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Zombicide

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    ON TOOLS INFECTADOS

    Nova temporada de Zombicide chegando e a ansiedade crescendo na velocidade de um zumbi corredor. Que tal dar uma variada em suas aventuras zombicídas com nossa sugestão dos Infectados enquanto espera os novos lançamentos?

    A chegada da expansão Toxic City Mall trouxe a figura dos zumbiviventes que não foi bem vista por boa parte do público. Afinal, era uma versão bombada e que não trazia desvantagem quase nenhuma em deixar seu personagem ser morto.

    Apresentamos, pois, os Infectados, verdadeiras bombas relógio que andarão lado a lado com seu grupo, lutando em manter sua humanidade e levantando questões morais entre seus amigos.

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    A ideia aqui é que se um personagem for ferido por um zumbi ele está infectado e a cada turno irá piorando, progressivamente, até tornar-se uma versão zumbi mais letal do que seu novos amigos mortos-vivos. Existem, entanto, maneiras de retardar a transformação final. Retardar, repito, pois seu destino está fadado à fome pela carne humana! Neste pequeno manual estão as regras para utilizar os Infectados em suas partidas de Zombicide. Você precisará criar o baralho de Infecção ou utilizar a sugestão que demos no guia acima.

    Confira esta opção de jogo e comente como foram os resultados com seu grupo. Basta clicar nos links abaixo e salvar os arquivos PDF.

    Boa diversão!

    Infectados! Manual com as regras de jogo
    Deck de Infecção Cartas necessárias para montar o baralho de infecção

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      TTF

      Para quem não sabe, a Galápagos Jogos realizou neste dia 26 de novembro a pré-venda da edição do décimo aniversário de lançamento de Ticket to Ride. Uma versão estilosa, com caixa gigante, tabuleiro mais ainda, trenzinhos com esculturas distintas e coloridas, cartas com arte diferente, enfim, bastante frescura para quem, assim como este que escreve, ama o jogo. Ele não tem mecânicas ou regras novas, a expansão 1910 com novas opções de rotas até acompanha o produto, mas é o mesmíssimo Ticket to Ride que você deve conhecer.

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      Caixa da edição especial.

      O anúncio da Galápagos na World RPG Fest em Curitiba de que traria trezentas unidades desta edição para o Brasil foi uma das várias surpresas positivas de sua conferência. (Assista na íntegra aqui) Eu estava lá e na hora as especulações internas relativas ao preço começaram. Meu primeiro pensamento: R$ 450,00! Pensei mais um pouco, ponderei a alta do dólar, o preço pedido lá fora, o valor que vi os colegas de hobby vendendo ou informando o quanto pagaram, mas também pensei na importação em maiores quantidades da empresa, um valor aceitável que precisaria ser praticado e cheguei no número mágico: 380! Esse foi meu palpite e, modestamente, tenho um bom histórico de acertos, porque acompanho diariamente lançamentos, vendedores nacionais, lojas estrangeiras e mercado paralelo. Em alguns casos, como As Lendas de Andor ou Race for the Galaxy, acertei na mosca, em outros fiquei na faixa dos dez por cento para mais ou para menos.

      Ao saber do preço de R$ 399,90 achei um valor bem aceitável. Eu não compraria, inicialmente, esta edição em 2014, fui de zero à sessenta jogos em nove meses, poderia dar uma aliviada no cartão de crédito, mas ao estar disponível em território nacional, sem o risco de esperar sabe-se lá quanto para chegar e com a certeza de ser taxado em quase oitenta por cento, resido em Santa Catarina e é quase nessa faixa que pagamos os tributos, não pensei duas vezes. Como fiz esta conta várias vezes ontem, não custa refazê-la aqui para os nobilíssimos leitores de nosso blog. Peguemos o valor do jogo lá fora, sessenta dólares. E estou pegando barato. Frete de cinquenta dólares, não vale diluir com outros jogos, dólar na faixa de R$ 2,50 e já temos aí R$ 275,00. Maravilha, mais de cem reais mais barato do que a Galápagos. Não sei vocês, mas nos últimos meses fui tributado em TODAS as minhas compras internacionais. TODAS! Meus exemplos favoritos são R$ 241,00 em uma caixa com Bruges e Suburbia e R$ 103,00 em um pacote com duas caixinhas de sleeves Dragon Shield e a expansão Suburcia Inc. Voltando à Ticket to Ride, vamos às taxas catarinenses, 77% para ser mais exato, e temos o valor de R$ 486,75. Como estou no clima de Black Friday, não basta ter colocado um preço baixo no jogo, no frete e no dólar, vou arredondar para 450!!! O Lukita tá louco, só hoje, mega feirão de jogos! Deu, calma, Lukita. Foco!

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      Belíssimos componentes e tabuleiro gigante.

      Isto posto, paguei feliz pelos 399,90 no site da Galápagos Jogos. Estando já no Brasil, parcelando, sem ficar na expectativa de se perder mundo afora… Aí alguém pergunta “e o frete que você não incluiu?” e educadamente, apresento o cálculo acima e mesmo com o frete nacional estou na vantagem. E isso porque esqueci de dizer que a Galápagos é uma empresa, visa, pois, ao lucro e deve estar ganhando seus dez, vinte ou cinquenta reais em cima de cada unidade. Informação a qual não tenho acesso e não mudaria minha decisão. Não obstante, o inquisidor muda o tom da conversa e diz que não vale a pena pagar isso por um jogo que já existe em versão nacional muito mais barato. Gosto, neste caso, de apimentar, dizendo que já tenho tanto o jogo quanto a expansão que o acompanha!

      O que vale e o que não vale? Todo o debate gira em torno da valoração pessoal que atribuímos a certo bem ou produto. Não mais discutirei o caso específico de comprar aqui versus trazer de fora, matematicamente está provado qual o mais vantajoso. Repito, estou falando deste caso, desta edição. Se você não entendeu ou aceitou os valores acima, sugiro que assista a algumas aulinhas do Telecurso qualquer grau.

