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Última Fortaleza

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    hmboxSeres repugnantes, asquerosos, impiedosos avançam em direção ao nosso refúgio derradeiro. Estes malditos humanos (como?), elfos (opa!) e anões (calma lá) não medem esforços para aniquilar nossa existência. Monstros? Depende da perspectiva moral de quem vê. Afinal, todos lutamos pela sobrevivência, não?

    Ambientado no universo de Última Fortaleza, no qual os “monstros” tradicionais são os protagonistas e os “mocinhos” usuais da fantasia são aqui os vilões, Heróis & Monstros é um jogo cooperativo de construção de baralho que utiliza a premissa básica do jogo Última Fortaleza. Hordas de humanos, elfos e anões, a Ordem da Luz, avançam inexoravelmente em direção ao último ponto da resistência dos Imortais, Peles Verdes e Draconianos que tiverem de esquecer suas diferenças em nome da sobrevivência. É nesta mudança de perspectiva, na qual os “monstros” têm honra, afinal lutam pelos seus e os “mocinhos” querem trucidar o diferente, que se justifica a ambiguidade moral sugerida pelo autor. E se você conhecer ainda mais a ambientação deste mundo, sua torcida pelo time dos coisas ruins tenderá a aumentar.

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    Galera “sangue bom” reunida

    Mecânica:
    – Construção de baralho
    – Poderes variáveis dos jogadores

    Antes da partida começar, deve-se escolher um adversário dentre os seis disponíveis. Cada um deles terá instruções para o restante da preparação da sessão, como cartas a serem selecionadas, regras especiais e condições de vitória e derrota distintas. Os jogadores selecionam seus generais, cada um deles com atributos e habilidades próprias, além de uma configuração inicial de cartas. Aqui, os baralhos iniciais de cada um são diferentes, com recursos ou criaturas mudando conforme o general. Cada líder difere também na quantidade de cartas a serem compradas por turno e o tipo e quantidade de recursos: raiz, cristal de alma e sacrifício.

    Não entrarei nas minúcias do setup, mas é importante saber que a área central de jogo é formada por duas fileiras de construções e defensores, nossos aliados, e uma fileira superior com os invasores. Os mocinhos, digo, bandidos, ou melhor… A tal da ambiguidade moral, certo?

    Em seu turno, o jogador começa com a opção de recrutar ou construir. Após escolher uma das cartas das fileiras de construções e defensores e pagar seu custo em recursos, sejam com cartas de sua mão, recursos fornecidos por seu general ou uma combinação destas fontes.

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    Exemplo de unidade defensora

    Construções são colocadas diretamente na área de jogo pessoal e defensores recrutados vão para a pilha de descartes do jogador. Jogos de construção de baralho, os deck buildings, trabalham com este conceito de cada um ter seu baralho e sua pilha de descartes. A evolução do baralho com a compra de cartas melhores ao longo da partida e o aumento da eficiência do deck são as características básicas deste mecânica tão popular.

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    Exemplo de construção

    A próxima fase é a de ativação dos efeitos, sejam dos generais, construções, unidades. Utilizando os recursos que sobraram da fase anterior ou, em alguns casos, pagando com descarte de carta, ative o que desejar. Aí temos bônus de dano, compra de cartas extras ao final do turno, manipulação do baralho e todo tipo de opção que dá o sabor estratégico ao jogo. Planejamento e gerenciamento são as palavras de ordem aqui, ainda mais por ser cooperativo. Discuta e coordene suas ações para maximizar na próxima fase. Após isso, descarte sua mão por completo, até mesmo as cartas não usadas, compre uma nova mão conforme indica seu general e…

    Chegamos ao combate. Hora de calcular o dano provocado pelos generais, unidades e efeitos para distribuir na fileira dos invasores. Cada um destes tem níveis de dano e cada nível tem uma quantidade mínima a ser infligida. O anão Trovejante abaixo, por exemplo, tem quatro níveis de dano, digamos que ele precise de quatro golpes para cair. O primeiro necessita de cinco pontos de dano. O segundo, seis e por aí vai.

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    Exemplo de unidade invasora

    Após todos os jogadores passarem por todas estas fases é a hora da invasão! Cada invasor tem um nível de dano, similar as nossas unidades defensoras. Cada ponto de dano dos invasores sobreviventes remove uma das cartas abaixo deste. A questão é que se o baralho da Fortaleza, de onde vêm as unidades defensoras e as construções, acabar, os jogadores perdem. Esta é uma condição de derrota padrão, fora as fornecidas pelo adversário da sessão, lembram?

