro vício que veio junto com os jogos de tabuleiro foram as plataformas de Financiamento Coletivo. Sabemos que muitos jogos estão sendo lançados por elas e participar da campanha de algum jogo promissor é o mesmo que querer viciar em um conta giro. Você trabalha dez minutos e abre o site da plataforma de financiamento na esperança de ver os números maiores. Trabalha mais dez minutos e abre de novo. Esta ação se estende por todo o dia e lhe persegue em casa, no restaurante, no banheiro, na hora de dormir… mas quando a campanha acaba, parece que a vida fica tão vazia. Acho que chego a ficar mais ansioso do que o próprio criador da campanha…

    Bem, aí chega aquele momento de responsabilidade, ou não, quando você começa a atrasar suas contas, seus compromissos financeiros, e seu orçamento anda totalmente instável e estourado. Por incrível que pareça, a gente mexe uma moedinha para cá, empurra uma moedinha para lá e no fim sempre conseguimos a grana para comprar aquele lançamento tão aguardado. Mas faltar leite em casa não tem problema nenhum, fico sem leite por vários dias.

    De repente surgem cem reais nas mãos, fruto de algum “freela”. É hora de fazer os cálculos para comprar aquelas coisas que estavam faltando na dispensa como o leite, achocolatado, suco, entre outros alimentos. Depois de meia hora de cálculos, entre somas e subtrações, finalmente você consegue chegar a uma lista satisfatória e anota-a em um pedacinho de papel, da seguinte forma:

    • Padaria:
    6 pãezinhos = R$ 4,00
    • Supermercado:
    1 pote de margarina = R$ 5,00
    • [Coloque o nome daquela empresa aqui]:
    Jogo de Tabuleiro = R$ 91,00

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    Nada de exagerar no pãozinho, certo?

    É muito gostoso curtir todo o universo dos boards games, buscando novas notícias, leituras, videos, mas ele lhe consome de uma forma assustadora, difícil de controlar. Dia desses estava pensando em uma estratégia bem complexa, porém ousada, de conseguir uma grana extra para novos lançamentos. De repente me deparei encarando meus cofrinhos personalizados do Spock e do The Walking Dead, abarrotados de moedas e bem pesadinhos, por sinal, os quais venho enchendo há meses para uma ocasião especial… só que não, obviamente eles não vão durar muito mais tempo cheios, na verdade só estou me decidindo qual deles vou abrir primeiro.

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    Até o tio do Monopoly tá liso

    O engraçado de tudo isso é que você nem tem tanta preocupação assim em jogar todos os títulos que compra. A intensidade desse vício dos infernos é tão forte que já estou pensando em vender alguns jogos que ainda nem joguei da minha estante para comprar os que estão sendo lançados! Aí eu pergunto, meu vício são os jogos de tabuleiro mesmo? Ou o consumismo? Ou o vício pelo hype? A única coisa que posso afirmar é que estou começando a achar que realmente estou doente. Bom, mas e daí, qual o problema, não é?

    Enfim, se você está deixando este hobby lhe dominar completamente, saiba que é o sinal de que você está a caminho do inferno. E tenho certeza que, assim como eu, você está gostando muito!!!

    Jogos de tabuleiro foram criados para diversão e estes devem ser utilizados em horas de lazer. É praticamente isso que define um hobby. Se eles não forem somente sua fonte de renda neste momento, muito provavelmente você pode estar realmente no mesmo caminho que o meu. Eu poderia afirmar que este não é o seu hobby caro amigo leitor, ele é a sua fonte de vida, sua razão de viver, seu Inferno pessoal!

    E então, você também já pegou a sua estrada para o Inferno?

    NOTA: As opiniões dos autores da seção Analysis Paralysis são pessoais e não refletem, necessariamente, a opinião dos demais colaboradores do site.

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      pic1965255_lg (1)O trono do Abismo está vago. Novos pretendentes almejam alcançar o poder nas profundezas submersas. Para tal, será indispensável conquistar aliados, através de perigosas explorações ou solicitando auxílio de um conselho formado por cinco raças marinhas distintas. Finalmente, grandes senhores poderão ser recrutados. Alguns são truculentos guerreiros, outros astutos políticos, há ainda fazendeiros, magos, mercadores, cada um poderá ajudá-lo de modos distintos a controlar o Abismo e reinar supremo.

      Abyss é um jogo de Bruno Cathala e Charles Chevallier no qual a disputa citada acima é feita através do recrutamento de cartas. Um dos jogos mais comentados de 2014, principalmente pela arte excepcional de Xavier Collete. Muito se falou da qualidade artística do jogo, várias cópias foram, inclusive vendidas por isso. Seria Abyss apenas mais uma carinha bonita (sic) ou tem qualidades além das visuais?

      Mecânica
      – Leilão
      – Gerenciamento de mão
      – Coleção de conjuntos

      Em seu turno você poderá realizar uma das três seguintes ações: explorar as profundezas, pedir auxílio ao Conselho ou recrutar poderosos Senhores subaquáticos. Na primeira opção, explorar, você descobre aliados de cinco raças e cores distintas ou ainda monstros que, se derrotados, fornecerão benefícios. Estes estão nas cartas pequenas do jogo.

      As cinco raças de aliados

      O interessante é que cada aliado revelado em seu turno deverá ser oferecido, primeiramente, aos demais jogadores. Se ninguém, incluindo você, não o quiser, revele o próximo, repita os mesmo procedimentos até o limite físico do tabuleiro. Existem cinco espaços para as cartas de aliados ou de monstros. Chegando ao final deste espaço, se ninguém quiser a carta revelada, ela deverá ficar com você, com uma pérola, o dinheiro de Abyss, de brinde.

      As cartas que sobraram após a exploração são reunidas por raça, ou seja, por cor e colocadas em cinco pilhas no meio do tabuleiro, o Conselho. Você pode utilizar a ação de seu turno para comprar todas as cartas de uma destas pilhas. É uma ação muito rápida que visa a aumentar o número de cartas em sua mão.

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      Mas por que estamos explorando e pedindo ajuda ao Conselho, para que queremos estas cartas de aliados? A terceira ação possível, recrutar lords é a mais interessante de todas. Os lords são personagens pertencentes à guildas diversas, cada uma delas com uma característica de destaque. Os soldados são fracos em fornecer pontos ao final da partida, mas úteis para incomodar seus inimigos. Os mercadores recebem pérolas extras etc.

      Cada carta destes senhores, em formato grande, contém várias informações. No canto superior esquerdo, o número 7 na carta The Jailer, indica a quantidade de pontos de influência fornecidos ao final do jogo. Na descrição na parte de baixo da carta encontramos seu poder especial, em nosso exemplo, esta habilidade possui uma seta, isto quer dizer que ela entra em ação uma única vez e na hora que o lord for recrutado. Cada oponente deverá descartar uma de suas cartas de aliados, aquelas cartas menores das ações um ou dois. No canto inferior esquerdo, encontramos um número 6, um símbolo da raça caranguejo e duas bolhas acima disso. O seis é a quantidade mínima em pontos de aliados que deveremos utilizar para seu recrutamento, o caranguejo indica que pelo menos uma das raças utilizadas deverá ser caranguejo e as duas bolhas exigem que para recrutar esta carta você precisará pagar seu custo com exatamente três raças distintas, lembrando, uma delas sendo caranguejo e outras duas quaisquer, nem mais, nem menos. É desse gerenciamento de mão que reside o básico do jogo. Além disso, a menor carta de aliado que você utilizou fica em sua área de jogo, você afiliou este aliado, as demais são descartadas. Contudo, ao final do jogo, apenas o maior aliado de cada raça afiliada contribuirá na pontuação!

      Há ainda a possibilidade do jogador controlar localizações especiais, que ficam disponíveis através de chaves, obtidas através de lords ou derrotando monstros na ação um. Estes locais também tem habilidades especiais e bônus de pontuação que, se combinados com seus senhores em jogo, podem formar combos muitos interessantes.

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      Área de jogo com localizações, senhores e aliados afiliados, tokens e as famosas pérolas

      Percebam que tudo depende de tudo. Você precisa de aliados para recrutar lords para, finalmente, conquistar as localizações. O jogo se encerra quando alguém colocar seu sétimo senhor em jogo ou quando não houver senhores disponíveis em número suficiente para preencher a parte inferior do tabuleiro.

      Considerações Finais:
      Todos falam primeiramente disso, então falarei também. A arte deste jogo é absolutamente incrível! É o ponto de destaque desta obra, quase unanimidade no quesito Melhor Arte de 2014 por todos os canais especializados. Não só em qualidade, mas pela quantidade de cartas de lords e localizações. Xavier Collette é tão estrela quanto os designers aqui. Você se pegará, várias vezes, no meio da partida, parado, travado, namorando os detalhes de cada carta, isso para não falar nas cinco caixas diferentes que Abyss disponibilizou no mercado, fato inédito na indústria dos jogos de tabuleiro.