      Agora, se você está incomodado com o que este item representa e o quanto estou disposto a oferecer por ele, seu problema é muito mais sério. Estamos entrando uma esfera íntima de controle e juízo que pode passar por questões financeiras, políticas, sexuais ou religiosas. Ofender alguém que se propõe a pagar os quatrocentos reais deste Ticket to Ride está no mesmo nível de ignorância de humilhar alguém que votou no candidato A ou B nas eleições passadas ou menosprezar o modo de elevação espiritual alheio. Se você quer justificar a falência de todo um sistema por causa disso é mais sério ainda, pois além da visão deturpada, sua proposta é catequizar sua doutrina. Mas não vamos ampliar demais este texto. Voltemos à mesa de jogo.

      Quanto vale um Terra Mystica? (Confira nosso review aqui) O segundo jogo no ranking da BoardGameGeek e o melhor do mundo na minha opinião. Não estou falando do papelão, madeira, arte, design, impressão, transporte, lucro. Estou falando da experiência em estudá-lo, jogá-lo, rejogá-lo, analisá-lo, comentá-lo. Parece um cálculo muito mais complexo, não? De fato, não vamos calcular o inquantificável, a vida é muito curta para sequer tentarmos isso. Até porque para os ameritrashers fanáticos e exclusivos, este valor é minúsculo. Quanto vale um StarCraft: The Board Game, um dos mais caros no mercado paralelo? Agora estamos falando em oferta e demanda, escassez do produto. Em material gasto e lucro somados ele está muito além disso. Tem gente que compra? Certamente, senão não estaria neste valor. Ele é burro por isso? Não!

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      Esse é encontrado facilmente na casa dos mil reais.

      Os jogos de tabuleiro vem subindo de preço nos últimos anos, isto é fato. Os custos de produção aumentaram, mas a demanda também aumentou. Estamos em um dos hobbys do momento. Em três anos, talvez, boa parte dos que hoje estão ao redor das mesas de jogo estejam fazendo e consumindo outra coisa. As empresas sabem disso e estão tentando aproveitar a boa fase lançando muito e em pouco tempo. Todas as áreas fazem isso. Ou você acha que o preço do peru aumenta em dezembro por quê? Ou que existem dezenas de tipos e sabores de panetones quando há anos atrás, com consumo menor, havia dois ou três?

      Claro que os especialistas board gamers da torre de marfim não querem que o hobby se popularize. Imagine o grande sábio que só joga coisas em alemão sendo cercado pelos pré-púberes fãs de Zombicide ou alguém jogando Dominion em Português? Blasfêmia! Amigos, sou fanático por música clássica, ópera em especial, sei o que é lidar com o pedantismo de muitos nos fóruns da vida e sei reconhecer quando ele se manifesta. Junte a isso aquela pequena parcela de aumento no valor dos jogos pelo aumento da demanda e os guardiões da sapiência lúdica ficam realmente fulos com os novos jogadores.

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      Latinhas para os trenzinhos: os “idiota pira”!

      Percebam que o bombardeio vem de dois flancos. Os novatos que não conhecem o mercado criticam os idiotas como eu que pagam “caro” pelo Ticket to Ride, inflacionando o mercado, e os anciões da mesa de jogo que vêem em outros novatos, eu de novo, por estar retornando ao hobby após quinze anos, motivo do aumento de preços. Ou seja, a culpa é toda minha. Se eu aposentar os meeples, o mercado volta ao normal! Uau! Acabei de perceber isso. Ou não? Afinal, sou idiota, burro…

      Paguei 400 reais no Ticket to Ride ontem e, pasmém, achei bom o preço e isso é problema meu. Tenho mais jogos do que consigo jogar e isso é problema meu. Continuo comprando mais jogos e isso é problema meu. Tenho alguns que nem abri ainda e isso é problema meu. Mas sabem o que alguns fiscais da vida alheia têm mais do que eu? Eles têm mais de se…!

      NOTA: As opiniões dos autores da seção Analysis Paralysis são pessoais e não refletem, necessariamente, a opinião dos demais colaboradores do site.

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        O apocalipse zumbi aconteceu! Hordas infindáveis de mortos-vivos caminham pelas ruas com uma fome sem fim, atrás de carne fresca e suculenta. A sua, preferencialmente. Os poucos humanos restantes tentam manter-se vivos. Para tal, a busca por comida, remédios e armas é uma necessidade diária. Enquanto os suprimentos ficam mais e mais escassos, os zumbis são cada vez mais numerosos, sinal de que o Time Humanidade vem perdendo integrantes em batalha a uma taxa assustadora.

        Bem-vindos à Zombicide, o jogo de tabuleiro que é um fenômeno de vendas, sucesso, polêmicas, número de fãs e detratores. Não há como falar dele sem esperar uma enxurrada de opiniões favoráveis ou contrárias. Resolvi encarar o desafio de colocar minhas impressões, pois a cada dia surge um novo interessado nele. Pouquíssimos jogos podem declarar isso, admita! Não é o único jogo de zumbi no mercado, talvez nem o melhor, então seu sucesso não vem do tema que está em todos os lugares. Mas foi lançado no momento certo, com o visual certo, pensando no público certo e com o clima certo!

