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Trilha Sonora

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    O mundo no qual Scythe é ambientado, uma era pós Grande Guerra no leste europeu com nações em torno do centro tecnólogico conhecido como a Fábrica, pode levar a uma escolha musical não muito adequada. Se você viu os grandes mechs nas imagens ao fundo das situações campestres da arte de Jakub Rozalski e saiu correndo em busca daquele som pauleira, perceberá, ao longo da partida, que o ritmo de jogo ficará lá atrás se comparado a uma trilha que invoque combate.

    Desde a primeira imagem que vi deste jogo há dois anos atrás, um conjunto de obras musicais invadiu meu pensamento instantaneamente, aliás, quando isso acontece tenho a tendência de achar que estou no caminho certo. Estou falando dos quartetos de cordas do compositor húngaro do início do século XX, Bela Bartók.

    Por que Bartók? Porque sempre tento localizar o local e o tempo do universo dos jogos com algum autor que se enquadre em ambas as características, como já falei em diversas matérias desta seção. Este compositor produziu na época de Scythe e nasceu no leste europeu, apesar de não termos, no jogo, uma nação fictícia inspirada em sua terra natal, algo estranhamente rebatizado como Hungária, por exemplo. Bartók inspirou-se em formas musicais folclóricas, dando uma pitada mais rural em sua excelente produção erudita. Além disso, adoro colocar música clássica quando posso. Se consegui com que centenas de partidas de Eldritch Horror pelo Brasil fossem climatizadas com o maluco Ligeti, Bartók será moleza!

    Por que quartetos de cordas? A música sinfônica e de concerto de Bartók está entre as melhores páginas da música erudita do século passado, mas é agora que entra a percepção do clima do jogo. Scythe não é sobre combate. Eles ocorrem, certamente, mas é a ameaça do combate que permeia cada rodada. É se armar para garantir a segurança de seus territórios. Em boa parte do tempo, você estará, na verdade, gerenciamento suas ações e recursos, maximizando tudo, em busca do turno mais eficiente possível. Para tal, não vamos usar o clima percussivo das orquestrações de Bartók. A melancolia da sonoridade da formação camerística dos quartetos, pontuada lá e cá com a utilização frequente de acordes e uso de novas técnicas de execução dos instrumentos dará o clima de tensão na medida certa, sem exageros. O balanço final sonora é uma certa tristeza, que é o que percebo ao olhar as imagens do jogo.

    cover170x170Álbum: Bartók: The String Quartets (Emerson String Quartet)
    [link para o álbum]

    Minha referência de leitura destas peças é o quarteto Emerson. Comprei este CD duplo em 1996 (!) e até hoje é a minha versão favorita, em uma execução repleta de drama e fidelidade à escrita bartokiana.

    Hora de ouvir alguns trechos, não?

    Comecemos do começo, o primeiro movimento do Quarteto número 1 em lá menor. Estas são as primeiras notas que me vem à memória ao olhar a caixa de Scythe. Virou minha música tema.

    OUÇA UM TRECHO DO PRIMEIRO MOVIMENTO DO QUARTETO DE CORDAS Nº 1 DE BARTÓK:

    O clima bucólico, levemente tenso, reflete exatamente o que buscamos. Mais uma?

    O compositor conterrâneo de Bartók, Zoltán Kodály, pensava no segundo quarteto de Bartók como episódios da vida. Separei um  trecho do segundo movimento, Allegro molto capriccioso, para exemplificar que mesmo nos momentos mais alegres, não temos nada muito sofisticado. Aqui notamos até uma certa festividade rústica nos desenhos rítmicos.

    OUÇA UM TRECHO DO SEGUNDO MOVIMENTO DO QUARTETO DE CORDAS Nº 2 DE BARTÓK:

    Para fechar estas pequenas amostras musicais, vamos para o último movimento do sexto quarteto, as últimas páginas escritas por Bartók na Hungria e sob impacto do  falecimento de sua mãe. Todas as partes começavam com a marcação Mesto, triste.  Reflete bem a desolação e impotência de certas situações de impasse na partida!

    OUÇA UM TRECHO DO QUARTO MOVIMENTO DO QUARTETO DE CORDAS Nº 6 DE BARTÓK:

    Como sempre, já deixei a playlist prontinha no Spotify, ouçam no modo aleatório que servirá muito bem!

    Abraços analógicos!

    PLAYLIST SELECIONADA:

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      BLOOD RAGE

      Invadir, pilhar, batalhar, destruir, morrer em combate. Atividades do dia a dia de um feroz guerreiro viking. Bom, talvez morrer não faça parte da rotina por motivos óbvios, por isso a morte de um guerreiro viking deve ser um feito em sua vida, a apoteose de sua breve história, coberta pela glória no campo de batalha.

      É nesse cenário fatalista que se passa Blood Rage, onde guiar seus guerreiros para a morte gloriosa e no momento certo é elemento estratégico fundamental. Em meio ao caos de saques e incursões às aldeias, o fim do mundo se aproxima, o Ragnarok! Existe algo melhor do que o sangue inimigo pingando da lâmina de seu machado e o urro de feras inimigináveis enquanto os deuses assistem ao ocaso do mundo mortal de sua morada celestial? Particularmente, prefiro milk shake! E se de lá de cima, a Cavalgada das Valquírias ecoa nos salões do Valhalla, aqui embaixo, na mesa de jogo, precisamos da trilha sonora certa para nossas sessões de Blood Rage!

      Meu primeiro pensamento quando tomei conhecimento da existência desde jogo, foi usar a trilha sonora da série Vikings e, apesar de admirar o trabalho do compositor Trevor Jones, a instrumentação moderninha empregada aqui não é que queremos nas partidas. Vamos, pois, procurar nos videogames mais uma vez.

      Separei dois álbuns que, misturados e no modo aleatório, como sempre sugiro, renderão boa variação nos temas executados, mas com o clima mais próximo da narrativa do jogo. Então, prepare seu hidromel, afie suas lâminas e que Odin não espere demais por nós. Vamos ouvir alguns exemplos!

      Álbum: War of the Vikings Sountrack
      [link para o álbum]

      War of the Vikings é um jogo de ação lançado em 2013, no qual o jogador controla um único personagem. Batalhas sangrentas e vicerais são comuns nesta franquia e a trilha sonora vem a calhar. Adoraria dar créditos ao compositor, mas a Paradox Interactive assinou a autoria.