    Reponha novos invasores no campo de batalha e novas cartas no campo de construção e recrutamento e estamos prontos para a próxima rodada. Vale citar que muitas cartas têm efeitos especiais quando entram ou saem de jogo e muitas situações que modificam as regras. O que descrevi foi uma visão usual do turno.

    Considerações Finais:
    AMO deck buildings! Uma das mecânicas mais queridas do momento e que já gerou excelentes títulos. Heróis & Monstros apresenta alguns elementos de representantes famosos do gênero como Legendary: MARVEL e, principalmente, Shadowrun Crossfire, mas mistura tudo de maneira agradável e com um sabor final próprio. É um jogo extremamente apertado por lidar com uma mão de cartas pequena. Pena que quanto mais jogadores mais fácil fica o desafio. Para melhorar sua geração de recursos e danos você precisar recrutar e construir, ao fazer isso pode não conseguir ativar bônus de combate para eliminar invasores que destruirão cartas acelerando o final da partida. O momento certo de recrutar, construir, bater, tudo isso pensando no trabalho em equipe é o cerne do jogo. Entender a sinergia entre suas cartas e de seu grupo, além de analisar e perceber que cartas fundamentais para a estratégia adotada podem ser destruídas já no final desta rodada são fundamentais para o sucesso.

    Fichas metalizadas promocionais dos generais
    Fichas metalizadas promocionais dos generais

    Os diferentes atributos dos adversários e de seus generais garantem a rejogabilidade. Enfrentar Randall dos Ventos é diferente de batalhar contra Sidst. Mude seu líder e você precisará, também, repensar seus estratagemas.

    A arte é um assunto à parte. Fenomenal, como já era em a Última Fortaleza. É de ficar admirando dezenas delas, realmente padrão internacional. Mérito do time de quase duas dezenas de ilustradores. Imagens reaproveitadas? Sem problemas! Pergunte à Fantasy Flight Games, a maioral no assunto.

    Heróis & Monstros é um jogo simples de aprender, desafiador, bem projetado e com preço justo. Os pormenores ficam na apresentação com o material da caixa, não consigo gostar daquele papelão grosso, e com a impressão, por vezes escura demais, escondendo a excelência da arte e um pouco “grudenta” no acabamento. No entanto, não tiram o mérito do projeto como um todo. É o melhor jogo da empresa, justamente, por conseguir tanto com tão pouco.

    Vida longa aos monstros!

    NOTA: para saber mais sobre o jogo e para adquiri-lo, acesse http://www.kickante.com.br/campanhas/herois-monstros-cardgame-cooperativo

    Pontos positivos:
    – Seja o “monstro”!
    – Boa rejogabilidade
    – Desafiador, com decisões apertadas em todos os turnos
    – Arte fenomenal
    – Preço muito acessível

    Pontos negativos:
    – Algumas cartas escuras escondem detalhes da arte
    – Material da caixa
    – A evolução do baralho não é tão grande em algumas partida
    – Fica fácil acima de três jogadores

    Ficha Técnica:
    Jogadores: 2 a 5
    Idade: a partir de 12 anos
    Duração: 60 minutos
    Tipo: caixa básica
    Fabricante/Desenvolvedora: Kalango Analógico
    Idioma: Português
    Preço Médio: R$ 105,00

    ludopedia BGG

     

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      16911_10200234578099971_32951678_nRovaldo Banchieri fala sobre Runicardso grande projeto da Kalango Analógico, Última Fortaleza e mais na estreia de nossa seção de entrevistas, Meeple Talk.

      ON BOARD: É uma imensa alegria anunciar a estreia de uma nova seção em nosso tão recente blog. Na Meeple Talk teremos entrevistas com nomes do mundo dos jogos de mesa no Brasil e no mundo. Como primeiríssimo convidado, Rovalde Banchieri, criador do excelente Runicards e editor da Kalango Analógico que atualmente está com seus esforços voltados para os últimos detalhes e para o financiamento coletivo no Catarse de Última Fortaleza, jogo criado por Fabiano Saccol e que costumamos chamar de o maior jogo de tabuleiro do Brasil. Estou errado, Rovalde?