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        Os sobreviventes e zumbis da primeira temporada

        Zombicide é um jogo cooperativo no qual os jogadores assumem os papéis de sobreviventes tentando realizar missões diversas em cenários diferentes em um tabuleiro modular, ou seja, as peças são montadas conforme a especificidade da missão. Com quantidade maior ou menor destas peças, os cenários permitem partidas mais rápidas ou mais longas. Há variação também nos objetivos, quantidade de locais de surgimento de zumbis, dentre outras customizações. Além das diversas missões prontas nos manuais, existem dezenas e dezenas delas no site da empresa, conteúdo criado por fãs e a possibilidade de você mesmo criar as suas aventuras. Misture tudo isso com dezenas de combinações de sobreviventes, número diferente de zumbis que podem sair em cada jogada, itens e personagens extras opcionais e estamos falando de rejogabilidade tendendo ao infinito.

        E os zumbis? Muitos, muitos deles. MUITOS! MUUUUUITOS! E de vários tipos. Lentos, rápidos, gordos, deformados, tóxicos (na expansão Toxic City Mall), resistentes, caninos (vendidos separadamente) e em breve, magrelos, cortados ao meio, corvos! Um zoológico decrépito tentando acabar com você e com seu grupo. Nas primeiras rodadas serão poucos, vagando lentamente pelo cenário, gerando a falsa ilusão nos novatos de que o jogo é fácil. Espere alguns turnos e a turba crescerá! Serão dezenas deles em sua volta, um exército podre, lento e inexorável.

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        Zombie Street (Foto On Board)

        Visualmente, isso impressiona. As miniaturas de qualidade e em quantidade chamam a atenção. O fortíssimo apelo visual de Zombicide trouxe muita gente para o universo dos jogos de mesa. Outro mérito! A arte e as cores dos mapas, tokens de carros, fichas de personagens, cartas de equipamentos e armas com forte apelo pop são destaques também. Eu que trabalho com muita divulgação de jogos de mesa para novatos, primordialmente com adolescentes criados com videogames, esse é o jogo! Para alguns deles, Zombicide já virou a opção número um de presente de aniversário no lugar do mais novo Call of Duty Motherfucker Warfare ou Assassin’s Creed CCXLVIII.

        Mecânica:
        – Alocação de pontos de ação
        – Cooperação
        – Rolagem de dados
        – Gerenciamento de mão
        – Tabuleiro modular
        – Eliminação de jogadores
        – Poderes variáveis dos jogadores

        Em sua vez, cada jogador pode realizar até três ações com seu personagem. As mais comuns são movimentar, realizar uma busca, atacar, abrir uma porta… Com exceção da busca de itens, as demais ações podem ser realizadas em qualquer quantidade e combinação. Alguns personagens permitem ações adicionais como Amy que tem uma ação gratuita exclusiva para movimento ou Ned que faz buscas gratuitamente, permitindo que suas três ações possam e devam ser usadas para outras coisas. Ao subir de nível com a experiência adquirida com o extermínio de zumbis e com o cumprimento de objetivos, mais ações ou habilidades ficam disponíveis. Desta forma, seu personagem evolui e fica mais perigoso, a má notícia é que o nível de dificuldade do jogo se adapta à evolução dos personagens.

        Terminadas as ações de todos os sobreviventes é a vez dos zumbis agirem, controlados pela inteligência artificial das regras. Movendo-se apenas uma zona por vez ou atacando se estiverem na mesma área de um jogador, suas trajetórias são previsíveis, permitindo o planejamento prévio pelo grupo de heróis. Não entrarei em detalhes, mas os mortos-vivos procuram sempre os alvos visíveis, depois orientam-se pelo barulho. Ao final da ativação de todos os inimigos, novos zumbis surgem com a compra de uma carta de um baralho próprio para cada ponto de surgimento deles no mapa e é aqui que a evolução dos personagens faz valer a dificuldade progressiva da partida. Se pelo menos um personagem estiver no nível amarelo, um após o básico, os zumbis surgirão conforme a faixa amarela da carta comprada, e assim para cada nível de evolução. Cada zumbi eliminado fornece um ponto de experiência. Mate mais, ganhe mais pontos e sua evolução fará surgir mais inimigos ao final de cada rodada. Círculo vicioso!

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        (Foto On Board)

        E como você extermina mortos-vivos nesse mundão condenado por Deus? Usando armas de combate corpo a corpo e armas de ataque à distância. Cada uma delas informa a distância em que é eficaz, a quantidade de dados a serem lançados, o número que precisa ser obtido para ser um sucesso e o nível de dano. Vejamos o machado (fire axe) como exemplo. Seu alcance zero, classifica-o como arma corpo a corpo. Ao atacar com ele você rola um dado e se obtiver 4, 5 ou 6 é considerado um sucesso. Em armas que rolam mais dados, cada sucesso isolado é um acerto, isto é, você poderá mandar vários zumbis ao mesmo tempo para o descanso eterno com uma rolagem apenas. Pense na famigerada serra elétrica e seus cinco dados de uma vez! O nível 2 de dano significa que balofos podem ser atingidos, além dos lerdos e corredores que são nível 1. As abominações são um bicho a parte, deixemo-nas quietas!

        Zombicide-item-cardsConsiderações finais:
        Mas onde está toda a polêmica? Até agora em lugar algum. Vamos falar dos ataques à distância. Eles funcionam da mesmíssima maneira descrita acima, contudo quando você pretende atirar em uma zona com zumbis e sobreviventes, seus tiros acertam seus infelizes amigos. Sempre. Se você conseguir dois sucessos atirando em uma área com um amigo seu que nela esteja, cercado por trinta zumbis, os dois tiros atingem o sobrevivente, matando-o! E esta é a regra mais debatida e odiada de todo o jogo. Há centenas de páginas de fóruns sobre isso e estou falando sério. De um lado, os que dizem ser a regra mais estúpida de todos os tempos; de outro, os defensores de sua funcionalidade mecânica. Confesso que antes mesmo de comprar meu exemplar já havia lido o manual e já odiava isso. Li muitos tópicos a respeito coletando as opiniões dos mais experientes e pensava em regras da casa antes mesmo de colocar as mãos na caixa. E aconteceu o que muitos alertaram nos fóruns: a regra funciona no jogo. Ela não faz o menor sentido realisticamente, desafia a lógica e é ridícula. Fica ainda pior em algumas situações particulares, acredite! Mas funciona e simplifica ao adotar um único processo para todos os tipos de ataque. Além disso, se você pudesse mirar e escolher os alvos tranquilamente, Zombicide seria um estande de tiro no qual os personagens ficariam sempre atirando e as armas corpo a corpo perderiam a utilidade. Existem, no entanto, habilidades e itens que permitem que você escolha seu alvo.

