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Terra Mystica

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    SOUND TERRA

    Vocês sabem, amo Terra Mystica! Sabem, não? Pela sua elegância, rejogabilidade, extrema dose estratégica, suas facções tão diferentes que dão sabores diversos a cada partida e tantos outros motivos. Entretanto, não rasgarei a seda nesta seção, já fiz isso em meu review [confira aqui] neste site.

    Costumo também dizer que ele se enquadra em uma categoria muito restrita que entitulei carinhosamente de “euro cogumelo”, em homenagem ao seu estilo tradicional dos jogos europeus, o “euro”, aliado à viagem tresloucada de sua ambientação, o “cogumelo”, daqueles que fazem ver gnomos, percebe? Outro bom exemplar recente de “euro cogumelo” é Helios, onde cultistas do sol ou de um sol em um planeta fictício elevam construções e adoram o astro maior, influenciando, inclusive seu movimento. What? Tem um orégano forte rolando na Europa ultimamente.

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    Foto On Board

    No nosso querido Terra Mystica, diversas raças e facções, muitas delas tradicionais dos cenários de fantasia medieval, convivem harmoniosamente entre si. Sim, pois até quando algum barraco se instala abruptamente no terreno almejado por algum vizinho, há celebração. Nada de matanças ou batalhas épicas. O máximo que você faz é frustrar os planos alheios passando o trator místico no espaço desejado. Quer um exemplo de boa vizinhança? Os gigantes constroem do nada uma habitação, acabando com a floresta que lá estava e todo mundo no entorno comemora. Sério, gente! Tem tóxico rolando nisso aí!

    É com este torpor mental e estado contínuo de harmonia e felicidade que fui buscar inspiração na trilha para ele. Antes de anunciar a música ideal, permita-me explicitar uma questão técnica. Sempre tento colocar as dicas de trilha sonora publicadas aqui ou na minha coluna no programa Meeple Maniacs com playlists do Spotify para facilitar a vida dos amigos ouvintes. Uso trilha em todos os meus jogos, mas nem tudo existe no Spotify. Desta vez, não encontrei nem no Spotify e nem na iTunes Store que tem um acervo assustador de títulos. Teremos de apelar para o YouTube. Atenho-me também ao Spotify e à iTunes Store por questões legais e jamais compartilharei links para músicas disponibilizadas ilegalmente. Como o que descreverei a seguir foi criado e distribuído pelo autor da obra, estamos prontos para continuar.

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    Foto On Board

    Música de meditação, healing music, chakra music, zen music, tigelas tibetanas, ruído branco, spa music, música de massagem, flautas, sinos, sons da natureza… alguns dos rótulos e tipos de músicas e instrumentos que se encontram por aí quando procuramos por músicas tranquilas. Não vou discutir a eficácia curativa disso tudo, nem o status ontológico do chakra ou da energia ki, por exemplo. Meu Mestrado em Filosofia e meu ateísmo não fariam um juízo muito favorável. Ater-me-ei às questões musicais resumindo sem frescuras: TEM MUITO LIXO! Tentei achar álbuns no clima exato do que pretendia no Spotify e após ouvir algumas dezenas (sim, dezenas!), desisti e fiquei com minha escolha original. O que tem de música pouco inspirada e repetitiva é irritante! Para não falar nos ruídos da natureza. Não aguento mais barulho de água corrente. Tive até problemas diuréticos enquanto fazia esta pesquisa. E olha que gosto destes efeitos para a proposta certa (mais sobre isso em um Sound Board futuro). Alguns discos até eram bons, mas muito característicos de alguma região ou com sonoridade muito moderna. Não vão achar que minha trilha escolhida é um primor de criatividade e musicalidade, serve, contudo, muito bem ao meu propósito.

    Mas afinal, o que separei?