      ROVALDE BANCHIERI: É isso aí, Lucas! Vamos começar essa seção com GRANDE estilo e com um jogo GRANDE. (risos)

      ON BOARD: Vamos falar muito sobre Última Fortaleza, mas antes gostaria que você falasse um pouco para os leitores do On Board sobre sua experiência pessoal e profissional nos board games e sobre a proposta da Kalango Analógico.

      ROVALDE BANCHIERI: Eu sou um artista plástico formado pela UNESP, mas trabalho com propaganda e publicidade desde o segundo ano da faculdade (1997). Fundei a agência Studio BLOG em 2006 onde atendo clientes como a Johnson & Johnson, Wallmart, Sam’s Club e a editora Panini. Em 2013 criei a Kalango Analógico para poder dar suporte ao Runicards.

      Nos últimos 8 anos trabalhei junto a Panini desenvolvendo vários produtos como álbuns de figurinhas, revistas de atividades e quadrinhos. Como editor da Kalango Analógico estou lançando o jogo “Última Fortaleza” do designer Fabiano Saccol e até o final do ano devo editar outros dois jogos: “Steam Adventures” e “Spero“.
      Como projetista de jogos fui responsável pelo jogo “Pop-Up Fighters” encartado no álbum de figurinhas “UFC – Ultimate Fighting Championship” da Panini e pelo jogo Runicards da Kalango Analógico. Até o final de 2014 devo lançar outros dois jogos: “Runicards – Dungeons” e “Animus – Protetores das 4 Estações“.

      Se por jogar estiver valendo “RPG” eu jogo há mais de 20 anos (estou velho!) e comecei pelo “Dragon Quest” da lançado no Brasil pela Grow e pelo “Lobisomem – O Apocalipse” da White Wolf. Mas o interesse por jogos de tabuleiro veio em 2008 quando joguei “Arkham Horror” da Fantasy Flight! Foi uma experiência única e este jogo é, ainda hoje, um dos meus favoritos. Foi com o Arkham e com os jogos da Fantasy Flight que eu conheci os tabuleiros modernos e me apaixonei pelo setor.

      ON BOARD: Runicards foi um sucesso de financiamento. Ficou acima de sua expectativa no momento?

      ROVALDE BANCHIERI: Runicards foi lançado de forma tímida, tinha 200 cartas e viria numa caixinha tipo UNO. Mas conforme a proposta dele ganhava fãs e apoio, tanto da galera do tabuleiro quanto da de cards e RPG, o projeto cresceu e foi ganhando apoiadores dia após dia! A cada centavo que entrava a gente pensava em como melhorar o jogo e, no final, conseguimos lançar um card game com mais de 440 cartas, tabuleiro, caixa de luxo e com qualidade internacional! Foi uma aventura incrível! O “fenômeno Runicards” acordou um setor inteiro que estava meio dormente: o de criação de jogos analógicos independentes. Fora de grandes selos internacionais e sem nenhuma amarra criativa das grandes empresas, os projetistas encontraram no financiamento coletivo, e no Runicards, uma forma de poder lançar seus jogos e crescer junto com o apoio da galera.

      ON BOARD: A recepção do público quanto ao jogo em si foi excelente. O que poderemos esperar do modo Dungeons?

      ROVALDE BANCHIERI: Depois do final do financiamento coletivo de Runicards foi criado não apenas um jogo, mas uma comunidade de amigos que juntos serviram de fundação para a criação da Kalango Analógico. E, com essa galera, estaremos novamente juntos, dando o próximo passo nessa parceria. Essa expansão do jogo está sendo construída contando com a opinião e playtest de todos do grupo do Facebook e é um material que atende aos pedidos que vieram por e-mails, comentários e posts. É uma expansão que tornará Runicards mais desafiador, mais aberto e mais modular. Um jogo onde você poderá viver aventuras e explorar o mundo com seus heróis. Pela primeira vez em Runicards você irá explorar, sala a sala, cada pedaço do covil de seu oponente. Enfrentar armadilhas, novos monstros, encontrar arcas de tesouro e fontes de poder.

      ON BOARD: O processo de desenvolvimento junto ao público deve ser algo inédito. Parabéns pela iniciativa. Teremos mais novidades para Runicards em breve?

      ROVALDE BANCHIERI: Teremos sim! Ainda nesse primeiro semestre de 2014! Fiquem de olho nas redes sociais!