        Shhhh! (Foto On Board)

        Os advogados da temática alegam que você não consegue mirar tranquilamente em uma situação onde os zumbis estão agarrados ao seu pescoço, ainda mais em um grupo de pessoas comuns as quais os personagens representam. Concordo. Mas esta regra é assim por questão puramente mecânica. Não vamos esquecer também, e sempre falo isso em minha explicações para os novos jogadores, que Zombicide não é um jogo de miniaturas, mas um jogo com miniaturas. Não obstante, é inevitável ver um zumbi em um canto de uma zona e seu sobrevivente no outro canto da mesma zona e não pensar que estão longe e que seu herói tem tempo hábil para pensar ou mirar. O jogo não pressupõe isso, ele considera que zumbis e sobreviventes na mesma zona estão sempre engajados, lutando e se debatendo. Uma vantagem do fogo amigo certeiro é que ao contar com isso, você pode planejar com mais exatidão seus próximos turnos e não se colocar em situações desnecessárias ou indesejáveis de risco. Quando o jogo começa, fique certo, todo esse debate permanece em segundo plano.

        Como ver os dois lados de algo é inerente ao meu estilo, não gosto do fato do personagem Phil que é policial, isto é, treinado em armas de fogo e em situações de risco, não ter o benefício da mira em curto alcance, pelo menos. Entendo que Wanda, que era garçonete quando o apocalipse zumbi começou, não tenha tal capacidade, mas se é para ser temático, um policial com uma pistola consegue acertar um morto-vivo a um metro de distância em vez do amigo. Isso está, inclusive, na arte da tampa da caixa da primeira temporada. E o jogo é temático! Há poças de sangue temáticas pelos mapas!

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        “Say my name!” Walt… Heise… Spencer??!! Personagem que será lançado na terceira temporada em 2015

        Há mais coisas que não gosto. Você descartar um item e ele sumir do mapa, as buscas serem fontes inesgotáveis de itens, dentre outras, mas há muito mais coisas que gosto. Sua simplicidade, mas sendo extremamente desafiador, o clima cheio de referências ao cinema, séries de TV, quadrinhos e videogames, a arte e a qualidade dos componentes, a rejogabilidade absurda, além de poder jogar a mesma missão várias vezes, pois ela sempre será diferente já que as buscas e o surgimento dos zumbis mudarão a cada partida, fora as dezenas de missões, a troca dos personagens, a possibilidade de misturar tiles, sobreviventes, tipos de zumbis e equipamentos e, mais importante, a diversão. Sim, a diversão. Aquilo que faz com que muitos metidos do meio, tipinho que existe em qualquer atividade, fiquem indignados com o sucesso do jogo. E quem escreve aqui é um cara que tem como jogo favorito Terra Mystica e ama jogos euro, pesados e mega demorados! O maior e mais importante fator ao se avaliar um jogo de tabuleiro, a diversão, transborda em Zombicide e, afinal, não estamos todos neste hobby por boas horas com os amigos?

        Leia também Trilha Sonora para Zombicide

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        Zombicide é sempre sucesso nos eventos… (Big Board Night)
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        … e nas escolas. (On Board na Escola)

        Pontos positivos:
        – Altíssima rejogabilidade
        – Muito divertido
        – Excelente porta de entrada para o público dos videogames
        – Estilo pop de toda a arte e componentes
        – Simples e rápido de ensinar
        – Desafiador
        – Excelente, também, em modo solo

        Pontos negativos:
        – a regra dos ataques à distância frustra à primeira vista
        – em algumas partidas o azar pode ser preponderante
        – eliminação de jogadores muito cedo é possível

        Ficha Técnica:
        Jogadores: 1 a 6
        Idade: a partir de 13 anos
        Duração: varíável
        Tipo: caixa básica
        Fabricante/Desenvolvedora: Guillotine Games/Galápagos (no Brasil)
        Preço Médio: R$ 240,00

         

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          soundboardZCIDE

          Ah! Zombicide! O jogo de mesa que deixa a internet mais divertida a cada dia! Gerador de tanto amor e ódio em uma caixa tão pequena. Capaz de alimentar as mais acaloradas discussões, de provocar o melhor e o pior de muita gente. Não bastasse o confronto entre fãs versus detratores, dentro do próprio conjunto de quem gosta temos os que usam regras da casa contra os defensores da leitura e aplicação literais do manual. E ainda temos o subconjunto bélico virtual dos que não pintam suas miniaturas contra os que pintam com várias cores contra os que pintam quase monocromaticamente. Mais um exemplo? Os que acham que Zombicide é um jogo de terror, tenso, como um agoniante e infalível ocaso humano e aqueles que, como eu, pensam nele como uma bem humorada homenagem pop ao mundo nerd! (confira nosso review aqui)E com esta última divisão, chegamos à música.

          Sempre que vou jogar com algum novato, aviso de pronto: Zombicide não é The Walking Dead ou Left 4 Dead, apesar das muitas inspirações e colagens. Zombicide é Tarantino! Colorido, frenético, atolado de referências a tudo que existe (TV, cinema, quadrinhos, música), exagerado, letal, fatídico, violento e muito, muito divertido! Com isso em mente, dispenso totalmente trilhas “tensas” ou assustadoras. Guarde-as para Betrayal at House on the Hill ou A Touch of Evil. Sério mesmo que alguém consegue criar um clima de terror com Zombicide? Não acredito! Não confunda a apreensão de morrer por uma ativação extra com a impotência diante do incompreensível mundo sobrenatural proposto pelos outros jogos que citei há pouco.