      O álbum já começa com uma faixa sobre um terror que vem do mar. Serpente Marinha, dracar? Seja o que for, as percussões dão o ritmo da batalha a de tensão, pontuadas pelos corais genéricos de clima épico, mas apropriados para nossa imersão.

      OUÇA UM TRECHO DE TERROR FROM THE SEA:

      As figuras corais e rítmicas estão por todo o álbum, uma presença de influência  gaulesa é notada em Halls of Glory.

      OUÇA UM TRECHO DE HALLS OF GLORY:

      Hail to the Fallen (esses nomes estão cada vez melhores) apresenta o tema frequente do disco, algo que aprecio para dar uma lembrança melódica do jogo, boa para os momentos de escolha das cartas!

      OUÇA UM TRECHO DE HAIL TO THE FALLEN:

      Álbum: Viking: Battle For Asgard (Original Soundtrack)
      [link para o álbum]

      Viking: Battle for Asgard é um esmaga botão lançado em 2008. Merece minha atenção pela trilha de sonora de Richard Beddow e Simon Ravin, dos quais já utilizo partituras para jogos como Ikusa, Commands & Colors Napoleonics e Commands & Colors Ancients. Gosto do estilo deles e sabem trabalhar com o tipo de jogo que precisamos aqui. Hora dos exemplos!

      Percussão para o tema é inevitável e neste álbum temos aos montes, mas encontramos aqui cores mais escuras e um excelente uso dos metais.

      OUÇA UM TRECHO DE ENEMY TERRITORY PART 1:

      Some os metais e percussão acima com o estilo coral do primeiro álbum? Clichê? Óbvio, mas trilha sonora nem sempre tem espaço para roubar a cena. Em nosso caso, dá um senso de coesão entre os dois disos, até porque vamos usar a playlist no modo aleatório.

      OUÇA UM TRECHO DE HEL’S FORTRESS BATTLE:

      Como sempre, deixei a lista prontinha abaixo, ouça no modo aleatório e que o brilho dos olhos azuis de uma valquíria carregando seu corpo para a eternidade seja sua última lembrança.

      PLAYLIST SELECIONADA:

      Abraços analógicos.

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        DEAD OF WINTER

        Os zumbis nascem diferentes. Claro, segundos depois a fome por cérebros os tornam todos iguais.  Por serem os mortos-vivos deste gênero tão semelhantes e previsíveis, a mídia em geral também não se esforçou muito em diferenciá-los. Achar um produto, seja livro, filme, série, quadrinho, jogo que se destaque pela qualidade, em meio a esta horda maldita, é mais difícil do que encontrar cérebro fresco.

        Mas vamos focar nos jogos de tabuleiro, por isso você chegou aqui, certo? Jogos com zumbis! Uma mina infindável de dinheiro popularizada pela franquia Zombicide. Ao mesmo tempo responsável pelo sucesso e pela ira ao gênero.  Dead of Winter, contudo, tem tanta lógica em ser comparado com Zombicide, assim como os motivos de um corinthiano que não quer comer salada apenas porque é verde.

        Sempre falo em exercícios que você deve fazer para escolher a trilha certa. Tanto que, das mais de oitenta opções que você encontra neste site, a minha mais polêmica é, justamente, a trilha para Zombicide. Porque neste caso, usei uma análise similar a que farei aqui: não pense no tema, pense no clima do jogo. Zumbis nos dois casos, mas Zombicide é maluco, caótico, pop, Tarantino. Dead of Winter é triste, de uma melancolia deprimente, paranóico, claustrofóbico. O clima dita a música. Neste caso, aquela trilha “tensa” que você tanto insiste em querer colocar em jogos de zumbis até serve. Mas tenho coisa melhor.

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        Vamos buscar nas diversas mídias, pedindo auxílio aos compositores que já refletiram sobre o tema e, para fixar, sobre o clima. Encontramos boas trilhas em jogos, filmes, séries e nossa trilha de hoje vem de jogo. Quando temos um vencedor, duas vezes de Oscar, não tem para ninguém!

        cover170x170Álbum: The Last of Us (Video Game Soundtrack)
        [link para o álbum]

        Gustavo Santaolalla levou o Oscar de melhor trilha sonora em dois anos consecutivos (Brokeback Mountain e Babel) e assinou as sonoridades de The Last of Us, sucesso absoluto de público, crítica e vendas para os consoles PlayStation.

        O argentino oferece aqui uma paleta sonora perfeita, repito, perfeita para Dead of Winter. Poucos instrumentos por faixa, ritmos lentos, um cenário vazio e deveras triste. Lembra Ry Cooder na trilha de Paris, Texas, algumas vezes.

        Chega de papo e vamos ouvir algumas faixas.

        Na minha ideia usual de termos uma música tema para o jogo, que tal a faixa de abertura, The Quarantine Zone? É pegar a caixa e tocar a música na sua cabeça.

        OUÇA UM TRECHO DE THE QUARANTINE ZONE:

        Dead of Winter não é um jogo sobre zumbis, mas sim sobre a crise do senso de comunidade ante uma situação limite. Aí reside sua tristeza. O conceito de humanidade é testado a cada rodada, a escolha entre o pessoal e o de todos. Para os momentos de reflexão ou da percepção inevitável da crise social gerada pelo apocalipse, que tal essa?

        OUÇA UM TRECHO DE THE CHOICE:

        Santaolalla deixa os momentos mais tensos nos sons percussivos, nada de acordes dissonantes clichês que se ouvem às dúzias nos filmes e jogos de terror.

        OUÇA UM TRECHO DE BY ANY MEANS:

        Na playlist selecionada abaixo, coloquei também o volume 2 de The Last of Us que conta com a participação de outros nomes, mas formam um conjunto sonoro muito coeso para nossas seções de Dead of Winter. Como sempre, ouça a lista no modo aleatório.

        PLAYLIST SELECIONADA:

        Abraços analógicos.

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          SB STONE AGE

          Como arrumar uma trilha sonora para um jogo ambientado quase dez mil anos antes de Cristo? Foi a pergunta que me fiz quando comprei meu Stone Age um tempinho atrás. Afinal, uma de minhas técnicas iniciais quando busco a ambientação musical ideal é perguntar quando o jogo se passa e aí, lascou a pedra!

          Procurei filmes, jogos, músicas tribais, nada servia. Muita instrumentação moderna e até a música tribal não parecia prestar, pois se havia instrumentos na época, não soariam como os tambores bem afinados das gravações que se encontram por aí! Tudo bem, sei que até flauta do período feita com osso de abutre já foi achada em sítios arqueológicos, mas daí a ter algo no Spotify é pedir demais!