      ON BOARD: Vamos falar sobre A Úlltima Fortaleza. Como surgiu a ideia do jogo?

      ROVALDE BANCHIERI: Criado pela mente monstruosa do designer Fabiano Saccol, o projeto começou em uma aventura por fórum onde jogamos, em uma galera bem grande, um jogo narrativo criado pelo Fabiano. Nesse jogo o grupo decidia o destino de uma vila de anões que teve que se mudar do interior de uma montanha para o mundo aberto, perseguidos por uma horda de Orcs. Um dia o Fabiano me ligou e começamos a pensar numa forma de transformar o jogo do fórum em um tabuleiro. A ideia evolui, invertemos os papéis de monstro e heróis e agora você joga com monstros protegendo sua raça da extinção esmagando heróis entre suas garras e presas! No jogo você vai construir um império e viver uma saga épica no melhor estilo Age of Empires ou Starcraft! Se você procura uma experiência de tabuleiro que permita evoluir uma civilização de monstros em um cenário de fantasia único no gênero, esse é o jogo para você!

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      ON BOARD: Os quatro modos possíveis de jogo já surgiram no conceito original ou foram acrescentados aos poucos?

      ROVALDE BANCHIERI: Sim. Apenas o modo Combate que foi criado depois e adicionado ao pacote por ser muito legal!

      ON BOARD: Quanto tempo desde a concepção da ideia, até a formalização dos conteúdos, mecânica e design para um primeiro teste do sistema?

      ROVALDE BANCHIERI: Última Fortaleza começou a ser criado em maio de 2013, ainda com o nome provisório de “Êxodo”. Dali a arte e as versões de teste foram tomando forma e em Outubro tivemos nossa primeira partida Alpha. Nossa, foi um caminho longo!

      ON BOARD: As referências à Twilight Imperium, Eclipse, Race For the Galaxy, Agricola e outros são conhecidas. Como se deu esse processo de inspiração? Algum destes ou um outro jogo teve impacto mais forte na concepção inicial?

      ROVALDE BANCHIERI: Essa seria uma boa pergunta para o Fabiano Saccol, pois ele citou todos os jogos que você mencionou! O Fabiano, como ele mesmo gosta de falar, queria um jogo Euro com roupa de American.

      ON BOARD: Da época do financiamento de Runicards para Última Fortaleza, o que mudou no mercado de jogos de mesa no Brasil nestes meses?

      ROVALDE BANCHIERI: Muita coisa! A quantidade de plataformas (sites) de financiamento coletivo aumentaram, a tecnologia rodando atrás dessas plataformas cresceu e o público consumidor mudou de “apoiador” para “comprador”. Financiamento agora, por falta de esclarecimento, virou sinônimo de pré-venda para os compradores de jogos de tabuleiro e apenas uma minoria apoia um projeto com a ideia e a vontade de “apoiar”. Todos se tornaram mais exigentes, o público não quer mais só uma boa ideia, quer um produto de qualidade. E não estão totalmente errados.

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      Detalhe do tabuleiro de Última Fortaleza

      ON BOARD: Qual foi a maior dificuldade durante o processo todo, desde a criação do jogo, passando pelos testes, até o momento? Aliás, produzir um jogo desta magnitude e com esta quantidade imensa de componentes deve ter exigido um esforço extra em relação a custos. Foi difícil negociar valores? Não precisa entrar em detalhes. (risos)

      ROVALDE BANCHIERI: A divulgação até agora tem sido um bom desafio. Runicards era um jogo mais leve, com 200 cartas a gente podia despachar uma cópia para qualquer lugar do Brasil. Já com a Última Fortaleza a gente tem que investir uma grana alta (quase R$400) por protótipo e a caixa é gigante. Com pouca mobilidade em eventos e com partidas longas a divulgação correu bem mais lentamente do que a gente esperava.

      ON BOARD: Falando em componentes, você mesmo já comentou pela internet que algumas coisas em Última Fortaleza podem mudar até a versão final em novembro, como o símbolo de hambúrguer para Corpo. O que mais você pode adiantar de mudanças ou novidades em meio aos vários playtests. E o que podemos esperar quanto à qualidade do produto final?

      Seja um monstro!
      Seja um monstro!