    OUÇA UM TRECHO DE 6 HOUR RELAXING MEDITATION MUSIC POR YELLOW BRICK CINEMA:

    O canal do YouTube, YellowBrickCinema, é dedicado a esse tipo de música que descrevi acima, tanto que o nome da peça é “6 Hour Relaxing Meditation Music: Tibetan Music, Shamanic Healing Music, Relax ☯647”. Holy crap! Tem até Yin e Yang no nome e um 647 que não faço ideia do que seja. Orégano… só pode!

    Bom, a vantagem aqui é que a música é muito discreta, excelente para não tirar a atenção do jogo, e mesmo com um tom oriental levemente preponderante (Tibetan, heim?), poderia misturar-se facilmente com outras regiões do planeta ou até mesmo outras eras. Ideal para Terra Mystica já que não se tem informação quase alguma sobre o mundo em que se passa. É tudo muito vago, quase nebuloso. Outro ponto positivo: por ter seis horas ininterruptas (!) de quase a mesma coisa, não troca de clima ao mudar de faixa, já que a peça não tem faixas, problema encontrado em todos os álbuns que ouvi. Deste modo, transmite um fluxo musical contínuo e recorrente, com a repetição inspirando o estado contemplativo e uma percepção holística da realidade e aquém dela. Caramba, o cheiro do orégano está chegando aqui!

    Não recomendo ouvir estas seis horas na sequência, dá vontade de se jogar da janela e olha que moro no térreo. Mas como ambiência discreta, contínua e mística é uma das melhores opções para curtir seu jogo proporcionando um clima misterioso e tranquilo que combina com a proposta desta obra-prima.

    Você confere a peça completa abaixo.

    Abraços analógicos.

    slap terra

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      TTF

      Para quem não sabe, a Galápagos Jogos realizou neste dia 26 de novembro a pré-venda da edição do décimo aniversário de lançamento de Ticket to Ride. Uma versão estilosa, com caixa gigante, tabuleiro mais ainda, trenzinhos com esculturas distintas e coloridas, cartas com arte diferente, enfim, bastante frescura para quem, assim como este que escreve, ama o jogo. Ele não tem mecânicas ou regras novas, a expansão 1910 com novas opções de rotas até acompanha o produto, mas é o mesmíssimo Ticket to Ride que você deve conhecer.

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      Caixa da edição especial.

      O anúncio da Galápagos na World RPG Fest em Curitiba de que traria trezentas unidades desta edição para o Brasil foi uma das várias surpresas positivas de sua conferência. (Assista na íntegra aqui) Eu estava lá e na hora as especulações internas relativas ao preço começaram. Meu primeiro pensamento: R$ 450,00! Pensei mais um pouco, ponderei a alta do dólar, o preço pedido lá fora, o valor que vi os colegas de hobby vendendo ou informando o quanto pagaram, mas também pensei na importação em maiores quantidades da empresa, um valor aceitável que precisaria ser praticado e cheguei no número mágico: 380! Esse foi meu palpite e, modestamente, tenho um bom histórico de acertos, porque acompanho diariamente lançamentos, vendedores nacionais, lojas estrangeiras e mercado paralelo. Em alguns casos, como As Lendas de Andor ou Race for the Galaxy, acertei na mosca, em outros fiquei na faixa dos dez por cento para mais ou para menos.

      Ao saber do preço de R$ 399,90 achei um valor bem aceitável. Eu não compraria, inicialmente, esta edição em 2014, fui de zero à sessenta jogos em nove meses, poderia dar uma aliviada no cartão de crédito, mas ao estar disponível em território nacional, sem o risco de esperar sabe-se lá quanto para chegar e com a certeza de ser taxado em quase oitenta por cento, resido em Santa Catarina e é quase nessa faixa que pagamos os tributos, não pensei duas vezes. Como fiz esta conta várias vezes ontem, não custa refazê-la aqui para os nobilíssimos leitores de nosso blog. Peguemos o valor do jogo lá fora, sessenta dólares. E estou pegando barato. Frete de cinquenta dólares, não vale diluir com outros jogos, dólar na faixa de R$ 2,50 e já temos aí R$ 275,00. Maravilha, mais de cem reais mais barato do que a Galápagos. Não sei vocês, mas nos últimos meses fui tributado em TODAS as minhas compras internacionais. TODAS! Meus exemplos favoritos são R$ 241,00 em uma caixa com Bruges e Suburbia e R$ 103,00 em um pacote com duas caixinhas de sleeves Dragon Shield e a expansão Suburcia Inc. Voltando à Ticket to Ride, vamos às taxas catarinenses, 77% para ser mais exato, e temos o valor de R$ 486,75. Como estou no clima de Black Friday, não basta ter colocado um preço baixo no jogo, no frete e no dólar, vou arredondar para 450!!! O Lukita tá louco, só hoje, mega feirão de jogos! Deu, calma, Lukita. Foco!