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      E quanto ao jogo? Até brinquei em um dos tópicos pela internet que comprei Abyss pela arte de Collette, por ser de Bruno Cathala, pelos componentes e ainda veio um jogo dentro da caixa!

      Particularmente, agrada-me jogos simples mecanicamente, mas que estão submersos, mais uma piadinha contextual, tematicamente. O universo criado aqui é tão rico que vários fãs estão pedindo mais jogos neste ambiente. O tema é, no entanto, uma desculpa. Nós apenas coletamos cartas do mesmo naipe (cor, raça) para trocar por outras cartas para conseguir locais, no intuito de maximizarmos nossa pontuação.

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      Essa é a minha caixa

      Abyss faz isso de maneira agradável, é relativamente rápido e pode ser jogado sem compromisso. Entretanto, valorizará os jogadores atentos que calcularem bem suas compras, gastos e combinações. Aliado à arte excepcional é uma experiência recomendável para quem gosta de jogos com as mecânicas que utiliza.

      Pontos Positivos:
      – Rápido
      – Leve
      – Tema é uma adição muito bem-vinda
      – LINDO, LINDO, LINDO
      – Pérolas

      Pontos Negativos:
      – Não aprofunda seu ambiente, nem dá maiores informações sobre o mundo do Abismo
      – Mecânica de leilão desagrada a alguns
      – Os monstros poderiam ser mais frequentes e relevantes

      Ficha Técnica:
      Jogadores: 2 a 4
      Idade: a partir de 14 anos
      Duração: 45 minutos
      Tipo: caixa básica
      Fabricante/Desenvolvedora: Bombyx
      Preço Médio: R$ 220,00

       

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        DICAS CANAIS

        Todos sabemos que o futuro das mídias de entretenimento de massa serão os canais que produzem conteúdo na internet, em especial no YouTube, que dificilmente terá sua supremacia derrubada, e iniciativas como o Netflix, que disponibiliza uma enorme gama de conteúdo, desde filmes e séries à programas de TV por um preço acessível. Ninguém mais (os sábios) quer sentar em frente à uma tela e ter que esperar pra que chegue determinada hora na grade da programação de um canal, quando poderá enfim ver seu programa favorito, preferindo escolher o momento e lugar onde verá os conteúdos de seu interesse. Com o aumento de produções de qualidade, hoje em dia já é possível fazer sua própria programação diária para se entreter nos tempos livres. Em se tratando de jogos de tabuleiro, há muita coisa de qualidade por aí, inclusive produções em território nacional. Entrando na onda de postagens objetivas e com pretensão de serem mais didáticas, ao menos para o pessoal que está iniciando na área, o Dicas da Mesa de hoje será sobre: Canais de Review!

        Cada canal costuma possuir uma abordagem própria. Há aqueles que preocupam-se mais com a apresentação dos jogos e seus componentes, outros detalham mais as regras e fazem gameplays para mostrar como funciona o andamento do jogo e ainda existem aqueles que fazem de tudo um pouco. Cada um é útil à sua maneira, seja para esclarecer dúvidas sobre regras, para que o público conheça novos jogos e encontre a ajuda que precisava para fazer a escolha da próxima compra ou até como puro entretenimento, o que chega a ser o foco de alguns canais.

        O objetivo da dica de hoje é apresentar os canais de review de maior destaque aos entusiastas no assunto, seja pela qualidade de sua produção, pelo aprofundamento nas regras dos jogos analisados ou pelo grande volume de conteúdo. É importante frisar que essa é uma opinião baseada nos canais conhecidos por nós do On Board e colocamos aqueles nos quais acreditamos que possuam um grande potencial e/ou já são consagrados na área e curtimos mais. Talvez tenhamos deixado de fora algum canal por nós desconhecido e que mereceria ser citado, nossas prévias desculpas se for esse o caso. Aliás, nos informe sobre os canais não citados aqui, é sempre bom conhecer o máximo possível de material relacionado. Sem mais delongas, aí vão eles:

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        Apresentado por Pedro e Mari, é um dos canais de casal do board game que podemos encontrar pelo YouTube. Um bom canal de introdução para aqueles que estão iniciando na área.

        Link para o canal

        Lendas Lendárias
        O Canal se encaixa perfeitamente com a proposta da sua descrição, apresentar reviews rápidos e práticos. É apresentado por Felipe Bannwart Perina. É justo e direto em suas considerações, apontando pontos positivos e negativos nos jogos analisados.

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        Igor Knop
        Com um estilo de vídeos simples, com pouca edição, mas conteúdo detalhado, por vezes dividido em mais de um vídeo sobre o mesmo jogo ou um vídeo de grande duração, o canal de Igor Knop é um dos melhores no ramo em território nacional. É mais um canal de casal, está sempre acompanhado de Maritza que o auxilia nos gameplays. Igor fez escola com Rahdo, um outro canal de reviews, esse internacional, e seu estilo se assemelha bastante ao dele. Ele costuma iniciar o vídeo já mostrando o jogo e partindo direto ao gameplay, simulando uma partida enquanto apresenta o jogo, seus componentes e regras ao mesmo tempo. Ideal para quem gosta do estilo mais objetivo e cru, que vai direto ao assunto.

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        Jack, o Explicador
        Com uma postura segura e ao mesmo tempo descontraída, Marcelo Pegado, mais conhecido como Jack, o Explicador, demonstra ser um veterano na área dos jogos. Logo no primeiro vídeo de seu canal apresentou um material de alta qualidade, com uma produção bem preparada. Seus vídeos costumam alternar entre apresentação de jogos e gameplay, esse último muitas vezes estendido e divido em várias partes que trazem um conteúdo bem completo.

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        Jogando Offline
        Há pouco mais de um ano atrás, a dupla Sergião e Pena dava as caras pela primeira vez em seu canal de board games, o Jogando Offline. Inicialmente de maneira tímida, mas já com alta qualidade de imagem, produção e características muito únicas. Com um formato bem construído e amarrado, seus vídeos iniciam com uma apresentação do jogo, notas em diferentes quesitos, para então partir para o gameplay e fechar com considerações finais da dupla sobre o jogo da vez. Esse formato é respeitado até hoje, em sua segunda temporada, que recebeu uma produção melhor com a ajuda de um financiamento coletivo, o que mostra a popularidade do canal que já alcança um grande público em seus vídeos. O canal parece cada vez mais voltado ao entretenimento que ao detalhamento de regras.

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        CasaNERDlol
        É apresentado pelo casal Ellen GGuria e Rafael Sanzio. A parte de gameplay é simples, mas descontraída, geralmente com a participação de amigos e família. O canal já tem mais de um ano de existência e um grande número de vídeos na bagagem. Apesar da grande maioria dos vídeos serem sobre board games, diferentes temas são abordados.

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        NerdsOverview
        O N.O. é apresentado pelo bem humorado trio nerd Anderson Castro, Denis e Fabíola Petri. Além dos descontraídos reviews e gameplays, o canal apresenta alguns vídeos de unboxing de jogos.

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        NerdVannaTV
        Canal de qualidade que já está em sua segunda temporada. Além dos vídeos sobre gameplay, review e unboxing de board games, são apresentados temas variados da cultura pop/nerd.

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        Opiniões Desinformativas
        O O.D. é um canal bem humorado que já possui mais de um ano de existência. Uma grande variedade de temas são abordados em seus vídeos. Na área dos board games, conta com vídeos de entrevistas com game designers e participação em eventos.

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        Meu Turno
        Um dos canais mais recentes, mas que vem mostrando um trabalho de ótima qualidade, é o Meu Turno, de Fernando Worst. O criador faz questão de mostrar em detalhes os componentes e regras do jogo, você pode esperar por vídeos de longa duração, mas ao mesmo tempo com um bom ritmo. Os vídeos contam com review e gameplay e possuem uma ótima qualidade na imagem.

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        Mestre dos Magos
        John Ibarzabal, vulgo Mestre dos Magos, figura conhecida no meio, apresenta o canal que leva seu apelido no nome. Além dos vídeos de review, o canal conta com vídeos de dicas importantes para o pessoal que já é experiente na área e acostumado a ver exemplos da situação abordada.

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        Bafo do Dragão
        E outro canal que começou com o pé direito, inovando na abordagem ao fazer a comparação de dois jogos em um momento oportuno, foi o pessoal do Bafo do Dragão. David e Luiz saíram “direto” da GenCon 2014 para falar de uma das sensações do momento, o jogo King of New York. Com ótima qualidade de imagem e boa desenvoltura dos apresentadores, o canal promete.