          Zombicide é um dos poucos em que utilizo música com letras. Sou adepto das trilhas meramente instrumentais para não atrapalhar a concentração e para que as letras não se misturem com o falatório dos jogadores. Aqui é bagunça! O mundo está à beira do colapso e quero mesmo criar o clima cinematográfico badass de Tarantino. Quando Wanda entra deslizando sobre seus patins em uma zona com cinco zumbis portando sua motosserra para em seguida trucidá-los em uma coreografia precisa, gosto de imaginá-la em câmera lenta com os pedaços dos infelizes mortos vivos flutuando ao seu redor e o sangue/gosma/ectoplasma/meleca vital respingando em seu rosto que começa a esboçar um sorriso típico de quem sabe que é bom no que faz! Quando isso acontece, preciso de uma música que aumente ainda mais este efeito já exagerado!

          Álbum: Kill Bill, Vol. 1 (Original Soundtrack)
          [link para o álbum]

          O filme campeão de referências do diretor campeão de referências. De obras-primas da sétima arte como Cidadão Kane e Rastros de Ódio, a filmes de terror B, C, D, megabombas orientais de filmes de lutas de orçamento menor que meu gasto mensal com jogos, TV, quadrinhos, Kill Bill passa por tudo! Tudo! E o exagero típico de Tarantino, heim? Uma pessoa contra dezenas em uma certa cena? Soa familiar em suas partidas? Zombicide grita Kill Bill! Se Zombicide fosse um filme, quem mais você veria dirigindo o nerd Sheldon Cooper ao lado de Snake Plisken encontrando katanas em carros de polícia abandonados em um apocalipse zumbi? A faixa The Grand Duel é para aquele momento em que você, sozinho no meio da rua, se dirige em direção à Abominação, molotov na mão e o andar tranquilo aguardando o final inevitável da monstruosidade de nível 3! Só falta o rolo de feno atravessando a rua pela força do vento! E Run Fay Run com seus metais anos 70 enquanto você “passeia” de Tunadão atropelando os incautos mortos-vivos. Que tal Woo Hoo para aquela busca desesperada na qual você compra uma carta de arroz e o jeito é cair fora? Na verdade, não uso o álbum na íntegra, monto uma lista tirando as curtas faixas com falas do filme e uma ou outra música, como os dez minutos de Don’t Let Me Be Misunderstood ou Music Box Dancer. Deixo ao critério de cada um.

          OUÇA UM TRECHO DE RUN FAY RUN:

          Álbum: Kill Bill, Vol. 2 (Original Soundtrack)
          [link para o álbum]

          Sem o charme do primeiro filme, a trilha de Kill Bill 2 também não obteve o mesmo êxito da primeira. Mas tem, sem dúvidas, o mesmo clima para nosso propósito aqui, o jogo de mesa. Faço a mesma coisa que sugeri antes, tiro as falas, uma ou outra música e coloco na mesma lista para Zombicide, aliás este lista tem, no momento 89 canções. Goodnight Moon e Can’t Hardly Stand It são músicas que podem parecer ridículas para jogar em uma primeira audição, mas fornecem uma ambientação à Zombicide daqueles filmes baratos americanos dos anos 80 para assistir nos cinemas ao ar livre. Tu Mirá ou Malagueña Salerosa para a lista de vingança pessoal de El “Machete” Cholo e Satisfied Mind com a voz do velho Johnny Cash com suas cores depressivas para os momentos desesperados sobre a mesa.

          OUÇA UM TRECHO DE SATISFIED MIND:

          Álbum: From Dusk Till Dawn (Music from the Motion Picture)
          [link para o álbum]

          Everybody be cool!” Vampiros em vez de zumbis, tudo bem. Mas combater criaturas além da compreensão que desejam exterminar seu grupo e estar confinado contra uma horda maldita? Pode apostar, estamos nessa! Foolish Heart para mim é a música que tocava na lanchonete anos 50 que Wanda trabalhava quando estourou o apocalipse zumbi. Dengue Woman Blues para aquela balofa que acabou aparecendo no último spawn bem na sua cara e After Dark porque lembra Salma Hayek fazendo água entrar em ebulição com sua personagem que já deveria ter virado personagem de Zombicide há muito tempo. Já pensou na habilidade “Começa com uma cobra”!? E ainda que tal Mary Had a Little Lamb só porque matar zumbis ao som de Stevie Ray Vaughan é muito bacana?

          OUÇA UM TRECHO DE FOOLISH HEART:

          Álbum: Sucker Punch (Original Motion Picture Soundtrack)
          [link para o álbum]

          Sucker Punch não é Tarantino, foi dirigido pelo diretor que entende como ninguém o universo dos quadrinhos, Zack Snyder. Esta obra é uma homenagem ao mundo nerd ao misturar elementos de ficção científica, fantasia medieval e artes marciais em um clima tão exagerado quanto o de Kill Bill. Um filme para meninos, como costumo dizer. Samurais com metralhadoras, nazistas zumbis, dragões versus aviões da Segunda Guerra e muito sex appeal. Babydoll, a personagem principal, é simplesmente a figura que eu mais espero ver um dia em Zombicide! Sério, esperei até o último segundo da nova campanha no Kickstarter para vê-la e nada! Babydoll PRECISA estar em Zombicide! Mini saia de colegial detonando com katana e metralhadora? Vamos às ruas protestar!