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      Belíssimos componentes e tabuleiro gigante.

      Isto posto, paguei feliz pelos 399,90 no site da Galápagos Jogos. Estando já no Brasil, parcelando, sem ficar na expectativa de se perder mundo afora… Aí alguém pergunta “e o frete que você não incluiu?” e educadamente, apresento o cálculo acima e mesmo com o frete nacional estou na vantagem. E isso porque esqueci de dizer que a Galápagos é uma empresa, visa, pois, ao lucro e deve estar ganhando seus dez, vinte ou cinquenta reais em cima de cada unidade. Informação a qual não tenho acesso e não mudaria minha decisão. Não obstante, o inquisidor muda o tom da conversa e diz que não vale a pena pagar isso por um jogo que já existe em versão nacional muito mais barato. Gosto, neste caso, de apimentar, dizendo que já tenho tanto o jogo quanto a expansão que o acompanha!

      O que vale e o que não vale? Todo o debate gira em torno da valoração pessoal que atribuímos a certo bem ou produto. Não mais discutirei o caso específico de comprar aqui versus trazer de fora, matematicamente está provado qual o mais vantajoso. Repito, estou falando deste caso, desta edição. Se você não entendeu ou aceitou os valores acima, sugiro que assista a algumas aulinhas do Telecurso qualquer grau.

      Agora, se você está incomodado com o que este item representa e o quanto estou disposto a oferecer por ele, seu problema é muito mais sério. Estamos entrando uma esfera íntima de controle e juízo que pode passar por questões financeiras, políticas, sexuais ou religiosas. Ofender alguém que se propõe a pagar os quatrocentos reais deste Ticket to Ride está no mesmo nível de ignorância de humilhar alguém que votou no candidato A ou B nas eleições passadas ou menosprezar o modo de elevação espiritual alheio. Se você quer justificar a falência de todo um sistema por causa disso é mais sério ainda, pois além da visão deturpada, sua proposta é catequizar sua doutrina. Mas não vamos ampliar demais este texto. Voltemos à mesa de jogo.

      Quanto vale um Terra Mystica? (Confira nosso review aqui) O segundo jogo no ranking da BoardGameGeek e o melhor do mundo na minha opinião. Não estou falando do papelão, madeira, arte, design, impressão, transporte, lucro. Estou falando da experiência em estudá-lo, jogá-lo, rejogá-lo, analisá-lo, comentá-lo. Parece um cálculo muito mais complexo, não? De fato, não vamos calcular o inquantificável, a vida é muito curta para sequer tentarmos isso. Até porque para os ameritrashers fanáticos e exclusivos, este valor é minúsculo. Quanto vale um StarCraft: The Board Game, um dos mais caros no mercado paralelo? Agora estamos falando em oferta e demanda, escassez do produto. Em material gasto e lucro somados ele está muito além disso. Tem gente que compra? Certamente, senão não estaria neste valor. Ele é burro por isso? Não!

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      Esse é encontrado facilmente na casa dos mil reais.

      Os jogos de tabuleiro vem subindo de preço nos últimos anos, isto é fato. Os custos de produção aumentaram, mas a demanda também aumentou. Estamos em um dos hobbys do momento. Em três anos, talvez, boa parte dos que hoje estão ao redor das mesas de jogo estejam fazendo e consumindo outra coisa. As empresas sabem disso e estão tentando aproveitar a boa fase lançando muito e em pouco tempo. Todas as áreas fazem isso. Ou você acha que o preço do peru aumenta em dezembro por quê? Ou que existem dezenas de tipos e sabores de panetones quando há anos atrás, com consumo menor, havia dois ou três?