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        Ludo Brasil Magazine
        E o pessoal da Ludo Brasil Magazine, que começou com um blog oferecendo uma revista digital que já alcançou sua edição de número 40, agora desbrava na área dos video reviews. O canal começou com uma produção de qualidade e abordando jogos mais alternativos.

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        GaryHobsonBR
        São mais de quarenta vídeos com review de jogos. Muitos deles são mais alternativos, não abordados na maioria dos canais nacionais. Uma boa opção para pesquisa.

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        Felipe Vinha (Turno Extra)
        Bem recentemente Aline Costa, querida seguidora do blog do On Board e responsável pelo blog Turno Extra, junto a Felipe Vinha, parece ter entrado nessa também, com um estilo semelhante ao de Igor Knop, indo direto ao jogo. O canal já possuía outros vídeos de jogos, mas no último ele parece ter assumido um formato mais padronizado de canais de review. Também iniciou com um jogo pouco encontrado em outros canais nacionais.

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        Sua Vez
        Fernando Tsukumo já mostrou que veio para apresentar um ótimo trabalho. Com um estilo muito particular, alta qualidade de imagem, conteúdo passado de forma leve e um final surpreendente no clima “good vibes”, o canal tem tudo para conquistar seu espaço entre os grandes do cenário nacional.

        Link para o canal

        Alan Farias
        O que começou como uma forma diferente de expor sua opinião acabou ficando sério no caso de Alan Farias. Começou postando alguns vídeos pela comunidade BoardGames Brasil, no Facebook, falando naturalmente não apenas de jogos, mas tratando de diversas situações encontradas no mundo dos board games. São dicas e desabafos de experiências pessoais. A identificação dos gamers foi imediata e o reconhecimento um combustível, logo, logo, poderemos ver seu canal no YouTube. Isso já foi anunciado pelo autor que se rendeu ao incentivo da comunidade.

        https://www.facebook.com/photo.php?v=10204755990803342

        E enfim terminamos nossa lista! Achou que não seria tão extensa, não é? Pois é, bacana ver que está havendo um esforço de muitas partes na divulgação do hobby aqui no Brasil. A tendência é que o mercado cresça cada vez mais e que nós sejamos bombardeados com boas e aguardadas notícias. Estamos vivendo um momento muito especial e o público vem acompanhando e evoluindo gradualmente com o cenário.

        É isso aí, espero que tenham curtido e que a lista possa contribuir de alguma forma, seja na divulgação dos canais citados, como um guia, um compilado, como base de estudo, que adicione aos conteúdos que você costuma acompanhar quando procura se entreter, enfim. Esse foi o Dicas da Mesa de hoje, até a próxima!

        Ah, e não se esqueça… Reúna seus amigos e jogo na mesa!

          por -

          Domingão, almoço em família ou churrascão de aniversário daquela tia da sua esposa ou de seu marido que você mal conhece. Depois dos trabalhos gastronômicos quase encerrados, fazer o quê? Se você for do meu tipo que não sabe nada de futebol, não faz ideia do nome de qualquer novela da Globo e nem bebe tanta cerveja assim, o desfecho é inevitável. Esperar pela piada do pavê, desejar a morte diante da Regina Casé e soltar sorrisinhos estratégicos em meio às piadas internas da família. Você não adora quando alguma outra tia diz para você “não liga, não, a gente é meio doido”? Como se isso não servisse para todas as famílias da galáxia!

          Mas você é board gamer! Correm micromeeples vermelhinhos em suas artérias! É sua missão divulgar nosso hobby e mostrar que existe jogo para todo momento e para todo tipo de público. Puxe seu Kit do Desbravador de Mesas e chame a família louca! Aqui vão cinco sugestões de jogos lançados no Brasil, práticos de levar, acessíveis para novatos, que ocupam pouco espaço, assim a mesa fica liberada para o sagu (really?) e que garantirão sua sobrevivência mental por pelo menos mais uma semana!

          Não pretendo aqui fazer uma resenha ou explicar os jogos como fazemos na seção Sobre a Mesa, a intenção é mostrar as características de cada jogo que são relevantes para a ocasião proposta.

          Hanabi
          O vencedor do Spiel des Jahres, prêmio alemão que significa jogo do ano, de 2013 é sucesso garantido. Primeiro, por ser cooperativo, permite que quem sofre da síndrome do “eu sou muito tanso” possa jogar tranquilamente. Segundo, porque colocar cartas em sequências numéricas agrada aquela vó viciada na canastrinha semanal. Terceiro, que quando você contar que as cartas são mantidas ao contrário em sua mão, deixe isso para o grand finale, as reações serão memoráveis. Espere boas risadas com gente comprando carta do jeito tradicional e espasmos nervosos quando alguém estiver prestes a descartar aquela carta importante. Avise que reações extremas também são informações e que não podem ser passadas gratuitamente, mas não seja tão rigoroso com seu público. Deixe a diversão seguir, lembrando que você está em uma mesa de novatos e de várias faixas etárias, provavelmente. Por 35 reais, vale até como presente de amigo secreto para ter mais uma cópia na família. Pena comportar apenas cinco jogadores.

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          The Resistance
          Esse é bom para juntar os primos, tios, sobrinhos. Como ele exige certa malícia, não sei se é boa pedida para os bem mais velhos. Simule uma missão explicando e dando dicas de estratégia para ambos os lados, Resistência e espiões do governo, e puxe as discussões e acusações, afinal esse é o jogo e você é o experiente aqui. Na segunda partida, todos já estarão mais à vontade. Claro que um jogador mais experiente de The Resistance aprende a identificar tudo como pista, começando pela escolha de times e sua aprovação ou reprovação. Uma mesa nova, inicialmente, se baseará nos resultados das missões, apenas, o que já garantirá uma boa dose de intriga. Alimente isso, não tenha pressa em resolver os resultados. O bom deste jogo é quase não ter exigência do que os jogadores devem fazer, mecanicamente falando. Você pode instrui-los o tempo todo sem detrimento da estratégia, pois aqui o que vale é o julgamento de cada um.

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          Zombie Dice
          O tema pode não agradar aos mais velhos, eu que sou quase quarentão, quando falo mais velhos, estou falando sério! Alguns talvez nem saibam o que é um zumbi. Mas se você quiser ser a alegria da garotada e assumir o posto de tio divertido da família, Zombie Dice é sucesso garantido. Não deixe de mostrar, no entanto, que há uma dose de decisão em parar baseada não apenas nos tiros recebidos, mas nas cores que ainda estão no tubo, para adicionar mais uma leve camada de escolha. Dica pessoal: se não tiver uma bandeja de dados com você, ensine antes como lançá-los. Acredite, quem não é do hobby não sabe jogar dados! E não adianta fazer uma roda com quinze sobrinhos, apesar do que diz na embalagem, jogar com muitas pessoas pode demorar muito!

          Humanos servidos em bandejas! Aí sim! (Foto On Board)
          Humanos servidos em bandejas! Aí sim! (Foto On Board)

          Coup
          Esse transpira blefe! Pedida certa para quem gosta do estilo. Jogadores de truco e pôquer são bem-vindos, ou seja, cai muito bem em uma roda mais madura. Por ser muito rápido, permite meia dúzia de partidas em um intervalo pequeno, fundamental para que todos peguem o jeito. Coup não é sobre entender as regras, sobre o que você pode fazer em cada turno, isso é muito simples de explicar. Ele é sobre o que você alega que pode fazer. E essa malícia do jogo é que precisa ser adquirida. Isso deve acontecer na terceira ou quarta partidas com os que são mais honestos. Acontece. Às vezes a pessoa é tão correta ou insegura que tende a jogar Coup apenas com o que tem em mãos. O grande e divertido diferencial do jogo é permitir usar qualquer habilidade.

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          Dixit
          Criatividade e abstração em um dos jogos com menos cara de jogo que tem por aí. Os grupos regulares de board gamers tendem a ter pessoas de idades próximas ou com uma variação máxima de quinze, vinte anos. Que tal experimentar seu Dixit na festa de família com um grupo que vai de oito a oitenta anos? De todas as sugestões deste Top 5, é o que melhor atende idades diferentes e, consequentemente, modos de pensar diferentes, o que pode ser um desafio totalmente renovado e ampliado. Ainda mais se for com membros menos conhecidos da família do cônjuge. Experimente também com grupos distintos de mesma faixa etária. Só com as crianças, com os de meia idade, com os mais velhos… Há muitas possibilidades para explorar cada nuance de Dixit. Valerá a pena nem que seja para ver a primeira reação dos novos jogadores diante de sua arte espetacular. Leve, poético, imaginativo, opção para todos os públicos!