          Lembram quando comentei acima minha imagem mental de Wanda trucidando em câmera lenta com sua motosserra? Army of Me é faixa para tal. A própria trilha sonora de Sucker Punch é feita de muitas releituras e homenagens. Os covers de Tomorrow Never Knows dos Beatles e de White Rabbit de Jefferson Airplane são os pontos altos do álbum e excelentes trilhas para suas aventuras zumbicidas!

          OUÇA UM TRECHO DE WHITE RABBIT:

          Álbum: The Walking Dead (AMC’s Original Soundtrack), Vol. 1
          [link para o álbum]

          A trilha oficial da série responsável pela explosão de sucesso dos mortos-vivos é composta por canções muito boas, geralmente por bandas do cenário mais underground e indie. Funcionam muito bem para a série, mas darão um clima mais triste e solitário para o jogo. Sem problemas para mim, afinal, coloco tudo em uma grande lista aleatória como já havia dito e a mudança de climas e de humores com as faixas dos outros discos é sempre refrescante. O problema aqui é o preço! Um álbum tão curto por quase o mesmo valor dos outros, desanima um pouco. Se for para abrir mão de algum desta lista é esse!

          PLAYLIST SELECIONADA PARA ZOMBICIDE:

          Abraços analógicos!

          SLAP

          NOTA: apresentarei sempre os álbuns com links para a iTunes Store por questão pessoal.

            por -

            DICAS ETIQUETA

            Então você está se interessando por esses tais jogos de tabuleiro modernos, ouviu falar de Zombicide, viu um ou outro jogo em alguma grande livraria nacional, seus amigos começaram a postar fotos no Facebook ou no instagram e tudo parece tão colorido, divertido e ao mesmo tempo desafiador e cult.

            A vida financeira do nerd não é fácil, entre videogames, quadrinhos, cinema e tantas outras coisas. Para o nerd adulto é pior, some ainda as contas da casa, família, filhos… Mas eis que antes mesmo de você gastar seu suado dinheirinho nerd em board games, algum destes amigos lhe convida para jogar, sempre com aquela conversa amistosa “não precisa se preocupar, a gente ensina” e “a galera é gente fina”. E você aceita! Parece uma boa ideia, conhecer mais sobre seu possível novo hobby sem gastar.

            Então aqui vão algumas dicas para você, aspirante a board gamer, vigiar para não fazer feio. Um Top 5 da etiqueta do novo jogador analógico. E se você, por outro lado, já é um board gamer experiente e não sabe como falar estas coisas para seu novo convidado, não se preocupe. Eu fiz o trabalho sujo. Sugira esta leitura para ele antes da sessão e depois não diga que não foram avisados!

            Não brinque com as peças ou cartas
            Na dúvida, considere que o dono do jogo e seu anfitrião é chato e muito cuidadoso. Estou escrevendo um Top 5 genérico. Se fosse dicas para jogar comigo seria um Top 452168412! Os jogos de mesa são, em sua grande maioria, feitos com muito papel e papelão, ou seja, materiais frágeis. Não entorte as cartas, não brinque com os dados e, acredito que você já deve ter passado da fase oral freudiana, não coloque meeples, discos, tokens ou qualquer coisa na boca enquanto pensa. Alguns jogadores só conseguem pensar se fecharem o circuito cérebro, lábio, mão! Evite isso, coloque as mãos no bolso, debaixo da perna, enfim! Se seu anfitrião for educado ele não falará nada, mas não estranhe nunca mais ser convidado!

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            Agricola: os discos laranja são vegetais e não, não são para comer! (Foto On Board)

            Não beba e não coma à mesa
            O que nos traz à próxima regra! Existe um jogo que você pode comer e beber à vontade enquanto joga, chama-se Par ou Ímpar! Nos outros, não! Na minha mesa de jogo a regra é clara, Galvão! NO bebida, NO comida! Amendoim japonês é permitido. Espere ver o comportamento dos outros do grupo. Se eles colocarem os copos próximos à área de jogo, tudo bem. Se não, não! Não venha com essa de “eu não derramo”! Você vai derramar! Pense na Lei de Murphy, que Deus não gosta de você, que você terá um espasmo! Mesmo com o copo longe da mesa, cuidado com os pingos no médio prazo. Tudo bem, sendo mais maleável agora, alguns jogos são mais toleráveis às bebidas, card games com sleeves, Zombie Dice, tudo bem. Mesmo assim fique de olho na toalha. Comida, não. Observe o comportamento do grupo e siga a liderança!

            Star Wars The Card Game: amendoim japonês e cartas com sleeves na minha toalha? Ok! (Foto On Board)
            Star Wars The Card Game: amendoim japonês e cartas com
            sleeves na minha toalha? Ok! (Foto On Board)

            Não trapaceie
            Muitos novatos sentam à mesa com a experiência apenas do Truco da faculdade e do Uno da casa de praia. Nestes jogos, vale passar a perna. Bom, se falar que não vale, não adianta. Entretanto, jogamos board games pelo desafio pessoal, tanto que não trapaceamos quando jogamos sozinhos. Se pretendemos gastar horas de nosso tempo livre concentrados, muitas vezes em jogos bem complexos, queremos testar nossas habilidades. Uma das lições mais importantes dos jogos de mesa é: não tente levar vantagem. Nisso envolve não olhar as cartas do vizinho, mesmo que ele seja descuidado, não deturpar regras a seu favor, não mentir se alguém acertar que você tem a Condessa na mão! Se o jogo for leve, trapacear soa pior ainda! Vale citar o manual de Love Letter, de onde foi tirado o exemplo da Condessa: “sugerimos não jogar com escudeiros que trapaceiam em jogos leves e divertidos”. Sem mais!