      Claro que os especialistas board gamers da torre de marfim não querem que o hobby se popularize. Imagine o grande sábio que só joga coisas em alemão sendo cercado pelos pré-púberes fãs de Zombicide ou alguém jogando Dominion em Português? Blasfêmia! Amigos, sou fanático por música clássica, ópera em especial, sei o que é lidar com o pedantismo de muitos nos fóruns da vida e sei reconhecer quando ele se manifesta. Junte a isso aquela pequena parcela de aumento no valor dos jogos pelo aumento da demanda e os guardiões da sapiência lúdica ficam realmente fulos com os novos jogadores.

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      Latinhas para os trenzinhos: os “idiota pira”!

      Percebam que o bombardeio vem de dois flancos. Os novatos que não conhecem o mercado criticam os idiotas como eu que pagam “caro” pelo Ticket to Ride, inflacionando o mercado, e os anciões da mesa de jogo que vêem em outros novatos, eu de novo, por estar retornando ao hobby após quinze anos, motivo do aumento de preços. Ou seja, a culpa é toda minha. Se eu aposentar os meeples, o mercado volta ao normal! Uau! Acabei de perceber isso. Ou não? Afinal, sou idiota, burro…

      Paguei 400 reais no Ticket to Ride ontem e, pasmém, achei bom o preço e isso é problema meu. Tenho mais jogos do que consigo jogar e isso é problema meu. Continuo comprando mais jogos e isso é problema meu. Tenho alguns que nem abri ainda e isso é problema meu. Mas sabem o que alguns fiscais da vida alheia têm mais do que eu? Eles têm mais de se…!

      NOTA: As opiniões dos autores da seção Analysis Paralysis são pessoais e não refletem, necessariamente, a opinião dos demais colaboradores do site.

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        pic1356616_lgTerra Mystica é um jogo de estratégia no qual cada jogador representa uma raça em um cenário de fantasia visando ao máximo desenvolvimento possível de sua espécie, expandindo seus domínios através de diversos tipos de construções. No entanto, cada um dos catorze povos só pode construir em terrenos propícios a sua natureza, o que nem sempre é simples, já que neste mundo fictício os mais diversos relevos e vegetações encontram-se lado a lado, em um verdadeiro mosaico geográfico.

        Enquanto os Nômades só conseguem habitar nos desertos, os Anões vivem nas montanhas e os Alquimistas preferem os Pântanos, para citar alguns exemplos. Através da manipulação dos terrenos vizinhos para transformá-los no habitat natal de cada raça, no processo chamado de terraformação, a expansão torna-se possível e sua raça pode glorificar-se perante as demais!

        Pareço estar falando de um típico jogo de fantasia medieval, afinal raças míticas, poderes mágicos e dominação são elementos comuns aos famosos ameritrashes! Contudo, Terra Mystica é um jogo do estilo euro com todas as características que o definem, pontos de vitória, interação baixa entre jogadores, muita estratégia, nenhuma sorte e dezenas de pecinhas de madeira!

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        Mecânica:
        – Construção de redes
        – Poderes variáveis dos jogadores

        A cada turno o jogador tem oito ações disponíveis que podem ser realizadas em qualquer ordem e quantas vezes forem desejadas ou possíveis. A oitava ação, passar e ser o primeiro jogador, de fato, só pode ser feita uma vez por motivos óbvios. Vejamos brevemente o que as outras sete permitem.