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          Então, amigo jogador, pare de achar que sua coleção serve apenas para seu grupo. Encare o desafio, leve seu jogo para o próximo domingo em família e traga mais gente para este mundo fascinante. Todos sairão ganhando. Até a infame piada do pavê poderá evoluir, quando seu tio fanfarrão começar a ver as caixas de jogos esperando quem sabe ele não pergunte: mas é pavê ou é “pá jogá”?

          Abraços analógicos!

            por -

            DICAS ENSINAR

            A cada jogo que você adquire, juntamente com aquela caixa com arte belíssima, tabuleiro estiloso e dezenas ou centenas de componentes, meeples, tokens, tiles, marcadores, dados ou miniaturas, vem um encargo. Você é o dono do jogo? Cabe a você ensiná-lo para o grupo. Então você reúne seus parceiros de hobby, todo empolgado, monta o setup que impressiona a todos, percebe o brilho nos olhos deles refletindo a mesa de jogo e começa a explicar as regras. E continua explicando, explicando, explicando e o brilho nos olhos de seus amigos vai se esvaindo, os semblantes vão caindo, um ou outro olha para os lados, para cima, para o celular (olhe as etiquetas da mesa de jogo!) até que em algum momento você apela para um voto de confiança exclamando “galera, o jogo é legal, quando a gente estiver jogando vocês vão ver!” e, interiormente, vem a frustração de não conseguir empolgá-los.

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            O resumo de Guerra do Anel é mais ou menos assim!

            Ensinar é uma arte. Não terei a pretensão de dizer que a domino, apesar de ser professor de Matemática há duas décadas, disciplina na qual recebo alunos com todos os tipos de dificuldades e venho tendo ao longo dos anos muito reconhecimento e sucesso, felizmente. Se tem uma dica de sala de aula que posso transmitir para seus ensinamentos para o grupo de jogo é: você sabe as regras; seu grupo, não! Nunca, nunca esqueça disso! As regras, exemplos, vídeos e páginas de fórum que estão em sua cabeça, estão apenas em sua cabeça! É muito fácil cair na crença errônea de que está se fazendo entender e quando você apresenta regras e nomes sem uma sequência didática ou planejamento prévio, o resultado tende ao fracasso!

            Vamos a algumas dicas para tornar o processo de ensino de seu jogo em algo mais agradável e, acredite, sua própria compreensão dele aumentará muito. (Não por coincidência, todas estas dicas funcionam para a sala de aula também)

            Conheça seu jogo
            Pode parecer ridículo ou desnecessário escrever isto, mas não tente ensinar algo que você não domina! Ler e reler o manual apenas não é garantia de conhecimento. Obviamente, jogos mais complexos exigem muito mais preparo. Ensinar Zombie Dice é bem diferente de ensinar Mage Knight! Leia muito o manual, ele é sua fonte inicial e principal de informação, mas não fique apenas nisso! Simule partidas com você mesmo assumindo o controle de vários jogadores. Os membros do On Board tem seus próprios modos esquizofrênicos de batizar seus alter egos! Eu faço o Blue Lukita versus o Red Lukita. Fabian Antunes tem o Positive Fabian contra o Negative Fabian, Fillipe Vieira faz Paladino x Maverick… Se for um jogo para no mínimo três jogadores, assuma os três papéis! Quando em vez, invoco as habilidades do Yellow Lukita para desafiar o Blue e o Red. Simulando, você fixa as etapas de cada rodada e se depara com muitas perguntas óbvias que surgirão nas primeiras jogadas. Estas dúvidas iniciais aparecerão também em seu grupo e será muito melhor se você já tiver passado por elas. Algumas serão tão inevitáveis que você já poderá se antecipar dizendo “vocês podem estar se perguntando…” Ao fazer isso, você surpreenderá e cativará!

            Verso da caixa de Mage Knight! Não parece tão difícil? Sabe de nada, inocente!
            Verso da caixa de Mage Knight! Não parece tão difícil?
            Sabe de nada, inocente!

            Outro exercício excelente é consultar fóruns especializados com dois objetivos em mente: sanar suas dúvidas e treinar seus conhecimentos com dúvidas de outros usuários. Faça o teste, leia algumas dúvidas e tente respondê-las mentalmente. Mas cuidado! Tente identificar os usuários que conhecem bem o jogo, pois muitos que sabem menos que você tentam responder e podem bagunçar as coisas. Utilize os fóruns quando estiver seguro de seus conhecimentos. Bom conhecimento do manual, simulação de jogo com você mesmo e fóruns especializados, este é um tripé sólido para sustentar seus ensinamentos. Ah! Isso toma tempo. Não espere estrear seu jogo recebido na quarta-feira neste próximo sábado! O Love Letter, pode ser; Twilight Imperium, nem pensar!

            Vem aí o Telecurso Twilight Imperium!
            Vem aí o Telecurso Twilight Imperium!

            Crie o interesse
            Acredite, cativar um grupo de amigos que foram na sua casa com o objetivo específico de jogar é muito mais fácil do que estimular um grupo de adolescentes semi desconhecidos com as capacidades práticas da fórmula de Bhaskara. Se eu consigo, você consegue!

            Carcassonne, por exemplo. Não comece dizendo “cada jogador compra uma peça e escolhe onde ela pode ser encaixada…” Informe, crie o clima, forneça um pouco de história e vida à obra que será desfrutada. Como um filme, livro ou música, situar um jogo com o momento e local de sua criação, com seu autor e seus demais jogos, apresentar suas premiações e importância dá todo um sabor especial àquele conjunto de papelão, madeira ou plástico! Faça uma pesquisa breve, às vezes até no manual ou na caixa do jogo podem ser encontradas informações neste sentido. No site do fabricante, na Ludopedia, no BoardGameGeek, na Wikipedia, lugares para enriquecer sua apresentação não faltam. Não são poucos os que jogam Carcassonne sem saber o que seu título sequer significa!

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            Isso é Carcassonne!

            Ele fica tão melhor assim… “Carcassonne é uma citadela no sul da França com 2500 anos de história. Foi anexada à França no século XIII e é conhecida pelos seus três quilômetros de muros e mais de cinquenta torres. É patrimônio mundial da humanidade. No jogo, vamos construir um cenário medieval formado por cidades, estradas, fazendas e mosteiros, inspirados na arquitetura de Carcassonne. Ele é o vencedor do Spiel des Jahres de 2001, o prêmio alemão conhecido como jogo do ano e o mais importante do mundo.”

            Pronto, um pouco de história e ambientação, uma descrição sucinta de seu tema e sua importância. Pode até acrescentar um pouco mais, mas não transforme isso em uma palestra!

            Quando você cria o interesse, a assimilação das regras fica muito mais simples. E Carcassonne é mais fácil que Bhaskara! Além disso, após a introdução, apresente os objetivos, como se vence, como se pontua, o que pesará mais ao final da partida, forneça algumas dicas para apimentar a narração.

            Simule
            Você já cumpriu as duas etapas anteriores. Excelente! Já pensou que talvez seja mais fácil ensinar aquele jogo simulando com os demais participantes enquanto explica? Funciona muito bem com jogos mais complexos, com muitos componentes e nomezinhos para tudo. Tente ensinar alguém a dirigir explicando todos os detalhes com o futuro motorista sentado na sala de jantar ou ensinar alguém a nadar enquanto espera na fila do cinema! Por mais evoluídos que sejam seus dotes didáticos, há momentos que a prática é indispensável.

            Cada vez que preciso ensinar Game of Thrones The Board Game, simulo três rodadas até mesmo manipulando o baralho de Westeros para que saiam as cartas com o que preciso explicar, como recrutamento, suprimentos, aposta nas trilhas de poder e ataques selvagens. Diluir estes acontecimentos pelas três rodadas com as etapas regulares de colocação de ordens de cada turno, permite que os jogadores tenham contato com as situações diferentes, mas fixando as mecânicas ao mesmo tempo! Ou você fica narrando tudo sozinho e depois explica todas as minúcias e exceções na base do monólogo? Boring!

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            Game of Thrones. Simular é preciso, viver…

            O demônio (da chatice) está nos detalhes
            Detalhes, detalhes, detalhes! Evite! Existe momento para eles! Sabe aquele amigo que você pergunta como foi o dia e ele conta? Ou o clássico cara que narra o filme em todos os detalhes? TO-DOS OS DE-TA-LHES? Comece com o básico, com o que acontecerá a cada rodada, com os fundamentos da mecânica. No momento, estou no processo mental de planejar o ensino de Runewars para o meu grupo. Um jogo repleto de detalhes em um manual com 40 páginas. Vocês acham que falarei em duelos, quests, desenvolvimentos de fortalezas e mais um monte de coisas, sem fundamentar bem as ordens, os bônus de supremacia, as cartas de estações e seus efeitos recorrentes? Se você não conhece o jogo, saiba que são etapas que acontecem a cada rodada, quer os jogadores queiram ou não. Aproveitando a deixa, sempre deixe claro o que cada jogador pode fazer em sua vez, essas são as engrenagens básicas do jogo. Outra, não descarte a possibilidade de fazer uma sessão inteira apenas para treinamento e simulação se você achar necessário. Dependendo do jogo, existe a hora de aprender e a hora de tentar ganhar. Alguns manuais pecam por isso, tentam olhar o quadro com lupa sem dar uma noção geral e inicial.