      ROVALDE BANCHIERI: Queremos que toda habilidade vire um ícone, seria legal fazer algumas experiências para ver se a gente consegue libertar o jogo da dependência de idioma para poder abranger mais público internacional. O tabuleiro também deve evoluir, tanto na arte quanto no formato (talvez). A qualidade será a mesma de Runicards, o melhor que a gente conseguir.

      ON BOARD: Seja franco. Qual seu modo de jogo favorito em Última Fortaleza?

      ROVALDE BANCHIERI: (risos) Vai depender do dia. Adoro o modo Campanha, mas em eventos jogar no modo Combate é mais divertido pois em meia hora a gente rola umas 2 partidas por mesa!

      ON BOARD: Qual a tendência do mercado brasileiro na sua opinião? O que o brasileiro procura mais? Jogos familiares, eurogames, cards, ameritrash?

      ROVALDE BANCHIERI: Jogos bonitos. Se você tiver um jogo bom e feio do lado de um bonito e “passável” ele venderá mais. A gente ainda não tem uma cultura de jogos de tabuleiro pra poder fazer uma avaliação muito superiora a isso. Temos como, claro, avaliar nichos, como jogos mais populares em “eventos de anime” ou “grupos do Facebook”, mas isso não representa, nem de longe, o mercado brasileiro. Hoje já somos mais conhecidos, mas ainda somos um nicho na internet. Ter mil há 3 mil interessados nem arranha o público potencial do setor. A minha melhor experiência de vendas para refletir isso foi durante a Feira Medieval em Campinas. Nessa Feira Medieval a entrada era franca e o público alvo eram famílias que iriam para o evento conhecer comidas típicas e ver shows de malabarismos, pirofagia e lutas de justa. Não haviam muitos “nerds” lá, mas o público “geral” comprou 30 caixas de Runicards por dia! Eram pessoas que nunca tinham jogado RPG ou jogos de tabuleiro modernos, o mundo delas era baseado em Uno, War e Banco Imobiliário. A gente acha que por ter um produto popular na internet automaticamente, “todos” sabem sobre ele e isso está muito longe da verdade. Divulgação ainda é nosso maior desafio.

      ON BOARD: O que você acha do trabalho dos canais brasileiros de reviews e gameplays? Sente falta de alguma coisa neste campo?

      ROVALDE BANCHIERI: Sinto pena de não podermos, salvo raros casos, profissionalizar o setor mais rapidamente. Ia ser legal se a gente tivesse audiência tão boa nesses canais para que eles pudessem render lucro para seus desenvolvedores. Hoje é uma área motivada por paixão e não por lucro.

      ON BOARD: Alguma dica em especial para quem está querendo desenvolver seu próprio jogo?

      ROVALDE BANCHIERI: Não tenha medo de mostrar seu jogo, jogar ele em eventos e pedir opiniões. De cada caso que você já ouviu falar que “roubaram” uma ideia de alguém, você ouve falar de cem desenvolvedores que nunca saíram da frase “eu tenho uma ideia pra um jogo”. O medo é o maior cabresto criativo para o desenvolvedor iniciante. Não tenha medo de ser roubado, se os eu jogo não sai da sua mesa ele não existe. Não tenha medo de ouvir opiniões negativas, elas irão melhorar o seu jogo.

      ON BOARD: Para fechar, seu Top 5 pessoal de board games de todos os tempos.

      ROVALDE BANCHIERI: Sacanagem essa! Tem tantos… bom, vou excluir os jogos da Kalango e partir daí.
      01 – Arkham Horror: Foi minha primeira experiência com tabuleiros modernos. Está guardado em meu coração.
      02 – Dragon Quest: Tá bom, esse tá no limite com os jogos de interpretação. Mas foi o jogo que eu primeiro me dediquei de verdade, por anos.
      03 – Castle Ravenloft: O sucessor do Dragon Quest para os iniciantes da minha mesa!
      04 – Magic: The Gathering: Esse é cardgame, mas foi parte da minha infância, na 4ª edição do jogo, e influenciou muito meu design para jogos
      05 – Colonizadores de Catan: Por ter feito minha mãe e minha namorada jogarem tabuleiro e gostarem!

      Para saber mais sobre Última Fortaleza e contribuir no Catarse, visite: http://catarse.me/pt/ultimafortaleza
      Para saber mais sobre a Kalango Analógico, visite: http://kalangoanalogico.com.br

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