            Nosferatu: até em jogos de dissimulação a mentira é regulamentada. (Foto On Board)
            Nosferatu: até em jogos de dissimulação a mentira é regulamentada.
            (Foto On Board)

            Saiba ganhar e, principalmente, saiba perder
            Não é novidade escrever que o jogo diz muito sobre a personalidade de alguém. Comumente vimos o melhor e o pior de uma pessoa à mesa de jogo. Reclamar de tudo, comemorar exageradamente o tempo todo, zombar, humihar, são comportamentos reprováveis. Claro, depende muito de seu nível de amizade com todos na mesa, mas se for sua primeira partida com este grupo e com alguns desconhecidos, tente se conter. Conheça mais sobre cada um, quais seus limites e tolerância às brincadeiras, principalmente se você estiver perdendo. Não fique reclamando a cada rodada se o que você esperava fazer não foi possível ou foi feito por algum jogador anterior. Vez ou outra, tudo bem. Com um toque de humor, melhor ainda! E nunca, nunca abandone um jogo. Está levando uma surra descomunal? Tudo bem, você está aprendendo. Veja o que os outros estão fazendo, faça perguntas! Mas engula o choro e não ouse levantar dessa cadeira! Um jogador que sai no meio de uma sessão por motivo tolo, desequilibra totalmente a partida e deixa um clima desagradável para os que permanecerem.

            A Touch of Evil: Nada de xilique. saiba perder! Eu sei perder! Treino isto com bastante frequência! (Foto On Board)
            A Touch of Evil: Nada de xilique. saiba perder! Eu sei perder!
            Treino isto com bastante frequência! (Foto On Board)

            Você estará fora da área ou desligado!
            Não basta ver rodas de amigos lado a lado cada um com seu celular andando como zumbis pelas ruas. Ou casais em restaurantes isoladamente verificando suas redes sociais. Você foi convidado para um evento social, com pessoas de verdade! Esta é a MAIOR vantagem dos jogos de mesa: socializar. Nestes dias de casulos virtuais, reunir-se ao redor de uma mesa, com pessoas com voz e rosto é um acontecimento a ser celebrado e aproveitado. É, no mínimo, deselegante que enquanto espera sua vez você fique a cada rodada de olho no aparelho. Vamos usar o bom senso novamente? Esporadicamente é aceitável. Mas não passe a impressão que a vida atrás da telinha é mais interessante do que o que está acontecendo à frente de seus olhos. Bom, talvez para você seja mesmo e se isso acontecer, este será seu último convite.

            War of the Ring: o sinal de celular é muito fraco na Terra-média (Foto On Board)
            War of the Ring: o sinal de celular é muito fraco na Terra-Média (Foto On Board)

            Amigos leitores, espero que estas dicas sejam úteis. Mostrem para seus novos convidados! Se eles não souberem respeitar e valorizar o tempo e o dinheiro gastos por você neste hobby, haverá quem sabe!

            Abraços analógicos! E alguém, por favor, pode alcançar o amendoim?

              por -

              O mercado dos jogos de mesa está vivendo sua melhor fase. A quantidade e qualidade dos jogos disponíveis é impressionante, os lançamentos ocorrem em ritmo frenético, os financiamentos coletivos via Kickstarter ou Catarse viabilizaram que produtores pequenos ou independentes lançassem seus produtos e, mais importante, a cada dia este hobby ganha novos adeptos, o que é, ao mesmo tempo, causa e consequência dos eventos descritos acima. Muitos estão retomando um velho hobby, meu caso, afastado da mesas por mais de quinze anos, alguns estão saindo dos jogos eletrônicos cansados da repetição constante das mesmas franquias do mercado, outros estão ampliando suas raízes do RPG, pois com a vida adulta fica difícil manter um grupo fixo por campanhas longas, para não falar no tempo exigido de preparação… E, felizmente, tudo isso também acontece no Brasil! O público vem crescendo e a quantidade de jogos disponíveis já é capaz de deixar os novatos perdidos. E 2014 promete aumentar a lista de jogos lançados em solo nacional e em português consideravelmente.

              Como tenho o hábito de divulgar minhas sessões de jogo com meu grupo em todas as redes sociais possíveis, além de rodas de conversa e salas de aula, perguntam-me com frequência por onde começar, quais jogos comprar. Resolvi, pois, criar uma pequena lista de por onde o aspirante a board gamer deveria começar. Este é um primeiro Top Board, aguardem para as próximas semanas dicas dos melhores jogos para jogar com a família ou os melhores jogos para jogar com seu filho. Coloquei apenas board games, com tabuleiro mesmo e procurei uma certa variedade para a ludoteca inicial. Ah! Também estou prevendo a fúria de alguns que bradarão “como você não colocou o jogo X ou Y?”. Faz parte! Relembrando: todos os jogos desta lista estão disponíveis no Brasil e em nossa língua pátria, a ideia é facilitar. Antes de começar a jornada, quero avisar que não pretendo fazer um análise detalhada de cada jogo, apenas apresentá-los brevemente. Para reviews completos temos nossa seção Sobre a Mesa todas as sextas-feiras.

              Ticket to Ride
              Não estou sozinho nessa! A minha resposta imediata para a pergunta “qual jogo devo comprar primeiro” é Ticket to Ride. Nestes dez anos de seu lançamento, tornou-se um fenômeno de vendas, conquistou vagões de prêmios, incluindo o mais importante de todos do mercado de jogos de mesa, o Spiel des Jahres, prêmio alemão que significa Jogo do Ano, em 1994. Lançado no Brasil há poucos meses pela Galápagos Jogos, o jogo já começa chamando a atenção pelo visual. Um grande mapa dos Estados Unidos com várias cidades conectadas por rotas ferroviárias. Cada jogador compra cartas coloridas até juntar uma quantidade suficiente para cobrir as distâncias da mesma cor ou incolores. Mecânica super simples, sem texto, em meros minutos você ensina qualquer novato, de qualquer idade. A temática é altamente familiar e o jogo requer uma leve dose de estratégia que não espanta o iniciante e não entendia o experiente. Um clássico moderno que precisa estar na coleção de qualquer board gamer.