          Mas a mente do Lukita aqui não descansou enquanto não resolveu o problema do silêncio em Stone Age e foi daí que veio a epifania! Antes de mostrar a trilha em si, vejamos algumas lições com os mestres de duas artes distintas, Beethoven e Hitchcock.

          Ouçamos, de Beethoven, os primeiros instantes de sua sinfonia nº 3, a Eroica, assim mesmo sem “h”.

          Que impacto, heim? Começar com dois acordes de mi bemol maior na cara da sociedade em 1805, ano de sua estreia. Pensem no choque na época! Se fosse vocês até ouviria novamente.

          Mas Beethoven foi ainda mais longe na mesma sinfonia. Confira:

          Desta vez são seis acordes em sforzando, ou seja, com ênfase, com força repentina! SEIS!!! E esse acento súbito dá um ar de minúsculos intervalos, um pulso. Essa diferença de acentos fornece um vigor incrível a estes compassos, parecem até pausas! Beethoven era o mestre absoluto das pausas, do uso do silêncio e das mudanças de dinâmica. Ah! A gravação que usei é uma bem recente com o maestro queridinho Gustavo Dudamel, se quiserem ouvir é esta aqui.

          Hora do cinema! Assista a um trecho de Sabotador, filme de 1942 do gênio Alfred Hitchcock. A antológica cena na Estátua da Liberdade.

          Percebeu aonde quero chegar? Ouviram a música na cena? Não havia! Em uma época do cinema na qual havia música de fundo o tempo todo, Hitchcock teve a sacada brilhante de que nada seria mais assustador e agoniante do que o barulho do vento, dos navios lá embaixo… Simples e genial!

          O que isso tudo tem a ver com a Idade da Pedra? Para que melhor do que sons da época? Sonoridades que tenho certeza de que haviam? Vamos ouvir um trecho do que estou falando:

          Sons da natureza apenas! Pássaros, vento, chuva, riacho, insetos. E vocês não fazem ideia como cai bem com o jogo. É relaxante e fornece a ambientação ideal! Já utilizei este recurso em outros jogos. Para Friday, por exemplo, você não quer nada além do vento e das ondas. Prefiro, claro, ter música, minha maior paixão, mas respeito e sei valorizar sua ausência!

          Desta vez, neste artigo, não postarei várias faixas, pois são todas no mesmo estilo, com pequenas variações. Preparei uma playlist de mais de seis horas, boa parte das faixas tem mais de uma hora de duração cada. Deixem de fundo e curtam as partidas.

          O que aprendemos, pois, na seção de hoje? Que, às vezes, o efeito musical mais poderoso é a ausência de música!

          NOTA: confira nosso review de Stone Age aqui.

          PLAYLIST SELECIONADA:

          Abraços analógicos!

          BATMAN STONE AGE

            por -

            Uma de minhas maiores alegrias neste hobby é pesquisar a trilha sonora ideal para cada jogo. Quem já acompanha esta minha missão aqui neste site, nos primeiros episódios do podcast Meeple Maniacs e em meu perfil no Spotify, sabe que não jogo sem a ambientação sonora perfeita. Até se quiserem saber mais sobre este tema recomendo ouvir o episódio 12 do podcast Zero Bits.

            A lista foi crescendo, crescendo e, atendendo a muitos pedidos, eis uma compilação de algumas trilhas que escolhi para jogos de tabuleiro. Mais de oitenta títulos! Que fique claro, utilizo trilhas em todos os meus jogos, no entanto, nem todas as minhas opções musicais estão disponíveis no Spotify, por isso, em raríssimas exceções coloquei links para o YouTube ou iTunes Store e muitas outras não estão nesta lista. As que tiveram matéria publicada na seção Sound Board estão com os links para os respectivos textos, pois prefiro que vocês leiam e entendam os motivos de cada escolha com mais minúcias. Em todo caso, para cada jogo, fiz uma brevíssima descrição das escolhas ou da pesquisa. Esta lista será atualizada com frequência, portanto, fiquem de olho de vez em quando!

            Lembrem-se: ouçam sempre no aleatório e na repetição e deixem com um volume baixo, a trilha é apenas o acompanhamento do jogo. Tento sempre fornecer uma quantidade de músicas compatível com o tempo médio de cada jogo para que nenhuma faixa se repita mais do que duas vezes. Um último aviso: as que estão marcadas como [EM BREVE] estarão disponíveis em breve mesmo!

            Desejo ótimas sessões para todos, com o fundo musical apropriado, obviamente! Agora é só escolher seu jogo favorito e clicar no nome para ir para a lista correspondente.

            Abraços analógicos!

            7 Wonders Muita música grega, afinal boa parte das maravilhas estavam em terras de domínio heleno!

            Abyss Um dos jogos que pedem mais ambiência do que melodias. Bastante sintetizadores com efeitos aquáticos.

            A Batalha dos Cinco Exércitos Se é jogo inspirado em filme, não tem erro. Trilha sonora original com alguns cortes de faixas aqui e ali.

            A Distant Plain Uma mistura de música regional afegã e hits americanos da época, representando o que os soldados ouviam em suas horas de folga ou até mesmo nos helicópteros e tanques.

            Agricola Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            Alchemists Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            Alien Frontiers Ambientação espacial abusando dos sintetizadores.

            Android: Netrunner Cyber música, pancadarias eletrônicas, com uma pegada mais corporativista e leve toque oriental. Tem para todos os gostos neste futuro distópico altamente tecnológico.

            Antike Músicas para instrumentos típicos da antiguidade representando Roma, Egito, Grécia, Império Otomano.

            Arkham Horror Se tem Cthulhu, é o compositor húngaro György Ligeti e não discuto!

            Around the World in 80 Days Trilha sonora da deliciosa adaptação para os cinemas de 1956 com o querido Cantinflas e o fabuloso David Niven!

            Bang! Esse jogo é western spaghetti total, afinal temos “fura legge” e a empresa é italiana. Falou neste gênero, só poderia usar o mestre Morricone.

            BattleCON [EM BREVE]

            Battle Cry Hinos, marchas militares e músicas populares da época da Guerra Civil americana com bandas marciais, banjo ou arranjos mais intimistas.

            Blood Rage Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            Bora Bora Cânticos nativos da ilha de Bora Bora.