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            Um herói, uma runa, uma cidade e um exército em Runewars. (Foto On Board)

            Comande a mesa
            Monte o tabuleiro e organize todos os materiais necessários. Aproveite para conversar frivolidades enquanto isso. Sempre haverá um jogador mais curioso ou afoito que irá fazer perguntas sobre esse ou aquele componente. Além de correr o risco de ter de repetir várias coisas depois na explicação geral, o que será maçante para você, isso estimula o comportamento ansioso da mesa. Este tempo é útil para deixar aquela carga de curiosidade inicial ir aliviando e quando chegar o momento de ensinar, o grupo já estará mais calmo. Sabe aquela cara de criança quando ganha brinquedo? Fazemos a mesmíssima expressão quando abrimos nosso jogo novo e o grupo a faz outra vez no dia da estreia! Criança muito agitada não aprende!

            Oba! Chegou o Eldritch Horror!
            Oba! Chegou o Eldritch Horror!

            Após absolutamente tudo montado, dê mais um tempo para todos darem mais uma olhada geral. Quando você começar precisará da total atenção deles. Exija atenção e não permita que fiquem brincando com componentes. Olhe a regra número um da etiqueta na mesa de jogo, novamente! O espaço para perguntas você decide o melhor, conforme o jogo e o grupo. Não se acanhe em dizer que tal dúvida será sanada posteriormente. Não interrompa sua linha de raciocínio para atender a todos, atenha-se ao seu planejamento.

            O equilíbrio de como e quando ensinar será adquirido aos poucos. Não há receita fixa. Ensino jogos para muitos novatos graças aos trabalhos em escolas e aos eventos, principalmente às BIG Board Nights na Grande Florianópolis. Quando o grupo é desconhecido é mais difícil ter o timing para ensinar a todos. Neste caso, algumas diretrizes gerais, como as apresentadas acima, auxiliam. Com preparação, calma e conhecimento, o processo de ensino terá melhorias imediatas e você e seu grupo ganharão em diversão e entretenimento!

            Abraços analógicos!

              por -

              DICAS ETIQUETA

              Então você está se interessando por esses tais jogos de tabuleiro modernos, ouviu falar de Zombicide, viu um ou outro jogo em alguma grande livraria nacional, seus amigos começaram a postar fotos no Facebook ou no instagram e tudo parece tão colorido, divertido e ao mesmo tempo desafiador e cult.

              A vida financeira do nerd não é fácil, entre videogames, quadrinhos, cinema e tantas outras coisas. Para o nerd adulto é pior, some ainda as contas da casa, família, filhos… Mas eis que antes mesmo de você gastar seu suado dinheirinho nerd em board games, algum destes amigos lhe convida para jogar, sempre com aquela conversa amistosa “não precisa se preocupar, a gente ensina” e “a galera é gente fina”. E você aceita! Parece uma boa ideia, conhecer mais sobre seu possível novo hobby sem gastar.

              Então aqui vão algumas dicas para você, aspirante a board gamer, vigiar para não fazer feio. Um Top 5 da etiqueta do novo jogador analógico. E se você, por outro lado, já é um board gamer experiente e não sabe como falar estas coisas para seu novo convidado, não se preocupe. Eu fiz o trabalho sujo. Sugira esta leitura para ele antes da sessão e depois não diga que não foram avisados!

              Não brinque com as peças ou cartas
              Na dúvida, considere que o dono do jogo e seu anfitrião é chato e muito cuidadoso. Estou escrevendo um Top 5 genérico. Se fosse dicas para jogar comigo seria um Top 452168412! Os jogos de mesa são, em sua grande maioria, feitos com muito papel e papelão, ou seja, materiais frágeis. Não entorte as cartas, não brinque com os dados e, acredito que você já deve ter passado da fase oral freudiana, não coloque meeples, discos, tokens ou qualquer coisa na boca enquanto pensa. Alguns jogadores só conseguem pensar se fecharem o circuito cérebro, lábio, mão! Evite isso, coloque as mãos no bolso, debaixo da perna, enfim! Se seu anfitrião for educado ele não falará nada, mas não estranhe nunca mais ser convidado!

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              Agricola: os discos laranja são vegetais e não, não são para comer! (Foto On Board)

              Não beba e não coma à mesa
              O que nos traz à próxima regra! Existe um jogo que você pode comer e beber à vontade enquanto joga, chama-se Par ou Ímpar! Nos outros, não! Na minha mesa de jogo a regra é clara, Galvão! NO bebida, NO comida! Amendoim japonês é permitido. Espere ver o comportamento dos outros do grupo. Se eles colocarem os copos próximos à área de jogo, tudo bem. Se não, não! Não venha com essa de “eu não derramo”! Você vai derramar! Pense na Lei de Murphy, que Deus não gosta de você, que você terá um espasmo! Mesmo com o copo longe da mesa, cuidado com os pingos no médio prazo. Tudo bem, sendo mais maleável agora, alguns jogos são mais toleráveis às bebidas, card games com sleeves, Zombie Dice, tudo bem. Mesmo assim fique de olho na toalha. Comida, não. Observe o comportamento do grupo e siga a liderança!

              Star Wars The Card Game: amendoim japonês e cartas com sleeves na minha toalha? Ok! (Foto On Board)
              Star Wars The Card Game: amendoim japonês e cartas com
              sleeves na minha toalha? Ok! (Foto On Board)

              Não trapaceie
              Muitos novatos sentam à mesa com a experiência apenas do Truco da faculdade e do Uno da casa de praia. Nestes jogos, vale passar a perna. Bom, se falar que não vale, não adianta. Entretanto, jogamos board games pelo desafio pessoal, tanto que não trapaceamos quando jogamos sozinhos. Se pretendemos gastar horas de nosso tempo livre concentrados, muitas vezes em jogos bem complexos, queremos testar nossas habilidades. Uma das lições mais importantes dos jogos de mesa é: não tente levar vantagem. Nisso envolve não olhar as cartas do vizinho, mesmo que ele seja descuidado, não deturpar regras a seu favor, não mentir se alguém acertar que você tem a Condessa na mão! Se o jogo for leve, trapacear soa pior ainda! Vale citar o manual de Love Letter, de onde foi tirado o exemplo da Condessa: “sugerimos não jogar com escudeiros que trapaceiam em jogos leves e divertidos”. Sem mais!

              Nosferatu: até em jogos de dissimulação a mentira é regulamentada. (Foto On Board)
              Nosferatu: até em jogos de dissimulação a mentira é regulamentada.
              (Foto On Board)

              Saiba ganhar e, principalmente, saiba perder
              Não é novidade escrever que o jogo diz muito sobre a personalidade de alguém. Comumente vimos o melhor e o pior de uma pessoa à mesa de jogo. Reclamar de tudo, comemorar exageradamente o tempo todo, zombar, humihar, são comportamentos reprováveis. Claro, depende muito de seu nível de amizade com todos na mesa, mas se for sua primeira partida com este grupo e com alguns desconhecidos, tente se conter. Conheça mais sobre cada um, quais seus limites e tolerância às brincadeiras, principalmente se você estiver perdendo. Não fique reclamando a cada rodada se o que você esperava fazer não foi possível ou foi feito por algum jogador anterior. Vez ou outra, tudo bem. Com um toque de humor, melhor ainda! E nunca, nunca abandone um jogo. Está levando uma surra descomunal? Tudo bem, você está aprendendo. Veja o que os outros estão fazendo, faça perguntas! Mas engula o choro e não ouse levantar dessa cadeira! Um jogador que sai no meio de uma sessão por motivo tolo, desequilibra totalmente a partida e deixa um clima desagradável para os que permanecerem.

