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Rex

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    meepletall olotka

    Em entrevista inédita e exclusiva para o Brasil, Peter Olotka fala sobre seus grandes sucessos Cosmic Encounter, Dune e muito mais!

    ON BOARD: Antes de iniciarmos, permita-me um breve momento de fã e dizer que não há agradecimentos suficientes pelo seu tempo em conceder esta entrevista para o público brasileiro. Cosmic Encounter esteve comigo desde meus nove anos de idade. Infelizmente, no Brasil, não tivemos acesso as suas outras criações na época!

    Bom, vamos começar…

    Lembro de uma vez você ter citado que Cosmic Encounter foi jogado durante anos com apenas seis raças alienígenas e com o lançamento de Cosmic Dominion ainda este ano, o total de raças jogáveis na versão atual pela Fantasy Flight Games (FFG) passará de 160! Na casa dos trilhões de possibilidades de raças iniciais. Há quase quatro décadas atrás o que você esperava que Cosmic Encounter pudesse se tornar tantos anos depois?

    A versão atual de Cosmic Encounter publicada pela Fantasy Flight Games
    A versão atual de Cosmic Encounter
    publicada pela Fantasy Flight Games

    photoPETER OLOTKA: Cosmic Encounter continua satisfazendo nossas expectativas. Afinal, se você for um explorador espacial sempre poderá encontrar alguma estranha nova forma de vida que você não entenda.

    ON BOARD: O modelo de assimetria de Cosmic Encounter foi e ainda é referência para muitos jogos e designers. Quais foram as reações mais negativas na época dada à inovação de poder quebrar as regras de maneira tão acentuada? Lembrando que a intenção não era ser justo ou balanceado, isso incomodou muita gente?

    PETER OLOTKA: Os primeiros jogadores de Cosmic Encounter foram fãs de ficção científica na Boscon 1976. Tivemos vários protótipos e uma sala de jogos. Eles amaram imediatamente. Os próximos jogadores foram fãs de ficção científica na Miami WorldCon em 1977. Eu distribui cópias no lobby do hotel no primeiro dia e se esgotaram no próximo, com uma fila de pessoas esperando para comprar Cosmic Encounter. A negativa por quebrar as regras veio mais tarde dos jogadores regulares. Mas na maior parte, as pessoas gostaram de ter um poder especial, claro que cada poder tem um ponto fraco, o qual geralmente é descoberto quando menos se espera! Como quando o Vírus tem de defender um planeta natal com nenhuma nave! Ops! 0 x 30 = 0. Um momento muito divertido.

    A versão de Cosmic Encounter de 1977
    A versão de Cosmic
    Encounter de 1977

    ON BOARD: A Eon foi uma das pioneiras em algo que hoje é comum e diria até fundamental nos modelos de negócio dos board games: lançar expansões! Começando em 1977 com dez novos aliens e a possibilidade de um quinto jogador, tivemos expansões por um período de seis anos. De quem foi a ideia inicial das expansões e como era o processo criativo de inventar novas raças e poderes?

    PETER OLOTKA: Tínhamos quinze aliens na versão de 1977. E adicionamos um total de mais sessenta em nove pacotes de expansão. Uma vez que quebramos a barreira em pensar que poderíamos ter apenas seis alienígenas, partimos para alguns designs e começamos a olhar para todos os aspectos do jogo nos questionando: “Como poderíamos fazer um poder que funcionasse com cada um deles”. Outro caminho para novos aliens foi escolher uma palavra e pensar o que uma raça alienígena com aquela palavra poderia fazer.

    pic2028083_mdON BOARD: Falando em expansões, Cosmic Dominion foi criada inteiramente pelos fãs e incentivada e divulgada pelo Facebook. Qual foi sua participação neste processo de seleção e design?

    PETER OLOTKA: Os fãs fizeram tudo. Bill Eberle e eu estávamos ajudando-os no início. Mas como a lista de possíveis aliens cresceu ficou claro que eles precisariam estar em completo controle. Então recuamos e tornamo-nos intermediários entre eles e a Fantasy Flight Games. Cosmic Dominion é uma expansão espetacular. Foi um esforço extraordinário. Os fãs na BoardGameGeek foram grandes contribuidores, bem como os fãs no Facebook www.facebook.com/cosmicencounter

    ON BOARD: Sendo brasileiro, preciso tocar neste assunto. Infelizmente, Cosmic Encounter chegou ao Brasil de maneira ilegal. Como e quando vocês tiveram conhecimento disso e quais medidas foram tomadas na época?

    PETER OLOTKA: Engraçado você ter perguntado… esta foi a primeira vez que soubemos com vinte anos de atraso [aqui, Peter Olotka cita trecho do email enviado pelo brasileiro Marcos Franco em 2003]:

    11 de Junho de 2003

    Peter, conversei com você há alguns dias atrás no site do jogo e você me disse ter interesse na Cosmic Encounter do Brasil. Entrei em contato com a empresa que lançou o jogo e, como suspeitei, eles não mais o vendem. Sou o único que conheço que tem o jogo, mas penso que você o mereça mais que eu, então aqui está minha proposta: eu enviarei o jogo para você e, se possível, gostaria de ter o jogo original com o maior número de poderes possíveis. Vi uma foto do jogo original e é muito mais bonito do que o que tenho. Se você puder me enviar o jogo, eu estarei jogando o Cosmic Encounter original e ainda estarei jogando no site. Mande-me uma mensagem com seu endereço para que eu possa mandar meu jogo para você.