            Boss Monster Clássicos dos videogames de outrora, só poderia ser…

            Bruxelles 1893 Compositores eruditos franceses impressionistas do período art nouveau.

            Caçadores da Galáxia Música para robozão! Trilhas de Transformers e, a melhor de todas que não tem a ver com robôs, Battleship.

            Camel Up Festinha egípcia animada.

            The Castles of Burgundy Música medieval francesa e região, distinta das trilhas usadas em outros jogos.

            Churchill Para dar um ar tenso e sofisticado, escolhi quartetos de cordas do inglês Benjamin Britten, do americano Charles Ives e do russo Dmitri Shostakovich, todos contemporâneos aos eventos do jogo, obviamente.

            CO2 Trilha sonora do documentário An Inconvenient Truth – A Global Warning que caiu muito bem!

            Commands & Colors: Napoleonics Trilha sonora do jogo para computador Total War: Napoleon.

            Cosmic Encounter Um dos meus queridinhos, o compositor Gulan em mais um de seus cenários cósmicos eletrônicos!

            CV Não poderei deixar de ser The Sims!

            Cyclades Fúria de Titãs, 300, Imortais, só porrada grega! Entenda o motivo aqui.

            Deus Músicas em homenagem aos deuses gregos.

            Dixit Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            Eldritch Horror Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            Elder Sign Ligeti!

            Euphoria Muita música dos anos 30 e 40, no melhor clima feliz e inocente e contemporâneas à Admirável Mundo Novo.

            Fire in the Lake Músicas famosas da época da guerra do Vietnã e músicas regionais. E, claro, tem The End do The Doors!

            Five Tribes Como é difícil achar música árabe tradicional sem misturebas!

            Flash Point Trilha sonora de Call of Duty Modern Warfare. Entenda o motivo aqui.

            Forbidden Stars Trilhas dos jogos Space Marines e Dawn of War II, ambos do universo 40K. #ForTheEmperor 

            Fresco Imagino o ensaio na igreja enquanto as obras seguem. Missas de Palestrina, compositor italiano do século VXI.

            Friday Sons de ondas, vento e mais nada. Estavam esperando que o Robinson Crusoé ouvisse o quê? Fagner?

            Fury of Dracula A antológica trilha do polonês Wojciech Kilar para o Dracula de Coppola e a partitura de Ramin “Game of Thrones” Djawadi para Dracula Untold.

            Game of Thrones Board Game/LCG Trilha da série, não poderia ser outra. Mas já retirei as músicas moderninhas que tinham aqui e ali.

            Gears of War Trilha sonora dos jogos da franquia! Nice!

            Giants Música nativa da Ilha de Páscoa.

            Gunrunners Missão Impossível antigona, por Lalo Schifrin ganha de qualquer versão moderninha!

            Ikusa Trilha de Shogun 2 Total War, porque aqui é pancadaria no Japão feudal.

            Istanbul Música tradicional turca.

            Jester Música medieval festiva!

            Kanban Músicas dos menus e telas de customização da franquia Forza.

            Kemet Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            Keyflower Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            King of Tokyo Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            Kingsburg A dupla Brandon e Derek Fiechter produz música de fantasia medieval genérica, mas com certa qualidade.

            Lanterns Instrumentações tradicionais japoneses em clima tranquilo.

            Lord of the Rings LCG Abençoada seja a batuta de Howard Shore!

            Lords of Vegas [EM BREVE]

            Lords of Waterdeep Mais música da dupla Brandon e Derek Fiechter, desta vez para estalagens e tavernas, clima perfeito para contratar heróis, não?

            Love Letter Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            Madeira A luta por prestígio na nobreza portuguesa? Músicas para guitarra portuguesa do século XVIII. Mesmo após o período do jogo, a sonoridade e o clima são ideais.

            Mansions of Madness Mais Ligeti!

            Mare Nostrum Músicas para instrumentos típicos da antiguidade representando Roma, Egito, Grécia, Império Otomano.

            Memoir 44, Caixa Básica Trilha selecionada de alguns Medal of Honor, os antigões, com Michael Giacchino. Um dos altos momentos da música para jogos eletrônicos.

            Memoir 44 Expansões [EM BREVE]

            Mexica Música tradicional azteca! Dá de se teletransportar mentalmente para essa época sem gastar pontos de ação.

            Mice and Mystics Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            Notre Dame [EM BREVE]

            Pandemic/Pandemic Legacy Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            Pergamon Música tradiconal turca, local da cidade de Pergamon.

            Power Grid Quando vejo a capa de Power Grid, penso em imensas salas de controle com dezenas de monitores de tubo, com aqueles fundos pretos e caracteres em verde. Para tal, Jean-Michel Jarre!

            Puerto Rico Música para vihuela de compositores espanhóis do século XVI. Entenda o motivo aqui.

            Quartz Existe música para anões? Sei lá, mas esta foi feita pensando nisso!

            Quissama Capoeira, Ernesto Nazareth e Villa-Lobos! Não é sempre que dá de usar isso como trilha!

            Race for the Galaxy O compositor Gulan em um de seus melhores momentos espaciais. Entenda o motivo aqui.

            Railways of the World (mapa americano) Aqui eu imagino as novas linhas sendo inauguradas ao som das animadas bandas marciais tocando clássicos americanos.

            Renaissance Man Como não dá de saber direito como seria o som de uma viola organista, instrumento imaginado por Leonardo, esse álbum apresenta obras na ideia.

            Russian Railroads Mestres eruditos russos do Clube dos Cinco. Adoro todos!!! Coisas que Alexandre III ouviria na época do jogo.

            Saint Petersburg Peças sinfônicas leves do compositor russo Mikhail Glinka para ficarmos na época na qual se passa o jogo.

            Sentinels of the Multiverse Tem coisa mais apropriada do que as trilhas de Avengers?

            Smash Up Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            Splendor Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            Star Trek Fleet Captains Muita, mas muita, mas muita música de Star Trek. Séries, filmes, games! A fronteira final musical para este jogo.

            Star Wars Rebellion Os climas mais dramáticos da trilogia original. Comece com a primeira faixa e parta para o modo aleatório.

            Steampunk Rally Os rags para piano de Scott Joplin. Climão cinema mudo total para imaginar as engenhocas caindo aos pedaços pela pista.

            Stone Age Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            Suburbia Sim City, o original, sem as músicas de desgraça!