              A Touch of Evil: Nada de xilique. saiba perder! Eu sei perder! Treino isto com bastante frequência! (Foto On Board)
              A Touch of Evil: Nada de xilique. saiba perder! Eu sei perder!
              Treino isto com bastante frequência! (Foto On Board)

              Você estará fora da área ou desligado!
              Não basta ver rodas de amigos lado a lado cada um com seu celular andando como zumbis pelas ruas. Ou casais em restaurantes isoladamente verificando suas redes sociais. Você foi convidado para um evento social, com pessoas de verdade! Esta é a MAIOR vantagem dos jogos de mesa: socializar. Nestes dias de casulos virtuais, reunir-se ao redor de uma mesa, com pessoas com voz e rosto é um acontecimento a ser celebrado e aproveitado. É, no mínimo, deselegante que enquanto espera sua vez você fique a cada rodada de olho no aparelho. Vamos usar o bom senso novamente? Esporadicamente é aceitável. Mas não passe a impressão que a vida atrás da telinha é mais interessante do que o que está acontecendo à frente de seus olhos. Bom, talvez para você seja mesmo e se isso acontecer, este será seu último convite.

              War of the Ring: o sinal de celular é muito fraco na Terra-média (Foto On Board)
              War of the Ring: o sinal de celular é muito fraco na Terra-Média (Foto On Board)

              Amigos leitores, espero que estas dicas sejam úteis. Mostrem para seus novos convidados! Se eles não souberem respeitar e valorizar o tempo e o dinheiro gastos por você neste hobby, haverá quem sabe!

              Abraços analógicos! E alguém, por favor, pode alcançar o amendoim?

                por -

                O mercado dos jogos de mesa está vivendo sua melhor fase. A quantidade e qualidade dos jogos disponíveis é impressionante, os lançamentos ocorrem em ritmo frenético, os financiamentos coletivos via Kickstarter ou Catarse viabilizaram que produtores pequenos ou independentes lançassem seus produtos e, mais importante, a cada dia este hobby ganha novos adeptos, o que é, ao mesmo tempo, causa e consequência dos eventos descritos acima. Muitos estão retomando um velho hobby, meu caso, afastado da mesas por mais de quinze anos, alguns estão saindo dos jogos eletrônicos cansados da repetição constante das mesmas franquias do mercado, outros estão ampliando suas raízes do RPG, pois com a vida adulta fica difícil manter um grupo fixo por campanhas longas, para não falar no tempo exigido de preparação… E, felizmente, tudo isso também acontece no Brasil! O público vem crescendo e a quantidade de jogos disponíveis já é capaz de deixar os novatos perdidos. E 2014 promete aumentar a lista de jogos lançados em solo nacional e em português consideravelmente.

                Como tenho o hábito de divulgar minhas sessões de jogo com meu grupo em todas as redes sociais possíveis, além de rodas de conversa e salas de aula, perguntam-me com frequência por onde começar, quais jogos comprar. Resolvi, pois, criar uma pequena lista de por onde o aspirante a board gamer deveria começar. Este é um primeiro Top Board, aguardem para as próximas semanas dicas dos melhores jogos para jogar com a família ou os melhores jogos para jogar com seu filho. Coloquei apenas board games, com tabuleiro mesmo e procurei uma certa variedade para a ludoteca inicial. Ah! Também estou prevendo a fúria de alguns que bradarão “como você não colocou o jogo X ou Y?”. Faz parte! Relembrando: todos os jogos desta lista estão disponíveis no Brasil e em nossa língua pátria, a ideia é facilitar. Antes de começar a jornada, quero avisar que não pretendo fazer um análise detalhada de cada jogo, apenas apresentá-los brevemente. Para reviews completos temos nossa seção Sobre a Mesa todas as sextas-feiras.

                Ticket to Ride
                Não estou sozinho nessa! A minha resposta imediata para a pergunta “qual jogo devo comprar primeiro” é Ticket to Ride. Nestes dez anos de seu lançamento, tornou-se um fenômeno de vendas, conquistou vagões de prêmios, incluindo o mais importante de todos do mercado de jogos de mesa, o Spiel des Jahres, prêmio alemão que significa Jogo do Ano, em 1994. Lançado no Brasil há poucos meses pela Galápagos Jogos, o jogo já começa chamando a atenção pelo visual. Um grande mapa dos Estados Unidos com várias cidades conectadas por rotas ferroviárias. Cada jogador compra cartas coloridas até juntar uma quantidade suficiente para cobrir as distâncias da mesma cor ou incolores. Mecânica super simples, sem texto, em meros minutos você ensina qualquer novato, de qualquer idade. A temática é altamente familiar e o jogo requer uma leve dose de estratégia que não espanta o iniciante e não entendia o experiente. Um clássico moderno que precisa estar na coleção de qualquer board gamer.

                Sessão de Ticket to Ride no On Board: duas cartas amarelas, para unir uma ferrovia de dois espaços amarelos! Simples!
                Sessão de Ticket to Ride no On Board: duas cartas amarelas, para unir
                uma ferrovia de dois espaços amarelos! Simples! (Foto On Board)

                Carcassonne
                Muitos consideram Carcassonne a melhor escolha e ninguém pecará em comprá-lo primeiro. Estamos falando do vencedor do Spiel des Jahres de 2001. Nosso colega de On Board, Fillipe Vieira, fez uma análise completa aqui. Lançado pela GROW, não é tão fácil de encontrá-lo em lojas físicas fora dos grandes centros, mas está disponível em vários sites de lojas de departamentos, livrarias e lojas especializadas. Procure por Domínio de Carcassonne, entretanto, nome ainda utilizado no Brasil. É a mesmíssima edição lançada lá fora com componentes muito bons. Todo mundo reclama que a caixa, comparada com a edição estrangeira, é grande e fina. É mesmo. Mas por setenta reais, adquirir um jogão deste pelo valor menor do que um jantar para dois em qualquer lugar é imperdível.

                Sessão de Carcassonne no On Board: o monge é a cara do ladrão!
                Sessão de Carcassonne no On Board: o monge é a cara do ladrão! (Foto On Board)

                Colonizadores de Catan
                Meu caro amigo, futuro board gamer, saiba que existe toda uma categoria de jogos chamada de euro games. Por que são feitos na Europa? Bem, a maioria! Mas este não é principal motivo. Se falamos em gerenciar recursos, temas econômicos e saber o vencedor só ao final da partida, estamos provavelmente falando de um jogo euro! Se tem madeira e pedra é jogo euro! Mas vamos falar sobre isso em um Dicas da Mesa futuro. Catan abriu as portas do mundo todo para esta categoria em 1995. Também levou o Spiel des Jahres! Na ilha fictícia de Catan, os jogadores precisam construir habitações, cidades e estradas, através de recursos coletados em uma mapa que muda a cada partida. Estes recursos podem ser trocados, inclusive entre os jogadores, aumentando a interação entre eles. Na faixa dos cem reais é um bom investimento para saber se este tipo de tema lhe agrada, mesmo havendo vários tipos de euros mais sofisticados e complexos hoje em dia no mercado internacional.

                Colonizadores de Catan, versão nacional pela Grow
                Colonizadores de Catan, versão nacional pela Grow

                Zombicide
                Este é o fenômeno do momento que pegou até os não board gamers. Agradeça a The Walking Dead e a toda moda zumbi. Particularmente são os mortos-vivos que menos me interessam, mas o que importa aqui é a jogabilidade, belas miniaturas, referências a símbolos da cultura pop em um clima bem videogame. Se é para falar em gêneros de jogo, este é um dos grandes representantes do ameritrash, termo pejorativo que ninguém liga para ele! Não são poucos os jovens que tem apenas Zombicide em sua coleção em meio aos seus jogos de Xbox e Playstation. Mas a semente está plantada. Se você adquirir os jogos acima, Zombicide será uma variação excelente no tema e ambiente. Aqui tem matança, armas inusitadas, correria e cooperação, um modo de jogo que muitos que não são do meio nem sabem que existe. Aqui são todos contra o jogo. É o modo co-op dos jogos eletrônicos. Uma dica: custa uma fortuna por causa da fama, até usado custa mais que o lacrado quando foi lançado no Brasil em 2013. A Galápagos Jogos anunciou que haverá reedição nos próximos meses pelo preço normal, na casa dos 260 reais.

                Zombicide: ameritrash de raiz! Se fosse euro os zumbis seriam cubos!
                Zombicide: ameritrash de raiz! Se fosse euro os zumbis seriam cubos!

                A Guerra dos Tronos The Board Game
                A posição mais difícil de preencher foi a última, pois deveria deixar todos os outros de fora. Este merece entrar aqui por ter muitos atrativos. Falei dele em detalhes em minha resenha aqui. Vamos lá… O momento é propício, todos comentam a série de TV, muitos leram ou estão lendo os livros e se você tem sangue nerd e tem, afinal está lendo um artigo em um blog de jogos de mesa, você é fã de Game of Thrones. Mas o principal motivo de colocá-lo aqui é ver o quanto você e seu grupo se adaptam e apreciam um jogo mais complexo. Desta lista, A Guerra dos Tronos The Board Game é o que mais exige cuidado nos detalhes, leitura minuciosa do manual, preparação inicial da sessão de jogo, todos elementos fundamentais para o futuro board gamer barra pesada. É, também, o que mais demanda estratégia, negociação e até traições no tempo certo, oferecendo elementos novos nesta nossa lista dos cinco. E o visual? É aquele jogo que você baterá fotos e causará inveja e curiosidade no Facebook e no instagram. Acredite, aconteceu comigo.