              Sessão de Ticket to Ride no On Board: duas cartas amarelas, para unir uma ferrovia de dois espaços amarelos! Simples!
              Sessão de Ticket to Ride no On Board: duas cartas amarelas, para unir
              uma ferrovia de dois espaços amarelos! Simples! (Foto On Board)

              Carcassonne
              Muitos consideram Carcassonne a melhor escolha e ninguém pecará em comprá-lo primeiro. Estamos falando do vencedor do Spiel des Jahres de 2001. Nosso colega de On Board, Fillipe Vieira, fez uma análise completa aqui. Lançado pela GROW, não é tão fácil de encontrá-lo em lojas físicas fora dos grandes centros, mas está disponível em vários sites de lojas de departamentos, livrarias e lojas especializadas. Procure por Domínio de Carcassonne, entretanto, nome ainda utilizado no Brasil. É a mesmíssima edição lançada lá fora com componentes muito bons. Todo mundo reclama que a caixa, comparada com a edição estrangeira, é grande e fina. É mesmo. Mas por setenta reais, adquirir um jogão deste pelo valor menor do que um jantar para dois em qualquer lugar é imperdível.

              Sessão de Carcassonne no On Board: o monge é a cara do ladrão!
              Sessão de Carcassonne no On Board: o monge é a cara do ladrão! (Foto On Board)

              Colonizadores de Catan
              Meu caro amigo, futuro board gamer, saiba que existe toda uma categoria de jogos chamada de euro games. Por que são feitos na Europa? Bem, a maioria! Mas este não é principal motivo. Se falamos em gerenciar recursos, temas econômicos e saber o vencedor só ao final da partida, estamos provavelmente falando de um jogo euro! Se tem madeira e pedra é jogo euro! Mas vamos falar sobre isso em um Dicas da Mesa futuro. Catan abriu as portas do mundo todo para esta categoria em 1995. Também levou o Spiel des Jahres! Na ilha fictícia de Catan, os jogadores precisam construir habitações, cidades e estradas, através de recursos coletados em uma mapa que muda a cada partida. Estes recursos podem ser trocados, inclusive entre os jogadores, aumentando a interação entre eles. Na faixa dos cem reais é um bom investimento para saber se este tipo de tema lhe agrada, mesmo havendo vários tipos de euros mais sofisticados e complexos hoje em dia no mercado internacional.

              Colonizadores de Catan, versão nacional pela Grow
              Colonizadores de Catan, versão nacional pela Grow

              Zombicide
              Este é o fenômeno do momento que pegou até os não board gamers. Agradeça a The Walking Dead e a toda moda zumbi. Particularmente são os mortos-vivos que menos me interessam, mas o que importa aqui é a jogabilidade, belas miniaturas, referências a símbolos da cultura pop em um clima bem videogame. Se é para falar em gêneros de jogo, este é um dos grandes representantes do ameritrash, termo pejorativo que ninguém liga para ele! Não são poucos os jovens que tem apenas Zombicide em sua coleção em meio aos seus jogos de Xbox e Playstation. Mas a semente está plantada. Se você adquirir os jogos acima, Zombicide será uma variação excelente no tema e ambiente. Aqui tem matança, armas inusitadas, correria e cooperação, um modo de jogo que muitos que não são do meio nem sabem que existe. Aqui são todos contra o jogo. É o modo co-op dos jogos eletrônicos. Uma dica: custa uma fortuna por causa da fama, até usado custa mais que o lacrado quando foi lançado no Brasil em 2013. A Galápagos Jogos anunciou que haverá reedição nos próximos meses pelo preço normal, na casa dos 260 reais.

              Zombicide: ameritrash de raiz! Se fosse euro os zumbis seriam cubos!
              Zombicide: ameritrash de raiz! Se fosse euro os zumbis seriam cubos!

              A Guerra dos Tronos The Board Game
              A posição mais difícil de preencher foi a última, pois deveria deixar todos os outros de fora. Este merece entrar aqui por ter muitos atrativos. Falei dele em detalhes em minha resenha aqui. Vamos lá… O momento é propício, todos comentam a série de TV, muitos leram ou estão lendo os livros e se você tem sangue nerd e tem, afinal está lendo um artigo em um blog de jogos de mesa, você é fã de Game of Thrones. Mas o principal motivo de colocá-lo aqui é ver o quanto você e seu grupo se adaptam e apreciam um jogo mais complexo. Desta lista, A Guerra dos Tronos The Board Game é o que mais exige cuidado nos detalhes, leitura minuciosa do manual, preparação inicial da sessão de jogo, todos elementos fundamentais para o futuro board gamer barra pesada. É, também, o que mais demanda estratégia, negociação e até traições no tempo certo, oferecendo elementos novos nesta nossa lista dos cinco. E o visual? É aquele jogo que você baterá fotos e causará inveja e curiosidade no Facebook e no instagram. Acredite, aconteceu comigo.

              Sessão de A Game of Thrones no On Board: instagram nele!
              Sessão de A Game of Thrones no On Board: instagram nele! (Foto On Board)

              Bom, caríssimos leitores, espero que tenha sido válida esta iniciativa e que muitos decidam começar sua coleção. Vocês perceberão que receber os amigos regularmente em casa, para uma boa sessão de jogo, conversa, risadas, comes e bebes é uma forma de lazer maravilhosa e sadia, além de aproximar as pessoas que muitas vezes só encontramos do outro lado de uma tela.

              Assista a uma versão mais completa e atualizada no nosso Top Board em vídeo:

              Abraços analógicos e até o próximo Top Board!

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              Dentro das caixas de seus jogos favoritos existem tabuleiros, cartas, tokens, dados, cubos, meeples, tiles... Fora delas, existe o Universo. Claro que o conjunto...