            Summoner Wars O excelente compositor Inon Sur na trilha de Rift: Harmony of the Planes. Deixei só as pancadas.

            Survive: Escape from Atlantis! Tubarão? Adoraria! Mas acho que um filme classe Z casa melhor!

            Terra Mystica Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            The Gallerist Musiquinha de sofá, lounge music, aquele jazz meio aguado, meio bacaninha metido, que casa muito bem com clima de galeria de arte. 

            The Resistance Um dos primeiros jogos para o saudoso Xbox 360, Perfect Dark Zero e seu climão de espionagem futurístico.

            The Voyages of Marco Polo A trilha, com faixas selecionadas, da série Marco Polo, além de peças distintas com sabor medieval e oriental, em um mosaico bem condizente com as aventuras do mercador italiano.

            Thunder Alley Redneck, folks! Caipira chic ou de raiz da gringa! Várias dessas tocam em transmissões da NASCAR.

            Thunderbolt Apache Leader Apesar do filme se passar na Somália e o jogo, não, é impossível jogar algo de helicópteros e não pensar em Black Hawk Down.

            Ticket to Ride Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

            Ticket to Ride Europe Músicas tradicionais da França, Alemanha, Suíça, Itália, Rússia… todas em um clima bistrô bacaninha.

            Tiny Epic Galaxies [EM BREVE]

            Tokaido Instrumentações tradicionais japoneses em clima tranquilo.

            Tournay Compositores do século XII, porque antes disso apenas música vocal. Utilizei os mesmos compositores de Troyes, para reforçar ainda mais o clima, mas com músicas diferentes.

            Tzolk’in Música tradicional maia, que é muito mais difícil de encontrar do que parece!

            Troyes Compositores franceses do século XII. Machaut e Dufay, basicamente. Difícil achar música não vocal neste período.

            Tsuro Instrumentações tradicionais japoneses em clima tranquilo.

            Twiligh Imperium Muito Mass Effect, porque se bobear a playlist acaba e o jogo segue!

            Twilight Struggle [EM BREVE]

            Via Appia Músicas no clima da Roma antiga! Prepare a toga!

            Village O som de grupos atuais que fazem música no estilo medieval, já que Village não tem local definido. 

            Vinhos A guitarra portuguesa tradicional, ora pois!

            War of the Ring Músicas da trilogia, sem Enya e de alguns videogames baseados na franquia!

            Zombicide Saiba mais no artigo sobre este jogo clicando no link.

              por -

              Como definir Dixit? Como um mero party game, simplesmente colocando-o ao lado de The Resistance ou Bang? Isso não passaria sua verdadeira experiência. Estes dois últimos jogos são muito agitados, frenéticos ou, até mesmo, tensos. Associamos os jogos de festa com regras simples, comportando grupos grandes e muita diversão. Claro, Dixit possui todas estas características, mas ele tem algo mais. Um algo difícil de definir, por mexer com muitos sentimentos e abrir um verdadeiro baú emocional e sensorial.

              Lembram quando, em outra coluna desta seção, falei que Love Letter é um jogo triste? Gosto de buscar entrelinhas ou releituras nos jogos e, para mim, Dixit é um jogo melancólico, introspectivo. Não estou negando as risadas e tiradas à mesa, elas acontecem, inevitavelmente. Mas dentro de minha mente sempre ocorre um jogo paralelo, uma experiência quase onírica ou psicodélica. Uma grande borracha imaginária apagando as linhas lógicas e pragmáticas do dia a dia. Dixit é um portal para um mundo mais bonito, louco, inocente, confuso, perturbador, poético…

              cover170x170Álbum: Spirited Away (Original Soundtrack)
              [link para o álbum]

              Como refletir essa miríade de impressões musicalmente? Desde que vi Dixit pela primeira vez, pensei em obras como a animação A Viagem de Chihiro. Esta dispensa apresentações, um clássico do gênero que tomou o mundo em 2001 com a exata proposta que considero que Dixit tem, retirar-nos do mundo real, colocando-nos em um outra realidade com os adjetivos que enumerei acima.

              Dixit para mim é A Viagem de Chihiro e o compositor Joe Hisaishi, responsável pela sua trilha sonora, fornece o clima perfeito para nossas sessões de jogo. Vamos experimentar alguns trechos:

              OUÇA UM TRECHO DA FAIXA ONE SUMMER’S DAY:

              A saga fantástica da pequena Chihiro entrando no novo mundo mágico serve como fundo para nossa própria aventura no universo de sonhos de Dixit.

              OUÇA UM TRECHO DA FAIXA THE SIXTH STATION:

              Infelizmente, o álbum com a trilha sonora original não está disponível no Spotify, apenas algumas faixas em uma gravação ao vivo de um concerto de Hisaishi.

              cover170x170 (1)Álbum: Kikujiro (Soundtrack from the Motion Picture)
              [link para o álbum]

              O compositor japonês tem um estilo melódico muito forte e peculiar e podemos senti-lo em uma outra trilha sua, desta vez, a do filme Kikujiro que, apesar de ser inspirado na própria história do pai do cineasta Takeshi Kitano, oferece, em meio ao clima triste, encontros inusitados e uma certa paz de espírito. Consegue ser tão adequada quanto a trilha de Chihiro para o que precisamos!

              A faixa de abertura, Summer, é uma forte candidata, inclusive, à música tema de Dixit. O que acham?

              OUÇA UM TRECHO DA FAIXA SUMMER:

              O álbum transborda sentimento e emoção. Tome melancolia na próxima faixa:

              A trilha de Kikujiro está disponível no Spotify, montei uma seleção com ela, trechos de A Viagem de Chihiro, de O Castelo Animado, reunindo os esforços de Hisaishi e Kitano, dentre outras peças do compositor. Minha trilha oficial é Chihiro, Castelo e Kikujiro, comprados na iTunes Store, mas se você quiser se servir da playlist do Spotify não ficará muito atrás em qualidade e adequação a nossa ideia! Não esqueça de ouvir no modo aleatório!

              NOTA: confira nosso review de Dixit aqui.

              PLAYLIST SELECIONADA:

              Abraços analógicos!

              BATMA DIXIT

              NOTA: apresentarei sempre os álbuns com links para a iTunes Store por questão pessoal.

                por -

                SB SPLENDOR

                Splendor chegando no Brasil é sinal que estará presente em muitas e muitas mesas. Como sempre, a polícia musical do On Board vem garantir o clima da sessão de jogo com a trilha sonora ideal.