                Sessão de A Game of Thrones no On Board: instagram nele!
                Sessão de A Game of Thrones no On Board: instagram nele! (Foto On Board)

                Bom, caríssimos leitores, espero que tenha sido válida esta iniciativa e que muitos decidam começar sua coleção. Vocês perceberão que receber os amigos regularmente em casa, para uma boa sessão de jogo, conversa, risadas, comes e bebes é uma forma de lazer maravilhosa e sadia, além de aproximar as pessoas que muitas vezes só encontramos do outro lado de uma tela.

                Assista a uma versão mais completa e atualizada no nosso Top Board em vídeo:

                Abraços analógicos e até o próximo Top Board!

                  por -

                  DICAS CRIE

                  Você está jogando aquela partida de fim de semana com seu grupo de amigos. No prato principal um jogo aclamado, já muito conhecido. Você analisa uma mecânica e vem aquele pensamento: “Essa mecânica poderia funcionar melhor dessa maneira…” ou ainda, “Eu poderia fazer melhor que isso…” Soberba da sua parte? Calma amigo, você não é o único. Como jogadores interessados e exigentes que somos, é normal querermos sempre que o jogo funcione da melhor maneira possível em todos os aspectos, em todas suas mecânicas, e mesmo quando o jogo já é comercializado e conhecido pelo mundo, nem sempre é assim que acontece. Todo jogo tem seu ponto forte e seu ponto fraco. Nada é perfeito… Com essa premissa eu quero aproveitar o Dicas da Mesa de hoje para motivar o caro leitor do Meeple Maniacs. Que tal criar seu próprio jogo? Já pensou nisso?

                  Bom, apesar de não ser um profissional da área, efetivamente um game designer, carrego alguma experiência de anos de prática nos jogos de carta e tabuleiro, conhecendo vários tipos de mecânicas inovadoras, desde games euros a games de temática forte como os americanos. Até já me arrisquei em alguns projetos pessoais e em grupo e tive positivas surpresas com o resultado de alguns deles. Quem sabe um dia você ainda os conheça… Assim esperamos. 🙂

                  Sendo assim, trarei aqui dicas e ideias na tentativa de ajudá-lo ou pelo menos adicionar aos métodos que você talvez já possua e costume usar nos seus processos de criação.

                  O processo de criação obviamente requer um bom conhecimento na área e criatividade, além de algumas particularidades, gostos de cada um, logo torna-se algo muito abrangente. Na verdade não há uma fórmula para se criar um jogo de sucesso. Cada designer vai encontrar sua maneira, mas a seguir vão algumas ideias.

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                  Todo jogo, por mais bem sucedido que seja, um dia não foi mais que um mero rascunho.

                  Mecânicas:
                  Ao todo são pelo menos 51 mecânicas de jogos analógicos, segundo o BoardGameGeek, site referência no assunto. Dar uma bela analisada nessa lista se faz necessário para qualquer um que queira dizer tranquilamente que já viu de tudo nesse mundo dos jogos de carta e tabuleiro. Ela pode dar ideias, você pode vir a utilizar uma ou mais das mecânicas em seu jogo, talvez misturar algumas e criar uma nova, quem sabe ainda inovar criando algo diferente, afinal, você conhecerá tudo o que já está catalogado. Você pode ver a lista clicando aqui.

                  Mas por onde começar?

                  Bom, através de tentativas, erros, acertos e observação, cheguei à conclusão de que existem duas maneiras básicas pra iniciar um novo projeto de jogo. Depois citarei outros métodos que conheço. Para um ponto de partida mais fácil, é interessante que você saiba se vai querer fazer um jogo com uma temática mais pesada ou um tipo mais abstrato de jogo. Jogos abstratos são aqueles que independem de temática, você poderia colocar uma grande variedade de temáticas sobre aquela mecânica que o resultado seria o mesmo, só mudaria a ambientação. E geralmente são compostos por pouquíssimas mecânicas, muitas vezes apenas uma, que por sua vez costumam ser simples, mas que ainda aproveitam do uso da estratégia. Costuma ser o caso dos jogos europeus. A diferença entre os dois é mais evidente no ponto de partida para a criação:

                  Jogos Temáticos: Normalmente pensa-se primeiro em um tema. Cenário de fantasia, espacial, histórico, baseado em profissões, eventos cotidianos, humor, terror, ciências, esportes, jogo pra família, festas, enfim.

                  Depois que o tema foi definido, começa a criação das mecânicas que melhor se adaptam àquele tema. Algumas já vêm incluídas no pacote. Por exemplo, um party game geralmente envolve cartas e forçar o jogador a fazer alguma coisa física como falar, mover-se e interagir com outros jogadores. Um jogo de fantasia medieval normalmente pede regras um pouco mais pesadas, personagens diferentes com características únicas, cartas, tabuleiro, tokens. Mas é legal também sair um pouco dos estereótipos às vezes. Assim se inova. Aqui geralmente o jogo acaba sendo composto por várias mecânicas diferentes e por vezes torna-se mais complexo.

                  Jogos Abstratos: Aqui é muito simples. Escolha uma mecânica. Trabalhe em cima dela. Depois das regras concluídas ou durante o processo de criação adicione uma temática. Mas também acho que é possível que o tema venha antes e influencie na mecânica de um jogo abstrato, direcionando seu processo de criação. Pode ir acontecendo simultaneamente.

                  Um método que descobri por acaso em um dia de pesquisas foi o tal do 100:10:1, desenvolvido por um designer nada lá muito famoso, Nick Bentley… Bom, ele conseguiu colocar uma de suas criações em 182º entre mais de 700 jogos abstratos no ranking do BoardGameGeek. Nada mal, não? Você pode ler o método em sua própria postagem aqui, mas eu irei resumi-lo. Na verdade é um método simples, mas interessante:

                  Passo 1 (100): Primeiro você escreve rapidamente 100 ideias, conceitos básicos, sem muitos detalhes, sem pensar na qualidade. Pode fazer isso em menos de uma semana, talvez até em um único dia. Ele dá um exemplo de ideia solta que pode se encaixar nesse primeiro passo. “Mortalidade: as peças envelhecem enquanto se movem – os personagens são dados, ao invés dos costumeiros peões – a cada ‘passo’ deve-se virar seu lado para que tenha seu valor reduzido em um. Quando a face do topo do dado chegar a um o personagem morre e é seu ultimo movimento.” Não é o conceito final de um jogo, mas uma mecânica que poderia ser aproveitada na sua construção.

                  Passo 2 (10): Baseado em algum critério de seleção, de acordo com o seu objetivo no design final, você escolhe 10 das 100 mecânicas e ideias e começa a trabalhar um jogo em cima de cada uma delas. Isso pode levar um bom tempo. Ele sugere 6 meses.

                  Passo 3 (1): Você seleciona o mais promissor dos 10 jogos desenvolvidos dessa maneira e trabalha mais a fundo em cima dele.

                  Catchup: jogo abstrato desenvolvido por Nick Bentley através de seu método
                  Catchup: jogo abstrato desenvolvido por Nick Bentley através de seu método

                  Se optar por esse método, sugiro que no passo 2 você já saia com ideias para menos jogos, talvez um único. Mais prático e objetivo.

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                  Vencedor do Game Chef Brasil 2013

                  Existe uma premiação anual que acontece em alguns países e nos últimos anos também em solo nacional. É o Game Chef Brasil. O objetivo da competição é promover e incentivar a criação de jogos analógicos. O foco costuma ser RPGs, mas também aceitam jogos de tabuleiro com ideias inovadoras. A proposta é muito interessante: “Um Tema, Quatro Ingredientes, Nove Dias”. Na competição desse ano tivemos respectivamente: Não há livro (o tema desse ano foi usar outros métodos de jogo analógico que não os RPGs que a competição focava em outros anos), absorver, indomado, reluzente, foice (4 ingredientes). Os nove dias, bom… É o tempo que se tem pra criar o seu game e entregar o rascunho para ser julgado. Enfim, a desse ano já passou, mas trouxe o assunto pra mostrar que poderia ser uma ótima maneira de surgir com uma ideia para um jogo diferenciado. Só de ler os quatro ingredientes propostos estou certo de que você já começou a ter ideias. É instantâneo. É como um brainstorm. Jogue com “todas as cartas que tiver”, tire as rédeas de sua criatividade. Desafie-se.