    A versão brasileira pirata de Cosmic Encounter, lançada como Contatos Cósmicos pela GROW em 1983. (Acervo Lucas Andrade)
    A versão brasileira pirata de Cosmic Encounter, lançada como
    Contatos Cósmicos pela GROW em 1983. (Acervo Lucas Andrade) 
    Trinta anos depois, o editor do blog do On Board, Lucas Andrade, ainda conserva sua edição nacional de Cosmic Encounter. (Acervo Lucas Andrade)
    Trinta anos depois, Lukita ainda conserva sua edição nacional de Cosmic Encounter.
    (Acervo Lucas Andrade)

    ON BOARD: Vamos falar sobre Cosmic Encounter Online (CEO) http://www.cosmicencounter.com. Quase cem mil inscritos, dez anos no ar, 35 raças disponíveis, algumas exclusivas para o meio digital. O que podemos esperar de novidades na plataforma? Veremos CEO em outros dispositivos no futuro?

    PETER OLOTKA: Apenas se acharmos que valha a pena. Ele praticamente roda por si mesmo, mas é uma versão tão anterior do Flash que não pode ser atualizada para HTML5 para jogar em iOS. Estaremos realizando um grande Kickstarter para The Cosmic Encounter Connector. Mais sobre isso em breve. Fique ligado!

    ON BOARD: Há como saber qual a participação de brasileiros em CEO?

    PETER OLOTKA: Não muitos, tenho certeza. Ele tem, afinal, onze anos de idade e nem tanto tráfego segue seu caminho para http://www.cosmicencounter.com.

    ON BOARD: Você tem no currículo dois dos jogos mais cultuados de todos os tempos, Cosmic Encounter e Dune. Cosmic Encounter com sua versão incrível de 2008 pela Fantasy Flight é relativamente fácil de se manter nas mesas atuais de jogo! Já Dune, um clássico absoluto, teve uma nova versão em 2012 em Rex: Final Days of an Empire, ambientado no universo de Twilight Imperium por problemas em se obter a licença. Rex é muito elogiado, mas não é Dune, o que influencia o julgamento de muitos! Como um jogo que não é reimpresso em trinta anos consegue se manter nas mentes dos jogadores e ter uma legião fanática até hoje?

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    PETER OLOTKA: Bom, Dune foi realmente nosso próximo jogo após Cosmic e dedicamos um bocado de Poder Especial nele. Repare que existem apenas uns poucos personagens em Dune, sendo limitado pelos livros. No entanto, sua rejogabilidade é muito alta. Assim como nosso protótipo original de Cosmic Encounter. Espero que Rex atinja os jogadores de Dune. É fiel às nossas regras e tem a mesma intriga. A FFG fez um grande trabalho juntando os sistemas de jogo.

    O tabuleiro original do cultuado Dune
    O tabuleiro original do cultuado Dune

    ON BOARD: Você trabalhou com todo tipo de mídia inventada e conhecida! A tecnologia entrou em nossas vidas de maneira extremamente acelerada nos últimos anos em cada cômodo e dispositivos que usamos, no entanto, temos um boom no mercado de board games com uma quantidade de lançamentos que é impossível acompanhar. A que você atribui isso? Estamos na era de ouro dos board games?

    PETER OLOTKA: Pode ser a era de platina dos jogos (dado o custo de alguns dos títulos mais pesados). Creio que as redes sociais foram um incentivo para a capacidade dos jogadores se encontrarem. Jogadores são uma pequena subseção da cultura, existem muitos deles, mas estão dispersos. Aqui é onde nós reunimos as mídias sociais para Cosmic Encounter, www.cosmicencounterconnector.com

    ON BOARD: Qual o maior desafio para o designer iniciante? Algumas dicas para todos os iniciantes por aí?

    PETER OLOTKA: O maior desafio é sempre encontrar um meio de ser publicado. O conselho que sempre dou é: não perca seu tempo em copiar um jogo existente. Centenas de jogos hoje são simplesmente os mesmos que vários outros, com novos personagens ou novas fachadas. Comece com alguns princípios que você quer em seu jogo e trabalhe para fazer o jogo produzir o efeito que deseja.

    ON BOARD: Com exceção de suas próprias criações, quais jogos de tabuleiro ou cartas você gosta de jogar e por quê?

    PETER OLOTKA: Eu jogo poucos jogos de tabuleiro. Principalmente, jogo títulos estratégicos abstratos com minhas netas Tess e Lila. Cada uma delas tem um alien na nova expansão Cosmic Dominion desenvolvida pelos fãs. Lila surgiu com a Noiva (Bride), poder de casar (compartilha com seu noivo) e Tess, literalmente, escreveu o poder e a história de Carrossel (Whirligig), poder de rodopiar (mistura as mãos com o outro jogador).

    Bride, uma das trinta novas raças da expansão Cosmic Dominion a ser lançada este ano
    Bride, uma das trinta novas raças
    da expansão Cosmic Dominion a ser
    lançada este ano

    ON BOARD: Última questão e admito que estou muito curioso para saber a resposta… qual sua raça favorita em Cosmic Encounter?

    Philanthropist
    Philanthropist

    PETER OLOTKA: Sempre foi o Filantropo (Philanthropist). Há tantos agora que eu nunca joguei que talvez exista outro à espreita no Cosmos. Ele sempre pode dar cartas como jogador principal ou aliado, então ele consegue novas mãos de cartas rapidamente, enquanto que, ao mesmo tempo, retarda que os outros fiquem sem cartas. Ele pode dar uma boa carta para um aliado para ajudar a vencer e é divertido de jogar.

    ON BOARD: Peter Olotka, foi um prazer e uma honra. O On Board agradece em nome de todos os board gamers do Brasil!

    PETER OLOTKA: Comecem um movimento para que a FFG publique uma versão brasileira!

    Agradecimentos à Marcos Franco, sem o qual esta entrevista não teria sido possível.

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