        A primeira delas é o fundamento temático de Terra Mystica, transformar (um terreno) e construir uma habitação (dwelling). Para terraformar um espaço para o tipo natural de sua raça, o jogador precisa verificar o quão diferente é o terreno alvo em relação ao seu em uma roda onde todos os tipos estão separados por pás de distância. Para os Cultistas transformarem um deserto em planície, sua terra natural que fica no topo do círculo, precisam de um nível de escavação, simbolizado por uma pá entre estes dois. Se quiser, no entanto, transformar uma floresta em planície, tarefa muito mais trabalhosa, necessitará de três pás, o que exigirá o triplo de trabalhadores. Após terraformado, o jogador poderá, tendo os recursos necessários, construir uma habitação, impedindo que o terreno seja modificado novamente. Após construir, não há nada que os adversários possam fazer para retirar suas instalações. Não há confronto direto, lembram?

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        Tabuleiro de jogo dos Cultistas: planície no topo da roda de terrenos

        Avançar na trilha de navegação é outra ação possível. Melhorar a navegação significa que os hexágonos com água passam a não ser barreiras para determinar a adjacência de suas construções, fundamental para quem almeja ter o maior território. Quanto maior a habilidade em navegar, maior a quantidade de hexágonos de água desconsiderados, o que pode ser uma boa saída para construções distantes. Você pode ter a maior expansão no tabuleiro e seus adversários nem perceberem!

        Como terceira possibilidade temos diminuir a taxa de troca de trabalhadores por pás. Quanto mais favorável a taxa, menos trabalhadores serão necessários para cada pá exigida na terraformação. Economizar trabalhadores é importante, pois são necessários para construir suas estruturas.

        Falando em estruturas, a quarta ação é promover melhorias nelas. Habitações transformam-se em centros de comércio. A partir destes, podemos ter a fortaleza ou os templos. Dos templos podemos chegar ao santuário. A construção da fortaleza, símbolo máximo estrutural de cada raça, libera o poder especial dela, conferindo benefícios exclusivos, um dos maiores fatores de assimetria no jogo. As construções religiosas agradam aos deuses que conferem bônus pela dedicação e fé de seu povo. Os centros de comércios são importantes por serem o pré-requisito para as demais construções e por liberarem dinheiro e poder mágico a cada início de rodada. O interessante é que quando construídos ao lado de estruturas de outras raças custam menos do que quando feitos isoladamente. Outro ponto temático em Terra Mystica: as raças não são inimigas, elas valorizam a vizinhança e até celebram quando novas estruturas são feitas.

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        Trilhas de Cultos

        Como quinta possibilidade, o jogador pode enviar um sacerdote para a ordem de um culto. Os cultos são dos elementos terra, água, ar e fogo e ficam em um mini tabuleiro separado. Cada raça começa a partida com progressos distintos em cada um deles e quanto mais avançados ao longo do jogo recebem benefícios como trabalhadores, dinheiro, pás, outros sacerdotes etc. Conferem ao final, pontuações generosas, fiquem atentos a estes cultos.

        A sexta e sétima ações, ações de poder e ações especiais têm a mesma natureza e comentarei as duas juntamente. Uma das grandes qualidades de Terra Mystica é a quantidade absurda de maneiras de se obter o que é necessário. Precisa urgentemente de trabalhadores? Utilize seu poder mágico para invocá-los! Quer melhorar sua navegação, mas não tem um clérigo de plantão? Consiga um bônus ao início da rodada. Pontes, dinheiro, trabalhadores, pontuação extra, quase tudo pode ser obtido através destas ações. É através de uma ação especial que as raças se diferenciam ainda mais após construir suas fortalezas. As Feiticeiras podem se movimentar para qualquer parte do mapa, os Gigantes podem transformar qualquer terreno em montanhas pelo mesmo custo fixo, os nômades criam poderosas tempestades de areia que transformam tudo em deserto.

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        (Foto On Board)

        Apesar desta imensidão de opções o tempo de espera é curto, pois você não executa todas as ações de uma vez. Imaginemos uma partida entre Halflings, Anões e Nômades. Os Halflings escolhem começar a partida com uma ação transformar e construir. Após terraformar e colocar uma habitação é a vez do próximo jogador. Os Nômades executam a ação dois para melhorar sua navegação. Vez dos Anões que escolhem a ação um também. Halflings novamente. Se quiserem e puderem, podem realizar a ação um novamente. Direi mais uma vez, as mesmas ações podem ser feitas inúmeras vezes e em qualquer ordem. Somente após todos os jogadores passarem que se encerra a primeira rodada. Em Terra Mystica, os termos rodada e turno são diferentes do uso comum.