                Muitos criticam Splendor por ser um jogo tematicamente fraco, eu mesmo falei sobre isso em meu review aqui. Convenhamos, se formos julgar alguns títulos clássicos por adequação ou força temática, o ranking do boardgamegeek sofreria um colapso. Não vamos esquecer que TODO jogo é abstrato, em graus diferentes, obviamente. Eu gosto de jogos abstratos que vêm disfarçados com tema ou pelo menos com uma pretensão de tema. Penso em Abyss e Viceroy como dois jogos recentes que se enquadrariam aqui.

                Bom, casquinha ou não, em Splendor trabalhamos na produção de jóias, desde a mineração, passando pela800px-George_Frideric_Handel_by_Balthasar_Denner lapidação e design das peças, até o efetivo transporte e comercialização. Tudo muito caro e chique. Os amigos sabem que minha primeira escolha para trilha é perguntar onde e quando a ação do jogo se passa. Estamos na Europa e, pelos trajes, algo em torno do século XV, XVI, ou seja, música renascentista seria a primeira escolha. O problema é que a grande parte dos jogos de tabuleiro se passa neste período e não queremos cansar nossos ouvidos, mas o problema maior é que a música da época não passa a sensação de sofisticação necessária.

                Avançaremos, pois, alguns anos, rumo ao barroco com a figura de Georg Friedrich “Aleluia” Händel. Nascido na Alemanha e radicalizado inglês é um dos nomes mais conhecidos desta escola musical ao lado de Johann Sebastian Bach e Antonio Vivaldi. Escreveu toneladas de peças, entre óperas, oratórios, concertos, cantatas…

                cover170x170Álbum: Handel: Concerti Grossi, Op. 6, Nos. 1-12
                [link para o álbum]

                Os Concerti Grossi foram escritos como interlúdios para as apresentações de seus oratórios. São peças para formação camerística pequena e ao ouvirmos alguns compassos já dá de sentir o cheiro da peruca branca e das meias até os joelhos. Fornece, pois, um clima de nobreza e aristocracia.

                Imagino a nobreza assistindo à estreia de alguma peça de Händel e, durante os intervalos, sendo visitada pelos nossos mercadores de jóias de Splendor com seus “catálogos” debaixo do braço, ao som dos Concerti Grossi de fundo. Pense naquelas vendedoras de biju na sala dos professores do colégio. Opa! Só acontece comigo? Desculpe!

                OUÇA UM TRECHO DO CONCERTO GROSSO EM SOL MAIOR, OP. 6, Nº 1, HWV 319, II – ALLEGRO:

                Outra, sou fã de Händel, meu compositor barroco favorito, e não quis desperdiçar a chance de usá-lo já que, como disse, nem sempre é fácil encaixar o barroco em trilhas para jogos. Vamos ouvir mais um trecho?

                OUÇA UM TRECHO DO CONCERTO GROSSO EM RÉ MAIOR, OP. 6, Nº 5, HWV 323, V – ALLEGRO:

                Mesmo anos distante, basta ouvir o trecho acima e olhar algumas cartas do jogo para perceber a adequação.

                Existem muitas gravações dos Concerti Grossi por aí, esta que escolhi não é tão renomada, mas muito honesta e correta na execução e contém os doze concertos. Dei preferência a ela, pois é comum que Splendor seja jogado com três, quatro partidas em sequência e não quero que os mesmos trechos sejam repetidos a cada sessão. Para finalizar, digo que minhas playlists devem sempre ser ouvidas no modo aleatório, o TOC aqui não permite isso desta vez, pois são movimentos distintos de um mesmo concerto. Vocês, no entanto, ouçam como preferir, claro!

                PLAYLIST SELECIONADA:

                Abraços analógicos!

                batman

                  por -

                  sb alchemists

                  Olho de sapo, cauda de escorpião, raiz de mandrágora… Basta mexer sem parar até atingir uma cor verde musgo viscosa! Perfeito! Mas parece que falta alguma coisa… Deixe-me ver! Pétalas de lótus? Hmmm! Não! Pena de corvo? Também não! Ah! Claro! Música!

                  Bem-vindos ao Sound Board de hoje com dicas para Alquimistas [confira nosso review aqui], o mais novo lançamento da DEVIR que esquentará muitos caldeirões pelo Brasil. Para não entornar o caldo, separei aquela playlist que transformará o vazio sonoro de sua sessão em ouro musical!

                  Qual foi a fórmula para selecionar as músicas desta vez? Bom, o jogo se passa em um cenário de fantasia, existem criaturas fantásticas, poderes alquímicos (mágicos), aventureiros em busca de poções quase miraculosas. Desta vez, contudo, não estamos na linha de frente de batalhas ou aventuras gloriosas, mas do lado solitário dos estudiosos da alquimia, pesquisando elementos, formulando teorias e publicando seus achados.

                  Como de costume, precisamos captar o clima proposto pelo jogo. Um laboratório alquímico poderia ser o cenário de experiências soturnas, com um clima pesado, talvez até com nosso incauto mestre com marcas físicas permanentes de fórmulas mal sucedidas, algo como um cientista maluco. No entanto, basta olhar para a caixa e para os componentes. A belíssima arte de David Cochard (Dungeon Petz, Dungeon Lords, Genoa) tem um dose de humor considerável para levar para longe as nuvens carregadas de urucubaca!

                  E é por isso que descartei minha primeira candidata, as trilhas sonoras de Harry Potter. Não sou fã da franquia do bruxinho, mas tem muita música boa lá. O problema é que grande parte das faixas, e isso aumenta com o desenrolar das tramas, vai ficando cada vez mais e mais tensa e com isso reduzimos demais a quantidade de músicas úteis para o clima que precisamos.

                  cover170x170Álbum: Trine (Original Soundtrack)
                  [link para o álbum]

                  Mais uma vez, busquei auxílio nos videogames, em uma franquia ambientada em um cenário de fantasia medieval, mas com instrumentação leve e colorida. Em Trine, jogo lançado para diversas plataformas em 2009, o jogador controla três personagens, um guerreiro, uma ladra e um mago. Ladinos tendem a gerar músicas discretas e condizentes com os momentos de dedução almejado. Magos, por motivos óbvios, aproximam-se demais do papel desempenhado pelos jogadores em uma partida de Alquimistas. Guerreiros são acompanhados por grandes impactos sonoros e mudanças de dinâmicas longe do que queremos. Estas já foram retiradas da playlist. Mas a vantagem de Trine é que ele não é apenas um jogo de ação, seus elementos plataforma e resolução de quebra-cabeças é que favorecem o tipo de instrumentação que comentei acima.