                  O processo de criação pode ser complicado, o segredo é persistir. (Na foto, play teste de Pulse: RPG com mecânica analógica vencedor do Game Chef Brasil 2013)
                  O processo de criação pode ser complicado, o segredo é persistir. (Na foto, play teste
                  de Pulse: RPG com mecânica analógica vencedor do Game Chef Brasil 2013)

                  Para finalizar, um conselho bacana, se você tiver alguma experiência com design gráfico, tente fazer o design do seu jogo em programas como o CorelDraw e imprima versões bem acabadas para as sessões de teste. As ilustrações ou imagens podem ser tiradas da internet até que você consiga suas próprias. Acredite, faz toda a diferença.

                  Se você tiver o interesse de fazer um estudo mais aprofundado, tem um bom nível de inglês e quer ler discussões e artigos sobre o tema, uma boa pedida é visitar o site League of Gamemakers. Ele é focado na parte de desenvolvimento de jogos e é bem completo no assunto. Fica aí mais uma dica.

                  E a motivação?

                  Se você já está nessa de board e card games há algum tempo já sabe do boom que vem acontecendo no mercado nacional. Cada vez mais jogos inovadores são bem sucedidos nos seus financiamentos coletivos. Empresas antes acomodadas com os jogos de sempre, subestimando o público brasileiro, finalmente começam a trazer jogos de qualidade. Não houve antes hora mais adequada para novas iniciativas e ideias. E somos nós que ganhamos com tudo isso. Veja só, jogos criados de jogadores para jogadores. É como uma revolução. Quem sabe sua chance de mostrar um trabalho de qualidade possa estar aí? Se você não quiser entrar de cabeça no mercado, no mínimo terá jogos únicos, do seu agrado, para curtir um tempo com os amigos. Então, caro leitor, trate de tirar os projetos da gaveta e mãos à massa! Que acha de fritar um pouco esses miolos?

                  [Atualização] A partir daqui vai meu comentário em resposta ao caro leitor, Fidel (que pode ser lido abaixo também), é um ótimo complemento à proposta desta postagem. Forte abraço a todos!

                  O segredo é não desistir, continue com mais e mais testes, sempre que possível com pessoas que não se importem em ser realistas e objetivas em suas considerações sobre o jogo, jogue quantos jogos diferentes puder encarando como um estudo mesmo (atente bem às soluções de design dos grandes no meio).

                  Ainda nessa parte de “estudo” (estudo ruim esse, não? heheh), procure jogar quantos jogos quanto possível que contenham mecânicas das quais você escolheu adotar para seu jogo, a partir dessa prática você vai descobrir inúmeras formas de abordar uma mesma mecânica de formas diferentes, e então, juntando informações daqui e dali, uma mecânica de um lado, uma dinâmica de outro, a sua própria pitada e criatividade, você pode sair com algo novo. Essa é a verdadeira inspiração, ela não vai cair dos céus.

                  E lembre-se sempre, amigo, não é preciso “inventar a roda,” mas crie algo que entre tantas coisas já conhecidas, mas que executadas de forma diferente, acabem por revelar um novo jogo.

                  Essa foi a dica da mesa da semana, espero que tenha curtido. Estamos sempre dispostos a discutir sobre os assuntos que abordamos no Meeple Maniacs. Fique à vontade para comentar, sugerir, compartilhar ideias.

                  Até a próxima e não esqueça, reúna seu grupo e jogo na mesa!

                    por -

                    DICAS AD

                    É normal nos tempos de hoje cada vez mais ouvirmos as famosas frases: “Ando não tendo tempo pra nada!”, “Não me sobra mais tempo pra isso”, e assim por diante. Seja sincero, você gostaria que os dias tivessem algumas horinhas a mais pra pôr em dia todos aqueles seus projetos, colocar em prática um hobby que tanto ama… No nosso caso, amantes dos jogos de cartas e tabuleiro, é muito comum que o “tempo” e os deveres de cada um trabalhem contra as chances de reunir um grupo de amigos ao redor de uma mesa para uma sessão longa e descontraída.

                    Imagine você que, ao conversar com uma simpática senhora na empresa em que trabalho, descobri que no passado corajosos desbravadores da jogatina já realizaram partidas de xadrez por correio… Sim… O sujeito fazia a jogada e enviava a informação por carta para uma pessoa, às vezes, do outro lado do mundo. O oponente, por sua vez, respondia com a jogada seguinte e a partida seguia durante meses até que terminasse… Difícil acreditar nessa história quando pensamos nos irrefreáveis avanços tecnológicos dos quais já nos acostumamos e já fazem parte de nossas vidas. Eram outros tempos, os tempos do analógico… Mas não sejamos tão dramáticos. A solução para esse problema tão atual do tempo pode ser bem simples e estar bem na sua frente, ao alcance de um clique ou de um “toque”.

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                    Versão digital de Ticket to Ride Europe no Steam

                    Talvez você ainda não saiba, mas existe uma série de versões digitais de famosos e imperdíveis jogos para todo o fã de jogos de carta e tabuleiro. Um ótimo lugar para passar horas jogando com seus amigos sem precisar sair de casa é a Steam, serviço conhecido por oferecer mais de dois mil jogos de PC para todos os gostos, que possui algumas versões digitais de representantes de peso do mundo dos board games, entre eles Catan, Hive, Talisman, Elder Sign, Small World e Ticket to Ride, dentre muitos e muitos outros. São jogos leves, muito bem trabalhados e com preço mais acessível que suas versões analógicas. Para entrar na comunidade Steam basta fazer um cadastro simples. Uma das grandes vantagens é que depois de comprado o jogo, você pode instalá-lo e acessá-lo de qualquer computador ou dispositivo que possua a Steam. No entanto, é necessário que todos os jogadores comprem e tenham sua própria versão do jogo instalada no seu computador.

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                    Versão digital de Small World para Android

                    Ainda na área de versões para serem jogadas online, não podemos deixar de citar o Vassal, um software que permite que você jogue uma imensa quantidade de títulos de renome através de seus módulos. Imperdível para quem quer ir a fundo no digital. Você encontrará o software para download aqui.

                    Existem também versões dos jogos para sistemas Android e iOS da Apple. Basta uma busca rápida e você pode se surpreender. Quem sabe você acaba encontrando o seu jogo favorito? Vale comentar ainda outra opção. Alguns sites disponibilizam as versões dos jogos para serem jogados online no próprio navegador, entre eles uma ótima dica é o Board Game Arena, uma comunidade criada por jogadores para jogadores, onde é possível encontrar uma grande lista de jogos à sua disposição implorando para serem acessados. Também é necessário um cadastro, mas é rápido e fácil. É bacana ver as informações detalhadas no seu perfil depois de jogar algumas partidas. Eles inclusive recompensam bastante os jogadores com “tokens” de conquista e estimulam a participação inclusive na parte de desenvolvimento e programação dos jogos no sistema usado pelo site.

                    Você deve estar se perguntando, “não seria esse um estimulo errado, de migrar jogadores das versões analógicas (físicas) dos board games para suas respectivas versões digitais?” Sinceramente, não acredito que funcione dessa maneira. Acredito que todo tipo de divulgação é válida e aguça a curiosidade, resultando na conquista de mais jogadores para as versões físicas do jogo. Além do mais, quem for realmente fã, vai querer jogar o quanto for possível seus jogos preferidos. O problema de tempo e distância estaria resolvido com as versões digitais. Sempre que puder, o jogador se reunirá com os amigos. E mais, não há nada como ver as cores vivas dos lindos componentes de muitos jogos, sem contar a presença de seus amigos enquanto desfrutam de um prazeroso hobby ao redor de uma mesma mesa, atravessando noitadas regadas à muitas risadas e sem perceber as horas passarem.

                    Essa foi a Dica da Mesa da semana pessoal, espero que tenham curtido, até a próxima e não esqueça, reúna seu grupo e jogo na mesa!

                    Visite os links abaixo para conhecer alguns dos jogos citados em suas versões para Steam.

                    Steam
                    http://store.steampowered.com/about/
                    Catan
                    http://store.steampowered.com/app/239410/?snr=1_7_7_151_150_1
                    Hive
                    http://store.steampowered.com/app/251210/?snr=1_7_7_151_150_1
                    Talisman
                    http://store.steampowered.com/app/247000/?snr=1_7_7_151_150_1
                    Elder Sign
                    http://store.steampowered.com/app/257670/?snr=1_7_7_151_150_1
                    Ticket to Ride
                    http://store.steampowered.com/app/108200/?snr=1_7_7_151_150_1
                    Small World
                    http://store.steampowered.com/app/235620/?snr=1_7_7_151_150_1

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