        Já comentei que ao final da rodada ainda temos os bônus específicos de cada uma delas? E que são aleatórios? Não, não comentei. Aliás, apesar das dezenas de linhas já escritas aqui tentando dar uma visão geral do jogo, muito ainda não foi dito, por exemplo, sobre o sistema muito interessante do ciclo de poder mágico, das cartas de rodada, da construção de cidades, do sistema de pontuação que premia quase tudo que é feito na partida, da pontuação específica das rodadas, das diversas habilidades das raças, dos favores diferentes dos deuses, do sistema de conversão de sacerdotes, trabalhadores e dinheiro, do sacrifício de poder…

        Considerações finais:
        O amigo leitor deve estar pensando que Terra Mystica é muito complexo, com curva alta de aprendizado. Eis seu ponto crucial. O limite entre um jogo muito bom e uma obra-prima encontra-se nos detalhes. Apesar da explicação inicial tomar um bom tempo dados os inúmeros fatores, ele tem uma certa simplicidade auxiliado pela excepcional iconografia e elegância das informações. Não há texto, tudo é visual e muito bem representado. Em instantes, os novatos no jogo já sabem o que boa parte dos símbolos representa e conseguem deduzir os demais. Conseguir isto com esta quantidade de opções e variáveis em jogo é um feito digno de destaque. Sua complexidade está nas inúmeras escolhas, o que pode literalmente travar jogadores menos estratégicos. As rodadas tendem a ser longas quando todos tentam extrair casa recurso, cada caminho.

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        (Foto On Board)

        Também não adianta vir com estratégia muito pronta para a mesa. Dependendo da facção escolhida, seu jogo mudará completamente. É comum nos fóruns criticarem que as raças são desbalanceadas. Vejo que existem algumas mais fáceis de jogar e outras que de tão alternativas, exigem uma compreensão maior das minúcias e possibilidades. Só o fato de termos catorze povos em um jogo para até cinco participantes já permitiria uma rejogabilidade imensa. Some ainda as cartas bônus que diferem a cada partida, as pontuações extras de rodada que são diferentes e aleatórias, a posição inicial das habitações! Minha formação em Matemática faz querer calcular todas as combinações possíveis.

        Como pequena ressalva, já que resolveram incrementar a temática com raças e um mundo em transformação, poderíamos ter mais informações sobre a ambientação, além das pouquíssimas notas no manual e da página de introdução. Neste momento sou eu tentando procurar defeitos!

        Terra Mystica é um clássico moderno que merece ser desfrutado dezenas de vezes para se perceber sua grandiosidade. Apesar de não ser indicado geralmente para jogadores iniciantes, não vejo muito problema para pessoas que gostam de planejamento e estratégia. É, contudo, escolha certa para board gamers mais experientes independente de suas predileções ou não por jogos euro.

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        (Foto On Board)
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        (Foto On Board)
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        (Foto On Board)
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        (Foto On Board)

        Pontos positivos:
        – Rejogabilidade altíssima
        – Iconografia extremamente elegante e funcional
        – Componentes belíssimos
        – Inúmeras estratégias e possibilidades a cada rodada
        – Apesar de tantas opções, sua jogabilidade é fluida

        Pontos negativos:
        – A pontuação vinda dos cultos é um pouco exagerada, parecendo ser um jogo distinto do principal
        – Pode amedrontar as mentes menos estratégicas

        Ficha Técnica:
        Jogadores: 2 a 5
        Idade: a partir de 12 anos
        Duração: 120 minutos
        Tipo: caixa básica
        Fabricante/Desenvolvedora: Z-Man Games/Funbox Jogos (no Brasil)
        Idioma: Inglês/Francês
        Preço Médio: R$ 320,00

         

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