                  Chega de retórica e vamos à música, afinal é por isso que você está aqui. Os leitores constantes desta coluna sabem que gosto de músicas temas para o jogo da vez, ainda mais quando este tema aparece com variações ao longo da obra completa. Nossa música tema para Alquimistas será a faixa Astral Academy que abre o álbum da trilha sonora do jogo eletrônico.

                  OUÇA UM TRECHO DA FAIXA ASTRAL ACADEMY:

                  O nome já é bom, mas a instrumentação com os pizzicati (quando as cordas dos violinos, violoncelos etc. são beliscadas com os dedos em vez de friccionadas com o arco) dão um clima leve, bem humorado, suave o bastante para uma tarde de experimentações ao lado do caldeirão. O tema principal executado no glockenspiel (um tipo de xilofone mais agudo) reforça ainda mais o caráter mágico da peça. Ouça o trecho novamente olhando para a arte da caixa. Basta isso para perceber a adequação! Acabamos de criar uma poção musical positiva!

                  Gosto muito também do toque do cravo (antepassado do piano) que aparece por todo álbum. A faixa Dragon Graveyard serve para coçar o longo cavanhaque branco amarelado dos vapores alquímicos enquanto você risca as impossibilidades no formulário de deduções.

                  OUÇA UM TRECHO DA FAIXA DRAGON GRAVEYARD:

                  O cravo, o glockenspiel e os pizzicati serão elementos constantes na instrumentação. Mesmo sendo, obviamente, versões sampleadas e não de instrumentos captados na hora, esta constância de timbres dará um senso de unidade a suas sessões de jogo.

                  Alchemists é um jogo que exige muito raciocínio e os momentos de introspecção são necessários. Para quando o toque cômico não for preciso, a faixa Waltz of the Perished com seu belo tema executado na flauta e depois no violoncelo relaxam a mente para você realizar os ajustes finais em sua teoria a ser publicada em breve.

                  OUÇA UM TRECHO DA FAIXA WALTZ OF THE PERISHED:

                  cover170x170 (1)

                  Álbum: Trine 2 Soundtrack Special Edition
                  [link para o álbum]

                  Trine é uma trilogia e gerou três discos excelentes. Coloquei na playlist abaixo músicas de Trine e de Trine 2. Como é bom quando a batuta fica na mão do mesmo compositor. Tudo que falei acima continua valendo, você reconhecerá os instrumentos que comentei ao longo da seleção. Vamos ouvir do segundo álbum a encantadora Thieves Guild, com o mesmo clima de antes, destacando a marcação do fagote, instrumento que falei na dica de trilha para Masmorra de Dados no segundo episódio do programa Meeple Maniacs e uma tênue linha vocal feminina.

                  OUÇA UM TRECHO DA FAIXA THIEVES GUILD:

                  Caros amigos transmutadores, espero que tenham gostado e, lembrando, deixem a playlist no modo aleatório e na repetição, mas comecem por Astral Academy. E não saiam correndo pelados pelas ruas da cidade que o guarda não acreditará que foi efeito de alguma poção esdrúxula.

                  PLAYLIST SELECIONADA:

                  Abraços analógicos.

                  batman alc

                  NOTA: apresentarei sempre os álbuns com links para a iTunes Store por questão pessoal.

                    por -

                    SB SU

                    Os leitores habituais da sessão Sound Board conhecem alguns dos princípios que utilizo na hora de escolher a trilha sonora adequada para um jogo. Penso na época ou local em que se passa, no clima gerado durante as partidas, no personagem principal, às vezes até mesmo um pouco de cada coisa. Escolher a música certa virou parte da diversão que tenho com este hobby, assim como conhecer mais sobre a história do universo em que os jogos se situam. Deixo o convite para lerem meu artigo sobre esta última questão em O Jogo Por Fora da Caixa. Voltemos à música.

                    De quando em vez, algum jogo propõe um desafio musical maior do que o costumeiro, por falta de referências ou, no caso deste artigo, pelo excesso delas! E Smash Up [confira nosso review aqui] enquadra-se no excesso. Como escolher uma trilha para um jogo com zumbis, ninjas, robôs, alienígenas, duendes, piratas, dinossauros e magos? E que ainda é jogado misturando essa galera?

                    Desde o começo já descartei a chance de encontrar algo com tanta representatividade. Pensei, pois, em filmes ou jogos eletrônicos que usassem misturas de alguns conceitos e cujas trilhas sonoras inspirassem aventura e diversão. Afinal, em Smash Up travamos disputas acirradas pelas bases, mas sempre com bom humor.

                    cover170x170

                    Álbum: Psychonauts (Original Soundtrack)
                    [link para o álbum]

                    Uma excelente candidata é a trilha sonora de Psychonauts composta por Peter McConnell, para o jogo digital lançado para Xbox e PlayStation 2 em 2005, um estrondoso sucesso de crítica, mas que amargou poucas vendas, mesmo tendo uma legião de fãs. Hoje é um dos jogos cult do mercado. Psychonauts conta a saga de Raz, um garoto com poderes psíquicos que foge do circo entrando secretamente em um acampamento destinado a treinar jovens com habilidades semelhantes para que se tornem os psiconautas do título, espiões com poderes mentais. Durante a aventura, Raz entra na mente dos candidatos para ajudá-los a resolverem seus medos, fornecendo ao jogo uma mistura de estilo plataforma, aventura, quebra-cabeças, mas com boa história e humor.

                    Mas nada disso serviria se a música não fosse apropriada. Vamos ouvir algumas amostras?

                    Vocês sabem que gosto de uma música tema para o jogo e o faixa de abertura do álbum fornece o clima ideal. É cômico, com orquestração colorida, imprimindo um senso de correria e confusão:

                    OUÇA UM TRECHO DA FAIXA THE MEAT CIRCUS:

                    Nem só de bagunça vive Smash Up, pelo contrário, você precisará de muita inspiração para formar os combos e surpreender seus oponentes, então músicas no estilo espionagem, para passos sorrateiros e infiltrações inesperadas nas bases são bem-vindas.

                    O trecho abaixo, com harmônica e guitarras com trêmolo faz o serviço, um blues de soslaio:

                    OUÇA UM TRECHO DA FAIXA WHISPERING ROCK:

                    Repetindo, Smash Up é mais sobre subterfúgio e surpresas do que porradaria explícita o tempo todo. Ou você não percebe a cara de espanto do amiguinho a cada nova carta que você coloca na mesa? Vamos, pois, ouvir mais uma nessa linha, desta vez com um leve toque sci-fi. Os robôs e alienígenas agradecem!

                    OUÇA UM TRECHO DA FAIXA THE MILKMAN CONSPIRACY:

                    Foi lançado ainda um outro álbum contendo as músicas das cutscenes e um remix do tema principal, boa pedida para termos mais variação em nossa playlist. Você encontra este álbum aqui. Falando em playlist, vocês sabem que quando a minha escolha principal está disponível no Spotify, faço o favor de já deixa-lá prontinha para ouvir! Como todas as demais trilhas que organizo, ouça-a no modo aleatório e com o repeat ligado.

                    PLAYLIST SELECIONADA:

                    Abraços analógicos!

                    batman su

                      por -

                      SOUND TERRA

                      Vocês sabem, amo Terra Mystica! Sabem, não? Pela sua elegância, rejogabilidade, extrema dose estratégica, suas facções tão diferentes que dão sabores diversos a cada partida e tantos outros motivos. Entretanto, não rasgarei a seda nesta seção, já fiz isso em meu review [confira aqui] neste site.

                      Costumo também dizer que ele se enquadra em uma categoria muito restrita que entitulei carinhosamente de “euro cogumelo”, em homenagem ao seu estilo tradicional dos jogos europeus, o “euro”, aliado à viagem tresloucada de sua ambientação, o “cogumelo”, daqueles que fazem ver gnomos, percebe? Outro bom exemplar recente de “euro cogumelo” é Helios, onde cultistas do sol ou de um sol em um planeta fictício elevam construções e adoram o astro maior, influenciando, inclusive seu movimento. What? Tem um orégano forte rolando na Europa ultimamente.

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                      Foto On Board

                      No nosso querido Terra Mystica, diversas raças e facções, muitas delas tradicionais dos cenários de fantasia medieval, convivem harmoniosamente entre si. Sim, pois até quando algum barraco se instala abruptamente no terreno almejado por algum vizinho, há celebração. Nada de matanças ou batalhas épicas. O máximo que você faz é frustrar os planos alheios passando o trator místico no espaço desejado. Quer um exemplo de boa vizinhança? Os gigantes constroem do nada uma habitação, acabando com a floresta que lá estava e todo mundo no entorno comemora. Sério, gente! Tem tóxico rolando nisso aí!

                      É com este torpor mental e estado contínuo de harmonia e felicidade que fui buscar inspiração na trilha para ele. Antes de anunciar a música ideal, permita-me explicitar uma questão técnica. Sempre tento colocar as dicas de trilha sonora publicadas aqui ou na minha coluna no programa Meeple Maniacs com playlists do Spotify para facilitar a vida dos amigos ouvintes. Uso trilha em todos os meus jogos, mas nem tudo existe no Spotify. Desta vez, não encontrei nem no Spotify e nem na iTunes Store que tem um acervo assustador de títulos. Teremos de apelar para o YouTube. Atenho-me também ao Spotify e à iTunes Store por questões legais e jamais compartilharei links para músicas disponibilizadas ilegalmente. Como o que descreverei a seguir foi criado e distribuído pelo autor da obra, estamos prontos para continuar.

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                      Foto On Board

                      Música de meditação, healing music, chakra music, zen music, tigelas tibetanas, ruído branco, spa music, música de massagem, flautas, sinos, sons da natureza… alguns dos rótulos e tipos de músicas e instrumentos que se encontram por aí quando procuramos por músicas tranquilas. Não vou discutir a eficácia curativa disso tudo, nem o status ontológico do chakra ou da energia ki, por exemplo. Meu Mestrado em Filosofia e meu ateísmo não fariam um juízo muito favorável. Ater-me-ei às questões musicais resumindo sem frescuras: TEM MUITO LIXO! Tentei achar álbuns no clima exato do que pretendia no Spotify e após ouvir algumas dezenas (sim, dezenas!), desisti e fiquei com minha escolha original. O que tem de música pouco inspirada e repetitiva é irritante! Para não falar nos ruídos da natureza. Não aguento mais barulho de água corrente. Tive até problemas diuréticos enquanto fazia esta pesquisa. E olha que gosto destes efeitos para a proposta certa (mais sobre isso em um Sound Board futuro). Alguns discos até eram bons, mas muito característicos de alguma região ou com sonoridade muito moderna. Não vão achar que minha trilha escolhida é um primor de criatividade e musicalidade, serve, contudo, muito bem ao meu propósito.

                      Mas afinal, o que separei?

                      OUÇA UM TRECHO DE 6 HOUR RELAXING MEDITATION MUSIC POR YELLOW BRICK CINEMA:

                      O canal do YouTube, YellowBrickCinema, é dedicado a esse tipo de música que descrevi acima, tanto que o nome da peça é “6 Hour Relaxing Meditation Music: Tibetan Music, Shamanic Healing Music, Relax ☯647”. Holy crap! Tem até Yin e Yang no nome e um 647 que não faço ideia do que seja. Orégano… só pode!

                      Bom, a vantagem aqui é que a música é muito discreta, excelente para não tirar a atenção do jogo, e mesmo com um tom oriental levemente preponderante (Tibetan, heim?), poderia misturar-se facilmente com outras regiões do planeta ou até mesmo outras eras. Ideal para Terra Mystica já que não se tem informação quase alguma sobre o mundo em que se passa. É tudo muito vago, quase nebuloso. Outro ponto positivo: por ter seis horas ininterruptas (!) de quase a mesma coisa, não troca de clima ao mudar de faixa, já que a peça não tem faixas, problema encontrado em todos os álbuns que ouvi. Deste modo, transmite um fluxo musical contínuo e recorrente, com a repetição inspirando o estado contemplativo e uma percepção holística da realidade e aquém dela. Caramba, o cheiro do orégano está chegando aqui!

                      Não recomendo ouvir estas seis horas na sequência, dá vontade de se jogar da janela e olha que moro no térreo. Mas como ambiência discreta, contínua e mística é uma das melhores opções para curtir seu jogo proporcionando um clima misterioso e tranquilo que combina com a proposta desta obra-prima.

                      Você confere a peça completa abaixo.

                      Abraços analógicos.

                      slap terra

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